
Câmeras de segurança estão a ganhar novas capacidades com o avanço da Inteligência Artificial. Além de registarem imagens, alguns sistemas já conseguem analisar comportamentos e identificar padrões considerados fora do normal, emitindo alertas antes que uma situação possa resultar num crime.
A tecnologia faz parte do chamado policiamento preditivo, que utiliza sistemas de IA para analisar imagens e identificar possíveis situações de risco. A solução começa a despertar o interesse de empresas que procuram reforçar a segurança de instalações, estabelecimentos comerciais e outros espaços.
Na prática, as imagens captadas pelas câmeras são processadas por sistemas capazes de transformar elementos visuais em dados e reconhecer padrões previamente definidos. Uma pessoa que permaneça demasiado tempo num determinado local ou apresente um comportamento considerado fora do padrão, por exemplo, pode gerar um alerta para a equipa responsável pela segurança.
Segundo Nicolau Ramalho, fundador da NoLeak, empresa que desenvolveu uma solução de policiamento preditivo para o sector privado, o sistema transforma as imagens captadas pelas câmeras em metadados e analisa alterações nos padrões identificados.
“O sistema conecta-se à câmera, transforma a imagem em metadados e reconhece padrões. Se o padrão da imagem for alterado, emite um alerta”, explica.
Os metadados resultam da conversão de elementos presentes nas imagens em informações que podem ser processadas pelo sistema. A tecnologia é treinada para reconhecer determinados padrões e identificar situações que se afastem do comportamento considerado normal.
No caso da solução desenvolvida pela NoLeak, o sistema não toma decisões ou intervém directamente perante uma situação considerada suspeita. Os alertas são encaminhados para uma plataforma de gestão de vídeo, onde um operador humano analisa as imagens e decide que procedimento adoptar.
“Os alertas vão para um sistema de gestão de vídeo, e o operador toma a atitude que achar pertinente, seja acionar directamente uma força policial ou a equipa de segurança privada”, afirma Nicolau Ramalho.
Apesar do potencial para reforçar a segurança e permitir uma resposta mais rápida, o uso de IA para prever possíveis crimes também levanta questões sobre privacidade, direitos individuais e possibilidade de erros.
