
Angola deve acelerar a construção de uma infra-estrutura nacional de saúde digital, assente na integração dos sistemas existentes, na interoperabilidade e numa governação estruturada dos dados. A posição foi defendida por Ivan António, Director de Saúde Digital da New Cognito, durante o Africa HealthTech Summit (AHTS) 2026, realizado de 30 de Setembro a 2 de Outubro, em Kigali, no Ruanda.
O responsável, que participou como embaixador de Angola no evento, esteve em dois painéis dedicados à transformação dos sistemas de saúde em África, onde abordou os desafios e as oportunidades associados à digitalização do sector, com destaque para a realidade e as prioridades de Angola.
Segundo Ivan António, uma das prioridades passa por aproveitar os sistemas que já existem e criar condições para que diferentes soluções possam comunicar entre si. Sistemas de gestão hospitalar, registos clínicos electrónicos, plataformas laboratoriais, serviços de telemedicina e ferramentas de diagnóstico devem, na sua perspectiva, funcionar com base em padrões e arquitecturas comuns.
“Angola tem hoje a oportunidade de olhar para a transformação digital da saúde de forma integrada, aproveitando os sistemas e experiências que já existem e criando condições para que possam evoluir de forma articulada. Mais do que multiplicar plataformas, importa garantir que estas comunicam entre si e que a informação pode acompanhar o cidadão ao longo do seu percurso de cuidados”, afirmou.
A governação dos dados foi outro dos pontos destacados durante a cimeira. Com o aumento do número de sistemas digitais utilizados no sector da saúde, o responsável considera necessário estabelecer regras claras sobre a gestão, protecção, acesso e utilização das informações dos pacientes.
“A transformação digital também exige confiança. Quando falamos de dados de saúde, é fundamental saber quem pode aceder à informação, onde está armazenada, como é utilizada e em que condições pode ser partilhada”, sublinhou.
Para o Director de Saúde Digital da New Cognito, uma estrutura de governação adequada permitirá utilizar os dados para gerar conhecimento e melhorar a prestação de cuidados, sem comprometer a segurança e a privacidade dos cidadãos.






