Minerar Criptomoedas em Angola (Parte 1) - A Rig

4218

Ouvimos falar de mineração de criptomoedas várias vezes, mas será que é possível minerar em Angola? Mas isso rende mesmo alguma coisa aqui em Angola? O que é uma rig de mineração (mining rig)? Qual é o material necessário?

Woié pessoal, eu chamo-me Bruno e vou esclarecer todas estas perguntas ao longo da publicação. Eu faço mineração de criptomoedas desde 2017 e tenho muita coisa para partilhar. Fiquem comigo e vamos lá…

OBS: Se quiserem saber um pouco mais sobre criptomoedas no contexto angolano podem ler a publicação Bitcoin em Angola

!AVISO IMPORTANTE!

Este documento foi escrito com o intuito de ajudar a comunidade em geral. Todas as recomendações que forem feitas ao longo do documento, são opiniões minhas, tendo em conta a minha experiência ou as pesquisas feitas. Eu não assumo nenhuma responsabilidade pelas aquisições feitas ou pelas ações tomadas com base neste documento.

Como Comecei A Fazer Mineração De Criptomoedas

Eu sempre fui um GAMER. Sempre gostei muito de jogar Playstation e PC. Aprendi a jogar muito cedo e continuei durante toda a minha vida. Quando comecei a trabalhar, aos poucos fui montando o meu PC dos sonhos para jogos, mas infelizmente, pela escassez de tempo, as minhas horas de jogo diminuíram muito. Fiquei então assim com um monstro de PC para jogos a apanhar pó.

Depois de ter entrado em contacto com as criptomoedas, apercebi-me de que quem dá suporte às transações das criptomoedas são os próprios entusiastas das criptomoedas, disponibilizando a sua capacidade computacional em troca de uma remuneração pelo esforço e dedicação. Este processo é chamado de mineração, e o mesmo garante operacionalidade e a segurança de algumas criptomoedas. Para fazer mineração, basta deixar o computador/servidor ligado 24/7 e gradualmente vai-se recebendo uma remuneração em criptomoedas. Como a placa gráfica que eu usava para jogar servia perfeitamente para fazer mineração , liguei o pc à internet e comecei a fazer mineração de Ethereum. E assim tudo começou.

A moeda que escolhi para mineração foi o Ethereum então estudei esta criptomoeda até perceber exactamente o que era mineração . O bom lugar para começar é no próprio site da Ethereum Foundation: https://www.ethereum.org/ether.

Logo a seguir comecei a investigar sobre o que era necessário para fazer mineração. Lí vários artigos publicados pela comunidade de Ethereum, procurei tutoriais, ví vários vídeos no youtube sobre o assunto e de forma geral tentei ao máximo aprender com as experiências das outras pessoas.

O Que É Necessário Para Fazer Mineração (De Ethereum)

Para minerar, temos de construir o que a comunidade chama de “mining rig” ou em português “plataforma de mineração”. Como a palavra “rig” é a mais usada pela internet, vou utilizar somente a palavra “rig” para me referir a uma “mining rig”. Se tiverem que fazer alguma pesquisa na internet, também aconselho a utilizarem a expressão “mining rig”, porque aparece mais conteúdo relevante.

Uma rig é simplesmente um computador que é adaptado para minerar criptomoedas com mais eficiência. Normalmente, retira-se o computador da caixa convencional e coloca-se numa estrutura que permite maior circulação de ar. Como vamos minerar Ethereum é necessário ter placas gráficas. Isto porque o Ethereum foi concebido para utilizar blocos largos de memória e processar várias combinações em um curto espaço de tempo. As placas gráficas executam estas combinações melhor do que qualquer outro componente de hardware, então é fundamental ter pelo menos uma placa com memória igual ou superior a 3GB. Os outros componentes precisam de lá estar somente para dar suporte às placas gráficas.

Depois de montar a rig, é necessário configurar a rig para minerar Ethereum. Nesta publicação irei falar somente da criação da rig. A próxima publicação será sobre como configurar a rig para minerar Ethereum.

Calcular A Rentabilidade De Uma Rig

Uma das perguntas mais frequentes é sempre: “e quanto é que isso dá?”. Para responder a essa pergunta temos de fazer algumas contas e considerar alguns factores.
A rentabilidade de uma rig depende do desempenho da rig e do preço actual do Ethereum em USD. Na mineração de Ethereum o desempenho da rig é determinado pelas placas gráficas. A unidade utilizada é mh/s (megahashes por segundo). Se eu estiver a montar uma rig de 4 placas gráficas e cada placa gráfica tiver um rendimento de 30 mh/s, a rig fica com um rendimento total de 120 mh/s. Essa rig consome aproximadamente 800 Watts e o custo de energia em Angola é de 7,5 Kz/kWh (~ 0.03 USD/kWh). Agora basta utilizarmos estes valores e colocarmos numa calculadora para sabermos a rentabilidade da rig. Esta é uma boa calculadora e utilizo com frequência. A calculadora irá ter em conta o valor actual do Ethereum em USD e fará o cálculo de rentabilidade.

É bom também ter em mente o conceito de ROI (Return of Investment), ou em português, retorno de investimento. Isto não é nada mais nada menos do que o tempo que um investimento leva até dar ao investidor o valor total de investimento. Ainda utilizando o exemplo da rig de 120 mh/s e supondo que o rendimento dessa rig seja de 25 USD/mês, se o preço do Ethereum se mantiver constante, em um ano teremos 300 USD. Uma rig dessas pode custar 1200 USD então seriam necessários 4 anos para termos o nosso retorno de investimento ou ROI. Para cálculos de ROI recomendo esta calculadora.

Os cálculos de rentabilidade não são assim tão lineares e para nós Angolanos isso é uma vantagem muito grande. As criptomoedas podem ser utilizadas internacionalmente para pagar produtos ou serviços, então podemos considerá-las divisas.A grande vantagem é que o nosso custo de energia (~0.03 USD/kWh) é muito mais baixo do que o custo de energia dos outros países, como por exemplo os EUA (~ 0.10 USD/kWh). Quem faz mineração em Angola, está literalmente a trocar energia (que é paga em Kz) por criptomoedas. Por causa desse baixo custo de energia, os minersAngolanos serão um dos últimos a perder rentabilidade e iremos ganhar sempre alguma coisa.

Minerando Ethereums, ganha-se Ethereums e o preço do Ethereum varia. Isto quer dizer que os Ethereums já minerados podem ganhar ou perder valor. É uma boa estratégia definir metas mensais e anuais. Quando o valor do Ethereum fizer com que uma das metas seja atingida, fazemos o checkout dos ganhos.

Onde Comprar O Hardware

Todo o hardware que já comprei, tive de importar. Actualmente pelas dificuldades em obter divisas, o mercado Angolano está extremamente fechado. Online há várias opções, como por exemplo:

  1. https://www.amazon.com/ — Melhor site americano para encontrar componentes de hardware com garantias de qualidade a um preço justo sem correr riscos de fraude. Tendo criptomoedas, é possível comprar gift cards da Amazon e depois utilizar o saldo dos gift cards para fazer as compras na Amazon. Eu já utilizei a Amazon para comprar hardware para fazer mineração. Além da Amazon ser de confiança, já tive uma situação em que houve uma troca (por engano segundo eles) na encomenda que fiz. Fiz a devolução do produto e fui reembolsado. Tendo em conta esta experiência aconselho sempre às pessoas a solicitarem fotos dos produtos antes dos mesmos chegarem ao país. Se algo estiver errado, o processo de devolução fica mais fácil.
  2. https://www.newegg.com/ — Outro grande site americano para comprar hardware para mineração. A grande vantagem do NewEgg é que aceita pagamentos em criptomoedas e isso facilita a vida dos “miners“. Já utilizei o NewEgg e nunca tive problemas.

Como Importar Para Angola

Depois de comprar o hardware é necessário fazê-lo chegar até ao destino (Angola) e para tal tenho utilizado o site:

  1. http://shipito.com/. O shipito aceita pagamentos em criptomoedas, fornece um endereço americano para ser utilizado nos sites de compras, garantem entre 3 a 9 meses de tempo de armazenamento e conseguem fazer o transporte das mercadorias dos Estados Unidos até Angola. Tenho utilizado este site sem problemas e no momento é a melhor opção para pagar o transporte de mercadorias com criptomoedas.

O Que Comprar

Para quem está a começar a fazer mining, eu aconselho sempre a procurar bem os componentes de hardware. Em Angola ou em qualquer outro país que esteja fora do sistema financeiro global, fica muito difícil fazer devoluções, e por isso, antes de comprar qualquer componente de hardware, é sempre bom garantir que existem reviews na Internet que garantem que o componente que queremos comprar corresponde às nossas expectativas e que o componente é de boa qualidade. Deixo aqui uma série de componentes de hardware que já utilizei e outros. Reforço, que isto é apenas a experiência que tive ao longo do percurso.

Motherboard
A motherboard é a parte central de qualquer mining rig, por unir todos os outros componentes de hardware. A motherboard escolhida deve ser de boa qualidade e deve suportar todos os outros componentes que se pensa em adicionar. É uma boa ideia comprar uma motherboard com espaço suficiente para crescimento. Abaixo a motherboard que uso e recomendo segundo a minha experiência:

  1. BIOSTAR TB250-BTC PRO LGA 1151 12 GPU
    Nunca tive problemas com esta motherboard. É simples e fácil de configurar. Suporta até 12 placas gráficas e já utilizei até 7 placas sem problemas. Deve-se ter atenção ao tipo de processador e ao tipo de memória a comprar para esta motherboard.

Processador
O processador não precisa de ser topo de gama. Eu tenho utilizado processadores da intel básicos e não tenho problemas até hoje. Para mineração de ethereum o processador não tem nenhuma função a não ser fazer o computador ligar. Caso queiram fazer mineração de outra criptomoeda, aí sim, talvez o processador ajude no desempenho. Uma dica: Tenham sempre atenção ao tipo de memória RAM que o processador suporta e o tipo de ranhura que a motherboard tem. Já houveram situações em que o processador não encaixava na ranhura da motherboard porque não se prestou atenção ao tipo de processador que a motherboard suportava. Se a memória RAM tiver uma frequência mais alta do que aquela que a motherboard suporta, também haverão problemas. Resumindo, a motherboard, a memória e o processador devem ser todos compatíveis. Abaixo a minha recomendação para o processador:

  1. Intel Celeron G3930 Kaby Lake Dual-Core 2.9 GHz LGA 1151
    Processador simples e barato que funciona com estabilidade. Uso há 1 ano sem problema algum. É compatível com a motherboard recomendada acima.

Memória RAM
Similar ao processador, a memória não precisa de ser topo de gama. Eu tenho utilizado memória DDR4 e o mínimo que encontrei foram 4GB. Tenho utilizado 4GB sem problema nenhum e é o que recomendo. Felizmente a nossa NCR de vez em quando vai tendo memória desse tipo (DDR4), mas é preciso prestar muita atenção porque normalmente não demora muito a esgotar. Verifiquem o site deles periodicamente. Abaixo as minhas recomendações:

  1. MEMÓRIA RAM 4GB 2133MHZ DDR4 Ref:TS512MLH72V1H (NCR)
    Esta memória encontrei disponível na NCR uma única vez. A que comprei funcionou perfeitamente com a motherboard acima.
  2. Patriot Signature Line 8GB (2 x 4GB) 288-pin DDR4 2133MHz
    Alternativamente à NCR temos este pacote de 2 memórias vendidas pela Amazon que também já usei e funcionam perfeitamente. As 2 recomendações funcionam perfeitamente com a motherboard acima.

Placa gráfica
Bom, a placa gráfica é o componente de hardware mais importante para fazer mineração de ethereum. Eu costumo dizer que todos os outros elementos de hardware só são necessários para fazer com que as placas gráficas funcionem. Já experimentei várias placas gráficas e posso dar a minha opinião sobre cada uma delas. Existem duas grandes empresas que fabricam unidades de processamento gráfico (GPU — Graphics Processing Unit) que é mais ou menos o processador das placas gráficas, a AMD e a Nvidia. No momento as placas gráficas da AMD são mais rentáveis porque são mais baratas e têm muito bom desempenho no que toca a mineração de ethereum. Nas séries anteriores a AMD (série 4 — Rx 480 e Rx 470) tinha placas gráficas que consumiam mais energia do que as placas da nvidia, e a longo prazo isto tornava-se numa desvantagem em termos de consumo de energia. Nas séries mais recentes da AMD (série 5 — Rx 580 e Rx 570) isto já não acontece, e a única desvantagem que noto é que as placas da Nvidia também são utilizadas para o processamento de algoritmos de inteligência artificial. Se a mineração deixar de ser rentável, quem tiver placas da Nvidia pode sempre vender capacidade computacional aos algoritmos de inteligência artificial. Não sei como é que isso é feito exactamente porque nunca fiz, mas sei que é possível. As placas da Nvidia também têm muito bom desempenho na mineração de ethereum, mas não são muito rentáveis por causa do preço. Em média, as placas gráficas da Nvidia são 100–200 USD mais caras do que as da AMD. Antes de comprar uma placa gráfica é necessário ter algumas coisas em mente:

  1. Para mineração de ethereum o fabricante da placa gráfica tem muita importância (MSI, Gygabyte, etc) porque o desempenho da placa gráfica é determinado por uma combinação de tipo de memória, frequência da memória, taxa de transmissão da memória, refrigeração da memória e etc… Cada marca utiliza diferentes itens para produzir a placa gráfica e então é importante escolher a marca com algum cuidado. A melhor métrica de desempenho que existe, é o desempenho comprovado, ou seja, alguém que já testou uma placa de um modelo e marca específica. Para conseguirmos ter esta informação, aconselho a fazer pesquisas profundas em vários sites, nas reviews das placas (www.amazon.com, www.newegg.com) e a lista de placas que está abaixo. Tal como já foi escrito acima, existem 2 grandes empresas de GPUs.
  2. Para mineração de ethereum a quantidade de memória da placa gráfica não define o desempenho da placa gráfica. Existem placas gráficas de 4GB que tem melhor desempenho que placas de 8GB, e existem placas de 8GB que têm melhor desempenho que certas placas de 11GB. Então, eu não aconselho comprar placas gráficas somente por causa da quantidade memória que a placa tem.
  3. Os preços das placas gráficas que são utilizadas para mineração sobem quando os preços das criptomoedas sobem e descem quando os preços das criptomoedas descem.

Tendo dito isto, deixo aqui a minha lista de placas gráficas, em ordem de preferência:

  1. MSI Radeon RX 570 ARMOR MK2 8G (29 MH/s)
    Sem dúvida a melhor placa gráfica para mineração que já encontrei. É a que tem melhor custo benefício, ou seja, a placa que tem o custo de cada Mh (megahash) mais baixo. As fans da placa gráfica são silenciosas e a placa não aquece muito. É estável e é consistente.
  2. MSI Radeon RX 570 ARMOR 8G (27 MH/s)
    Esta placa gráfica também é óptima, embora tenha algumas desvantagens em relação a placa gráfica acima. Ela aquece mais, o que torna a refrigeração mais dispendiosa e tem cerca de 2 MHs a menos do que a placa acima embora seja mais barata.
  3. SAPPHIRE NITRO+ Radeon RX 580 8GB (30 MH/s)
    Esta placa é excelente, tem um hashrate alto, boa refrigeração mas infelizmente é mais cara do que as outras o que a torna menos atractiva.

Fonte de alimentação
O tipo de fonte alimentação a utilizar depende muito do tipo de Rig que se pretende construir. Os Watts são o parâmetro principal das fontes de alimentação. Quantos mais placas gráficas mais Watts são necessários. A minha primeira fonte de alimentação utilizada para mineração foi uma de 800 Watts da Corsair que ainda uso até hoje. Essa fonte de 800 Watts está numa Rig que tem 4 placas gráficas. A segunda fonte de alimentação é de 1200 Watts da EVGA e está numa Rig que tem 6 placas gráficas. A terceira fonte é de 1600 Watts da EVGA e está numa Rig que tem actualmente 7 placas gráficas mas o plano é expandir para 8. Para escolher uma fonte de alimentação a primeira coisa que faço é olhar para o tipo de entrada de power que tem as placas gráficas e certifico-me de que a fonte tem ligações suficientes para ligar as placas que desejo colocar na Rig. Há mineiros que preferem comprar 2 fontes de alimentação e ligá-las ao mesmo tempo. Esta é uma opção mais barata em relação a comprar uma fonte alimentação de mais de 1000 Watts, ou seja, comprar duas fontes de alimentação de 750 Watts é mais barato do que comprar uma fonte de alimentação de 1500 Watts. A grande desvantagem de comprar 2 fontes é que a eficiência é menor, ou seja, as 2 fontes juntas gastam mais energia do que 1 fonte de alta capacidade. Também deve-se prestar atenção à quantidade de Risers que se pretende colocar na Rig e a quantidade FANs. É necessário garantir que a fonte de alimentação tem ligações suficientes para suportar todos os dispositivos. Abaixo a lista com a descrição das fontes de alimentação:

  1. EVGA SuperNOVA 1200 P2
    Esta fonte de alimentação utilizo na Rig que tem 6 placas gráficas. Foi necessário comprar alguns cabos adicionais para facilitar as ligações.
  2. EVGA SuperNOVA 1600 P2 80+ PLATINUM
    Esta fonte de alimentação utilizo na Rig que tem 7 placas gráficas e ainda existe espaço e cabos suficientes para mais 1 placa gráfica.

Disco duro/ Pen Drive
Nas minhas Rigs eu não utilizo discos duros. O sistema operativo para mineração que uso (Hive OS), roda numa pen drive e acho melhor assim porque consigo poupar recursos. Uma Pen Drive é muito mais barata que um disco duro e muito mais leve também. As Pen Drives eu compro na NCR mesmo. O Hive OS utiliza aproximadamente 7GB de disco duro então qualquer Pen Drive com 8GB ou mais, serve para o efeito.

Risers (Extensores da ranhura PCIe)
Os Risers fazem com que seja possível separar as placas gráficas da motherboard, ou seja, os Risers são uma extensão da ranhura existente na motherboard e isso permite que as placas gráficas sejam melhor refrigeradas. Os Risers também precisam de energia e se forem de má qualidade podem dar início a incêndios. É necessário garantir que os Risers adquiridos tem ligações de energia que a fonte de alimentação possui. Abaixo a lista dos Risers que já usei e os meus comentários:

  1. PCIE Riser 1X TO 16X Graphics Extension for GPU Mining
    Estes são os melhores risers que já experimentei. A qualidade é optima e tem a vantagem de ter vários conectores em posições diferentes para facilitar as ligações. Muito útil para gerir melhor os cabos da fonte de alimentação.
  2. Rosewill PCIe (PCI Express) 16x to 1x Riser Adapter
    Estes risers também são muito bons mas apenas possuem um tipo de conector. Nunca tive nenhum problema com nenhum destes risers.

Mining rig frame
A mining rig frame é a estrutura utilizada para colocar todos os componentes da Rig. Normalmente os computadores ou servidores convencionais tem o que se chama de “Case”. Para as rigs, uma “Case” não é muito funcional porque aquece muito e as placas gráficas precisam de mais espaço e ar. Sendo assim foi criada uma estrutura que é utilizada pela maior parte dos miners que facilita o funcionamento da rig. Abaixo alguns exemplos de rig frames que utilizei para imitar o design:

Abaixo a minha rig de madeira:

Pode-se construir a frame, reutilizar objectos antigos de casa, comprar, solicitar a alguém para fazer e etc. No fundo pode-se obter a frame de várias formas, o mais importante é sempre garantir que as placas gráficas tem espaço suficiente para respirar. Abaixo a descrição das rig frames que já montei e a que uso até hoje:

  1. 8 GPU Stackable Preassemble Mining Case Rig
    Actualmente uso esta rig frame na Rig que tem 7 placas gráficas e aconselho. Tem espaço suficiente para 8 placas, já vem com espaços dedicados para as FANs e suporta até 2 fontes de alimentação (embora eu só use 1).
  2. Veddha Professional 6 GPU Miner Case Aluminum Stackable Mining Case Rig
    Eu já montei uma rig com Rig frame e gostei de design. A grande desvantagem é que o processo de montagem é um pouco mais longo, mas tirando isso, esta rig frame é muito boa. OBS: estas 2 rig frames não têm FANs incluídas. As imagens mostram sempre as rig frames com FANs mas normalmente as FANs têm de ser compradas à parte.

Eu tenho uma rig frame de madeira que foi feita aqui em Angola por um carpinteiro e até hoje cumpre a sua função. Se conseguirem fazer a mesma a coisa, evitam a necessidade de importar uma rig frame (que é pesada e a transportadora cobra caro).

Cabos para ligar e desligar a motherboard

Para ter mais conforto ao desligar e ligar a Rig, é aconselhável comprar um cabo que se liga directamente à motherboard para ligar e desligar a Rig. Abaixo deixo o nome do cabo que utilizo:

  1. Electop 2 Pack 2 Pin SW PC Power Cable on/off
    É um cabo bastante simples que tem de ser ligado à motherboard para ligar e desligar a rig. Sem ele pode-se utilizar um arame/ferro para fazer contacto entre os 2 pinos de “Power On” da motherboard.

Extensores de cabos eléctricos

Os extensores dos cabos eléctricos são necessários por causa da distância que existe entre os componentes. Os cabos originais que vêm com a fonte de alimentação são muito curtos e às vezes é necessário ligar componentes que estão a 40 ou 50 cm de distância. Eu uso extensores dos cabos de 4 pinos e extensores dos cabos de 6 pinos. Abaixo a descrição destes extensores:

  1. 4 pinos: 12″ 4 Pin Molex Extension Adapter Cable
    Utilizei este extensor para alimentar alguns risers que estavam muito distantes dos cabos da fonte de alimentação. Funciona sem problemas e é de boa qualidade. Nem sempre é necessário mas recomendo ter sempre alguns de sobra. Não vão querer ter a experiência de estar a montar uma rig e não conseguirem ligar uma placa gráfica por estar a faltar um simples extensor.
  2. 6 pinos: Cable Matters 2-Pack 6 Pin PCIe Extension Cable
    Uso este extensor também para alimentar os risers. De boa qualidade também. Nem sempre é necessário mas recomendo ter sempre alguns de sobra.

Fans

Fans ou ventoinhas em português, servem para ajudar a manter a Rig fria. Elas ajudam o ar a circular melhor e com um bom posicionamento das Fans podemos criar uma boa circulação de ar. Um bom factor a ter em conta sobre a circulação do ar é que o ar quente tende a subir e o ar frio tende a ficar em baixo. Pensem nisso quando estiverem a desenhar o vosso fluxo de ar. Abaixo as Fans que já usei:

  1. Rosewill 120mm Case Fan 4-Pack (Caixa com 4 FANs)
    Rosewill é uma boa marca e tem produtos com muita qualidade. Estas FANs não fogem a essa regra. São boas e duráveis. Recomendo.

Agora que já falamos de todos os componentes de uma rig, apresento abaixo o conceito de uma rig usando os componentes que em minha opinião, apresentam melhor desempenho ao preço mais baixo:

Placa Gráfica: MSI Radeon RX 570 DirectX 12 RX 570 ARMOR MK2 8G

Motherboard: BIOSTAR TB250-BTC PRO LGA 1151 12GPU

Processador: Intel Celeron G3930 Kaby Lake Dual-Core 2.9 GHz LGA 1151

Memória: Patriot Signature Line 8GB (2 x 4GB) 288-pin DDR4 2133MHz ou MEMÓRIA RAM 4GB 2133MHZ DDR4 (NCR Angola)

Extensores de PCI-E(Risers): PCIE Riser 1X TO 16X Graphics Extension for GPU Mining

Botão de Power: Electop 2 Pack 2 Pin SW PC Power Cable on/off

Fonte de Aliementação: EVGA SuperNOVA 1600 P2 80+ PLATINUM

Extensores de 6 pinos: Cable Matters 2-Pack 6 Pin PCIe Extension Cable

Extensores de 4 pinos: 12″ 4 Pin Molex Extension Adapter Cable

Mining Rig Frame: 8 GPU Stackable Preassemble Mining Case Rig

Fans: Rosewill 120mm Case Fan 4-PackAmazon

Dicas Para Quem Vai Começar

Começar devagar e evoluir à medida que se vai crescendo

Normalmente quando falo sobre mineração com algumas pessoas a tendência delas é logo montar uma Rig perfeita com 8 ou mais placas gráficas. A emoção toma conta do coração das pessoas e eu entendo muito bem o que é isso porque já estive nessa posição. O que aconselho hoje é começar pequeno e ir crescendo gradualmente ao longo do tempo. Deixem-me explicar melhor. No princípio o ideal é comprar uma rig pequena com no mínimo 1 placa gráfica e no máximo 4 placas. Porquê? Porque quando se faz mineração existem coisas que nós não sabemos que não sabemos. Durante o processo aparecem-nos vários obstáculos e muitos deles não conseguimos prever, então é muito importante aprender com os nossos erros e melhorar ao longo do caminho. Se por exemplo o leitor decidir comprar 4 rigs de 8 placas gráficas logo no princípio, se cometer um erro compromete logo as 4 rigs. Sem dizer que para ter 4 rigs a funcionarem é necessário fazer alguns ajustes ao local onde ficarão essas rigs como por exemplo a circulação de ar, a instalação eléctrica, as ligações de rede e etc. Devemos sonhar em alcançar grandes objectivos sim, mas devemos começar com passos pequenos para ganhar experiência e maturidade.

Ao comprar hardware validar sempre sempre sempre o material antes de enviar para Angola

Pessoal, eu já cometi este erro uma vez e digo do fundo do meu coração, que não há coisa pior do que esperar 2 ou 3 semanas à espera de um produto, e ao abrir a caixa damos conta que não é o produto certo. Dói muito mesmo. Muito. Vou contar-vos aqui rapidamente a minha história. Depois de ter começado a minerar com a placa gráfica que usava para jogar decidi fazer um update. Entrei na amazon, vi algumas placas gráficas, fiz algumas pesquisas e supostamente tinha encontrado a placa perfeita. Como tinha dinheiro suficiente para 2, encomendei as 2. Para trazer a maioria dos produtos dos EUA para Angola, é necessário utilizar uma transportadora. Então comprei os produtos na Amazon, a Amazon enviou para a transportadora e depois tinha mandar a ordem para a transportadora enviar para Angola. Antes de enviar os produtos para Angola, a transportadora oferece a possibilidade de tirar fotografias detalhadas do produto para que o cliente possa validar que o produto adquirido é realmente o certo. Para fazer isso, eles cobram cerca de 5 USD. Eu na minha grande inocência pensei: “Não preciso disso, já fiz compras na Amazon e nunca tive problemas. Também a Amazon é séria. E depois é Americana. Eles não cometem esses erros assim de trocar produtos. Vou poupar os meus 5 USD e vou mandar vir os produtos”. E assim foi. Os produtos chegaram e quando abri a primeira caixa, apanhei um choque. Estava lá dentro uma placa suja, cheia de poeira e muito antiga. Nem para jogar dava. Abri a segunda caixa para ver se também tinham trocado os produtos, mas Graças a Deus estava lá o produto certo. A Amazon cometeu um erro e enviaram a placa errada. Para devolver a placa errada tive que pagar aproximadamente 100 USD (via DHL). Isto porque a Amazon não enviou directamente para mim e nesses casos eles só cobrem o transporte para onde foi feito o envio inicial. Então eu tive de pagar o transporte de volta para a transportadora e Amazon cobriu as despesas da transportadora para o armazém deles. No final a Amazon devolveu-me os valores e eu comprei outra placa gráfica.

Conclusão: Validem sempre sempre sempre os vossos produtos antes de enviarem para Angola. Mesmo que tenham de gastar mais dinheiro, é sempre mais seguro. Como o caminho é longo, os erros custam mais caro (literalmente).
Se quiserem saber sobre truques e dicas para transportarem produtos para Angola com criptomoedas, leiam o artigo Bitcoin em Angola.

No princípio não precisa de ser perfeito
Esta é outra tendência que eu tento sempre combater. Quando se fala de montar uma Rig, as pessoas pensam em datacenters com sistemas de refrigeração XPTO, e grandes sistemas de redundância eléctrica e etc… Não é mau pensar nessas coisas, mas tudo a seu tempo.

Não faz sentido pensar nisso se estiver a montar uma rig de apenas 4 placas gráficas, que o consumo de energia é menor que de um AC e o aquecimento é quase insignificante. Isto também reforça o conselho acima de começar pequeno para ganhar experiência. Não adianta investir numa infraestrutura “brutal” quando a fase em que estamos ainda não exige essa infraestrutura. Sem dizer que quanto maior a infraestrutura mais custos teremos. Pensar nesses detalhes no princípio também causa paralisia mental, porque as pessoas desistem antes de começar porque pensam que esses detalhes todos são necessários para começar, e isso não é verdade. Bom, estou aqui eu para desfazer essa confusão toda.

Eu sempre acreditei na ideia de começar pequeno e crescer gradualmente então comecei mesmo com o computador que usava para jogar. Fiquei com esse computador que só tinha 1 placa cerca de 4 meses. Depois, com os rendimentos dessa placa e a subida do valor das criptomoedas tentei comprar mais 2 placas mas só consegui 1 placa. Fiquei com 2 placas a funcionar por 3 meses. Durante esses 3 meses mandei fazer uma rig frame de madeira para melhorar a circulação de ar. Ao final dos 3 meses comprei mais 2 placas e fiquei com 4 placas no total. Essa rig de 4 placas ficava num compartimento da casa em que nem sempre tinha o AC ligado e não tinha UPS. As proteções que a fonte de alimentação tinha eram suficientes para aquela fase. Tive um problema na instalação eléctrica de casa porque a instalação era antiga e os cabos eram muito finos para suportar aquela corrente toda, mas consegui resolver com muita facilidade chamando um electricista que mudou os cabos do quadro e colocou disjuntores com mais qualidade. Essa rig de 4 placas foi a minha primeira rig e funciona até hoje. Cometi vários erros e aprendi a maior parte das coisas que sei sobre mineração com essa rig. Na altura não tinha ninguém para me guiar a não ser a internet. Ninguém entendia de criptomoedas e todo mundo dizia que era uma perca de tempo, mas mesmo assim fui em frente.

Então por favor não me venham dizer de que não é possível começar porque não tenho A ou B. E se encontrarem pessoas desmotivadoras a dizerem que não é possível enviem-lhes esse artigo. Lembrem-se de que grandes empresas começaram numa garagem quando todo mundo dizia que era impossível. Grandes coisas surgem de pequenas coisas feitas diariamente.

O hashrate de uma placa gráfica só é confirmado quando ela está ligada à Rig

Ao longo do primeiro ano de mineração, depois inúmeras pesquisas que fiz na internet, cheguei à conclusão de que a Nvidia GTX 1060 de 6GB seria a próxima placa a adquirir. Fiz a compra, mas quando montei a placa na minha rig, ela não tinha o desempenho que eu tinha pesquisado na internet. E foi aí que aprendi o seguinte: Cada placa é uma placa. Na internet quando se pesquisa informações sobre o desempenho das placas gráficas no que toca a mineração, encontramos vários artigos e várias experiências diferentes. É importante saber que o fabricante da placa gráfica é de extrema importância. A Nvidia GTX 1060 de 6GB que comprei era da EVGA e nas pesquisas que tinha feito a maior parte dos artigos fazia referência a uma placa da Gigabyte, mas antes de comprar eu não reparei nisso, e aprendi pela forma mais dura. Nem todas as Nvidias GTX de 6GB têm o mesmo desempenho e isso serve para todas as placas gráficas. Para diminuir o risco, recomendo a procurarem por reviews de clientes que compraram as placas e reportaram o desempenho. Podem ver reviews na Amazon ou no Newegg. Tentem sempre comprar EXACTAMENTE a mesma placa (modelo, fabricante, memória) que os artigos se estiverem a referir.

O mercado

Eu não entendo muito de economia, mas com as criptomoedas tive de aprender um pouco sobre assunto. As criptomoedas tem valor e para quase tudo que tem valor existe um mercado. Fazendo mineração estamos a participar desse mercado e já que estamos a participar do mercado é bom que saibamos minimamente como é que ele funciona.

Qualquer mercado é feito pelas pessoas que estão no mercado, e os preços dos itens desse mercado irão variar tendo em conta o valor que esse item tiver aos olhos das pessoas. Por exemplo, no deserto um copo de água pode ter um valor muito alto e as pessoas irão pagar esse valor porque no deserto há pouca água. Se tentarmos vender o copo de água ao mesmo preço numa quinta que tenha um rio ao lado, não teremos sucesso porque para ter água, basta que as pessoas cheguem até ao rio. Com as criptomoedas acontece a mesma coisa, ou seja, quando há muita procura e a oferta é insuficiente o preço tende a subir.

Quando há pouca procura e muita oferta o preço tende a descer. Claro que existe sempre a especulação, que é quando a media nos faz acreditar que o valor irá subir, todo o mundo acredita, as pessoas começam a comprar em massa até que chega a um ponto em que tudo desaba porque esse item de mercado não tem o valor que sustenta o preço elevado. Podemos sempre ficar atentos a alguns indicadores que nos podem dizer mais ou menos qual é o valor, aos olhos das pessoas, que as criptomoedas têm. Podemos olhar para a quantidade de transações, quantidade de entidades que permitem pagamentos com criptomoedas, desenvolvimentos em termos de software e as notícias em geral. Se o preço estiver a subir e esses indicadores estiverem a subir também, então pode ser um sinal de que há maior procura, e se há maior procura é porque aos olhos das pessoas as criptomoedas ganharam mais valor. Infelizmente o preço nem sempre é um indicador de valor, mas a utilização é sempre.

Para os miners a dificuldade de mineração é um conceito importante. Quando se faz mineração, o sistema remunera os miners pelo poder computacional dedicado ao sistema. A remuneração é feita tendo em conta capacidade computacional dos miners em relação à rede. Por exemplo: o minerador A tem 60% da capacidade da rede enquanto que o minerador B tem 40% da capacidade da rede. Isto irá fazer com que o minerador A seja remunerado 60% das vezes e o minerador B 40%. Se entrar um novo minerador C com 20% da capacidade total do sistema, ele irá fazer com que diminua a probabilidade de os outros miners serem remunerados. Resumindo, quanto mais miners existirem no sistema menor é a remuneração dos miners que já estão no sistema. O inverso também válido, quando os miners desistem e saem do mercado os mineradores que ficam no mercado ganham mais.

Para uma rig funcionar requer energia e se o custo de energia for mais alto do que a remuneração os miners saem do mercado. O valor exacto em moeda convencional que o minerador irá receber depende de valor de mercado que a criptomoeda que estiver a ser minerada tem no mercado.

Por exemplo: a Kieza tem uma rig de mineração de Ethereum. Ela ganha 1 ethereum por mês. Vamos supor que o valor do ethereum tenha assumido os seguintes valores: Janeiro: 200 USD, Fevereiro: 180 USD e Março: 130 USD. Vamos supor também que a Kieza paga 150 USD de energia por mês. Se a Kieza ao final de todos os meses fez a conversão dos seu ethereum para USD então ela teria o seguinte balanço:

No final do mês de março podemos ver que a Kieza tem fortes razões para deixar de minerar porque já não consegue pagar a energia com os rendimentos vindos da mineração. Esta é uma das grandes razões que faz com que os mineradores desistam. É ai que entra a média de consumo de energia mundial.

Eu acredito que o valor mais baixo que uma criptomoeda pode ter, está associado ao valor mínimo necessário para minerar uma unidade dessa criptomoeda. Por exemplo, vamos supor que o Henda é o único minerador do mundo. O Henda tem uma rig que minera 1 ethereum por dia. Com essa rig o Henda paga 80 USD por dia. O Henda vende cada ethereum a 90 USD para pagar os custos de energia (80 USD) e ter ainda um lucro para si (10 USD). Se Henda começar a vender os seus ethereum a 70 USD, mais cedo ou mais tarde o Henda terá de sair do sistema porque não terá rendimentos suficientes para pagar os custos de produção dos seus Ethereums. Como os miners são os únicos que “injectam” criptomoedas no mercado, os miners nunca irão vender criptomoedas a um valor mais baixo do que o custo total de produção de uma unidade da moeda minerada. Sabendo a média do custo de energia mundial conseguimos calcular o custo em média para a produzir um ethereum. Com o custo de produção de 1 ethereum, saberemos que a criptomoeda não será vendida a um valor muito abaixo do custo de produção. Pelo menos não por muito tempo.

O que não te mata torna-te mais forte

Vou contar-vos um outro incidente que tive. Logo depois de ter fechado a minha primeira rig de 4 placas, comecei a fazer os planos para a minha segunda rig de 6 placas. Fiz o plano, coloquei numa lista todo o material necessário, fiz as compras e mandei para a transportadora. A compra inicial teria 2 placas gráficas da Nvidia e os restantes componentes necessários para a rig funcionar. Na altura de enviar a rig para Angola a transportadora notificou-me que tinha deixado perder a minha rig. Eu fiquei furioso. Falei várias vezes com eles, escrevi emails, enfim, fiz muita confusão mesmo porque sabia que quando se trata de mineração, tempo é literalmente dinheiro. Por “coincidência” nessa altura, tinha conseguido convencer um amigo a comprar uma rig e a começar a minerar também. Esse meu amigo descobriu que as placas da AMD eram mais baratas e tinham um rendimento melhor para mineração que as da Nvidia. Eu duvidei até ao dia em que fomos montar a rig dele e realmente pude constatar que para mineração as placas da AMD são melhores. Isso fez com que eu redesenhasse o plano da minha segunda rig. Uns dias depois, a transportadora fez a devolução do dinheiro da minha rig perdida e com o mesmo dinheiro, consegui comprar 4 placas gráficas (ao invés de 2) e todos os componentes necessários para a rig funcionar. Com essa situação aprendi duas coisas: 1 — Os desafios que encontramos tornam-nos literalmente mais sábios. Devemos olhar para as situações indesejadas com optimismo para podermos tirar o máximo proveito daquilo que elas têm para nos oferecer. 2 — Se sabemos algo que poucas pessoas sabem, é melhor partilhar. Se eu não tivesse partilhado os conhecimentos de mineração e criptomoedas com o meu amigo eu não iria descobrir que as placas da AMD são realmente melhores para mineração do que as da Nvidia. E até se calhar hoje não estaria a escrever este artigo. Sozinho chega-se mais rápido, mas juntos vamos mais longe. Literalmente.

Como aproveitar melhor os ciclos do mercado

O mercado das criptomoedas é cíclico, ou seja, ele sobe e desce. Há certas acções que é melhor fazer em certas fases desse ciclo.
Quando o mercado sobe e atinge um valor que compensa o retorno do investimento, é uma boa altura para pensar em tirar uma parte dos rendimentos. O ideal aqui é tentar minimizar os riscos, mantendo sempre uma parte dos rendimentos no mercado das criptomoedas e outra parte fora do mercado.
Quando o preço desce, é uma boa altura para investir em hardware, que é o que faço, já que o preço dos componentes de hardware também baixa. Também é uma boa ideia investir em projectos baseados em criptomoedas.

Conclusão

Depois de algumas reflexões e pensamentos profundos eu cheguei a uma conclusão que pode chocar os leitores. Se o leitor estiver à procura de um investimento viável, com alguma segurança e uma boa probabilidade de ter o retorno do investimento num tempo razoável, então o investimento em criptomoedas não é para si. É isso mesmo que está escrito. Não é para si. Pode parecer um choque porque a publicação fala de mineração e a mineração envolve uma certa remuneração que pode ser lucrativa, mas a verdade é que neste mercado só persiste quem acredita na tecnologia.

Eu descobri que eu não faço mineração simplesmente pelo lucro, se esse fosse o caso eu já teria desistido porque com a queda dos preços os lucros desceram muito. Eu faço mineração porque acredito na tecnologia, porque acredito que esta é a melhor forma de descentralizar o sistema financeiro. Eu acredito em dar às pessoas a possibilidade de poderem criar as suas próprias soluções financeiras e é exactamente isso que as criptomoedas permitem. Por outro lado é bem verdade que as criptomoedas tiveram um período em que o preço subiu muito. Falo mais especificamente do período entre Dezembro de 2017 e Janeiro de 2018, em que o preço de um Bitcoin chegou aos 20.000 USD e o preço de um Ethereum chegou aos 1.500 USD. Nessa altura vários investidores entraram no mercado porque as criptomoedas aparentavam ser “um negócio rentável”. Mas da mesma forma que vimos essa subida abismal de preços também vimos uma queda abismal de preços em que em Dezembro de 2018 o preço de um Bitcoin andou à volta de 3.500 USD e do Ethereum à volta de 80 USD.

Ninguém consegue prever este mercado a curto prazo. Não há garantias, há muita volatilidade e ninguém tem a certeza absoluta de nada. Temos apenas aquilo em que acreditamos e eu acredito que a longo prazo teremos adopção em massa de bilhões de utilizadores, porque eventualmente alguma criptomoeda será utilizada em grande escala. Acredito nisso porque já usei criptomoedas e é a forma mais fácil e simples que já vi de trocar valor entre duas pessoas. É apenas uma questão de tempo até termos adopção em massa, acredito eu.

Ao fazer mineração de Ethereum, além de ser remunerado pela capacidade computacional disponibilizada, estou a contribuir para garantir a segurança do Ethereum. A mineração também me proporcionou um aprendizado contínuo sobre vários temas como, montagem de rigs, noções de contabilidade, noções de mercados, noções de gestão de empresas, noções de logística, noções de investimento, noções de trading, criatividade e etc. Conheci pessoas fantásticas ao longo desse processo que me abriram muitas portas e de que certeza que sem elas hoje não teria adquirido o conhecimento que adquiri. Resumindo, não aconselho a fazer mineração simplesmente pelo lucro mas sim por aquilo que o processo de mineração em si pode proporcionar.

Existe sim a probabilidade de ter lucros elevados, mas não é uma certeza e para quem realmente deseja ganhar dinheiro aconselho a investir em outro ramo. Acredito que a longo prazo a tecnologia irá evoluir muito. No final, os únicos que conseguem persistir no meio de tantos desafios são os “amantes desta tecnologia”, e estes sim, a longo prazo acredito que serão recompensados.

Como sempre, é um prazer escrever para a comunidade local. Se gostaram da publicação deixem os vossos comentários. Se não gostaram digam-me porquê para que eu possa melhorar nas próximas publicações.

Eu irei receber uma pequena parcela de todas as compras que forem feitas utilizando os links desta publicação. Isto vai ajudar-me a continuar escrever conteúdo de valor.

Quem me quiser ajudar a escrever mais conteúdo como esse, pode fazer-me uma doação.

Endereço Ethereum:
0x0A632E81e6aB0582c8EDf6Ca1928D67e2516C18A

Endereço Bitcoin
1BA7XaRcoJhGayhN8bfaoz2AKH7BFUsgS3

Obrigado por terem lido e fiquem bem!


Artigo publicado originalmente aqui e republicado no MenosFios com permissão do autor, Bruno Freitas, a quem agradecemos por partilhar conhecimento com a comunidade!