
Segundo dados da FortiGuard Labs citados no documento, 37,95% de todas as detecções de botnets registadas no continente em 2025 tiveram origem em Angola, uma percentagem muito acima da segunda posição, ocupada pelos Camarões (23,89%), e ainda mais distante da África do Sul (9,12%), do Quénia (7,78%) e do Gana (6,29%).
O que é um Botnet?
Um botnet é uma rede de dispositivos infectados (computadores, routers, etc), por exemplo, que passam a ser controlados remotamente por criminosos, geralmente sem o conhecimento dos seus donos, para lançar ataques coordenados como negação de serviço (DDoS), envio massivo de spam ou distribuição de ransomware. O relatório da INTERPOL associa directamente o elevado nível de actividade de botnets detectado em Angola a “uma rede crescente de dispositivos comprometidos usados para lançar ataques coordenados”.
Entre as ferramentas identificadas como motor deste tipo de actividade em África está o Sliver, um framework de comando e controlo (C2) de código aberto e de acesso gratuito que, segundo a INTERPOL, “está a ser transformado em arma para implementar novas variantes de ransomware“, entre elas o 01flip, uma estirpe recente escrita para funcionar em múltiplas plataformas. A nível continental, a família Sliver.Botnet foi responsável por 40,9% de todas as detecções de botnet em 2025 (62,9 milhões de ocorrências), seguida pela família Mozi, com 25,4%.
O documento sublinha ainda que os agentes de ameaça têm vindo a recorrer a ferramentas automatizadas de reconhecimento, apoiadas em aprendizagem automática, capazes de analisar dezenas de milhares de sistemas por segundo à procura de routers desactualizados, software não corrigido e serviços de nuvem mal configurados, precisamente o tipo de falha que alimenta a expansão de redes de bots. Os Camarões, segunda posição do ranking, registaram 40,5 milhões de detecções de botnet em 2025, o volume absoluto mais alto do continente.