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Segunda-feira, Março 30, 2026
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Expansão da fibra óptica no Cuanza-Norte vai impulsionar negócios digitais em Angola

A expansão da Rede Nacional de Banda Larga em Fibra Óptica na província do Cuanza-Norte deverá impulsionar o surgimento de novos negócios digitais, startups e soluções tecnológicas em Angola, segundo o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário de Oliveira.

O governante realizou, no último sábado, uma visita ao município do Lucala, onde avaliou o progresso do projecto de expansão da rede, que integra um importante corredor de telecomunicações ligando Luanda às regiões do Leste do país, passando por localidades como Dondo, Ndalatando, Malanje, até chegar a Luena e Saurimo.

Segundo o ministro, trata-se de uma “autoestrada digital” com impacto directo na economia nacional, permitindo maior capacidade de transmissão de dados  com a infraestrutura já a operar com velocidades até 400 gigabits e facilitando o acesso a serviços de banda larga de alta qualidade por parte de operadores e agentes económicos.

Para além da melhoria da conectividade, a iniciativa deverá abrir portas à criação de oportunidades para a juventude, promovendo o empreendedorismo e o desenvolvimento de novos modelos de negócio baseados em tecnologia. O Executivo acredita que a expansão da fibra óptica será um catalisador para a transformação digital do país.

Mário de Oliveira destacou ainda que, em paralelo à expansão da rede terrestre, o Governo está a apostar em soluções via satélite, com o objectivo de garantir inclusão digital nas zonas mais remotas do território nacional.

A participação do sector privado também tem sido determinante neste processo, contribuindo para o reforço da infraestrutura e para o crescimento do ecossistema digital em Angola.

FONTE: O PAÍS

Comércio digital transforma consumo e acelera economia em Angola

O comércio digital em Angola continua a ganhar força, impulsionado pelo aumento do acesso à internet, pela popularização dos smartphones e pela crescente utilização de soluções financeiras digitais, que estão a mudar a forma como empresas e consumidores interagem.

Segundo o economista e especialista em marketing digital, Domingos Simões, as plataformas online, redes sociais e aplicações móveis têm desempenhado um papel decisivo na modernização do mercado, tornando as transacções mais rápidas, práticas e acessíveis para um número cada vez maior de utilizadores.

Apesar da evolução, o especialista alerta que o sector ainda enfrenta vários desafios, como limitações na infraestrutura logística, níveis de literacia digital ainda em crescimento e a necessidade de reforçar a confiança dos consumidores nas plataformas online.

Por sua vez, a empresária e influenciadora digital Suraya António defende que é fundamental reforçar iniciativas, tanto públicas como privadas, que promovam a segurança digital, a educação financeira e a inclusão tecnológica, de modo a garantir um ecossistema digital mais sólido e sustentável em Angola.

FONTE: NOVO JORNAL 

Comunicação pública deve adaptar-se a era digital, defende Nuno Caldas

O secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas, afirmou que a comunicação pública em Angola precisa de evoluir para acompanhar a era digital, tendo em conta o crescimento acelerado do acesso à internet, sobretudo entre os jovens.

Falando em Malanje, à margem do encerramento do IV Conselho Consultivo do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, o governante sublinhou que os canais digitais e as redes sociais assumem hoje um papel central na forma como as instituições comunicam com a população.

Segundo Nuno Caldas, é fundamental apostar numa comunicação mais próxima e adaptada à realidade actual, com linguagem acessível e alinhada ao perfil da juventude, que é cada vez mais activa no ambiente online. Para o responsável, estar presente nas plataformas digitais já não é opcional, mas sim uma necessidade estratégica.

O governante destacou ainda que o país atravessa um período exigente, marcado por uma agenda intensa de actividades e eventos, o que reforça a importância de uma comunicação institucional mais coordenada, coerente e humanizada.

Apesar dos desafios, como a falta de meios técnicos em alguns órgãos locais, Nuno Caldas defendeu que a comunicação deve ser encarada como uma prioridade no processo de modernização do Estado, sobretudo num contexto em que a percepção pública é cada vez mais moldada pelo ambiente digital.

FONTE: CORREIO DA KIANDA

SETIC-FP lança i.Lab para acelerar transformação digital das Finanças Públicas

O Ministério das Finanças (MINFIN), através do Serviço Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação das Finanças Públicas (SETIC-FP), lançou esta quinta-feira(26) o i.Lab – Laboratório de Inovação das Finanças Públicas, uma iniciativa estratégica voltada para acelerar a transformação digital e impulsionar a criação de valor nos serviços públicos em Angola.

A nova plataforma surge como um instrumento estruturado para experimentação, validação e escalabilidade de soluções digitais, com foco na melhoria da eficiência, segurança e centralidade nos utilizadores.

A iniciativa enquadra-se no lema do Ministério das Finanças para 2026 — “Rigor e inovação ao serviço dos angolanos” — reforçando o compromisso com uma administração pública mais ágil, transparente e orientada para resultados concretos.

“A transformação digital das finanças públicas só faz sentido quando gera valor real. O i.Lab permite testar soluções, medir impacto e escalar aquilo que efectivamente melhora os serviços”, destacou Maer Neto.

Prova de conceito reforça confiança nos serviços digitais

Durante o lançamento, foi apresentada uma Prova de Conceito (PoC) centrada na implementação de assinaturas digitais qualificadas no Sistema Integrado de Gestão Documental (SIGD).

Desenvolvido internamente pelo SETIC-FP, o SIGD é uma plataforma que digitaliza os processos de gestão documental no Ministério das Finanças e conta actualmente com cerca de 200 utilizadores activos.

A integração das assinaturas digitais vem reforçar três pilares essenciais:

  • Autenticidade dos documentos;
  • Integridade da informação;
  • Segurança nos processos;

Com esta evolução, espera-se reduzir significativamente as validações manuais, ao mesmo tempo que se aumenta a confiança nos fluxos digitais.

“Estamos a evoluir de processos digitalizados para serviços digitais com confiança, simplicidade e valor para quem utiliza”, referiu o responsável.

Solução validada e pronta para fase operacional

A solução encontra-se actualmente no nível 6 de maturidade tecnológica (TRL 6), o que significa que já foi validada em ambiente relevante com integração no SIGD.

Com o lançamento do i.Lab, o próximo passo será a evolução para o TRL 7, que prevê a realização de pilotos operacionais em contexto real.

Este avanço permitirá acelerar a adopção de soluções digitais com impacto directo na:

Qualidade dos serviços;

Rapidez de execução;

Fiabilidade dos processos;

Alinhamento com prioridades nacionais e ODS

O i.Lab está alinhado com as principais prioridades estratégicas do país, nomeadamente:

  • Transformação digital
  • Modernização da administração pública
  • Melhoria da experiência do cidadão

A iniciativa contribui igualmente para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com destaque para:

  • ODS 16 – Instituições eficazes e transparentes
  • ODS 9 – Infra-estruturas e inovação
  • ODS 8 – Crescimento económico e eficiência

Conselho Consultivo do MINTTICS debate conectividade e transformação digital em Malanje

Na abertura do encontro, o governador provincial de Malanje, Marcos Nhunga, foi peremptória: os sinais de rádio, televisão e internet ainda não chegam a todas as localidades do território.

Marcos Nhunga, sublinhou que a conectividade digital deixou de ser um luxo para se tornar um direito fundamental. Sem acesso à internet e à telefonia, argumentou a autoridade provincial, ficam comprometidas iniciativas estruturantes como o Governo Electrónico, o ensino à distância, a telemedicina e a modernização da agricultura familiar.

“A conectividade digital é, hoje, um direito fundamental. Sem sinal de internet e telefonia, fica inviável a implementação plena do Governo electrónico, o acesso ao ensino à distância, a telemedicina e a modernização da agricultura familiar.”

Entre os pedidos formais dirigidos ao Executivo, destacou-se a necessidade de requalificação das infra-estruturas da Angola Telecom e dos Correios de Angola, com apelo explícito à renovação de equipamentos e instalações. A modernização em curso da Rádio Nacional de Angola (RNA) e da Televisão Pública de Angola (TPA) foi recebida com satisfação, com o Governo Provincial a exigir o cumprimento rigoroso dos prazos de execução para eliminar as chamadas “áreas cinzentas”.

Malanje apresentou-se como candidata a polo de inovação tecnológica para a região norte, condicionando essa ambição ao apoio do Executivo na eliminação dos vazios de cobertura e na digitalização completa do território provincial.

Angola conta com mais de 28 milhões de subscritores móveis

Já o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, abriu o Conselho Consultivo que decorre em Malanje com um diagnóstico sobre a transformação digital em curso à escala global. Segundo o governante, o país vive os efeitos de uma mudança de paradigma impulsionada pela inteligência artificial, pela internet das coisas, pelo big data e pela automação, e estão a ser criadas condições para que Angola participe activamente na nova economia digital com responsabilidade, inclusão e visão de futuro.

Ainda assim, o ministro reconheceu que persistem desafios estruturais a superar, com destaque para o acesso à internet, uma limitação que continua a afectar milhões de cidadãos em solo nacional e no resto do mundo.

Mário Oliveira considerou os resultados alcançados encorajadores e afirmou que Angola segue no caminho certo. O país ultrapassou as metas de cobertura das tecnologias 3G e 4G previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional e avança de forma consistente na implementação do 5G.

O titular da pasta admitiu, porém, que a satisfação não é total. “Temos consciência de que é necessário fazer mais para melhorar a qualidade dos serviços, reforçar os indicadores do sector e aumentar o seu contributo para o Produto Interno Bruto”, sublinhou.

O encontro serviu igualmente de palco para abordar os riscos associados ao uso irresponsável das tecnologias de informação. A autoridade provincial alertou para a disseminação de desinformação e para a utilização das ferramentas digitais com o propósito de denegrir instituições e indivíduos, apelando aos especialistas presentes ao desenvolvimento de estratégias capazes de identificar e responsabilizar os autores de conteúdos falsos. O baixo índice de literacia mediática da população foi citado como factor agravante da vulnerabilidade ao fenómeno das fake news.

Angola conta com mais de 28 milhões de subscritores móveis

Segundo Mário Oliveira, apesar dos resultados alcançados, há metas de cobertura a serem alcançadas. O país conta com tecnologias 3G e 4G no Plano de Desenvolvimento Nacional e avança para a implementação do 5G.

“Ainda não estamos satisfeitos, temos consciência que é necessário fazer mais, melhorara a qualidade dos serviços e reforçar os indicadores do sector e aumentar o contributo para o produto interno do país e estamos a fazer”, acrescentou, avançou ainda que, o sector está a implementar projectos estruturantes que vão reduzir a base tecnológica do país.

Além disso, acrescentou que a expansão da rede nacional de Banda larga e fibra óptica da RESTL será objecto de uma apresentação do Parque “Angola Telecom”, bem como do trabalho em curso para a implementação do cálculo de fibra óptica submarino doméstico, que interligará as principais cidades da costa nacional, com particular destaque para a ligação ao corredor do Lobito e com a ligação a cabos submarinos internacionais, nomeadamente ao “Ikea”.

Pesquisadora Valdirene Simão apresenta estudo sobre Governança da Inteligência Artificial

Sublinhou, também, que o projeto Conect Angola, com recursos do Ango-Sat2, tem proporcionado conectividade a populações remotas e que a implementação do Data Center Nacional vai proporcionar uma maior segurança dos dados e consequentemente uma maior soberania digital.

Já sobre o desenvolvimento do satélite de observação da Terra, Angel-1, assinalou que a acção centrar-se-á no estudo dos solos, apoio à agricultura, mapeamento urbanístico, ambiente, indústria mineira, indústria aquilífera, controlo fronteiriço e outros.

O titular da pasta do MINTTICS fez saber, igualmente, que o projecto “Iluminar” vai promover uma maior integração entre os operadores que permite o roaming entre operadores nacionais e cujos sites piloto estão instalados na localidade Maria Teresa do Cuanza-Norte, enquanto isso está em preparação a instalação de mais de 50 sites na primeira fase.

“Tais investimentos têm um objectivo claro de garantir soberania digital, aumentar a conectividade e criar condições para o crescimento económico sustentável”, referiu.

No domínio da Comunicação Social, o ministro revelou que o MINTTICS vai manter o foco na modernização, familiarização dos profissionais e no combate firme da desinformação.

“Porque entendemos que uma sociedade bem formada é um pilar essencial da democracia e do desenvolvimento”, vincou.

Por fim, declarou que para responder às necessidades da área está a ser implementada a fase 2 da modernização da Televisão Pública de Angola, o programa de expansão e modernização da Rádio Nacional de Angola, a fusão da gráfica DAMER com as Edições Novembro, que vai proporcionar melhores condições técnicas de edição dos títulos e o projecto de utilização digital de rede que proporcionará melhor qualidade de serviço, bem como sistemas de alertas em casos de catástrofes naturais.

Meta e YouTube culpados em processo sobre danos a menores

Após 40 horas de deliberação, ao longo de nove dias, os jurados concluíram que a Meta e o YouTube foram negligentes na operação da sua plataforma, o que defenderam ser um fator substancial para causar danos à autora do processo.

A jovem de 20 anos, à qual o júri concedeu uma indemnização de três milhões de dólares, afirmou que o uso das redes sociais tornou-a viciada em tecnologia e piorou a sua saúde mental.

O júri sublinhou ainda que as empresas agiram com malícia e vão analisar novas provas e regressar à sala de deliberação para decidir sobre outras punições a aplicar.

Além da Meta e do YouTube, o TikTok e a Snap também foram visados no caso, mas fizeram acordos antes do início do julgamento. A autora, identificada como Kaley, disse ter começado a usar o YouTube aos seis anos e o Instagram aos nove.

A equipa de advogados de Kaley apontou que as empresas têm características de ‘design’ criadas especificamente para viciar os utilizadores mais jovens, como a natureza dos ‘feeds’, com conteúdos infinitos.

A Meta argumentou que Kaley tinha problemas ao nível da sua saúde mental, independentes do uso das redes sociais, destacando a sua vida familiar turbulenta.

Segundo a empresa, nenhum dos terapeutas da autora identificou as redes sociais como a causa dos seus problemas mentais.

Por sua vez, o YouTube argumentou não ser uma rede social, mas uma plataforma de vídeo semelhante à televisão e precisou que houve um declínio no uso da plataforma por parte de Kaley, à medida que esta envelhecia.

Namíbia nega licença à Starlink por incumprimento de requisitos legais

Emma Theofelus, Ministra da Tecnologia da Informação e Comunicação, e Tulimevava Mufeti, Presidente da Autoridade Reguladora das Comunicações da Namíbia, apresentaram a decisão durante uma conferência de imprensa na terça-feira, 24 de março.

A Starlink apresentou o seu pedido em junho de 2024, no âmbito da sua expansão mais ampla em África, onde já opera em cerca de 30 países.

As autoridades avaliaram o pedido com base em seis critérios: concorrência, capacidade técnica e financeira, disponibilidade de espectro, propriedade e controlo, defesa nacional e segurança pública, e histórico de conformidade. Os responsáveis afirmaram que a Starlink cumpriu apenas metade destes requisitos.

Os reguladores afirmaram que o projecto poderia reforçar a concorrência e melhorar a conectividade em áreas mal servidas. Confirmaram também que a Starlink demonstrou capacidade técnica e financeira suficiente e que as bandas de frequência necessárias estavam disponíveis.

Zimbábue aposta na Starlink para expandir o ensino digital nas escola

No entanto, as autoridades manifestaram preocupações relactivamente à defesa nacional e à segurança pública. Destacaram os riscos relacionados com a soberania dos dados, a jurisdição e a capacidade dos reguladores para exercerem supervisão sobre as operações da empresa.

As entidades reguladoras também assinalaram problemas de conformidade. As autoridades afirmaram que a Starlink operava sem licença e não respondeu aos pedidos das entidades reguladoras, o que comprometeu a sua credibilidade regulatória.

As autoridades afirmaram que a Starlink não cumpriu os requisitos legais relativos à propriedade e ao controlo. A regulamentação namibiana exige que pelo menos 51% da propriedade das empresas de telecomunicações seja detida por investidores locais.

Os responsáveis afirmaram que a entidade requerente é detida na totalidade por acionistas estrangeiros, o que viola a legislação nacional. Este factor contribuiu significativamente para a rejeição do pedido.

A Starlink estima que, uma vez autorizada, poderá fornecer acesso à Internet a 65 % das escolas sem conectividade fiável, a 80 % das unidades de saúde limitadas a redes 3G ou inferiores e a mais de um milhão de namibianos que continuam sem acesso à Internet, especialmente nas zonas rurais.

Conheça o Salt Typhoon, o grupo hacker chinês responsável por invadir o FBI

O grupo em causa é o Salt Typhoon, que funciona como uma elite cibernética financiada pelo Estado chinês e não tem qualquer interesse em roubar dados de cartões de crédito. O que realmente procura é atacar infra-estruturas críticas de outros países e recolher informações confidenciais de governos e instituições.

No caso do FBI, os cibercriminosos obtiveram acesso ao Sistema de Recolha Digital (DCSNet), responsável pelo processamento de pedidos de escutas telefónicas, registos de chamadas e outras informações sobre os alvos das investigações do governo norte-americano.

Mas quem está por detrás do Salt Typhoon e como conquistou tamanha relevância no cibercrime? O que precisa de saber sobre este grupo de espionagem cibernética.

Origem e batismo: por que o nome “Typhoon”?

A escolha do nome não foi arbitrária. O termo “Typhoon” tem por base uma nomenclatura utilizada pela Microsoft para designar ameaças globais. Enquanto os grupos de hackers russos recebem nomes associados a climas frios, como “Blizzard”, e as equipas iranianas são identificadas com tempestades de areia (Sandstorm), os hackers ligados ao governo chinês são classificados como tufões — daí “Typhoon”.

Quanto à origem do próprio grupo, acredita-se que o Salt Typhoon tenha surgido em meados de 2020, embora as suas ações só tenham ganho expressão por volta de 2024, altura em que se tornaram conhecidos no universo do cibercrime.

Ao contrário de outros grupos criminosos, o Salt Typhoon distinguiu-se dos restantes colectivos chineses pelo foco exclusivo em empresas de telecomunicações, com consequências devastadoras para infra-estruturas críticas através da recolha de dados confidenciais.

Modus operandi: o crime sem rastos

Para o Salt Typhoon, menos é mais: em vez de apostarem em ataques de ransomware com propagação de malware para sequestrar dados e exigir um resgate, os criminosos são discretos e altamente técnicos.

Como método de atuação, preferem ataques indiretos através de routers de fornecedores de internet, recorrem às próprias ferramentas do sistema visado para dissimular a operação criminosa no meio do tráfego legítimo. Foi precisamente isso que aconteceu no caso do FBI, o que impediu o acionamento dos sistemas de segurança.

Ao entrar pela porta dos fundos, o Salt Typhoon consegue apanhar muitas instituições desprevenidas, contornam os mecanismos de segurança sem ser detectado. Em alguns casos, é possível permanecer em sigilo a extrair dados durante meses ou até anos.

Hall da infâmia: das telecomunicações ao FBI

Antes de comprometer a rede do FBI, o Salt Typhoon obteve êxito num ataque de grande escala contra a AT&T e a Verizon, duas gigantes das telecomunicações nos Estados Unidos.

Datado de 2024, o caso transformou o grupo chinês em referência no mundo do crime digital, depois de os hackers terem conseguido aceder ao sistema utilizado pelas autoridades americanas para solicitar a quebra de sigilo telefónico.

Por lei, as operadoras norte-americanas são obrigadas a manter uma infraestrutura que permite às autoridades do país, como o FBI, a realização de escutas autorizadas judicialmente no âmbito de investigações. Ao invadir os sistemas das empresas, os hackers chineses passaram a saber exactamente quem o governo americano estava a monitorizar, assim como, interceptar essas comunicações em tempo real.

Com esse poder, o Salt Typhoon começou a mapear as redes de contacto de líderes americanos, obtendo acesso a comunicações estratégicas que expôs pessoas envolvidas em diversas operações governamentais.

O incidente com o FBI permitiu ao grupo aceder a dados confidenciais da agência, incluindo mandados da FISA, a Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira dos EUA, responsável pela supervisão de pedidos de vigilância contra espiões estrangeiros em solo americano e peça fundamental na manutenção da segurança nacional.

Com esses dados, o Salt Typhoon ficou a saber quem os Estados Unidos estavam a vigiar, com capacidade para alterar informações de investigações e proteger eventuais espiões infiltrados que podem inclusive utilizar a própria estrutura de escutas legais contra os americanos.

Este caso demonstra como a guerra moderna vai muito além do confronto físico: trava-se também no espaço digital, onde cibercriminosos actuam para manchar reputações, comprometer infra-estruturas críticas e distorcer a verdade.

AGT reforça a modernização com implementação do ASY5 em Cabinda

A Administração Geral Tributária (AGT) continua a reforçar o seu compromisso com a modernização dos serviços aduaneiros, através da implementação do sistema ASYCUDA World versão 5 (ASY5) na província de Cabinda. Esta iniciativa visa aumentar a eficiência dos processos, melhorar a transparência e facilitar o comércio internacional, alinhando-se com as melhores práticas internacionais no domínio aduaneiro.

O encontro teve como principal objectivo oficializar a implementação do ASY5 no Primeiro Serviço Regional Tributário, após as delegações aduaneiras dos Portos do Lobito e do Namibe terem sido as primeiras estâncias implementarem o ASY5, não só em Angola, mas também a nível mundial.

AGT alerta para ameaça cibernética ao seu sistema fiscal

A iniciativa marca avanços significativos na digitalização dos processos e procedimentos aduaneiros e reafirmam a postura activa da Administração Geral Tributária (AGT) no esforço contínuo de modernização dos seus serviços.

A apresentação esteve a cargo de Cynthia Ratle, coordenadora do Comité de Gestão do Projecto ASY5 da AGT.

O evento contou ainda com a presença do vice-governador para o sector económico, Francisco Tchimbawo, do director do Primeiro Serviço Regional Tributário, Ivo Nhany, do presidente da Câmara dos Despachantes Oficiais em Cabinda, David Valentim, bem como de despachantes oficiais, contabilistas, importadores e outros intervenientes da cadeia logística e comercial da província.