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Angola sobe no ranking de startups em África

Paradoxalmente, Angola figura também entre os países com o ambiente mais difícil do mundo para iniciar e sustentar um negócio inovador. O relatório aponta que o País é um dos mais difíceis para realizar lucros com uma startup e, no capítulo da confiança de mercado que avalia a credibilidade institucional, o país ocupa o sétimo lugar entre os piores classificados a nível global. O ecossistema é considerado imprevisível e inseguro para fins de investimento.

Angola tem cerca de 65% da sua população com menos de 25 anos, a faixa etária geralmente mais propensa à inovação e ao empreendedorismo. Combinada com as baixas oportunidades de emprego formal, esta demografia gera uma pressão estrutural para a criação de novos negócios, incluindo startups. O crescimento do ecossistema pode assim compreender-se como uma resposta à necessidade e não apenas uma expressão genuína de oportunidade tornando-se esta a principal fragilidade sistémica do ecossistema.

A taxa mundial de mortalidade de startups ronda os 90% devido ao alto risco destes tipos de negócios. Em ecossistemas maduros, esse número já é preocupante. Em ambientes mais fragilizados, como o angolano, a probabilidade de sucesso de negócios escaláveis de base tecnológica é ainda mais reduzida.

O GSEI analisou os ecossistemas de 122 países dos quais apenas 100 entram no ranking e 1.556 cidades no mundo. O índice mede o volume dos actores do ecossistema com parâmetros como o número de startups, a procura real sobre o serviço ou produto, o número de investidores, os espaços de co-working e o número de aceleradores e incubadoras no mercado.

O Incide igualmente sobre a qualidade do ecossistema, avalia o investimento acumulado em startups, o número de unicórnios criados, a realização de lucros ou exits, o ranking do ensino superior e os centros de emprego no sector tecnológico. São precisamente estes últimos domínios em que o País enfrenta ainda enormes debilidades.

Destaque no valor do mercado

Apesar das fragilidades estruturais, Angola destaca-se no valor do ecossistema, ocupa o 61.º lugar a nível mundial, com uma valorização de 5,4 mil milhões de USD superior à de Cabo Verde, por exemplo, que é o 5.º melhor país do continente, mas cujo mercado vale apenas 48 milhões de USD. Esta classificação indica que as startups angolanas estão a alcançar avaliações e saídas financeiras expressivas, onde acabam por gerar um valor económico real bem acima do que seria esperado para um País com um ecossistema ainda por maturar.

No pilar dos incentivos empresariais, contudo, Angola figura entre os países com pior desempenho a nível global, um sinal claro de que o crescimento acelerado do ecossistema não será sustentável enquanto o ambiente regulatório, financeiro e institucional não acompanhar o dinamismo dos seus empreendedores.

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