Início Site

Moçambique, o grande ausente do mapa de ciberameaças da INTERPOL

A reduzida presença pode, à primeira vista, parecer um sinal positivo. O próprio relatório, contudo, recomenda cautela nessa interpretação. Em vários países africanos, os números baixos podem reflectir dificuldades na comunicação e no registo de incidentes, e não necessariamente uma menor exposição ao cibercrime.

Os poucos dados

Nas deteções de vulnerabilidades exploráveis da Shadowserver Foundation, Moçambique representa 1,9% do total africano. O valor coloca o país ao nível do Gabão, abaixo de Angola, com 3,2%, e muito distante da África do Sul, que concentra 43,6%.

O relatório identifica entre os sistemas mais expostos routers desactualizados, VPN vulneráveis e plataformas web de gestão documental com configurações inadequadas.

A segunda referência é positiva. O programa Cyber4Dev, financiado pela União Europeia, incluiu Moçambique nas iniciativas de formação sobre políticas nacionais de cibersegurança e resposta a incidentes, juntamente com a Gâmbia, Malawi, Congo e Seicheles.

No restante relatório, predominam as ausências:

  • No ranking de botnets da FortiGuard Labs, liderado por Angola com 37,95%, Moçambique integra o grupo “outros”, responsável por 7,08% das deteções.
  • O país não figura entre os cinco principais emissores de sextorsão nem assume peso individual nas deteções de ransomware apresentadas.
  • Também não aparece entre os 17 países cujos avanços legislativos em 2025 receberam destaque no relatório.

Ausência ou subnotificação?

O relatório fornece elementos que ajudam a interpretar esta escassez de dados. Entre os países inquiridos, 89% identificam a subnotificação como um problema generalizado. Entre as causas apontadas estão a ausência de mecanismos formais de comunicação, o receio de danos reputacionais, a limitada capacidade forense e a incerteza quanto às obrigações legais.

A INTERPOL utiliza uma explicação semelhante para a África Central: a aparente baixa incidência de ransomware pode resultar da subnotificação e não, necessariamente, da ausência deste tipo de crime.

Segundo o relatório, apenas cinco países estabelecem prazos fixos para a comunicação de incidentes: Nigéria, Quénia, África do Sul e Maurícias exigem a notificação no prazo de 72 horas, enquanto o Gana estabelece 24 horas. Moçambique não integra esta lista.

O contexto regional também exige atenção. A África Austral surge como uma das regiões particularmente expostas às ciberameaças, enquanto a cooperação entre as forças policiais e as equipas nacionais de resposta a incidentes permanece desigual. A presença de vulnerabilidades exploráveis em Moçambique demonstra a existência de uma superfície de ataque, mas os dados disponíveis não permitem determinar por si só a verdadeira dimensão dos incidentes ocorridos no país.

Binance sofre ataque hacker de USD 6,3 mil milhões

Considerada a maior bolsa de criptomoedas do mundo em volume diário de transações, a empresa publicou uma série de mensagens por vezes contraditórias na X, garantindo que “os fundos dos utilizadores estão completamente seguros”, mas também assegurou que iria “cobrir todas as perdas”.

Mais tarde, a Binance informou na sua conta da X para a América Latina que “o impacto total estimado ronda os 6,3 mil milhões de dólares”.

Acrescentou que “trabalhámos com parceiros de blockchain para congelar os ativos afetados, com cerca de 3 mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros) já congelados na cadeia de blocos”.

Isso corresponde a mais de quatro vezes o montante envolvido naquele que tinha sido até agora o maior ciberataque deste tipo: 1,5 mil milhões de dólares (1,3 mil milhões de euros) roubados em fevereiro de 2025 à plataforma Bybit.

Na altura, o assalto à Bybit foi atribuído a um grupo de piratas informáticos associado à Coreia do Norte, chamado TraderTraitor.

A empresa de investigação em blockchain TRM Labs afirmou na quinta-feira que tinha “elevada confiança” de que o ataque à Binance também foi orquestrado pela TraderTraitor, citando “informação robusta, dentro e fora da cadeia de blocos”.

A TRM acrescentou que “várias características deste ataque coincidem com assaltos anteriores ligados à Coreia do Norte”.

Considera-se que a TraderTraitor faz parte do grupo Lazarus – que ganhou notoriedade em 2014, quando foi acusado de piratear a Sony Pictures em retaliação por “The Interview”, um filme que satirizava o líder norte-coreano Kim Jong Un.

No comunicado da empresa na X, uma investigação inicial sugeria que o ataque envolveu um portátil comprometido pertencente a um “engenheiro DevOps”, o que permitiu à parte não autorizada aceder a um “contentor de serviço” e executar operações de levantamento não autorizadas.

A Binance afirmou que “não encontrámos qualquer indício de fuga de chaves privadas a partir das carteiras”, prometendo divulgar uma análise técnica detalhada quando as investigações estiverem concluídas.

O ataque à Binance surge numa altura em que muitos observadores manifestam preocupações de que as capacidades cada vez maiores dos modelos de inteligência artificial (IA) possam comprometer a criptografia e os protocolos de segurança informática.

Quando a informação correcta se torna o perigo

Um certificado válido até à meia-noite. Um registo DNS que apontava para um serviço já extinto. Um IP que era malicioso há seis meses. Uma conta de alguém que saiu da empresa. Nada disto é falso, apenas venceu. E a informação vencida é mais traiçoeira do que uma mentira, precisamente porque parece legítima.

Verdadeiro não é o mesmo que actual

Quase todos os controlos de segurança perguntam se uma informação é autêntica. Poucos perguntam se ainda é válida. Toda a informação tem um prazo de validade, mesmo quando ninguém o escreveu. A diferença entre uma organização madura e uma vulnerável está em saber quando a informação deixa de valer.

O certificado que desligou 11 países

Em dezembro de 2018, um certificado de segurança do núcleo móvel da Ericsson expirou e afectou operadores em 11 países (BTW Media). No Reino Unido, a O2 ficou sem dados durante quase 23 horas, com impacto em cerca de 32 milhões de pessoas (Computing); no Japão, a SoftBank estimou o impacto em 30,6 milhões de linhas (BTW Media). Não houve ataque nem falha técnica apenas uma data que ninguém monitorizou a tempo.

O registo DNS que ficou para trás

Quando um serviço na nuvem é desactivado mas o registo DNS que o apontava permanece, cria-se um registo “pendurado” (dangling DNS), que um atacante pode reclamar para se apropriar do subdomínio com a credibilidade da organização (CloudSEK). Um estudo de 2023 identificou mais de mil organizações vulneráveis a este tipo de falha (CloudSEK). O DNS não está errado nem comprometido está apenas desactualizado, o que o torna mais perigoso do que uma simples ligação partida (NHI Mgmt Group).

Os alvos invisíveis: os componentes que sustentam (e derrubam) uma rede

Outros dados que vencem sem aviso

  • Indicadores de ameaça: um IP malicioso hoje pode ser reatribuído amanhã.
  • Contas e acessos: de ex-colaboradores ou consultores cujo contrato terminou.
  • Regras de firewall: criadas para projectos temporários e esquecidas.
  • Credenciais e chaves: que nunca rodam.
  • Contactos de emergência: de técnicos que já não trabalham no fornecedor.

Em todos os casos, o mesmo mecanismo: algo foi configurado correctamente, o contexto mudou, e a configuração ficou.

Como gerir a validade da informação

  • Data e validade em tudo: cada registo crítico deve indicar quando foi criado e até quando é válido.
  • Automatizar o que expira por data: alertas antecipados a 90, 30 e 7 dias para certificados, licenças e domínios.
  • Ligar a remoção ao fim do ciclo de vida: eliminar registos DNS, contas e regras assim que o serviço, pessoa ou projecto termina.
  • Rever periodicamente o que não tem data: firewalls, listas de bloqueio e contas de serviço, com revisão trimestral.
  • Reconfirmar antes de decisões irreversíveis: validar que o inventário ainda corresponde à realidade antes de migrações ou cortes.

A pergunta que falta

Em segurança, aprendemos a perguntar “de onde vem isto?” e “quem garante que é verdade?”. Falta uma terceira: “de quando é isto, e ainda vale?” O certificado da Ericsson, o registo DNS, a conta do antigo colaborador nada disto era falso. Eram todos verdadeiros no passado. A informação não precisa de ser falsa para causar um incidente. Basta estar vencida.

Pumangol lança abastecimento autónomo através da aplicação VIA em três postos de Luanda

A Pumangol lançou, nesta quarta-feira(28), o Self Service VIA, uma nova funcionalidade da aplicação VIA que permite aos clientes realizar o abastecimento das suas viaturas de forma autónoma, directamente através do telemóvel.

A solução surge no âmbito da aposta da empresa na transformação digital e na modernização dos seus serviços, procurando tornar o processo de abastecimento mais simples, cómodo e flexível, através da utilização da tecnologia.

Integrado no ecossistema de fidelização VIA, o novo serviço permite aos utilizadores aceder à modalidade de abastecimento autónomo exclusivamente através da aplicação. Para utilizar a funcionalidade, os clientes devem descarregar a App VIA, efectuar o registo e seguir as instruções disponibilizadas na plataforma.

Numa primeira fase, o Self Service VIA estará disponível em três postos de abastecimento na capital: Baía, localizado na Ilha de Luanda; Elavoko, no Morro Bento; e Nova Vida, no Projecto Nova Vida.

Com esta iniciativa, a Pumangol dá mais um passo na integração de soluções digitais no sector dos combustíveis em Angola, apostando na tecnologia como ferramenta para melhorar a experiência dos consumidores e facilitar o acesso aos seus serviços.

A empresa angolana actua nos segmentos de distribuição e comercialização de combustíveis e lubrificantes, aviação, bunkering, armazenamento, betumes e emulsões. Actualmente, conta com 83 postos de abastecimento em todo o território nacional.

Cibersegurança em Angola: o que a INTERPOL viu e o que falta

O mesmo relatório deixa, contudo, um alerta: aprovar legislação representa apenas o primeiro passo. As principais dificuldades das forças policiais e das agências africanas estão na aplicação das medidas, sobretudo devido à falta de meios forenses, profissionais qualificados, mecanismos de comunicação de incidentes e cooperação entre instituições.

Angola não está sozinha neste processo. Em 2025, 17 países africanos aprovaram ou alteraram legislação relacionada com o cibercrime. A Zâmbia colocou em vigor o Cyber Crimes Act 2025, enquanto a Costa do Marfim aprovou uma lei de segurança digital. As Maurícias anunciaram uma agência nacional de ciber-resiliência e o Sudão do Sul criou um departamento nacional de cibercrime.

O contexto angolano reforça a urgência da nova estrutura. Segundo o relatório, Angola liderou as deteções de botnets em África em 2025, com 37,95% do total, e registou um forte aumento dos ataques DDoS. O país esteve ainda entre os visados pela Operação Serengeti 2.0, coordenada pela INTERPOL.

A organização alerta também para a situação na África Austral. Apesar de ser a região do continente com os quadros regulatórios mais maduros, o principal problema já não reside na ausência de políticas, mas nas falhas de execução, sobretudo ao nível da coordenação transfronteiriça e da partilha de informação em tempo real entre os CERT nacionais e o sector privado.

Angola liderou deteções de botnets em África em 2025

O inquérito da INTERPOL a 36 países africanos mostra as principais fragilidades das instituições. Embora os indicadores abranjam todo o continente, ajudam a identificar os desafios que o novo Centro Nacional terá de enfrentar.

A capacidade de resposta a ataques com recurso à inteligência artificial revela fragilidades ainda maiores. Apenas 22% das unidades forenses conhecem as ameaças associadas à IA e somente 8% dos analistas possuem conhecimentos avançados nesta área.

O que falta

Um dos principais desafios é a comunicação obrigatória de incidentes. Segundo o relatório, apenas a Nigéria, o Quénia, a África do Sul e as Maurícias exigem a notificação no prazo de 72 horas, enquanto o Gana estabelece um limite de 24 horas. Angola não consta dessa lista.

Sem uma obrigação clara de comunicação, muitos incidentes podem ficar por registar, o que dificulta uma avaliação rigorosa da verdadeira dimensão das ameaças no país.

Outro ponto crítico é a cooperação com o sector privado. No continente, apenas 44% dos países afirmam ter reforçado esta colaboração, contra 89% na avaliação anterior. O relatório refere ainda dificuldades no acesso a determinados dados, como os registos associados a casos de SIM swap, cuja disponibilização pode depender de uma ordem judicial e prolongar-se durante semanas.

As recomendações da INTERPOL constituem, neste contexto, uma referência para a consolidação do novo Centro Nacional:

  1. Dotar as unidades de ferramentas forenses básicas, incluindo soluções para extracção de dados de dispositivos móveis e rastreio de criptomoedas.
  2. Criar protocolos vinculativos para pedidos urgentes de dados entre países.
  3. Formar investigadores para identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial.
  4. Formalizar a partilha de informação com operadoras de telecomunicações, fintechs e bancos através de memorandos claros.
  5. Medir e publicar resultados, com indicadores como casos resolvidos, activos recuperados e infraestruturas criminosas desmanteladas.

O relatório não avalia o funcionamento do Centro Nacional de Cibersegurança de Angola, que tinha poucos meses de existência à data do levantamento. A estratégia está definida e a estrutura foi criada. O próximo passo será demonstrar se estas medidas se traduzem em capacidade efectiva de prevenção, detecção e resposta a ciberameaças.

Angola liderou deteções de botnets em África em 2025

A diferença face aos restantes países é significativa. Os Camarões, em segundo lugar, representaram 23,89% do total, com 40,5 milhões de deteções. A África do Sul, uma das economias mais digitalizadas da região, registou 9,12%.

O relatório reforça esta realidade no capítulo dedicado à África Austral. Angola e as Maurícias registaram um aumento acentuado dos ataques DDoS em 2025, fenómeno que a INTERPOL associa à concentração de infraestruturas digitais de elevado valor. No mesmo capítulo, Angola surge como o país da região com o maior volume de deteções de botnets.

Há ainda dois indicadores relevantes. Angola concentra 3,2% das vulnerabilidades exploráveis identificadas em África pela Shadowserver Foundation. O país é também a origem de 4% das 600 mil deteções de sextorsão registadas pela TrendAI, percentagem que o coloca no quinto lugar do continente.

Uma botnet é uma rede de dispositivos infectados por malware e controlados à distância por cibercriminosos. Segundo a INTERPOL, estas redes constituem um dos principais meios utilizados para distribuir ransomware. A organização interpreta o elevado número de deteções em Angola como um sinal do crescimento de uma rede de dispositivos comprometidos, que pode servir para lançar ataques coordenados.

Os alvos invisíveis: os componentes que sustentam (e derrubam) uma rede

A família mais difundida em África é o Sliver, uma framework de comando e controlo de código aberto, utilizada, por exemplo, na distribuição do ransomware 01flip. A FortiGuard Labs descreve também ferramentas de reconhecimento automático capazes de analisar dezenas de milhares de sistemas por segundo à procura de routers vulneráveis, software desactualizado e serviços cloud mal configurados.

Na África Austral, destacam-se os infostealers, trojans e backdoors. O relatório admite que estas ameaças possam funcionar como uma cortina de fumo antes da instalação de ransomware. O documento não apresenta, contudo, causas específicas para a elevada incidência registada em Angola.

O relatório assinala também alguns avanços. Em Novembro de 2025, Angola aprovou uma Estratégia Nacional de Cibersegurança e criou um Centro Nacional de Cibersegurança com autoridade reguladora. O país esteve ainda entre os visados pela Operação Serengeti 2.0, coordenada pela INTERPOL contra infraestruturas de ransomware e centros de burla.

Os alvos invisíveis: os componentes que sustentam (e derrubam) uma rede

Entre esses componentes estão o DNS, que permite localizar serviços e sistemas; o NTP, que mantém os relógios sincronizados; os mecanismos de autenticação, que controlam o acesso; e as plataformas responsáveis pela gestão e monitorização da rede. Individualmente, podem parecer secundários. Na prática, a sua falha ou comprometimento pode afectar toda a organização.

É precisamente sobre estes alvos invisíveis que importa reflectir: os sistemas com pouca visibilidade para o utilizador, mas com enorme importância operacional e de segurança.

Grau e intermediação: o que a análise de redes ensina

Na análise de redes, a importância de um nó pode ser avaliada, entre outros critérios, através do grau e da intermediação.

O grau representa o número de ligações diretas de um nó. É a medida mais intuitiva: um servidor utilizado por milhares de pessoas ou uma aplicação com muitas integrações apresenta, naturalmente, elevada importância devido à quantidade de ligações que mantém.

A intermediação, por sua vez, mede a importância de um nó nos caminhos que ligam diferentes elementos da rede. Um sistema pode ter poucas ligações diretas e, ainda assim, ser essencial porque várias comunicações dependem dele. Se esse ponto desaparecer, partes da infraestrutura podem deixar de comunicar entre si.

Esta distinção ajuda a compreender um princípio importante de cibersegurança: o sistema mais visível nem sempre é o mais estratégico. Comprometer um servidor pode dar acesso a esse servidor; comprometer um elemento que interliga, autentica ou administra dezenas de sistemas pode abrir caminho para uma parte muito maior da infraestrutura.

Caso 1: o dia em que a Internet deixou de encontrar os serviços

A 21 de outubro de 2016, a Dyn, então um importante fornecedor de DNS, sofreu um ataque distribuído de negação de serviço (DDoS). O ataque utilizou uma rede de dispositivos IoT comprometidos pelo malware Mirai, incluindo câmaras e gravadores de vídeo, e ocorreu em várias vagas ao longo do dia. [https://kr…nt-page-2/]

O impacto foi significativo. Serviços como Twitter, Netflix, Reddit, Spotify, GitHub e PayPal ficaram inacessíveis para muitos utilizadores durante várias horas. [https://na…rai-attack]

O aspeto mais relevante é que muitos destes serviços não foram atacados directamente. Os servidores continuavam disponíveis, mas parte dos utilizadores deixou de conseguir encontrá-los porque o serviço responsável pela resolução dos seus nomes estava sob ataque. A dependência do mesmo fornecedor de DNS transformou uma falha num ponto da cadeia num problema com efeitos muito mais abrangentes. [https://na…rai-attack]

A principal lição é simples: uma decisão tecnicamente válida pode criar um risco sistémico quando muitas operações dependem do mesmo ponto. A concentração num único fornecedor pode transformar eficiência em dependência crítica.

Caso 2: as chaves mestras da rede

Em dezembro de 2020, tornou-se público o comprometimento da SolarWinds. Os atacantes introduziram código malicioso em actualizações legítimas do Orion, uma plataforma utilizada para monitorizar e administrar infraestruturas tecnológicas. Cerca de 18 mil clientes receberam as actualizações comprometidas. [https://di…-2420.html]

O Orion constituía um alvo particularmente valioso porque uma plataforma de monitorização necessita, por natureza, de ampla visibilidade e de determinados privilégios sobre os sistemas que supervisiona. Essa posição central tornou a plataforma num ponto estratégico para alcançar outras partes das redes das organizações afetadas. [https://wi…winds-hack]

Outro dado relevante foi o tempo de permanência dos atacantes. O acesso aos sistemas da SolarWinds terá começado em setembro de 2019, enquanto a descoberta pública do ataque ocorreu apenas em dezembro de 2020. Durante esse período, uma ferramenta considerada legítima tornou-se parte do próprio vetor de ataque. [https://wi…winds-hack]

Entre as principais lições retiradas do incidente destacou-se a necessidade de aplicar princípios de Zero Trust, reforçar a proteção das identidades e reduzir a exposição das credenciais privilegiadas. [https://uh…attack.pdf]

O caso demonstra um princípio essencial: quanto maior for a confiança depositada numa ferramenta, maior deve ser o controlo aplicado sobre ela.

Os facilitadores de uma rede típica

Todas as infraestruturas possuem componentes com elevada intermediação. Embora nem sempre estejam associados directamente ao negócio, uma falha nestes sistemas pode comprometer vários serviços em simultâneo.

  • DNS: permite que sistemas e utilizadores encontrem os serviços através dos respetivos nomes. A indisponibilidade do DNS interno ou externo pode tornar aplicações aparentemente indisponíveis, mesmo quando os servidores continuam operacionais.
  • NTP: assegura a sincronização temporal entre equipamentos. Diferenças significativas de hora podem afetar autenticação, certificados, correlação de registos e investigações de incidentes.
  • Autenticação e autorização: sistemas como Active Directory, RADIUS, TACACS+ e fornecedores de identidade determinam quem pode aceder a quê. O seu comprometimento pode facilitar acessos a múltiplos recursos.
  • Plataformas de gestão e monitorização: soluções de administração de redes, servidores e aplicações possuem elevada visibilidade sobre a infraestrutura e, em alguns casos, privilégios significativos.
  • Certificados e PKI: as autoridades de certificação sustentam relações de confiança entre sistemas. A sua proteção é, por isso, fundamental.
  • Servidores de salto e sistemas de cópias de segurança: os primeiros concentram acessos administrativos; os segundos preservam dados essenciais para a recuperação após incidentes.

Existe um denominador comum: todos estes sistemas trabalham discretamente, mas suportam funções críticas. Precisamente por aparecerem menos nos indicadores do negócio, podem receber menos atenção do que a sua importância exige.

Como proteger aquilo que quase ninguém vê

Inventariar as dependências. Para cada serviço crítico, importa identificar os sistemas de que depende: DNS, autenticação, sincronização horária, certificados, rede, armazenamento, monitorização e fornecedores externos. Este exercício permite criar um verdadeiro mapa de dependências e revelar pontos únicos de falha.

Atribuir o nível de proteção adequado. Sistemas de identidade, administração e controlo devem receber medidas de segurança superiores às aplicadas a equipamentos comuns. Contas administrativas dedicadas, autenticação multifactor, controlo rigoroso de acessos e registo das operações constituem medidas essenciais.

Separar o plano de gestão. As interfaces administrativas de switches, routers, firewalls, hipervisores e servidores não devem ficar livremente acessíveis a partir da rede dos utilizadores. VLANs de gestão, ACL, firewalls e bastion hosts ajudam a limitar quem consegue alcançar estes sistemas.

Adotar redundância diversificada. O caso da Dyn mostrou o risco associado à concentração num único fornecedor de DNS. A utilização de mais do que um fornecedor reduz o impacto de uma falha comum. Dois servidores colocados na mesma infraestrutura ou dependentes do mesmo fornecedor podem oferecer redundância técnica sem eliminar o verdadeiro ponto único de falha.

Aplicar o princípio do menor privilégio. Uma plataforma de monitorização deve possuir apenas as permissões indispensáveis à sua função. Se necessita apenas de consultar informação, não deve receber privilégios que lhe permitam alterar configurações em toda a infraestrutura.

Vigiar quem vigia. As próprias plataformas de gestão e monitorização também precisam de supervisão. Actualizações, alterações de configuração, acessos administrativos, contas de serviço e comportamentos anómalos devem produzir registos e alertas. O incidente da SolarWinds demonstrou o risco de confiar implicitamente numa ferramenta apenas porque ela pertence à infraestrutura de gestão

A pergunta que revela os verdadeiros alvos

Se toda esta reflexão pudesse ser reduzida a uma única pergunta, seria esta: o que é que, sem dar nas vistas, torna possível o funcionamento de tudo o resto?

A resposta raramente estará apenas no servidor mais caro ou na aplicação mais conhecida. Pode estar no DNS que quase ninguém revê, no NTP cuja redundância nunca foi testada, numa conta de serviço com privilégios excessivos, numa autoridade de certificação ou numa plataforma de monitorização instalada há anos sem uma auditoria profunda.

Estes são os nós de intermediação da infraestrutura: componentes discretos cuja posição lhes concede uma importância muito superior à sua visibilidade.

Proteger uma infraestrutura não significa apenas proteger aquilo que se vê. Significa, sobretudo, proteger os sistemas que ligam, autenticam, sincronizam, administram e mantêm todo o resto operacional.

Angola tem 21,7 milhões de pessoas sem acesso à internet, revela estudo


A YoungNetwork Angola lançou, esta terça-feira, 27 de Outubro, a Lupa, uma publicação semanal dedicada à análise de estudos e tendências relevantes para os sectores da comunicação, marketing e publicidade no país.

Disponível em: lupa.youngnetworkgroup.com, a publicação apresenta, em cada edição, dados e indicadores que podem apoiar a tomada de decisões e o desenvolvimento de estratégias de comunicação.

A primeira edição tem como base o relatório Digital 2026: Angola, da DataReportal, elaborado com a participação da Kepios, We Are Social e Meltwater, bem como dados do inquérito da Ronda 10 do Afrobarómetro.

De acordo com os dados apresentados, Angola regista 30,6 milhões de ligações móveis, o equivalente a 77,8% da população. Destas, 94,9% utilizam redes 3G, 4G ou 5G. Apesar da expansão da conectividade móvel, apenas 17,6 milhões de pessoas, correspondentes a 44,8% da população, utilizam a internet, enquanto 21,7 milhões permanecem sem acesso.

As diferenças são igualmente evidentes entre as zonas urbanas e rurais. Nas cidades, 53,4% dos adultos possuem telemóveis com acesso à internet, contra apenas 8,4% nas zonas rurais, um cenário que evidencia os desafios de inclusão digital no país.

No domínio da publicidade digital, o Facebook apresenta um alcance equivalente a 28,4% dos adultos, enquanto o TikTok chega a 20,4% e registou um aumento de 597 mil utilizadores adultos em três meses. Já o LinkedIn contabiliza 1,4 milhões de membros registados, com um crescimento de 27,3% num ano.

O estudo destaca ainda o peso da população jovem: 50,8% dos angolanos têm menos de 18 anos, sendo a idade mediana de 16,6 anos. Os dados indicam também que os homens representam entre 53,8% e 70,1% da audiência adulta nas principais redes sociais analisadas.

Para a YoungNetwork Angola, estes indicadores demonstram a importância de adoptar estratégias de comunicação adaptadas à realidade do país, combinando plataformas digitais com meios tradicionais, como a rádio e a televisão, para alcançar públicos com diferentes níveis de acesso à internet.

“Em Angola, o telemóvel chegou antes da internet. O país está meio ligado e um bom plano de comunicação serve as duas metades”, afirmou Alexandra Lopes, directora-geral da YoungNetwork Angola, citada no comunicado.

A responsável acrescentou que a publicação pretende disponibilizar dados úteis para apoiar as decisões dos profissionais da área, com uma nova edição todas as semanas.

Empresas de tecnologia recorrem à religião para orientar a ética da inteligência artificial

À medida que as empresas de tecnologia avançam no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), cresce também a preocupação sobre como garantir que os sistemas tomem decisões alinhadas com princípios éticos. Para enfrentar esse desafio, algumas gigantes tecnológicas estão a recorrer à religião, consultando líderes religiosos e filósofos na procura de orientações morais para os seus modelos.

A questão ganhou destaque no início deste ano, quando Chris Olah, cofundador da Anthropic, participou, no Vaticano, na apresentação de uma encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial. Na ocasião, Olah defendeu que questões relacionadas com a moralidade ultrapassam o âmbito dos laboratórios tecnológicos e exigem o contributo de tradições que reflectem sobre esses temas há milhares de anos.

A aproximação entre o sector tecnológico e as instituições religiosas surge num contexto de crescente debate sobre os riscos da IA e a necessidade de desenvolver sistemas capazes de agir de acordo com determinados valores. Para além dos avanços técnicos, as empresas procuram compreender de que forma princípios filosóficos e religiosos podem contribuir para orientar o comportamento dos chatbots e de outros sistemas inteligentes.

No entanto, a iniciativa levanta questões entre especialistas e representantes de diferentes religiões. Uma das principais preocupações está relacionada com a diversidade de crenças e interpretações morais, que podem apresentar posições contraditórias sobre os mesmos assuntos.

Os críticos alertam, por isso, que a religião não funciona como um conjunto universal de regras que possa ser simplesmente integrado nos sistemas de inteligência artificial. As diferenças entre tradições religiosas e visões do mundo tornam mais complexa a definição de princípios éticos que sejam aceites por diferentes comunidades.

O desafio das empresas tecnológicas passa, assim, por encontrar formas de orientar o desenvolvimento da inteligência artificial sem ignorar a diversidade de valores e perspectivas existentes na sociedade.

Meta é condenada a pagar 25 mil milhões de dólares por caso Cambridge Analytica


A Meta, empresa responsável pelo Facebook, foi condenada a pagar 25 mil milhões de dólares norte-americanos, após um júri no estado do Novo México, nos Estados Unidos, concluir que a companhia enganou os consumidores sobre a protecção dos seus dados pessoais.

O caso está relacionado com o escândalo da Cambridge Analytica, consultoria política britânica que recolheu dados de milhões de utilizadores do Facebook sem o devido consentimento. As informações terão sido utilizadas no contexto de actividades políticas, incluindo a campanha presidencial de Donald Trump, em 2016.

O processo foi apresentado em 2021 pelo procurador-geral do Novo México, que acusou a Meta de não esclarecer devidamente quem tinha acesso às informações pessoais dos utilizadores.

Para além das questões de privacidade, o estado alegou que a empresa permitia a circulação de discursos de ódio e desinformação na plataforma, apesar dos riscos associados a esses conteúdos.

O caso volta a levantar questões sobre a responsabilidade das grandes empresas tecnológicas na protecção dos dados pessoais e a transparência na gestão das informações partilhadas nas redes sociais.

Fonte: G1