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Domingo, Fevereiro 8, 2026
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África: cresce a conectividade, mas a exclusão digital ainda resiste

De acordo com o relatório, a África Subsariana permanece como a região menos conectada do planeta. Em 2024, cerca de 10% da população ainda vivia em zonas sem cobertura de banda larga móvel, uma melhoria face aos 13% registados em 2023.

No entanto, a lacuna de utilização continua alarmante: apenas um quarto dos africanos (25%) utiliza a internet móvel, enquanto 72% permanecem desconectados.

A África Ocidental surge como a sub-região mais avançada, com cerca de 30% da população online, impulsionada por investimentos em redes 4G e políticas de inclusão digital. Já a África Central e a África Oriental enfrentam as maiores barreiras, tanto em cobertura como em acessibilidade.

Na África Central, por exemplo, apenas 16% da população está conectada, e a lacuna de cobertura reduziu-se de 34% para 25% num ano, um progresso que, embora notável, continua insuficiente.

África: Empresas defendem cortes fiscais para smartphones acessíveis

O relatório identifica um conjunto de barreiras estruturais que continuam a travar o acesso digital no continente. O custo elevado dos dispositivos e da internet móvel é um dos principais obstáculos, agravado por taxas de importação e impostos específicos sobre serviços digitais.

As desigualdades de género também permanecem marcantes: as mulheres africanas são 29% menos propensas a aceder à internet móvel do que os homens, principalmente devido a diferenças de rendimento, literacia digital e normas sociais restritivas.

Nas zonas rurais, o cenário é ainda mais desafiador. Apenas 25% dos adultos têm acesso à internet móvel, comparativamente a 48% nas áreas urbanas, o que revela uma forte lacuna urbano-rural na digitalização africana.

O relatório destaca a criação de novos instrumentos de avaliação, como o Digital Africa Index (DAI), que integra quatro indicadores essenciais:

  • Mobile Connectivity Index (MCI) — mede a infraestrutura e a acessibilidade;
  • Digital Nations and Society Index (DNSI) — avalia o grau de digitalização de governos, empresas e cidadãos;

  • Digital Policy and Regulatory Index (DPRI) — mede a eficácia das políticas públicas digitais;

  • Mobile Money Regulatory Index (MMRI) — analisa a regulação dos serviços financeiros móveis.

Os resultados revelam que 36 dos 48 países da África Subsariana obtêm pontuação inferior a 50 no DPRI, sinaliza que as políticas e regulações ainda não acompanham a velocidade da transformação digital.

A GSMA defende que o progresso africano dependerá de três eixos fundamentais:

  1. Acesso acessível e equitativo — através da redução de taxas sobre dispositivos e pacotes de dados;

  2. Capacitação digital — com formação em competências digitais básicas e incentivo à participação feminina;

  3. Políticas integradas e previsíveis — para criar confiança e atrair capital privado para infraestruturas digitais.

O relatório recomenda ainda a reforma dos fundos de serviço universal, actualmente subutilizados, e a harmonização das regulações regionais, de forma a permitir economias de escala e promover investimentos sustentáveis.

África: empresas defendem cortes fiscais para smartphones acessíveis

A GSMA, entidade reguladora da indústria móvel, em parceria com seis das principais operadoras móveis de África (Airtel, Axian Telecom, Ethio Telecom, MTN, Orange e Vodacom), propôs hoje um conjunto de requisitos básicos para um smartphone 4G básico a um preço acessível.

O apelo à ação foi feito pelas operadoras presentes no Mobile World Congress Kigali, que está a decorrer no Ruanda.

O apelo aos governos faz parte da GSMA Handset Affordability Coalition, que visa promover a inclusão em todo o continente, reduzir o custo da aquisição de smartphones para milhões de pessoas que ainda não têm acesso à Internet.

O conjunto básico de requisitos sugerido pelo grupo fornece especificações de referência para memória, RAM, qualidade da câmara, tamanho do ecrã, desempenho da bateria e outros elementos que garantirão uma experiência viável e duradoura com smartphones 4G a um custo substancialmente mais baixo.

A acessibilidade dos smartphones continua a ser o obstáculo mais significativo à adoção da Internet móvel na África Subsaariana.

De acordo com o Relatório sobre o Estado da Conectividade à Internet Móvel em 2025, mais de 3 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem dentro da cobertura de banda larga móvel, mas não utilizam a Internet, sendo a acessibilidade dos dispositivos considerada o obstáculo mais significativo.

A GSMA Intelligence estima que um smartphone de 40 dólares pode fornecer acesso à Internet móvel a mais 20 milhões de pessoas na África Subsaariana, enquanto um telemóvel de 30 dólares pode conectar até 50 milhões.

O acesso a um smartphone não é um luxo, é uma linha de vida para serviços essenciais, oportunidades de rendimento e participação na economia digital. Ao unirem-se em torno de uma visão comum para dispositivos 4G acessíveis, as principais operadoras africanas e a GSMA estão a enviar um sinal poderoso aos fabricantes e decisores políticos. Este é um passo importante para colmatar o fosso digital e garantir que mais milhões de pessoas possam colher os benefícios da conectividade móvel, avançou Vivek Badrinath, director-geral da GSMA.

Nos próximos meses, a GSMA afirmou que irá colaborar com fabricantes de equipamentos originais e empresas de tecnologia para consultar sobre os requisitos mínimos propostos e obter apoio para dispositivos 4G acessíveis.

Ao mesmo tempo, a indústria móvel está a apelar aos governos de toda a África para que ajam rapidamente para eliminar os impostos sobre smartphones básicos com preços inferiores a 100 dólares. Em alguns países, o IVA e os direitos de importação podem aumentar os preços dos dispositivos em mais de 30%, aumentar directamente os custos para os cidadãos e dificultar os esforços de inclusão digital- Vivek Badrinath.

De acordo com a GSMA, no início deste ano, a África do Sul introduziu reformas fiscais sobre smartphones básicos – uma política que a indústria insta outros governos africanos a replicar para criar impulso para a transformação digital.

Saiba como atender chamadas sem precisar falar ao telefone

Entre trotes, tentativas de golpe e chamadas indesejadas, atender o telefone tornou-se cada vez mais complicado. Para facilitar a vida dos utilizadores, os smartphones mais recentes da Apple e da Samsung já contam com o apoio da inteligência artificial (IA), capaz de atender e filtrar chamadas automaticamente, sem que o dono do aparelho precise dizer uma única palavra.

A tecnologia utiliza uma voz digital que conversa com quem está do outro lado da linha, enquanto o utilizador acompanha em tempo real, através do ecrã, o motivo da chamada e decide se quer atender ou encerrar.

Como activar a função no iPhone

Nos aparelhos da Apple, o recurso chama-se “Filtragem de Ligações”.

Para activar:

  1. Vá em Ajustes > Apps > Telefone > Filtrar números desconhecidos
  2. Selecione a opção “Perguntar motivo da ligação”
  3. Também é possível bloquear todas as chamadas de números não guardados

Quando esta filtragem está activa, o assistente virtual atende automaticamente chamadas de números desconhecidos e mostra o motivo informado pelo contacto.

O recurso está disponível apenas em modelos compatíveis com a Apple Intelligence, como o iPhone 15 Pro e a linha iPhone 16, incluindo o 16e.

Como activar a função nos smartphones Samsung

Nos aparelhos da Samsung, a ferramenta aparece como “Chamada por Texto”, dentro do menu Assistente de Chamada.

Para activar:

  1. Abra o app Telefone
  2. Toque nos três pontinhos no canto superior e entre em Configurações
  3. Vá até Assistente de Chamada e active “Chamada por Texto”

Ao contrário do iPhone, a ligação não é atendida automaticamente. O utilizador precisa seleccionar a função na tela sempre que o telefone tocar.

O recurso está disponível em modelos equipados com a Galaxy AI, presente desde o Galaxy A56 até os topos de linha das séries S24, S25, Z Fold7 e Z Flip7.

Amazon identifica falha que deixou grande parte da internet fora do ar, mas ainda trabalha na restauração dos serviços

A Amazon confirmou ter identificado o problema que causou uma das maiores interrupções recentes na internet mundial, afectando diversos sites, bancos, aplicações e até alguns serviços governamentais. A falha teve origem nos servidores da Amazon Web Services (AWS), a plataforma de computação em nuvem da empresa, e provocou instabilidade global ao longo da segunda-feira (20).

Em comunicado divulgado no seu portal oficial, a Amazon informou que o problema estava relacionado com o sistema de resolução de DNS (Sistema de Nomes de Domínio), responsável por converter endereços de sites em endereços IP, permitindo que páginas e aplicações sejam carregadas correctamente.

“A AWS registou taxas elevadas de erro em vários serviços e determinou que a causa estava associada à resolução de DNS dos terminais da API DynamoDB na região norte da Virgínia (us-east-1)”, explicou a empresa.

Apesar de o erro técnico já ter sido resolvido, a Amazon adiantou que ainda trabalha para restaurar completamente todos os serviços e normalizar as operações o mais rápido possível. A empresa confirmou que a falha também afectou o seu próprio site, Amazon.com, assim como as plataformas das suas subsidiárias e as operações internas de apoio ao cliente.

A multinacional recomendou aos utilizadores que acompanhassem as actualizações mais recentes através do AWS Health Dashboard.

A interrupção teve início por volta das 3 horas da manhã (hora da Costa Leste dos Estados Unidos) e durou várias horas, deixando fora do ar alguns dos serviços digitais mais populares do mundo, como Coinbase, Fortnite, Signal, Perplexity e Zoom. Até mesmo produtos da própria Amazon, como as câmaras de vigilância Ring e os sistemas inteligentes de climatização Eight Sleep, foram afectados.

Milhões de empresas e organizações em todo o mundo dependem da AWS para hospedar os seus sites, aplicações e infra-estruturas digitais. Com centros de dados espalhados por vários continentes, a Amazon detém actualmente cerca de 30% do mercado global de computação em nuvem, sendo um dos pilares da internet moderna.

Mamboo ultrapassa um milhão de entregas e reforça presença no sector de delivery digital em Angola

 

A Mamboo, plataforma angolana de tecnologia e serviços de entrega criada em Abril de 2020, atingiu o marco de um milhão de entregas no país. O número confirma o crescimento da empresa no sector de delivery e serviços digitais, numa altura em que o comércio electrónico começa a ganhar maior expressão em Angola.

A operação da Startup é sustentada em soluções tecnológicas próprias, sistemas de monitorização em tempo real e ferramentas digitais que conectam utilizadores, parceiros e estafetas. A empresa tem apostado no desenvolvimento interno de software, integração com meios de pagamento e gestão de logística baseada em dados.

A actividade da plataforma está organizada em três áreas tecnológicas principais:

• Marketplace digital – Reúne restaurantes, supermercados, farmácias e lojas de conveniência, com mais de 600 parceiros activos.

• Logística inteligente – Oferece entregas para utilizadores e empresas, com modelos peer-to-peer, crowdsourcing e operação com frota própria, suportada por sistemas de gestão em tempo real.

• Serviços financeiros digitais – Através da Mamboo Pay, os utilizadores podem enviar dinheiro, partilhar despesas e fazer pagamentos dentro da aplicação.

Embora seja uma empresa digital, a Mamboo mantém presença física em vários pontos de Luanda, com equipas de apoio, atendimento, recolha e monitorização operacional. A província continua a ser, até agora, o único mercado de actuação.

OpenAI suspende uso da imagem de Martin Luther King após criação de vídeos ofensivos

A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, suspendeu a geração de vídeos com a imagem de Martin Luther King Jr. na plataforma Sora. A decisão foi tomada depois de alguns utilizadores criarem conteúdos considerados ofensivos e racistas contra o ícone dos direitos civis nos Estados Unidos.

O Sora é uma ferramenta de inteligência artificial capaz de transformar comandos de texto em vídeos. A plataforma tornou-se mais popular depois do lançamento da aplicação para Android e iPhone, no final de Setembro.

Segundo o jornal The Washington Post, alguns dos vídeos criados incluíam simulações do activista a emitir sons de macaco durante o seu famoso discurso “I Have a Dream”, e cenas onde aparece a provocar adversários num ringue de luta livre.

A suspensão do uso da imagem de King foi feita a pedido da filha do activista, Berenice A. King, em representação do espólio do líder histórico. Em comunicado divulgado, a OpenAI afirmou o seguinte:

“Embora haja fortes interesses ligados à liberdade de expressão na representação de figuras históricas, a OpenAI acredita que as figuras públicas e as suas famílias devem, em última instância, ter controlo sobre a forma como a sua imagem é utilizada.”

No início de Outubro, Berenice A. King já tinha manifestado apoio à filha do actor Robin Williams, que apelou aos fãs para deixarem de partilhar vídeos criados com IA usando a imagem do pai. “Concordo em relação ao meu pai. Por favor, parem”, escreveu na altura.

Para além de Martin Luther King, a ferramenta Sora também já foi usada para gerar vídeos com figuras como a cantora Whitney Houston e o ex-presidente John F. Kennedy, bem como personagens protegidas por direitos de autor, como Pokémon e Bob Esponja.

Sérgio Lopes afirma que mercado digital angolano cresce, mas mantém assimetrias de acesso e custo

A New Cognito, em parceria com a IBM, realizou na noite de 16 de Outubro, em Luanda, a 1.ª edição do “Road to NCXP”, um cocktail executivo dedicado ao tema “A Segurança dos Dados no Sector Financeiro”. O evento reuniu decisores de várias instituições financeiras com o objectivo de promover debate estratégico, partilha de conhecimento e networking sobre os desafios tecnológicos do sector.

Durante a sessão, Sérgio Lopes, CEO da New Cognito, destacou que, em 2024, Angola registou 14,63 milhões de utilizadores de internet, correspondentes a uma taxa de penetração de 39,3%. Segundo o gestor, “o mercado digital está a crescer, mas ainda apresenta grandes assimetrias de acesso e custos”.

O responsável alertou para o desfasamento entre o ritmo da digitalização, incluindo pagamentos digitais, mobile money, cloud e Inteligência Artificial. E o nível de maturidade na segurança digital. Este cenário, defende, cria riscos sistémicos e custos económicos. “Fechar este gap deve ser visto como uma oportunidade estratégica”, afirmou.

Sérgio Lopes sublinhou que a cibersegurança deve ser tratada como prioridade de gestão e não como encargo. Explicou que, no sector financeiro, um ataque concretizado representa perdas médias superiores a 6,08 milhões de dólares, para além da paralisação de serviços e do impacto reputacional, que pode comprometer a continuidade da instituição.

O CEO da New Cognito identificou o Ransomware e o Business Email Compromise como as ameaças de maior crescimento no continente africano. Indicou ainda que, no primeiro trimestre de 2025, África foi a região com maior número de ataques por organização, com uma média semanal de 3.286 incidentes. Recordou o ataque cibernético mitigado pelo Banco Nacional de Angola, a 6 de Janeiro de 2024, como sinal de risco sistémico, mas também de oportunidade para reforçar a resiliência.

Segurança como base da confiança

O Presidente da Associação Angolana de Internet, Sílvio Almada, também interveio no encontro. Considerou que a segurança da informação é hoje um requisito central para a credibilidade do sector financeiro. Defendeu que a protecção de dados depende não só de tecnologia, mas também de políticas claras, capacitação técnica e responsabilidade digital.

IBM destaca riscos na nuvem e na IA

No painel dedicado às soluções da New Cognito e da IBM, Ibra Seye, Senior Sales Manager da IBM, abordou os riscos associados aos ambientes de nuvem híbrida e à adopção de Inteligência Artificial. Informou que 80% das violações de dados envolvem informações armazenadas em infra-estruturas de nuvem, o que exige controlos operacionais robustos e monitorização de identidades, humanas e não humanas.

Relativamente à IA, o representante da IBM referiu que a adopção da tecnologia está a avançar mais rapidamente do que a sua protecção. Segundo dados da própria empresa, 62% das organizações ainda não possuem controlos de acesso adequados nos sistemas de IA. Para Seye, a integração da segurança na estrutura de dados e operações é essencial para garantir confiança, privacidade e integridade.

Falha na AWS provoca apagão digital e deixa serviços instáveis em vários países

 

Uma falha nos serviços de computação em nuvem da Amazon Web Services (AWS) causou, nesta segunda-feira (20), interrupções e lentidão em diversos sites e aplicações a nível global. A infraestrutura da gigante tecnológica é utilizada por empresas como Sony, Natura, United Airlines, Booking, Perplexity e Fortnite.

A Amazon identificou o problema ainda durante a madrugada, e anunciou estar a investigar “o aumento nas taxas de erro e de latência em vários serviços da AWS”.

A AWS é a divisão de computação em nuvem da Amazon. Foi criada inicialmente para uso interno, mas hoje fornece soluções como hospedagem de sites, armazenamento de dados, bancos de dados, inteligência artificial e outros serviços digitais.

Entre os principais concorrentes estão:

• Microsoft Azure

• Google Cloud

• Oracle

• IBM

De acordo com a agência Reuters, mais de 500 empresas registaram perturbações ligadas à falha da AWS. Entre os serviços afectados estão:

• A própria Amazon

• A assistente virtual Alexa

• O Snapchat

• O Zoom

• O Duolingo

A AWS fornece computação sob demanda e armazenamento de dados para empresas, governos e utilizadores individuais. Sempre que ocorre uma falha nos seus servidores, aplicações e plataformas que dependem da sua infraestrutura ficam instáveis ou totalmente indisponíveis.

ISPTEC vence o Concurso Universitário Angolano de Programação 2025

A promissoras mentes académicas das Universidades em Angola estiveram reunidas no Complexo Polidesportivo do ISPTEC, nos dias 16 e 17 de Outubro, durante a 9.ª edição do Concurso Universitário Angolano de Programação (CUAP). A equipa “Bread Bread Cheese Cheese”, do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC), conquistou o primeiro lugar da edição 2025, confirmando o domínio técnico e a crescente maturidade das equipas nacionais na área das ciências da computação.

Durante dois dias intensos, 45 equipas de 32 Instituições de Ensino Superior, representando 14 províncias, colocaram à prova as suas capacidades de raciocínio lógico, domínio de algoritmos e eficiência na resolução de problemas sob pressão. A competição, reconhecida por seguir o formato da prestigiada ICPC (International Collegiate Programming Contest), é considerada o maior desafio universitário de programação em Angola.

Sob a coordenação do Eng.º Valeriano Marcelino, Director do Concurso, o CUAP 2025 reforçou a missão de incentivar o pensamento crítico, o trabalho em equipa e o uso criativo da tecnologia para resolver problemas do mundo real. O evento é também uma plataforma estratégica para identificar os melhores talentos que representarão Angola em competições regionais e internacionais de programação.

O segundo lugar foi alcançado por um trio de equipas do Instituto Superior de Administração e Finanças (ISAF) — Sísifo, Atlas e Prometheus —, que demonstraram consistência e sólida formação técnica. Já o terceiro lugar foi conquistado pela equipa TATAKAE, do Instituto Superior de Tecnologias de Informação e Comunicação (INSTIC), que se destacou pela criatividade na abordagem dos desafios propostos.

Próxima fase

Para além do reconhecimento, as equipas vencedoras garantiram também a qualificação para a próxima fase, a Competição Regional Africana da ICPC, onde irão medir forças com as melhores equipas de universidades do continente. O objectivo agora é claro: alcançar uma das vagas para a fase mundial, que reúne as mentes mais brilhantes da programação universitária a nível global.

Equipa vencedora “Bread Bread Cheese Cheese”. (Créditos da foto: ISPTEC)

África: A transformação digital sob ameaça cibernética

A Microsoft publicou oficialmente a 6.ª edição do Microsoft Digital Defense Report, um relatório onde destaca as grandes tendências de cibersegurança entre julho de 2024 e junho de 2025.

A expansão das redes móveis e da Internet de banda larga levou milhões de africanos a entrar no mundo digital nos últimos anos. Essa conectividade crescente tem impulsionado a inovação, o comércio e os serviços financeiros digitais. Contudo, os mesmos factores abriram novas portas para ataques cibernéticos.

A Microsoft observa um aumento contínuo de ataques de phishing, ransomware e exploração de falhas em servidores e dispositivos não actualizados. Esses ataques visam frequentemente instituições governamentais, universidades, bancos e pequenas empresas.

Embora a África Subsariana represente uma pequena fração da actividade global de Estados-nação, a tendência é ascendente. O continente está a tornar-se mais visado à medida que as infraestruturas digitais se expandem e as economias nacionais se tornam mais dependentes de sistemas em linha.

Um dos maiores desafios para os governos e organizações africanas é a escassez de profissionais de cibersegurança e a falta de políticas unificadas de defesa digital. Muitos países ainda estão a desenvolver equipas nacionais de resposta a incidentes (CSIRT) e centros de partilha de informação.

Países mais visados na África Subsariana

  • A região representa cerca de 1 a 2 % da actividade global de ciberataques de Estados-nação, um aumento face aos anos anteriores.

  • África do Sul, Nigéria e Quénia são identificadas como os países mais visados, devido ao seu nível de digitalização, presença de serviços financeiros avançados e papel de hub tecnológico regional.

  • Etiópia e Gana também aparecem entre os países com incidentes monitorizados, especialmente relacionados com ameaças de espionagem e campanhas de phishing.

  • Angola e Moçambique registaram atividades pontuais associadas a ataques de reconhecimento e exploração de vulnerabilidades em redes governamentais e infraestruturas críticas.

Origem dos ataques e motivações

  • China, Rússia, Irão e Coreia do Norte estão entre os principais Estados-nação identificados como origem das operações dirigidas à África.

  • As motivações incluem espionagem tecnológica, acesso a dados governamentais e diplomáticos, e influência geopolítica através de campanhas de desinformação e ataque a infraestruturas estratégicas.

A China mostra interesse crescente em países africanos com projectos de infra-estrutura digital e telecomunicações, enquanto Rússia e Irão mantêm operações de influência política e recolha de informação.

Sectores mais atacados em África

  • Governo e administração pública
  • Educação e investigação científica
  • Tecnologia da informação (TI)
  • Energia e comunicações

A Microsoft recomenda integração precoce de segurança nos projectos de transformação digital, adoção de autenticação multifator (MFA) e formação contínua de pessoal técnico.

Apesar dos desafios, há sinais de progresso. Vários países africanos estão a adoptar estratégias nacionais de cibersegurança, e cresce o número de parcerias público-privadas focadas em infra-estruturas críticas e capacitação digital.

O relatório conclui que a resiliência digital africana dependerá da capacidade dos países em cooperar regionalmente, investir em tecnologias seguras e formar a próxima geração de especialistas em segurança cibernética.