
O estudo, realizado em 14 países, entre os quais sete africanos onde o acesso à Internet está relativamente difundido, nomeadamente Egipto, Etiópia, Gana, Quénia, Nigéria, Senegal e Uganda, revela que, em média, 83% dos utilizadores de Internet móvel afirmam aceder à rede todos os dias.
Contudo, este número esconde uma realidade mais limitada: uma parte significativa dos utilizadores realiza apenas uma ou duas actividades por dia. A GSMA classifica como uso diário diversificado a realização de, pelo menos, três tipos de actividades num único dia, um patamar que muitos utilizadores não alcançam.
A diferença torna-se particularmente evidente entre as zonas urbanas e rurais. Na Etiópia, 61% dos residentes nas cidades possuem um telemóvel com acesso à Internet, mas apenas 29% utilizam diariamente a Internet móvel. Entre os utilizadores urbanos com acesso à rede, somente 19% atingem um nível diversificado de utilização diária, contra apenas 4% nas zonas rurais.
Na Nigéria, a diferença é menos acentuada nos centros urbanos: 79% dos residentes possuem um telemóvel com acesso à Internet, 57% utilizam diariamente a Internet móvel e 41% atingem um nível diversificado de utilização.
Nas zonas rurais, contudo, verifica-se uma quebra significativa ao longo das várias etapas de adopção. Cerca de 94% possuem um telemóvel, 86% conhecem a Internet móvel, 51% dispõem de um equipamento capaz de aceder à Internet, 24% utilizam a rede diariamente e apenas 13% alcançam um nível diversificado de utilização diária.
Redes sociais e aplicações de mensagens dominam a utilização
Os dados confirmam o reduzido nível de diversificação no uso diário da Internet móvel. As redes sociais, as mensagens instantâneas e a transmissão de vídeo estão entre as actividades mais comuns no continente.
No Egipto, Quénia, Gana, Senegal e Uganda, estas actividades registam algumas das taxas mais elevadas de utilização diária da Internet móvel. Consoante o país, entre 90% e 96% dos utilizadores recorrem às redes sociais. Seguem-se as mensagens instantâneas, as chamadas de voz e vídeo através da Internet, sobretudo por aplicações como o WhatsApp, e outras formas de entretenimento digital.
Em sentido contrário, as utilizações com maior potencial de impacto económico continuam muito menos difundidas. A procura de emprego ou de informação profissional, a venda ou promoção de produtos, o acesso a serviços públicos digitais e a pesquisa de informação agrícola permanecem limitados a uma minoria dos utilizadores.
Na Nigéria, por exemplo, apenas 35% dos utilizadores de Internet móvel já recorreram a serviços públicos através da Internet, contra 38% no Senegal e 34% no Uganda. Na Etiópia e no Gana, a percentagem de pessoas que utiliza a Internet móvel para procurar informação agrícola não ultrapassa os 30%.
Mulheres e populações rurais enfrentam maiores obstáculos
O relatório destaca que esta utilização limitada afecta de forma desproporcionada as mulheres e as populações rurais, que recorrem à Internet móvel com menor frequência e para um conjunto mais restrito de actividades do que os homens e os residentes das zonas urbanas.
Esta dupla barreira, marcada por menor acesso e menor diversidade de utilização, reduz ainda mais os benefícios económicos e sociais que a conectividade móvel pode proporcionar. O impacto torna-se particularmente relevante no acesso ao emprego, aos serviços financeiros e à informação agrícola, áreas identificadas como importantes para o desenvolvimento.
Para a GSMA, o desafio da inclusão digital vai além da simples disponibilidade de cobertura de rede ou da posse de um smartphone. É necessário promover uma utilização mais regular e diversificada da Internet móvel, através do reforço das competências digitais e da confiança dos utilizadores em serviços digitais de maior valor, como os de saúde, educação, finanças e administração pública.
Sem essa evolução, grande parte do potencial económico da conectividade móvel em África continuará por explorar. A redução da lacuna de utilização poderá, segundo as estimativas referidas no relatório, representar vários milhares de milhões de dólares adicionais para o produto interno bruto (PIB) do continente.
