
A estratégia surge num momento em que Angola enfrenta uma pressão crescente para diversificar a sua economia. A indústria do petróleo e do gás continua a representar cerca de 30% do PIB de Angola e continua a ser a principal fonte de receitas do Estado, gerando mais de 70% das receitas públicas e 90% das exportações.
As autoridades angolanas ainda não divulgaram dados oficiais sobre a contribuição actual do sector digital para o PIB nacional, nem sobre a meta que pretendem alcançar, uma falta de transparência que diminui o alcance do anúncio.
Ainda assim, Angola registou um crescimento económico de 4,4% em 2024, sustentado em parte por uma expansão de 5,3% no sector não petrolífero, o que assinala progressos no caminho para a diversificação.
A estratégia digital do governo assenta em vários pilares operacionais, nomeadamente a expansão da rede de fibra óptica, uma maior cobertura das redes móveis, o alargamento dos serviços públicos em linha e o lançamento do programa de satélites Angosat-2.
O Angosat-2 entrou na fase de operação comercial em 2025, com operadores como a Angola Telecom, a MSTelcom e a Startel a utilizarem a sua capacidade para alargar a cobertura de conectividade.
De acordo com o DataReportal, a taxa de penetração da internet em Angola aumentou de 32,6% no início de 2023 para cerca de 45% no início de 2025.
Através do projecto Conecta Angola, que recorre a infra-estrutura satelital para ligar zonas remotas, cerca de 366 mil pessoas em 14 províncias passaram a ter acesso à internet até Outubro de 2024.
Apesar dos progressos recentes, Angola ainda fica aquém das economias digitais mais avançadas do continente, nomeadamente o Quénia, a Nigéria e a África do Sul.
Sem um roteiro detalhado sustentado por metas mensuráveis, as ambições digitais de Angola continuam a ser, em larga medida, objectivos de natureza política. Os analistas assinalam que as estratégias de transformação digital não se traduzem automaticamente numa maior contribuição para o PIB sem um investimento sustentado, capacidade de execução e uma participação mais ampla do sector privado.
