A exploração espacial foi uma das áreas em destaque na Feira de Inovação Criança na Computação (FICC), realizada no dia 26 de Agosto, na Mediateca de Luanda, onde 292 crianças apresentaram projectos desenvolvidos durante o processo de formação e experimentação tecnológica.
Promovida pela Tecno Excelência, através do Projecto Criança na Computação (PCC), a iniciativa reuniu trabalhos nas áreas de programação, electrónica, robótica e exploração espacial, proporcionando aos participantes um espaço para transformar conhecimentos em soluções práticas.
Entre os projectos apresentados estiveram os CANSATs, pequenos dispositivos concebidos para simular algumas funções de um satélite. A utilização destes equipamentos permitiu às crianças ter um primeiro contacto com conceitos relacionados com a tecnologia espacial e compreender algumas das aplicações da ciência e engenharia no sector.
A presença da exploração espacial na feira também contribuiu para despertar o interesse dos mais jovens por áreas ligadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática, consideradas importantes para o desenvolvimento de novas competências.
Mais do que apresentar trabalhos, a FICC mostrou crianças a assumirem o papel de criadoras e experimentadoras de tecnologia, desenvolvendo projectos a partir dos conhecimentos adquiridos durante a sua formação.
O evento contou com a presença de Florindo Gonçalves, Director de Recursos Humanos do MINTTICS, em representação do Secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, e de Vangiliya Pereira, Directora-Geral Adjunta para a Área Técnica e Científica do GGPEN, em representação do Director-Geral, Zolana João.
A iniciativa reforça a importância de criar, desde cedo, oportunidades para que crianças e jovens tenham contacto com áreas tecnológicas e possam desenvolver competências capazes de contribuir para o futuro da inovação em Angola.
Investigadores de diferentes países, incluindo Angola e outros países africanos, já podem candidatar-se ao Academy Scholars Program, programa de pós-doutoramento da Harvard Academy for International and Area Studies, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
A oportunidade é destinada a investigadores que tenham concluído recentemente o doutoramento ou que estejam em fase avançada de conclusão do PhD nas áreas das Ciências Sociais. Os seleccionados terão a oportunidade de desenvolver os seus projectos de investigação durante dois anos, em regime presencial, em Cambridge, Massachusetts.
Para a edição com início previsto para 1 de Agosto de 2027, podem candidatar-se investigadores que tenham concluído o doutoramento ou grau equivalente a partir de 1 de Agosto de 2025, assim como candidatos que estejam próximos de concluir a formação. O programa aceita candidaturas de todas as nacionalidades.
Os investigadores seleccionados receberão um auxílio anual de 80 mil dólares, acrescido de 6 mil dólares por ano para apoio à investigação.
A cada edição, são seleccionados cerca de cinco a seis Academy Scholars, que passam a integrar a comunidade académica da Harvard Academy e têm acesso a actividades académicas, apoio à investigação e acompanhamento de investigadores seniores.
Entre as áreas elegíveis estão Antropologia, Economia, Geografia, História, Relações Internacionais, Direito, Ciência Política, Políticas Públicas, Sociologia, Psicologia e Estudos Sociais, entre outras.
Também são aceites projectos relacionados com estudos regionais, incluindo Estudos Africanos, desde que estejam enquadrados numa das áreas das Ciências Sociais consideradas elegíveis.
Os interessados devem submeter as candidaturas até às 23h59 de 18 de Setembro de 2026, no horário de verão do Leste dos Estados Unidos (EDT). As cartas de recomendação poderão ser enviadas até 28 de Setembro.
O processo inclui currículo vitae, proposta de investigação com até 2.000 palavras, um trabalho académico em inglês com no máximo 50 páginas, histórico académico do doutoramento e três cartas de recomendação.
Todos os documentos devem ser submetidos online, em formato PDF.
Os candidatos que chegarem à fase final deverão estar disponíveis para uma entrevista presencial, prevista para 4 de Dezembro de 2026. Os resultados deverão ser anunciados ainda em Dezembro.
A iniciativa representa uma oportunidade para investigadores africanos desenvolverem projectos de investigação em áreas ligadas às questões sociais, económicas, políticas e históricas, integrando uma comunidade académica internacional de referência.
A jovem angolana Juelma Daniel Soares terminou a licenciatura em Engenharia Informática e Comunicações na Universidade Óscar Ribas como a melhor estudante do curso, tendo alcançado também a melhor média da instituição e recebido um diploma de mérito.
Natural de Luanda, Juelma conta que o interesse pelos estudos começou ainda na infância. Sendo a última filha de uma família de dez irmãos, acompanhava as explicações dos irmãos mais velhos desde os três anos e, aos quatro, já lia fluentemente.
A sua trajectória académica foi marcada também por desafios familiares. Durante a infância, a jovem acompanhou a perda de visão da mãe, uma experiência que, segundo relata, reforçou a sua determinação em estudar e construir um futuro capaz de contribuir para a família.
Da Gestão de Sistemas Informáticos à Engenharia
Juelma concluiu o ensino médio no Makarenco, no curso de Gestão de Sistemas Informáticos, com média final de 14 valores, sem reprovações ou recursos.
O desempenho académico permitiu-lhe conquistar a bolsa “Mulheres para o Futuro”, atribuída pela Unitel, e ingressar na Universidade Óscar Ribas para frequentar a licenciatura em Engenharia Informática e Comunicações.
Durante os quatro anos de formação superior, manteve uma média igual ou superior a 14 valores, cumprindo o requisito para a manutenção da bolsa. Segundo o seu relato, raramente precisou de recorrer a exames e, em grande parte das disciplinas, conseguiu dispensar.
O resultado culminou com o reconhecimento como melhor estudante do curso e da universidade, numa área de formação ligada directamente às tecnologias e à transformação digital.
A conquista de Juelma ganha particular relevância num sector tecnológico onde a participação feminina continua a ser um dos desafios para o desenvolvimento de novas competências. A sua trajectória mostra o potencial das jovens angolanas para assumirem posições de destaque nas áreas de tecnologia, engenharia e inovação.
Para além do reconhecimento académico, a história de Juelma representa um exemplo de como o acesso à formação e às oportunidades pode contribuir para preparar uma nova geração de profissionais capazes de participar na construção do futuro tecnológico de Angola.
Para muitos pequenos comerciantes angolanos, aceitar pagamentos digitais começa por um obstáculo simples: conseguir acesso a um TPA. Entre equipamento, processos de adesão e limitações de mobilidade, a aceitação de pagamentos electrónicos continua pouco acessível para negócios que trabalham no dia-a-dia com margens reduzidas.
É a este problema que a BayQi responde com o lançamento do TPA Digital, uma solução que dispensa o terminal físico tradicional e transforma qualquer smartphone ou tablet num ponto de aceitação de pagamentos.
A aplicação já está disponível para download na Google Play e na Apple Store.
Como funciona?
O funcionamento segue uma lógica simples: o comerciante introduz o valor da venda na aplicação, que gera automaticamente um QR Code associado à transacção. O cliente lê o código através do Multicaixa Express, no mesmo formato utilizado pelos TPAs tradicionais, confirma o pagamento e o comerciante recebe de imediato a confirmação da operação.
Numa fase seguinte, a BayQi prevê incorporar também o QR Code KWiK, alargando a aceitação de pagamentos à rede KWiK, de acordo com as integrações que forem sendo disponibilizadas.
Mobilidade em vez de equipamento fixo
A principal mudança introduzida pelo TPA Digital está na mobilidade. Em vez de depender de um equipamento instalado num balcão, o comerciante passa a utilizar o dispositivo que já tem consigo para receber pagamentos — seja numa loja, num restaurante à mesa, numa banca de mercado ou num serviço prestado directamente no local.
Para negócios sem um ponto fixo de venda, a diferença pode ser ainda mais visível. Um motoqueiro, por exemplo, pode apresentar o QR Code no smartphone assim que chega ao destino de uma entrega, permitindo que o cliente pague directamente a partir do seu telemóvel, sem necessidade de dinheiro físico ou de um terminal adicional.
Um registo de vendas, não só um meio de cobrança
A proposta da BayQi vai além de facilitar a aceitação do pagamento. Ao digitalizar os recebimentos, o comerciante passa também a dispor de um registo automático das transacções realizadas através da plataforma, o que pode ajudar a acompanhar entradas, organizar recebimentos e perceber melhor o fluxo de caixa do negócio — informação que, em muitos pequenos negócios, normalmente não é registada de forma organizada.
Ao permitir visualizar quanto foi recebido, em que períodos ocorreram mais vendas e como os pagamentos evoluem ao longo do tempo, o TPA deixa de ser apenas uma ferramenta de cobrança e passa a funcionar também como apoio à gestão do negócio.
O contexto angolano da digitalização dos pagamentos
Para a BayQi, esta questão é particularmente relevante no contexto dos pequenos negócios em Angola. A digitalização dos pagamentos não depende apenas da vontade dos consumidores em pagar digitalmente — depende também da capacidade dos comerciantes em receber esses pagamentos de forma simples e acessível. Ao colocar o terminal no smartphone, a empresa procura reduzir uma das barreiras de entrada e permitir que o ponto de pagamento acompanhe o próprio comerciante, e não o contrário.
Com o TPA Digital, a BayQi resume a proposta numa ideia simples: o TPA já não precisa de estar fixo num balcão — pode estar no bolso de quem vende.
O novo relatório “Cyber Security Report 2026”, da Check Point Research, coloca África no topo do ranking mundial de ciberataques: em 2025, as organizações africanas sofreram, em média, mais de 3.000 ataques por semana, o valor mais alto de todas as regiões do planeta, acima da Ásia-Pacífico, da América Latina, da Europa e da América do Norte.
Os números?
Globalmente, cada organização enfrentou, em média, 1.968 ciberataques por semana em 2025, um aumento de 18% face a 2024 e de quase 70% desde 2023, segundo a telemetria da Check Point. Mas essa média esconde disparidades regionais acentuadas.
Média semanal de ciberataques por organização, por região, em 2025 (variação face a 2024). Fonte: Check Point Research.
Com 3.092 ataques semanais por organização (+5% face a 2024), África lidera destacada, à frente da Ásia-Pacífico (2.909, +10%), da América Latina (2.795, +13%), da Europa (1.642, +20%) e da América do Norte (1.422, +23%). É um dado que pode parecer contraditório à primeira vista: África tem o volume mais alto, mas o crescimento anual mais baixo. A explicação mais plausível, segundo o padrão que a própria Check Point descreve noutras partes do relatório, é que o continente já operava, há vários anos, num patamar de exposição extremamente elevado, pelo que o crescimento marginal em 2025 reflecte um nível que já estava historicamente perto do máximo, e não uma redução do risco.
Um continente visível, mas pouco detalhado…
Vale notar uma mudança na própria metodologia do relatório: em edições anteriores, África surgia diluída dentro da categoria alargada “EMEA” (Europa, Médio Oriente e África). Este ano, a Check Point separou África como região autónoma na análise global, um sinal de que o continente ganhou peso suficiente nos dados de ameaças para justificar visibilidade própria.
Ainda assim, ao contrário da América do Norte, da Europa, da América Latina e da Ásia-Pacífico que receberam, cada uma, um gráfico detalhado de ataques por sector de actividade, África não tem, nesta edição, uma repartição sectorial própria. Ou seja: sabe-se que o continente é o mais atacado do mundo em volume, mas ainda não há dados públicos que digam, por exemplo, se é a banca, a energia ou a administração pública que mais sofre em Angola ou nos países vizinhos. Isso resume bem o desafio: a região mais visada continua a ser uma das menos estudadas em detalhe granular.
O que o Índice Global de Ameaças mostra sobre o continente?
Mapa Global de Índice de Ameaças 2025 — quanto mais escura a tonalidade, maior o risco. Fonte: Check Point Research
O “Global Threat Index Map” do relatório, que classifica países por nível de risco, mostra várias nações da África Central, Ocidental e Austral em tonalidades de risco elevado a muito elevado, nalguns casos, entre as mais escuras do mapa mundial, ao lado de países como o Brasil, o México e a Indonésia. O relatório não isola dados por país dentro de África nesta edição, mas o padrão visual reforça a mensagem central: o continente enfrenta uma pressão de ameaças desproporcional ao investimento em defesa que, em média, consegue mobilizar.
O que isso significa para as organizações angolanas?
Para as empresas e instituições em Angola, este dado deve funcionar como um alerta directo: pertencer à região mais atacada do mundo não é uma estatística abstracta, é um contexto operacional. A Check Point recomenda, para 2026, que as organizações africanas, como as de qualquer outra região sob pressão semelhante, adoptem programas de segurança em camadas, priorizem a protecção de dados (e não apenas a disponibilidade dos sistemas) como objectivo central, tratem o risco de terceiros e fornecedores como exposição estrutural, e passem a medir a resiliência de forma contínua, em vez de a validar apenas em auditorias anuais.
Com África a liderar o ranking mundial de ataques por organização, a ausência de dados específicos sobre Angola deixa de ser um pormenor estatístico: é, em si, um risco. Sem visibilidade sobre onde e como o país está a ser atacado, é mais difícil priorizar a defesa.
Se alguma vez uma janela no seu computador lhe pediu para premir “Windows + R”, colar um texto e carregar em “Enter” só para “provar que não é um robô”, esteve a um passo de ser infectado. O novo relatório da Check Point Research revela que esta técnica, chamada ClickFix, cresceu cerca de 500% em 2025 e já foi identificada em quase metade de todas as campanhas de malware documentadas no mundo, tornando-se uma das ameaças mais comuns também para utilizadores comuns em Angola.
Como funciona o ClickFix?
Ao contrário do phishing tradicional, que tenta convencer a vítima a clicar num anexo ou link malicioso, o ClickFix inverte a lógica do ataque: em vez de o atacante executar o código, é a própria vítima que o faz, guiada passo a passo por instruções aparentemente legítimas.
Fluxo de um ataque ClickFix, do primeiro contacto à entrega do malware. Fonte: Check Point Research
O ataque começa com uma isca num site comprometido, num anúncio malicioso (malvertising), num email ou num comentário de spam que direcciona a vítima para uma página fraudulenta. Essa página imita um ecrã de verificação comum, como um CAPTCHA do Cloudflare, mas em vez do habitual “não sou um robô”, pede à vítima para seguir passos técnicos: abrir a janela “Executar” do Windows (Windows + R), colar um comando e premir Enter.
Exemplo real de uma página ClickFix com um falso pedido de verificação. Fonte: Check Point Research.
O que a vítima cola e executa, sem perceber, é um comando malicioso que instala directamente o malware no computador, sem passar pelos filtros de segurança que normalmente inspeccionam anexos ou ficheiros descarregados. É precisamente essa simplicidade, segundo a Check Point, que torna o ClickFix tão eficaz: não depende de vulnerabilidades técnicas, apenas da confiança da vítima num ecrã que parece rotineiro.
De onde vem esta ameaça e porque está a espalhar-se tão depressa?
O ClickFix surgiu em 2024, mas foi em 2025 que se tornou uma das técnicas de acesso inicial mais significativas do panorama do cibercrime. Já foi adoptado por operações de infostealers estabelecidas como o RedLine e o Lumma, por campanhas que entregam o ransomware Interlock, e por famílias de malware mais recentes como o infostealer MonsterV2 e o RAT PureHVNC. Mesmo alguns grupos de ciberespionagem ligados a Estados já adoptaram o ClickFix como método preferencial, em vez das técnicas de acesso inicial mais tradicionais.
A técnica também já gerou variantes: o FileFix, que engana a vítima para colar um caminho de ficheiro malicioso no Explorador de Ficheiros do Windows em vez da janela “Executar”; e o ConsentFix, mais recente, que engana utilizadores para autorizarem o acesso a contas Microsoft/Azure através de um fluxo de autenticação aparentemente legítimo. A técnica já foi ainda adaptada para atacar utilizadores de macOS e de Linux, e existem já kits comerciais no mercado clandestino, como o chamado “IUAM ClickFix Generator” que permitem a qualquer criminoso, mesmo sem grandes conhecimentos técnicos, montar rapidamente a sua própria campanha.
Como se proteger?
A regra mais importante é simples: nenhuma verificação humana legítima seja um CAPTCHA, uma confirmação de idade ou uma validação de segurança alguma vez pede para abrir a janela “Executar”, colar um comando ou código, e premir Enter. Se um site pedir isso, a resposta correcta é fechar a página imediatamente, sem seguir nenhuma das instruções.
Vale também estar atento a outra tendência que o relatório associa a este mesmo movimento mais amplo de engenharia social: o crescimento de burlas por telefone e por voz, incluindo chamadas em que os atacantes se fazem passar por técnicos de suporte, bancos ou operadoras, para pressionar a vítima a redefinir credenciais ou a autorizar acessos. Com a crescente adopção de banca móvel e de serviços digitais em Angola, o princípio de defesa é o mesmo: nenhuma instituição legítima pede, por telefone ou por uma janela pop-up, que o utilizador execute comandos ou partilhe códigos de verificação.
Cerca de 5 mil moradores da comuna do Quiage, no município do Bula Atumba, província do Bengo, vão voltar a beneficiar de acesso à internet através do ANGOSAT-2, após a recuperação do ponto de conectividade do programa Conecta Angola na localidade.
Situada a cerca de 310 quilómetros de Luanda, a comuna é constituída por 15 aldeias e está localizada a aproximadamente 56 quilómetros da sede municipal. Para as comunidades locais, a ligação por satélite representa uma importante alternativa às redes convencionais, que apresentam limitações de cobertura na região.
A recuperação do ponto de conectividade está a ser realizada pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), através do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) e parceiros.
As intervenções decorrem até ao final de Setembro de 2026 e abrangem 11 províncias, nomeadamente Bengo, Icolo e Bengo, Cuanza Sul, Malanje, Uíge, Zaire, Bié, Moxico, Lunda Norte, Lunda Sul e Cabinda.
Além da recuperação e migração de antenas de conectividade através do ANGOSAT-2, o projecto inclui a instalação da aplicação Observa+ e acções de mobilização das comunidades para iniciativas ligadas à ciência, tecnologia e inovação espacial.
A iniciativa pretende também aproximar as tecnologias espaciais das instituições de ensino, permitindo que estudantes tenham acesso a aplicações e dados espaciais para aprendizagem, investigação e desenvolvimento de soluções para problemas das próprias comunidades.
Mais de 2.300 estudantes do Instituto Politécnico de Administração e Gestão Dr. João Bernardo de Miranda Nº 1013, em Caxito, província do Bengo, passam a ter acesso ao Observa+, uma aplicação geoespacial que combina tecnologias de observação da Terra e inteligência artificial para disponibilizar informações sobre o território.
A iniciativa pretende aproximar os estudantes das tecnologias espaciais e permitir que ferramentas digitais sejam utilizadas na sala de aula para analisar problemas concretos da província e do país.
Entre as funcionalidades do Observa+ estão aplicações relacionadas com a agricultura, ambiente, recursos hídricos e ordenamento do território.
Na agricultura, por exemplo, os dados disponibilizados pela plataforma podem ser utilizados para acompanhar áreas cultivadas, analisar o estado da vegetação e observar alterações no uso e ocupação do solo. A tecnologia também pode apoiar a análise de situações de seca e de recursos hídricos.
Com acesso a estas informações, os estudantes podem observar o território, analisar fenómenos e desenvolver trabalhos de investigação utilizando dados geoespaciais.
O director da instituição, Isaac Capemba, considera que a ferramenta poderá contribuir para despertar o interesse dos estudantes pela investigação e pelas tecnologias espaciais.
“Essa aplicação vai ajudar a que os nossos estudantes comecem a despertar o interesse pela investigação e compreendam melhor o impacto da tecnologia espacial no mundo e, particularmente, na nossa província”, afirmou.
Segundo o responsável, a utilização da plataforma também permitirá aproximar a formação teórica da realidade, dando aos estudantes a possibilidade de aplicar os conhecimentos adquiridos em situações concretas.
O instituto ministra cursos de Estatística e Planeamento, Finanças, Contabilidade e Gestão e Administração e Autarquias Locais, áreas que podem beneficiar da utilização de dados sobre o território.
A implementação do Observa+ no Bengo faz parte das acções desenvolvidas pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), através do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) e parceiros.
O projecto decorre até ao final de Setembro de 2026 e abrange 11 províncias: Bengo, Icolo e Bengo, Cuanza Sul, Malanje, Uíge, Zaire, Bié, Moxico, Lunda Norte, Lunda Sul e Cabinda.
Além da instalação do Observa+, as acções incluem a recuperação e migração de antenas de conectividade através do ANGOSAT-2 e a mobilização das comunidades para iniciativas relacionadas com ciência, tecnologia e inovação espacial.
A aposta procura levar o uso de dados e aplicações espaciais para mais perto das instituições de ensino, criando condições para que os estudantes utilizem a tecnologia não apenas como ferramenta de aprendizagem, mas também para investigar e desenvolver soluções para desafios das suas comunidades.
Angola foi um dos três países africanos visados pela Operação Serengeti 2.0, uma acção coordenada pela INTERPOL contra operações ilegais de mineração de criptomoedas, centros de burla (“scam centres“) e infra-estrutura de ransomware, avança o relatório de Avaliação de Ciber – Ameaças Africanas 2026 da organização. A par de Angola, a operação abrangiu também a África do Sul e o Uganda.
Segundo o documento, a operação — conduzida em 2025 no âmbito da Operação Conjunta Africana contra o Cibercrime (AFJOC, na sigla em inglês) — resultou no desmantelamento de mais de 1.200 servidores maliciosos, na apreensão de 1.800 dispositivos e na detenção de 120 indivíduos, travando redes criminosas responsáveis por perdas estimadas em 300 milhões de dólares.
A Serengeti 2.0 integra uma série mais alargada de operações internacionais lideradas pela INTERPOL ao longo de 2025 e início de 2026, já no âmbito da terceira fase do AFJOC:
Operação Contender 3.0 (Julho-Agosto de 2025), focada em burlas românticas em 14 países, que resultou em 260 detenções e na recuperação de cerca de 2,8 milhões de dólares em fundos ilícitos;
Operação Sentinel (Outubro-Novembro de 2025), descrita pela INTERPOL como “a maior operação coordenada de sempre contra o cibercrime em África”, abrangendo 19 países e visando fraude por e-mail corporativo (BEC), sextorsão digital e ransomware, com 574 detenções e cerca de 3 milhões de dólares recuperados;
Operação Red Card 2.0 (Dezembro de 2025 a Janeiro de 2026), contra fraude bancária móvel, fraude de investimento e burlas em aplicações de mensagens, que levou a 651 detenções e à recuperação de mais de 4,3 milhões de dólares em 16 países africanos.
Calendário de operações da INTERPOL no âmbito da terceira fase do AFJOC (2025-2026), incluindo a Operação Serengeti 2.0. Fonte: INTERPOL African Cyberthreat Assessment Report 2026
O combate à mineração ilegal de criptomoedas tem sido também uma prioridade das autoridades angolanas a nível interno: o Serviço de Investigação Criminal (SIC) tem desmantelado, nos últimos meses, várias infra-estruturas clandestinas de mineração digital no país, alegando consumo irregular de energia e utilização indevida de infra-estrutura pública. A menção de Angola na Operação Serengeti 2.0 sugere que este tipo de actividade ilícita tem também uma dimensão transnacional, integrada em redes mais amplas de cibercrime que operam em vários países da região.
A região da África Austral foi apontada pelo relatório da INTERPOL como “a região mais digitalmente avançada e mais visada” do continente em 2025, em grande parte devido à elevada conectividade proporcionada pelos cabos submarinos e pelos centros de dados ali concentrados. Angola surge repetidamente citada como um dos países da região com maior exposição a diferentes tipos de Ciber – Ataques.
Segundo o documento, Angola foi um dos países, a par das Maurícias, onde se registou um surto de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) em 2025, fenómeno que a INTERPOL associa à “concentração de infra-estrutura digital de elevado valor” nestes dois países. Na região, o recorde absoluto pertenceu à África do Sul, que sozinha registou 213.523 ataques DDoS, um deles atingindo 312 Gbps, mas o relatório destaca especificamente Angola e as Maurícias pelo crescimento deste tipo de ataque. O documento nota ainda que a Namíbia, país vizinho, sofreu uma fuga de dados que expôs cerca de 500 mil registos do seu operador nacional de telecomunicações, “uma consequência directa de vulnerabilidades não corrigidas”.
Detecção de vulnerabilidades informáticas por país em África em 2025. Fonte: Shadowserver Foundation, via INTERPOL African Cyberthreat Assessment Report 2026 (pág. 22).
O mesmo relatório aponta Angola como o país da região com o maior volume de detecções de botnet, em termos de vulnerabilidades informáticas expostas publicamente, coloca o país em sexto lugar no ranking continental da Shadowserver Foundation, responsável por 3,2% do total de mais de 6.000 vulnerabilidades exploráveis identificadas em toda a África em 2025 — atrás da África do Sul (43,6%), Quénia (11,9%), Nigéria (9,1%), Senegal (4,6%) e Etiópia (3,3%).
Segundo a INTERPOL, os sistemas mais visados incluem routers desactualizados, redes privadas virtuais (VPN) vulneráveis e plataformas de gestão documental mal configuradas — falhas “bem documentadas, publicamente conhecidas e facilmente exploráveis”.
O relatório identifica também Angola entre os cinco principais países de origem das detecções de sextorsão digital em África em 2025. Do total de 600 mil casos registados pela TrendAI no continente, 4% tiveram origem em Angola, atrás da África do Sul (30%), Quénia (13%), Costa do Marfim (11%) e Etiópia (8%). A maioria destas campanhas, refere o documento, foi distribuída através da botnet Phorpiex, usada para o envio em massa de e-mails que exigem pagamentos em criptomoeda sob ameaça de divulgação de conteúdo íntimo.