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Angola entre os países mais visados por ataques DDoS e fugas de dados na África Austral

A região da África Austral foi apontada pelo relatório da INTERPOL como “a região mais digitalmente avançada e mais visada” do continente em 2025, em grande parte devido à elevada conectividade proporcionada pelos cabos submarinos e pelos centros de dados ali concentrados. Angola surge repetidamente citada como um dos países da região com maior exposição a diferentes tipos de Ciber – Ataques.

Segundo o documento, Angola foi um dos países, a par das Maurícias, onde se registou um surto de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) em 2025, fenómeno que a INTERPOL associa à “concentração de infra-estrutura digital de elevado valor” nestes dois países. Na região, o recorde absoluto pertenceu à África do Sul, que sozinha registou 213.523 ataques DDoS, um deles atingindo 312 Gbps, mas o relatório destaca especificamente Angola e as Maurícias pelo crescimento deste tipo de ataque. O documento nota ainda que a Namíbia, país vizinho, sofreu uma fuga de dados que expôs cerca de 500 mil registos do seu operador nacional de telecomunicações, “uma consequência directa de vulnerabilidades não corrigidas”.

Detecção de vulnerabilidades informáticas por país em África em 2025. Fonte: Shadowserver Foundation, via INTERPOL African Cyberthreat Assessment Report 2026 (pág. 22).

O mesmo relatório aponta Angola como o país da região com o maior volume de detecções de botnet, em termos de vulnerabilidades informáticas expostas publicamente, coloca o país em sexto lugar no ranking continental da Shadowserver Foundation, responsável por 3,2% do total de mais de 6.000 vulnerabilidades exploráveis identificadas em toda a África em 2025 — atrás da África do Sul (43,6%), Quénia (11,9%), Nigéria (9,1%), Senegal (4,6%) e Etiópia (3,3%).

Segundo a INTERPOL, os sistemas mais visados incluem routers desactualizados, redes privadas virtuais (VPN) vulneráveis e plataformas de gestão documental mal configuradas — falhas “bem documentadas, publicamente conhecidas e facilmente exploráveis”.

O relatório identifica também Angola entre os cinco principais países de origem das detecções de sextorsão digital em África em 2025. Do total de 600 mil casos registados pela TrendAI no continente, 4% tiveram origem em Angola, atrás da África do Sul (30%), Quénia (13%), Costa do Marfim (11%) e Etiópia (8%). A maioria destas campanhas, refere o documento, foi distribuída através da botnet Phorpiex, usada para o envio em massa de e-mails que exigem pagamentos em criptomoeda sob ameaça de divulgação de conteúdo íntimo.

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