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França diz adeus ao Microsoft Teams e Zoom para apostar em plataforma própria

A transição, que deverá estar concluída no próximo ano, marca um ponto de viragem na estratégia tecnológica europeia, colocando a segurança e a independência à frente da conveniência das plataformas globais.

A nova “arma” do governo francês chama-se Visio. Não se trata apenas de uma cópia básica das ferramentas existentes, mas sim de uma plataforma robusta de videoconferência que já está a ser testada por cerca de 40.000 funcionários públicos há um ano. Tal como os seus rivais americanos, o Visio incorpora ferramentas modernas, incluindo funcionalidades de transcrição alimentadas por inteligência artificial, com vista a garantir que a productividade não sai prejudicada com a mudança.

A grande diferença reside na infra-estrutura: o Visio corre inteiramente na “cloud” de uma empresa francesa, garante que os dados permanecem sob jurisdição local. Para além da segurança, o factor económico pesou na decisão. As estimativas governamentais apontam para uma poupança significativa, na ordem de 1 milhão de euros por ano por cada 100.000 utilizadores, ao cortar nas licenças pagas a empresas estrangeiras.

Esta mudança não é um caso isolado, mas sim parte de um projecto mais vasto denominado “Suite Numérique”. O objectivo é claro: reduzir drasticamente a dependência de serviços de software estrangeiros, particularmente os provenientes dos Estados Unidos. Na mira das autoridades francesas estão também outros pesos pesados, como o Gmail e o Slack, que deverão ser progressivamente substituídos por alternativas soberanas para uso governamental.

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David Amiel, ministro da Função Pública e da Reforma do Estado, foi perentório ao justificar a decisão: “O objectivo é acabar com a utilização de soluções não europeias e garantir a segurança e a confidencialidade das comunicações electrónicas públicas, para nos apoiar numa ferramenta poderosa e soberana”.

Numa altura em que as tensões geopolíticas aumentam e o receio de vigilância estrangeira ou interrupções de serviço se torna mais real, a França posiciona-se na vanguarda da autonomia digital europeia. Resta saber se outros países da União Europeia seguirão o mesmo exemplo nos próximos anos.

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