
Lançar um satélite continua a ser um investimento elevado, mas já não é um privilégio exclusivo das grandes potências espaciais. Em África, os custos estão a baixar e o acesso ao espaço torna-se cada vez mais viável para governos, universidades e startups tecnológicas.
O valor final de um projecto espacial depende sobretudo do tipo de satélite, da missão, do modelo de lançamento e dos requisitos regulatórios. Há hoje uma diferença enorme entre colocar em órbita um satélite de comunicações de grande porte e lançar um pequeno CubeSat.
Como se reparte o orçamento de um satélite?
1. Projecto e fabrico
Esta é a fase mais cara do processo. Um satélite de comunicações tradicional pode custar mais de 320 milhões de dólares, enquanto um CubeSat muito usado para investigação, observação da Terra ou testes tecnológicos, pode ser desenvolvido por valores bastante mais baixos, em alguns casos abaixo dos 100 mil dólares.
O avanço dos nanossatélites permitiu que países com orçamentos limitados entrassem no sector espacial sem grandes infra-estruturas industriais.
2. Serviços de lançamento
A maioria dos países africanos ainda depende de provedores internacionais, como a SpaceX, para colocar os seus satélites em órbita.
Os custos variam conforme o peso e a órbita, mas lançamentos de pequenos satélites podem começar em torno dos 100 mil dólares, especialmente quando são enviados como carga partilhada.
A reutilização de foguetões tem sido um dos factores que mais contribuem para a redução destes valores.
3. Licenciamento e regulação
Antes do lançamento, é necessário cumprir exigências legais nacionais e internacionais. As taxas de licenciamento, seguros e certificações técnicas variam de país para país e podem aumentar o orçamento final, embora representem uma parcela menor em comparação com o fabrico e o lançamento.
Exemplos reais em África
Um dos casos mais citados é o Taifa-1, do Quénia. O satélite foi desenvolvido e lançado por cerca de 370 mil dólares, um valor considerado baixo para padrões espaciais. O projecto serviu para observação da Terra e formação de quadros nacionais na área espacial.
Actualmente, 18 países africanos operam cerca de 61 satélites, número que poderá ultrapassar os 137 até 2030, segundo projecções do sector.
Investimento público e soberania tecnológica
Em 2025, os países africanos destinaram cerca de 426 milhões de dólares a programas espaciais. Para muitos governos, os satélites deixaram de ser vistos apenas como activos comerciais e passaram a ser tratados como infra-estrutura estratégica.
Investir em programas nacionais permite:
• reduzir a dependência de operadores estrangeiros;
• reforçar a soberania dos dados;
• apoiar sectores como agricultura, telecomunicações, ambiente e defesa civil.
Custos em queda e novas oportunidades
O custo médio de lançamento ronda actualmente os 1.500 dólares por quilograma, mas há expectativas de que este valor possa cair para 100 dólares por quilograma na próxima década, à medida que surgem novos portos espaciais e tecnologias mais eficientes.
Este cenário abre espaço para:
• startups tecnológicas;
• universidades;
• parcerias público-privadas;
• aplicações focadas em problemas concretos, como monitorização agrícola, gestão de desastres naturais e mapeamento de recursos.
Empresas sul-africanas como a CubeSpace mostram que é possível criar soluções competitivas a partir do continente.
O futuro do espaço em África
Com a coordenação da Agência Espacial Africana e o aumento da cooperação internacional, a economia espacial africana está a ganhar consistência. O sucesso dos próximos projectos dependerá de objectivos bem definidos, tecnologia adequada à missão e orçamentos realistas.
Seja para um governo que procura independência tecnológica ou para uma startup focada em inovação e impacto social, o espaço deixou de ser inalcançável. Em África, lançar um satélite já não é apenas um sonho, é uma oportunidade concreta.
FONTE: TECHINAFRICA






