
Do ponto de vista da arquitectura de rede, a dependência do CDMA deixou a Movicel isolada num ecossistema em desaceleração global, enquanto o GSM (e a subsequente evolução para 3G/4G) concentrava a esmagadora maioria dos terminais, do roaming internacional e da cadeia de fornecimento. Cada ano de atraso na migração significou terminais mais caros e escassos, menor interoperabilidade e uma base de clientes cada vez mais difícil de reter e um efeito de rede que jogou sistematicamente contra a operadora.
O final de 2022 foi o ano de maior queda: perto de 510 mil clientes abandonaram a operadora
A degradação agravou-se com a falta de investimento em infraestrutura: sendo o sector de capital intensivo, a rede não foi modernizada nem mantida ao ritmo necessário, e a qualidade de serviço caiu. Sem investimento suficiente para densificar cobertura, actualizar o core e acompanhar a procura por dados, a operadora entrou numa espiral: pior serviço, mais saídas de clientes, menos receita para reinvestir.
A empresa tem em curso um plano de reestruturação que passa pela modernização da infraestrutura, reforço da capacidade financeira e revisão da oferta comercial. Segundo fonte ao Expansão, trabalha-se activamente na entrada de um novo parceiro estratégico que permita capitalizar e acelerar a recuperação.
Entretanto o mercado cresceu para mais de 28,4 milhões de SIMs activos em 2025, distribuídos essencialmente entre Unitel (73%) e Africell (25%), com a Movicel reduzida a uma fatia residual.
