
Os crimes praticados no ciberespaço estão a provocar perdas anuais superiores a 4.000 milhões de dólares em África, segundo estimativas da Interpol. O alerta foi feito pela coordenadora do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) em Angola, Manuela Carneiro, no âmbito de um workshop sobre crimes facilitados por meios cibernéticos e ciberataques, iniciado ontem, em Luanda, numa iniciativa conjunta da Embaixada dos Estados Unidos em Angola e da UNODC.
De acordo com a responsável, o cibercrime consolidou-se como um fenómeno transnacional, com impacto directo sobre infra-estruturas críticas, serviços públicos, sistemas financeiros e economias nacionais. A situação tornou-se ainda mais complexa com a crescente incorporação da inteligência artificial, que tem ampliado a escala, velocidade e eficácia dos ataques cibernéticos.
“A utilização de IA permite a automatização de técnicas criminosas, a personalização de campanhas maliciosas e dificulta significativamente a detecção dos ataques”, explicou Manuela Carneiro, sublinhando que o cenário actual representa um desafio sem precedentes para a segurança no ciberespaço, sobretudo em países em desenvolvimento.
Dados da Interpol referentes a 2024 indicam que as actividades criminosas online têm um custo económico mensurável e alarmante para o continente africano. Estas perdas reflectem-se directamente em governos, bancos, empresas, pequenos negócios e cidadãos, enfraquecendo economias, pressionando os orçamentos públicos e reduzindo a confiança dos investidores.
Segundo a coordenadora da UNODC, cada ataque bem-sucedido aumenta os custos de protecção, compromete o crescimento económico e coloca em risco a estabilidade institucional e a própria democracia. “Enfrentar o cibercrime não é apenas uma questão de segurança. É também uma questão de desenvolvimento económico e de soberania nacional”, afirmou.
O workshop em curso visa reforçar as capacidades técnicas e institucionais das autoridades angolanas na prevenção, investigação e resposta aos crimes cibernéticos, num contexto em que a transformação digital avança mais rápido do que os mecanismos de protecção.
FONTE: O PAÍS






