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Angola liderou deteções de botnets em África em 2025

A diferença face aos restantes países é significativa. Os Camarões, em segundo lugar, representaram 23,89% do total, com 40,5 milhões de deteções. A África do Sul, uma das economias mais digitalizadas da região, registou 9,12%.

O relatório reforça esta realidade no capítulo dedicado à África Austral. Angola e as Maurícias registaram um aumento acentuado dos ataques DDoS em 2025, fenómeno que a INTERPOL associa à concentração de infraestruturas digitais de elevado valor. No mesmo capítulo, Angola surge como o país da região com o maior volume de deteções de botnets.

Há ainda dois indicadores relevantes. Angola concentra 3,2% das vulnerabilidades exploráveis identificadas em África pela Shadowserver Foundation. O país é também a origem de 4% das 600 mil deteções de sextorsão registadas pela TrendAI, percentagem que o coloca no quinto lugar do continente.

Uma botnet é uma rede de dispositivos infectados por malware e controlados à distância por cibercriminosos. Segundo a INTERPOL, estas redes constituem um dos principais meios utilizados para distribuir ransomware. A organização interpreta o elevado número de deteções em Angola como um sinal do crescimento de uma rede de dispositivos comprometidos, que pode servir para lançar ataques coordenados.

Os alvos invisíveis: os componentes que sustentam (e derrubam) uma rede

A família mais difundida em África é o Sliver, uma framework de comando e controlo de código aberto, utilizada, por exemplo, na distribuição do ransomware 01flip. A FortiGuard Labs descreve também ferramentas de reconhecimento automático capazes de analisar dezenas de milhares de sistemas por segundo à procura de routers vulneráveis, software desactualizado e serviços cloud mal configurados.

Na África Austral, destacam-se os infostealers, trojans e backdoors. O relatório admite que estas ameaças possam funcionar como uma cortina de fumo antes da instalação de ransomware. O documento não apresenta, contudo, causas específicas para a elevada incidência registada em Angola.

O relatório assinala também alguns avanços. Em Novembro de 2025, Angola aprovou uma Estratégia Nacional de Cibersegurança e criou um Centro Nacional de Cibersegurança com autoridade reguladora. O país esteve ainda entre os visados pela Operação Serengeti 2.0, coordenada pela INTERPOL contra infraestruturas de ransomware e centros de burla.

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