
O Governo do Ruanda assinou um acordo histórico de expansão com a empresa norte-americana Zipline, tornando o país o primeiro do mundo a alcançar cobertura nacional de logística autónoma, incluindo a primeira rede africana de entregas de drones em ambiente urbano.
O acordo representa o primeiro grande marco do recente prémio de 150 milhões de dólares em pagamento por desempenho, atribuído à Zipline pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos. A iniciativa reforça o posicionamento do Ruanda como líder global em Inteligência Artificial, robótica e logística autónoma, com impacto directo na melhoria do acesso aos cuidados de saúde.
Pioneiro desde 2016 na implementação de entregas autónomas por drones, o Ruanda volta a fazer história ao expandir o sistema para todo o território nacional. O país será também o primeiro em África a operar o sistema de entrega urbana da Zipline, conhecido como Plataforma 2 (P2), concebido para ambientes urbanos densos, como a cidade de Kigali, onde se concentra cerca de 40% da procura nacional por serviços de saúde.
A Plataforma 2 permite entregas rápidas, silenciosas e de alta precisão, tecnologia que já está a ser utilizada nos Estados Unidos para distribuir produtos de retalho e alimentos directamente para residências, edifícios de escritórios e espaços públicos.
Segundo a CEO da Zipline África, Caitlin Burton, a decisão do Ruanda em apostar na inovação sempre foi guiada por dados e impacto real. Para a responsável, o país volta a liderar não apenas pela existência da tecnologia, mas pela visão estratégica da sua liderança, o que explica o apoio do Governo dos EUA e o investimento adicional da Zipline em investigação, tecnologia e criação de empregos qualificados no país.
No âmbito da expansão, será construído um novo centro de distribuição de longo alcance no distrito de Karongi, que se juntará aos hubs já existentes em Muhanga e Kayonza. O novo centro permitirá alcançar regiões além da Floresta de Nyungwe, incluindo áreas próximas à fronteira com a República Democrática do Congo, servindo cerca de 200 postos de saúde e 60 grandes unidades hospitalares, com impacto directo em mais de 2,9 milhões de pessoas.
Com esta expansão, a rede nacional da Zipline no Ruanda passará a cobrir mais de 11 milhões de habitantes e deverá gerar cerca de 350 empregos locais.
De acordo com o director nacional da Zipline no Ruanda, Pierre Kayitana, o país está a construir um sistema logístico integrado e contínuo, capaz de atender todos os cidadãos de forma equitativa, mais eficiente e com menos desperdício do que os modelos tradicionais.
O modelo financeiro do projecto prevê financiamento inicial de infra-estruturas por parte do Governo dos Estados Unidos, enquanto o Governo do Ruanda assumirá os custos das operações contínuas. A estratégia visa garantir sustentabilidade financeira, autonomia operacional e alinhamento com a visão nacional de um sistema de saúde resiliente e orientado por tecnologia.
Outro destaque do acordo é a criação de um centro de testes de Inteligência Artificial e robótica da Zipline em Ruanda, o primeiro centro de investigação e desenvolvimento da empresa fora dos Estados Unidos. A unidade irá apoiar testes de aeronaves, novos sistemas de segurança e software logístico avançado, além de contribuir para a formação de talentos locais.
Até ao momento, a rede de entregas autónomas da Zipline tem garantido acesso rápido a sangue, vacinas e medicamentos essenciais, reduzindo desperdícios, melhorando os resultados de saúde e contribuindo para uma redução de 51% nas mortes maternas nas áreas atendidas.
FONTE: TECHINAFRICA
