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Quarta-feira, Março 25, 2026
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África pronta para dizer adeus ao 2G e ao 3G?

Em muitos mercados avançados, essa questão já foi respondida. Os operadores na Europa, Ásia e América do Norte estão a desactivar activamente as tecnologias móveis mais antigas para libertar espectro para redes mais rápidas e eficientes. A nível global, dezenas de redes antigas já foram desactivadas, e prevê-se que, até 2030, haja pelo menos mais 124 desactivações.

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No entanto, África encontra-se numa fase diferente do seu percurso em matéria de conectividade. Embora as tecnologias de última geração estejam a expandir-se, o continente continua a depender fortemente das gerações anteriores. No final de 2024, pouco mais de metade das ligações móveis em África ainda funcionavam em 3G, cerca de um terço em 4G e aproximadamente 10 % em 2G, com apenas cerca de 1 % a utilizar 5G.

África deve começar a retirar gradualmente as redes antigas. Não de forma abrupta, nem de maneira uniforme em todos os mercados, mas de forma deliberada e estratégica. A razão é simples. A viabilidade económica, a eficiência e a preparação para o futuro das infra-estruturas móveis modernas dependem cada vez mais disso.

A nível mundial, as operadoras já avançaram nessa direção. A motivação não é uma modernização meramente cosmética. Trata-se da optimização do espectro. As tecnologias mais antigas ocupam o espectro de banda baixa, que pode proporcionar velocidades, capacidade e fiabilidade muito superiores quando reatribuído às redes 4G e 5G. Manter as camadas antigas activas a par das mais recentes aumenta os custos operacionais, o consumo de energia e a complexidade da manutenção.

África aproxima-se de um ponto de inflexão nas redes móveis

O continente ainda depende muito do 3G, mas os padrões de utilização estão a mudar: a adoção do 4G cresce rapidamente, a penetração de smartphones sobe a cada ano e o tráfego de dados móveis expande-se a taxas de dois dígitos em vários mercados. Os deployments de 5G, ainda limitados, aumentam progressivamente à medida que os operadores se preparam para a procura futura.

Manter simultaneamente três ou quatro gerações de tecnologia de rede torna-se técnica e financeiramente ineficiente — cada camada legada exige espectro, energia, peças sobresselentes e competências especializadas, o que é insustentável para operadores com margens apertadas.

Por isso, a questão já não é se as redes legadas devem ser desativadas, mas como África pode fazê-lo de forma a proteger a inclusão digital sem ficar para trás no progresso tecnológico global.

Por que África não pode desligar as redes antigas de um dia para o outro ?

Embora os dados indiquem que as redes legadas devem ser eventualmente desactivadas, a transição não pode acontecer de forma repentina, as barreiras são reais, estruturais e amplamente reconhecidas em todo o ecossistema. Esta conclusão emerge tanto de estatísticas de mercado como de discussões setoriais, incluindo perspectivas partilhadas na Digital Africa Summit, na Cidade do Cabo, onde líderes da GSMA, MTN, TESPOK e Orange MEA analisaram a questão ao lado de especialistas em política e regulação.

Os condicionalismos técnicos continuam a ser significativos. Milhões de dispositivos em todo o continente ainda dependem de conectividade 2G ou 3G, muitos deles incompactíveis com redes VoLTE ou totalmente IP, o que impede uma migração simples para sistemas mais modernos. O reaproveitamento do espectro (refarming) exige também um planeamento cuidadoso e actualizações de infra-estrutura, sobretudo nos mercados onde persistem lacunas de cobertura.

Com o futuro em perspectiva, a adoção do 4G e do 5G vai aumentar rapidamente, o que obrigará os operadores a agir como inovadores tecnológicos, a tirar partido da IA, dos eSIMs e de novas soluções de conectividade. Os decisores políticos podem estimular a inovação através de ambientes de teste regulatório (sandbox), sem comprometer a estabilidade.

Em todos os mercados, uma acção faseada e coordenada permitirá a África modernizar as suas redes sem deixar os utilizadores para trás, ao posicionar o continente para um futuro digital inclusivo e sustentável.

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