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EY: Inteligência Artificial não substitui pessoas, mas pode substituir empresas

A Inteligência Artificial (IA) não vai substituir as pessoas, mas poderá substituir organizações que não acompanharem esta transformação tecnológica. O alerta foi feito por Filipe Colaço, Partner de Consulting da EY Angola, durante a sua participação no Fórum Nacional de Inteligência Artificial (FNIA), realizado em Luanda.

Na apresentação subordinada ao tema “Beyond the Hype – Como a Inteligência Artificial está a redefinir os Modelos Operativos das Organizações”, o especialista afirmou que a IA deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se tornar um elemento estratégico de competitividade e crescimento empresarial.

Segundo Filipe Colaço, o maior desafio das organizações já não está na adopção da tecnologia, mas na capacidade de transformar os seus modelos operativos, preparar as equipas e garantir uma base sólida de dados capaz de gerar valor de forma sustentável.

O responsável explicou que as empresas que lideram a adopção da Inteligência Artificial começaram por redefinir os seus processos e estratégias de negócio, utilizando a tecnologia para optimizar operações, apoiar a tomada de decisões e aumentar a eficiência.

“A transformação não acontece quando implementamos Inteligência Artificial. Acontece quando conseguimos alinhar estratégia, dados, tecnologia, processos e pessoas para gerar resultados concretos e sustentáveis para o negócio”, afirmou.

Durante a intervenção, Filipe Colaço revelou que, actualmente, 85% das organizações consideram a Inteligência Artificial uma prioridade estratégica. No entanto, apenas 11% conseguem demonstrar impacto financeiro mensurável, evidenciando a dificuldade em converter investimentos em resultados concretos.

O especialista alertou ainda que muitas organizações continuam focadas apenas na aquisição de novas tecnologias, sem investir suficientemente na qualidade dos dados e na preparação das equipas, factores considerados essenciais para o sucesso da implementação da IA.

“Quem não investir na sua base de dados corre o risco de implantar Inteligência Artificial sobre areia em vez de alicerces sólidos. A qualidade dos dados continua a ser um dos principais factores que distingue as organizações que lideram daquelas que apenas seguem a tendência”, sublinhou.

Na ocasião, Filipe Colaço apresentou também o Framework EY.ai, uma metodologia desenvolvida pela EY para apoiar as organizações na adopção estruturada da Inteligência Artificial. O modelo assenta em seis pilares fundamentais: estratégia de IA alinhada ao negócio, governação e qualidade dos dados, IA responsável, desenvolvimento de competências, inovação através do AI Lab e implementação de casos de uso com impacto mensurável.

Na conclusão da sua intervenção, o Partner da EY Angola reforçou que o futuro pertencerá às organizações que actuarem de forma antecipada, investindo nas pessoas, nos dados e na integração da Inteligência Artificial nas suas estratégias empresariais.

 

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