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Falha crítica no Outlook permite ataques sem interação do utilizador

Microsoft corrigiu uma vulnerabilidade crítica no Outlook que pode ser explorada sem qualquer interação do utilizador, representando uma ameaça significativa para ambientes empresariais.

De acordo com a SecurityWeek, a falha, identificada como CVE-2026-40361, foi corrigida no âmbito do Patch Tuesday e afeta um componente DLL utilizado pelo Microsoft Word e Outlook.

Segundo a Microsoft, trata-se de uma vulnerabilidade de execução remota de código, mas investigadores alertam que o impacto poderá ser particularmente elevado devido à possibilidade de exploração “zero-click”.

O problema foi descoberto por Haifei Li, criador do sistema de deteção de zero-days Expmon, que comparou a falha à vulnerabilidade BadWinmail, descoberta há mais de uma década e considerada, na altura, um verdadeiro “enterprise killer”.

Basta o utilizador ler ou pré-visualizar o email para o ataque ser desencadeado”, alertou Haifei Li.

De acordo com o investigador, a vulnerabilidade resulta de um problema “use-after-free” no motor de renderização de emails do Outlook, tornando difícil bloquear ou mitigar ataques.

Na prática, um atacante pode enviar um email especialmente criado e executar código remotamente no sistema da vítima sem necessidade de clicar em links ou anexos.

Qualquer pessoa poderia comprometer um CEO ou CFO apenas enviando um email”, acrescentou o investigador.

A Microsoft classificou a probabilidade de exploração como “mais provável”, aumentando a urgência para aplicação das atualizações de segurança.

Apesar de Haifei Li indicar que apenas desenvolveu uma prova de conceito, e não um exploit totalmente funcional, o investigador alerta para a criatividade crescente dos grupos de ameaça.

Uma das poucas medidas de mitigação apontadas passa por configurar o Outlook para renderizar mensagens exclusivamente em texto simples.

O Instagram quer substituir o Snapchat e o BeReal?

A Meta voltou a expandir o universo do Instagram com o lançamento do “Instants”, uma nova aplicação focada em fotos temporárias e partilhas rápidas entre amigos. A novidade mistura elementos populares do Snapchat e do BeReal, duas plataformas que ganharam espaço nos últimos anos graças ao foco em conteúdos mais espontâneos e menos editados.

Com o Instants, os utilizadores podem publicar fotografias que desaparecem após algum tempo, incentivando interacções mais casuais e naturais. A proposta é simples: reduzir a pressão das publicações “perfeitas” e aproximar a experiência digital de momentos mais reais do dia a dia.

A aplicação aposta numa interface minimalista e em funcionalidades rápidas, permitindo capturar e enviar imagens quase instantaneamente. Em vez de feeds cheios de vídeos altamente produzidos e conteúdos comerciais, o Instants tenta recuperar a sensação de comunicação mais íntima entre amigos próximos.

O movimento também mostra como a Meta continua determinada em competir directamente com plataformas rivais. Depois de copiar formatos como Stories, Reels e Notas, a empresa agora entra com mais força no segmento dominado pelo Snapchat e pelo BeReal.

Para o público mais adolescente, estudantes universitários e jovens criadores de conteúdo, o Instants pode tornar-se atractivo pela simplicidade e pelo menor consumo de tempo na criação de publicações. Além disso, formatos mais leves e rápidos tendem a funcionar melhor em mercados onde muitos utilizadores dependem de internet móvel limitada.

Ainda não existe confirmação oficial sobre disponibilidade total em Angola, mas como faz parte do ecossistema Instagram, a expectativa é que a expansão aconteça gradualmente em vários mercados nas próximas semanas.

O lançamento reforça uma tendência clara nas redes sociais actuais: menos perfeição, mais espontaneidade. E a Meta não quer ficar fora dessa corrida

Angola lança projecto AngoREN para acelerar transformação digital no ensino superior

Num contexto em que o conhecimento, a inovação e a transformação digital determinam o progresso das nações, Angola não pode continuar dependente de estruturas frágeis de conectividade e de sistemas administrativos burocráticos que atrasam o funcionamento das instituições de ensino superior. A AngoREN surge precisamente como uma resposta a essa necessidade.

A primeira fase prevê um investimento de 25 milhões de dólares, dos quais 15 milhões serão aplicados na implementação da rede e 10 milhões na digitalização das instituições. O projecto integra o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 e conta com apoio do Banco Mundial.

Segundo a secretária de Estado para o Ensino Superior, Alice de Fátima Almeida, a AngoREN pretende melhorar a qualidade do ensino, facilitar o acesso ao conhecimento e fortalecer a investigação científica.

A rede vai ligar inicialmente 11 instituições públicas de ensino superior em seis províncias do país, beneficiar mais de 69 mil estudantes e cerca de 5 mil professores.

O sistema permitirá ainda digitalizar processos académicos, como matrículas e emissão de documentos, reduzir burocracias e custos de conectividade.

Ruanda cria quadro regulatório para criptomoedas e activos virtuais

A legislação estabelece o primeiro quadro jurídico do Ruanda para a emissão, negociação, licenciamento e supervisão de criptomoedas. A tutela do sector caberá à Autoridade do Mercado de Capitais do Ruanda, em coordenação com o Banco Nacional do Ruanda, à medida que as autoridades avançam para formalizar um mercado que durante anos operou sem uma estrutura regulatória dedicada.

Antes da aprovação da lei, a posição do Ruanda em relação às criptomoedas assentava essencialmente em restrições e advertências cautelares repetidas emitidas pelo banco central. Desde 2018, o Banco Nacional do Ruanda mantinha que as criptomoedas não eram reconhecidas como moeda com curso legal, estando as instituições financeiras licenciadas proibidas de facilitar conversões entre o franco ruandês e os criptoactivos.

Em Abril de 2026, poucas semanas antes de o Parlamento aprovar a legislação, o Banco Nacional do Ruanda voltou a alertar o público contra transacções com criptomoedas envolvendo o franco ruandês, após algumas plataformas de câmbio introduzirem suporte de negociação ponto a ponto para a moeda local. O banco central declarou na ocasião que os criptoactivos não podiam ser utilizados para pagamentos, transferências ou negociação ponto a ponto envolvendo o franco ao abrigo do quadro então em vigor.

Ruanda acelera regulamentação das criptomoedas após 35 casos de fraude

A lei recém-aprovada introduz requisitos de licenciamento para Prestadores de Serviços de Activos Virtuais (PSAV), obrigações de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, requisitos de reporte operacional e padrões de capital mínimo para as empresas que operam no sector. A legislação reconhece igualmente os activos reais tokenizados no quadro jurídico do Ruanda, estabelecendo simultaneamente sanções para a actividade não licenciada e o incumprimento das normas.

As empresas que operem sem autorização poderão enfrentar coimas entre 70 milhões de francos ruandeses (cerca de 47.800 dólares) e 100 milhões de francos ruandeses, enquanto a emissão não autorizada de activos digitais poderá acarretar penalizações de até 150 milhões de francos ruandeses. A legislação criminaliza ainda a mineração não autorizada de criptomoedas, os pagamentos digitais ilegais e o recurso a tecnologias de anonimização, como os “mixers” de criptomoedas.

A transição do Ruanda para mercados de criptomoedas regulados posiciona o país num grupo crescente de economias africanas que procuram formalizar a actividade com activos digitais, em vez de manterem restrições absolutas ou uma prolongada incerteza regulatória.

O quadro cria uma estrutura formal de supervisão que abrange o licenciamento, o reporte, a conformidade e a fiscalização operacional dos operadores de criptomoedas e das plataformas de activos digitais. A inclusão de activos reais tokenizados alarga igualmente o quadro de finanças digitais do Ruanda para além da negociação de criptomoedas, integrando estruturas de investimento baseadas em blockchain vinculadas a activos físicos ou financeiros.

Nigéria e África do Sul: as duas forças que estão a moldar o cripto em África

As declarações governamentais que acompanham a legislação indicam que os activos virtuais não serão reconhecidos como moeda com curso legal e não poderão ser utilizados como instrumentos de pagamento oficiais, salvo autorização específica do Banco Nacional do Ruanda.

As autoridades afirmaram que a legislação foi introduzida em parte em resposta aos riscos associados à fraude, ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à actividade especulativa nos mercados de criptomoedas. A implementação da lei exigirá ainda a aprovação de regulamentação subsidiária que regule os procedimentos de licenciamento, os requisitos de divulgação, os limites de capital e a supervisão do cumprimento por parte dos operadores.

Os debates parlamentares fizeram ainda referência à rápida expansão dos mercados globais de criptomoedas. Os deputados citaram estimativas que indicam que o mercado global de activos digitais ultrapassa os 2,35 biliões de dólares, tendo mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo participado em transacções com activos digitais.

O Ruanda conta actualmente com mais de 350.000 utilizadores de criptomoedas, apesar de anos de cautela regulatória em relação ao sector. O país ocupava o 69.º lugar no índice de adopção de criptomoedas da Chainalysis em 2021, tendo caído para o 142.º lugar em 2023, na sequência de orientações cautelares mais rigorosas por parte do Banco Nacional do Ruanda.

MINTTICS promove campanha promocional de registo de domínios “AO”

O Ministério das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) vai promover, de 1 a 30 de Junho deste ano, uma campanha promocional de registo de domínios “.AO”.

“Para o efeito, deve o interessado, acessar ao site ww.dns.ao e escolher -“registar ou um agente autorizado e seguir os passos subsequentes”, explica o documento.

A campanha, que decorrerá em todo o território nacional, é parte do programa de actividades do ANGOTIC, agendada para os dias 11, 12 e 13 de Junho, em Luanda, sob o lema “Na rota da transformação digital”.

Durante este período, o registo passa a custar 9.900 kwanzas, invés dos 25 mil kwanzas cobrados actualmente pelo Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (INFOSI).

Pagarias mais de 2 mil Kz pelo WhatsApp Plus?

O WhatsApp começou a disponibilizar o novo “WhatsApp Plus” para utilizadores de iPhone, introduzindo funcionalidades exclusivas focadas em personalização, organização e experiência premium dentro da aplicação. A novidade marca mais um passo da Meta na tentativa de transformar o WhatsApp numa plataforma com recursos pagos para utilizadores mais exigentes.

Entre as funcionalidades adicionadas estão temas personalizados para conversas, novos ícones para a aplicação, stickers exclusivos, toques diferenciados e uma melhor organização das mensagens. Um dos recursos que mais chama atenção é o aumento do limite de conversas fixadas, permitindo manter até 20 chats importantes no topo da aplicação, algo útil para quem usa o WhatsApp para negócios, atendimento ou gestão de equipas.

Apesar do lançamento já ter começado em alguns mercados, ainda não existe confirmação oficial da disponibilidade do serviço em Angola. A distribuição está a acontecer de forma gradual e limitada para alguns utilizadores de iPhone.

Quanto ao preço, as referências internacionais apontam para uma mensalidade próxima dos 2,49 euros, o que pode equivaler a cerca de 2.300 a 2.600 kwanzas por mês, dependendo da taxa de câmbio. Caso esse valor seja mantido para o mercado africano, o WhatsApp Plus poderá posicionar-se como um serviço premium semelhante ao Telegram Premium, Spotify ou YouTube Premium.

As novidade podem gerar opiniões divididas. Por um lado, profissionais digitais, lojas online, criadores de conteúdo e pequenos empreendedores podem beneficiar da organização extra e das opções avançadas de personalização. Por outro, muitos utilizadores ainda preferem soluções gratuitas, especialmente devido aos custos de internet móvel e às limitações financeiras que afectam parte do mercado.

Outro ponto importante é que o WhatsApp Plus pode reduzir a procura por versões modificadas e não oficiais do aplicativo, que normalmente oferecem personalização semelhante, mas trazem riscos de segurança, perda de dados e bloqueio de contas.

O lançamento mostra claramente que o WhatsApp já não quer ser apenas uma aplicação de mensagens. A Meta parece determinada em transformar a plataforma num ecossistema digital cada vez mais completo, e potencialmente mais lucrativo.

Wi-Fi 7: Quando a conectividade deixa de ser o problema

Durante anos, a evolução da internet foi medida em velocidade. Hoje, essa lógica tornou-se insuficiente. O desafio já não é aceder à rede; é garantir que ela acompanha, sem falhas, a complexidade do uso simultâneo.

A vida digital deixou de ser sequencial. Numa mesma casa, coexistem reuniões, streaming, jogos, uploads e dezenas de dispositivos ligados em paralelo. Não é a ausência de ligação que frustra; é a sua inconsistência, pequenas quebras, atrasos impercetíveis, momentos que não chegam a acontecer como deviam.

É neste ponto que o Wi-Fi 7 se torna relevante: não como promessa de velocidade, mas como resposta a um problema mais subtil, a gestão da simultaneidade.

Tecnicamente, representa um avanço claro: maior capacidade, menor latência, melhor utilização do espectro. Mas o seu impacto não se mede em gigabits por segundo; mede-se naquilo que deixa de acontecer: interrupções, instabilidade, fricção.

A possibilidade de múltiplas ligações operarem em paralelo, de forma mais eficiente e coordenada, aproxima a experiência de uma rede que simplesmente funciona, mesmo quando tudo está a acontecer ao mesmo tempo.

Isso torna-se particularmente evidente num cenário em que aplicações exigentes deixaram de ser exceção: streaming em alta-definição, trabalho remoto contínuo, ambientes digitais interligados. Não são picos de utilização; são o novo normal.

Ainda assim, convém enquadrar esta evolução com precisão. O Wi-Fi 7 não redefine, por si só, a experiência de todos os utilizadores. Tecnologias como o Wi-Fi 6 continuam a responder de forma sólida à maioria dos contextos. A diferença surge quando a rede deixa de ser suficiente, quando a exigência ultrapassa a sua capacidade de resposta.

A chegada desta tecnologia a mercados como o angolano não é apenas um marco técnico; é um sinal de maturidade. A conectividade começa a ser pensada não apenas em termos de acesso, mas de qualidade de experiência.

No limite, é isso que está em causa: não tornar a internet mais rápida, mas torná-la irrelevante, no melhor sentido possível, invisível, fiável e capaz de desaparecer por completo da equação.

Nigéria e África do Sul: as duas forças que estão a moldar o cripto em África

Actualmente, a Nigéria e a África do Sul estão no centro dessa mudança. Não são apenas grandes economias, mas as suas comunidades de criptomoedas também são activas. São os dois mercados que estão a impulsionar de forma mais notória o futuro das criptomoedas no continente.

É um facto significativo que a economia dos ativos digitais em África já não se encontra na fase inicial de fascínio e especulação que outrora dominava as manchetes. Está a tornar-se, cada vez mais, uma narrativa de infraestrutura, regulação, pagamentos e aplicações. Expressões como xrp usd já não estão confinadas às discussões de trading.

Representam também um interesse mais amplo pela liquidez, pela transferência de valor além-fronteiras e pela relação entre os mercados cripto globais e as condições financeiras locais. A Nigéria e a África do Sul lideram esse debate, cada uma à sua maneira, mas em conjunto abrem caminho para o resto do continente.

O mercado cripto da Nigéria é movido pela urgência e pela utilidade

A Nigéria é um caso singular e o mercado cripto mais acompanhado a nível mundial. Conta com uma base numerosa de utilizadores ligados ao digital, um forte espírito empreendedor e um panorama financeiro que, com frequência, levou os cidadãos a procurar formas alternativas de poupar, enviar e receber valor. Na Nigéria, a criptomoeda não é um passatempo exclusivo de traders. Passou a integrar uma luta mais alargada por flexibilidade financeira.

É precisamente por isso que a Nigéria continua a ter tanto peso. Enquanto noutros mercados a criptomoeda é uma tecnologia estimulante que impulsiona a adoção, na Nigéria essa tecnologia revelou-se útil e foi adotada por essa razão. Os utilizadores procuram formas de contornar a pressão cambial, aceder a ativos indexados ao dólar, facilitar transferências transfronteiriças e participar num sistema financeiro mais global. Isso confere ao mercado algo mais do que mero entusiasmo.

A Binance faz parte há muito desse debate mais alargado — não apenas pela sua dimensão, mas também pela sua visibilidade, o que a tornou numa das faces mais reconhecíveis do cripto em África. Embora as conversações em torno da Binance tenham assumido contornos político-legais tensos, o impacto da plataforma na sensibilização da Nigéria não pode ser ignorado. O fenómeno Binance demonstrou, em muitos aspetos, que a Nigéria já era um interveniente relevante na comunidade cripto.

A África do Sul traça um caminho mais estruturado para o cripto

Enquanto a Nigéria representa frequentemente a urgência da adoção, a África do Sul é, cada vez mais, um símbolo de maturidade. O país tem seguido um percurso de integração progressiva do cripto no sistema financeiro formal. Isso não significa que o mercado seja simples ou esteja plenamente consolidado, mas significa que a África do Sul assume um novo papel no desenvolvimento do cripto em África.

Uma das principais forças da África do Sul reside na sua capacidade de fazer a ponte entre os ativos digitais e o pensamento institucional. Sente-se com maior clareza que o cripto não é apenas um fenómeno de retalho, mas também uma questão de desenvolvimento de produtos financeiros, enquadramento regulatório e desenho de mercado a longo prazo. Isso confere-lhe uma credibilidade de outro tipo. Indica que, na África do Sul, os ativos digitais estão a ser integrados no mainstream pela via da política, da conformidade regulatória e da integração comercial — e não apenas pela procura de base popular.

Isto é relevante para o resto do continente, pois o desenvolvimento de mercado substancial exige energia e infraestrutura. A Nigéria é uma potência energética. A África do Sul introduz uma forma institucional mais robusta. Juntas, formam um modelo mais abrangente do que qualquer um dos dois mercados seria por si só.

Dois mercados diferentes, uma direção continental

O facto mais fascinante sobre a Nigéria e a África do Sul é que não estão na vanguarda exatamente da mesma forma. O mercado nigeriano pode ser descrito como mais acelerado, mais pressionado e mais centrado nas necessidades financeiras imediatas. A África do Sul tende a ser mais formal, mais ponderada e mais alinhada com a evolução regulatória. No entanto, são precisamente essas diferenças que tornam a sua combinação tão poderosa.

O futuro cripto de África não será definido por um único padrão de adoção. Vai manifestar-se em diversas direções. Em alguns mercados, o cripto será adotado por responder a problemas reais de pagamentos e poupança. Noutros, servirá de referência para produtos de investimento, sistemas de licenciamento e participação institucional. A Nigéria e a África do Sul demonstram que não só ambas as vias são possíveis, como também se podem apoiar mutuamente a nível continental.

Por que razão o resto do continente observa com atenção ?

Os restantes mercados africanos estão atentos, pois o que acontece na Nigéria e na África do Sul tende a moldar as expectativas regionais mais amplas. Os empreendedores observam estes países para perceber quais os produtos que estão a ser testados. Os decisores políticos observam-nos para identificar onde convergem riscos e oportunidades. Os utilizadores observam-nos porque estes mercados funcionam frequentemente como indicadores do que está por vir.

Se a Nigéria continuar a demonstrar que a procura por cripto pode ser integrada na utilidade económica quotidiana, isso tornará a adoção noutros pontos do continente ainda mais consistente. Se a África do Sul continuar a demonstrar que os ativos digitais podem percorrer canais mais formais, isso proporciona aos reguladores e às instituições do continente um melhor ponto de referência. O resultado é que ambos os países estão a contribuir para normalizar o cripto, embora em linguagens distintas. A Nigéria fala a linguagem da necessidade e do alcance. A África do Sul fala a linguagem da organização e da autoridade.

Mesmo os grandes mercados mundiais reconhecem esse valor. A Binance, por exemplo, é frequentemente discutida nos círculos cripto africanos não apenas pela sua dimensão, mas também pela forma como interage com os mercados principais — o que torna evidente onde se situam os pontos de pressão. Sempre que a Binance está sob escrutínio ou a expandir a sua presença em África, isso revela mais sobre a natureza estratégica do continente do que sobre a própria empresa.

O próximo capítulo cripto do continente começa cqui

O futuro do cripto em África é impulsionado pela Nigéria e pela África do Sul, pois ambas representam algo essencial. Uma delas explica por que razão os indivíduos recorrem ao cripto quando se sentem constrangidos pelos sistemas tradicionais. A outra mostra como os ativos digitais estão a atingir maturidade à medida que mercados e instituições os levam a sério. A conjugação destas duas realidades torna a narrativa cripto de África mais profunda, mais direcional e mais credível.

Em suma, é por isso que o próximo capítulo do cripto no continente não será redigido em generalidades. Será influenciado por mercados específicos, pressões específicas e formas específicas de liderança. A Nigéria e a África do Sul já o estão a demonstrar. O resto do continente não se limita a observar. Em muitos aspetos, caminha lado a lado com eles.

União Europeia quer limitar acesso de menores às redes sociais

A União Europeia poderá avançar, nos próximos meses, com novas regras para reforçar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, incluindo possíveis limitações ao acesso de menores às redes sociais.

O anúncio foi feito esta terça-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma cimeira sobre inteligência artificial e crianças, realizada em Copenhaga.

Segundo a responsável, a nova legislação pretende regular o modelo de negócios das plataformas digitais e aumentar a segurança online dos utilizadores mais jovens.

“Precisamos considerar a introdução de um adiamento no acesso às redes sociais”, afirmou von der Leyen, referindo-se às recomendações que serão apresentadas, até Agosto, por um painel de especialistas em proteção infantil na internet.

Actualmente, cada país da União Europeia pode definir a idade mínima para utilização destas plataformas. No entanto, países como Espanha, Dinamarca e França já discutem a criação de uma “maioridade digital” comum.

O governo francês defende que a idade mínima para acesso às redes sociais seja elevada para 15 anos em toda a União Europeia.

As discussões também incluem possíveis restrições ao uso de ferramentas de inteligência artificial por menores sem autorização dos pais ou responsáveis.

Fonte: G1

Instagram desliga recurso de privacidade reforçada nas DMs

O Instagram desativou o recurso de criptografia de ponta a ponta nas mensagens diretas (DMs), uma mudança que passa a permitir que a plataforma tenha acesso ao conteúdo trocado entre utilizadores, incluindo mensagens de texto, fotografias, vídeos e áudios.

A alteração entrou em vigor esta sexta-feira (8) e representa uma mudança significativa na política de privacidade da Meta, empresa dona do Instagram, Facebook e WhatsApp.

A criptografia de ponta a ponta, conhecida pela sigla E2EE, garantia que apenas o remetente e o destinatário conseguiam visualizar o conteúdo das conversas. Nem mesmo a própria plataforma tinha acesso às mensagens.

Especialistas em cibersegurança consideram este modelo como um dos mais seguros para comunicação digital, sobretudo para proteger dados pessoais e evitar acessos não autorizados.

No entanto, o recurso também vinha sendo alvo de críticas por parte de organizações de proteção infantil e autoridades, que alegam que a tecnologia dificulta investigações relacionadas com crimes online, exploração infantil e circulação de conteúdos extremistas.

Entre os grupos que apoiaram a decisão da Meta está a Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC), organização britânica que há vários anos alertava para os riscos associados à criptografia total em plataformas sociais frequentadas por menores.

Por outro lado, defensores da privacidade digital criticaram a decisão, afirmando que a remoção da criptografia de ponta a ponta pode comprometer a segurança e a confidencialidade das comunicações dos utilizadores.

A mudança também contrasta com a posição assumida anteriormente pela própria Meta. Em 2019, a empresa anunciou que o “futuro era privado” e prometeu expandir a criptografia de ponta a ponta para todas as suas plataformas de mensagens.

O Facebook Messenger recebeu a funcionalidade em 2023, enquanto no Instagram o recurso chegou de forma opcional, com planos de se tornar padrão futuramente.

Contudo, sete anos depois do anúncio inicial, a Meta recuou na estratégia para o Instagram e decidiu manter apenas a chamada criptografia padrão.

Neste modelo, o conteúdo das mensagens pode ser acessado pela plataforma em determinadas situações, como investigações internas, cumprimento de ordens judiciais ou aplicação das políticas da empresa.

A criptografia padrão é actualmente utilizada por vários serviços digitais, incluindo plataformas de e-mail como o Gmail.

A decisão reacende o debate global sobre até que ponto as plataformas devem equilibrar privacidade, segurança dos utilizadores e cooperação com autoridades no combate aos crimes digitais.