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Tecnologia espacial acelera exploração petrolífera nas bacias interiores de Angola


A tecnologia espacial está a transformar a forma como Angola conduz os estudos para a exploração de hidrocarbonetos. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), em parceria com o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), está a utilizar imagens de satélite e ferramentas de sensoriamento remoto para reforçar a investigação das bacias interiores do país, consideradas uma das principais fronteiras para a expansão da indústria petrolífera.

O projecto incide sobre as bacias de Kassanje e Etosha-Okavango, que ocupam uma área superior a 540 mil quilómetros quadrados. Devido às dificuldades de acesso, marcadas por relevo acidentado, vegetação densa e presença de fauna selvagem, a utilização de tecnologias geoespaciais tornou-se essencial para aumentar a eficiência das operações.

Com recurso à observação da Terra por satélite, as equipas conseguem identificar previamente as zonas de maior interesse geológico, planear as campanhas de campo com maior precisão, optimizar a logística e reduzir significativamente o tempo necessário para a recolha de dados.

Segundo a ANPG, durante uma apresentação técnica realizada no ANGOTIC 2026, a cobertura integral destas bacias através de métodos convencionais poderia exigir várias décadas de trabalho contínuo. O sensoriamento remoto permite concentrar os esforços nas áreas mais promissoras, reduzindo riscos operacionais e melhorando a eficiência das actividades de prospecção.

Além da identificação de áreas prioritárias, a iniciativa contempla a recolha orientada de amostras geológicas e geoquímicas, fundamentais para caracterizar as bacias e avaliar o potencial de ocorrência de petróleo e gás.

O projecto pretende ampliar o conhecimento geológico do território nacional, aumentar as reservas de hidrocarbonetos e promover o desenvolvimento económico de regiões ainda pouco exploradas.

Durante a apresentação, o presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, destacou que a observação da Terra a partir do espaço representa uma nova abordagem para o sector petrolífero angolano.

“O futuro da pesquisa onshore e offshore passa por observar a Terra a partir do espaço. As ferramentas geoespaciais permitem detectar anomalias e derrames com maior rapidez e rigor, e desafiam-nos a olhar para as bacias interiores de Angola com uma nova ambição: transformar áreas remotas e pouco conhecidas em oportunidades reais de conhecimento, segurança operacional e potencial exploratório.”

A iniciativa reforça o papel da tecnologia espacial como ferramenta estratégica para a modernização da indústria petrolífera nacional, demonstrando como a utilização de dados de satélite pode acelerar a descoberta de recursos naturais e apoiar uma exploração mais eficiente, sustentável e segura.

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