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Gana moderniza o Cartão de Cidadão com pagamentos digitais incorporado

A Autoridade Nacional de Identificação do Gana (NIA), organismo oficial responsável pelo sistema nacional de identificação, integrou uma carteira digital no Ghana Card, o documento de identificação utilizado para serviços como o registo de cartões SIM e os pedidos de passaporte.

Anunciada pela primeira vez em setembro de 2025, a nova funcionalidade de pagamentos permitirá aos utilizadores usar caixas automáticas (ATM), efectuar pagamentos em lojas e em linha, realizar transações internacionais com mais de 200 países e aceder a serviços complementares, como seguros e assistência de emergência.

O objectivo da NIA é reforçar a inclusão financeira no país. O contexto justifica a iniciativa: em 2024, a taxa de penetração dos cartões de crédito no Gana situava-se nos 0,6%, com tendência de queda prevista até 2029.

Ao integrar uma carteira digital num documento de identificação emitido a nível nacional, o Gana procura eliminar barreiras e alargar o acesso da população aos serviços financeiros.

A carteira electrónica assenta naquilo que a NIA descreveu como uma visão tripartida para o Cartão do Gana: identificação, passaporte e pagamentos.

A identificação electrónica já se encontra em uso e o passaporte electrónico foi activado em 2022 o que, segundo a NIA, permitiu que o cartão passasse a ser aceite como documento de viagem em 197 países. Agora, com a entrada em funcionamento da carteira electrónica, completa-se a terceira vertente dessa visão.

O sistema não será controlado por um único banco ou instituição financeira. A NIA concebeu a carteira incorporada como uma plataforma unificada, aberta à integração de múltiplos bancos.

O Gana não é pioneiro na convergência entre identidade digital e serviços financeiros, países como a Estónia, a Dinamarca, Singapura e a Índia já dispõem de sistemas semelhantes, e em África, o Ruanda, a Nigéria e o Djibuti exploram soluções orientadas para a inclusão financeira. O que distingue o modelo ganês é a integração directa da carteira no cartão físico, que passa a funcionar como instrumento de pagamento autónomo.

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