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Portugal sofre mais ciberataques do que média europeia

As ciberameaças voltaram a acelerar em abril de 2026, com Portugal a registar níveis de ataques superiores à média europeia e global, segundo os mais recentes dados divulgados pela Check Point Research.

De acordo com o relatório, as organizações portuguesas sofreram, em média, 2.437 ciberataques semanais, um aumento homólogo de 11%.

O valor coloca Portugal acima da média europeia, fixada em 1.848 ataques semanais por organização, e também acima da média global de 2.201 ataques.

A Check Point destaca que as organizações nacionais enfrentaram cerca de 32% mais ataques do que a média europeia.

Os dados de abril mostram que Portugal continua a ser um mercado altamente exposto”, afirma Rui Duro, Country Manager da Check Point Software Technologies em Portugal.

O relatório mostra que a desaceleração observada em março foi temporária, com os atacantes a adaptarem rapidamente campanhas e métodos de ataque.

Segundo a empresa, a combinação entre cloud, inteligência artificial generativa e automação está a aumentar a superfície de exposição das organizações.

Os setores mais atacados em Portugal foram Educação, Administração Pública e Serviços Financeiros.

A nível global, a Educação voltou a liderar o ranking dos setores mais visados, com quase cinco mil ataques semanais por organização. A Administração Pública e as Telecomunicações continuam igualmente entre os principais alvos dos cibercriminosos.

Outro dos pontos destacados no relatório é o crescimento contínuo do ransomware. Durante abril foram divulgados publicamente 707 ataques de ransomware, um aumento de 12% face ao mesmo período do ano anterior. Os grupos Qilin, The Gentlemen e DragonForce concentraram uma parte significativa da atividade registada.

A Check Point alerta também para os riscos associados à utilização empresarial de ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo a investigação, um em cada 28 prompts enviados para plataformas de IA representava risco elevado de fuga de informação sensível.

Os atacantes continuam altamente operacionais e adaptáveis”, afirma Omer Dembinsky, Data Research Manager da Check Point Research.

A empresa defende que as organizações devem reforçar estratégias de prevenção, governação de dados e segurança baseada em IA, sobretudo em setores críticos e ambientes altamente digitalizados.

Bee a Tour by Papaya reúne profissionais e reforça debate sobre o digital em Angola


A segunda edição de 2026 do Bee a Tour by Papaya, integrada na terceira temporada da Let’s Talk Digital, reuniu em Luanda diversos profissionais ligados ao ecossistema digital angolano, num encontro centrado na partilha de experiências e no debate sobre o sector.

O evento decorreu num ambiente informal, juntando especialistas de marketing, criadores de conteúdos, representantes de marcas, empreendedores e outros intervenientes da área digital. A iniciativa teve como foco a promoção do networking e a troca de conhecimentos entre os participantes.

Durante a sessão, foram apresentadas diferentes perspectivas sobre os desafios e oportunidades do digital em Angola. Entre os oradores estiveram Jaime Beirão, Erixson Fonseca e Marco Victor, que abordaram temas como marketing digital, inovação, construção de comunidades e liderança.

As intervenções procuraram enquadrar a evolução do sector, destacando tendências actuais e possíveis caminhos para o desenvolvimento do mercado digital no país.

A edição contou com o apoio da Agência Criativa Papaya, que participou na organização e dinamização do encontro. A colaboração entre os diferentes parceiros contribuiu para a realização da iniciativa.

Segundo Cláudio Missula Júnior, cofundador do projecto, o Let’s Talk Digital tem procurado, ao longo dos últimos anos, criar um espaço de partilha de conhecimento e ligação entre profissionais do sector.

A realização de mais uma edição do Bee a Tour reflecte a continuidade de iniciativas voltadas para o desenvolvimento do ecossistema digital em Angola, num contexto marcado pelo crescimento do uso de tecnologias e pela crescente presença de criadores e marcas no ambiente digital.

EUA testam drones capazes de neutralizar atiradores em menos de um minuto

Um novo sistema de segurança está a ser testado nos Estados Unidos com o objectivo de reduzir drasticamente o tempo de resposta a ataques armados em escolas. A proposta envolve o uso de drones que podem intervir em menos de um minuto após a activação de um alerta.

A tecnologia está a ser desenvolvida pela Campus Guardian Angel, que aposta numa abordagem baseada em drones de resposta rápida, inspirados no uso militar observado em conflitos recentes, como a Guerra na Ucrânia.

Segundo Khristof Oborski, director de operações tácticas da empresa, a ideia surgiu da eficácia dos drones FPV (pilotados em primeira pessoa) em cenários de combate. “Observámos como estes sistemas são difíceis de evitar e pensámos em como poderiam ser adaptados para responder a um problema crescente: os tiroteios em escolas”, afirmou à AFP.

Como funciona o sistema

Antes da implementação, as escolas são mapeadas em 3D para definir rotas estratégicas. Os drones ficam posicionados em mini-hangares distribuídos em pontos-chave, formando esquadrões prontos para intervir.

Quando um alerta é activado, por exemplo, através de um telemóvel os drones descolam de imediato. São controlados remotamente por operadores a partir de uma central em Austin, com o objectivo de alcançar o suspeito em cerca de 15 segundos.

A resposta varia conforme o cenário. Em situações menos críticas, os drones utilizam sistemas de áudio bidireccional para emitir ordens. Já em casos de ataque activo, podem recorrer a medidas como impactos cinéticos ou spray de pimenta não letal para neutralizar o agressor.

Contexto e necessidade

O desenvolvimento desta tecnologia surge num contexto de crescente preocupação com a segurança nas escolas norte-americanas. De acordo com dados do portal IntelliSee, só em 2025 foram registados 233 incidentes com armas de fogo em instituições de ensino.

Um dos casos mais marcantes ocorreu em 2022, na cidade de Uvalde, onde um atirador matou 19 alunos e duas professoras. O agressor foi neutralizado apenas 77 minutos após o início do ataque um intervalo que tecnologias como esta pretendem reduzir drasticamente.

Um futuro em debate

Apesar do potencial para salvar vidas, o uso de drones em contextos escolares levanta questões éticas e operacionais, sobretudo no que diz respeito ao uso da força e à segurança dos próprios alunos.

Ainda em fase de testes, a solução da Campus Guardian Angel representa mais um exemplo de como tecnologias originalmente desenvolvidas para a guerra estão a ser adaptadas para aplicações civis, neste caso, com o objectivo de proteger vidas em ambientes escolares.

[Angola] Compras online crescem 98% no primeiro trimestre deste ano

 

O instrumento de compras online, denominado Gateway de Pagamentos Online (GPO), começou a ser implementado em 2020, mas os seus resultados começaram a aparecer em 2021, coincidentemente a altura em que as restrições impostas pela covid-19 fizeram acelerar o e-commerce no mundo, provocando um momento de viragem na digitalização e nos hábitos de consumo.

O que na altura parecia apenas ser uma febre imposta pelas circunstâncias da pandemia tornou-se numa rotina cada vez mais comum. Hoje no mundo, o e-commerce já vale mais de 20% no comércio global, obrigando ao reposicionamento das grandes cadeias comerciais e a uma presença mais activa nas plataformas web e em aplicações móveis.

Em Angola, apesar da fraca literacia digital e financeira, as compras online estão a ser capazes de quebrar essa barreira, ao consolidarem-se como forma de adquirir serviços e produtos mais segura, cómoda e ágil. No País, o grosso das compras online é feito em restaurantes e cadeias de fast food, lojas de equipamentos tecnológicos, vestuário e produtos de beleza ou de bem-estar.

Em termos práticos, com a implementação da GPO, os comerciantes com lojas virtuais passaram a dispor nas suas plataformas de um terminal de pagamentos virtual, equivalente a um Terminal de Pagamento Automático (TPA) físico, que funciona de forma segura e escalável, permitindo acompanhar os pagamentos em tempo real e efectuar a gestão de receitas e recursos associados à sua conta.

Por outro lado, os clientes realizam as compras por meio da aplicação Multicaixa Express (MCX Express) e recebem confirmação imediata dos pagamentos efectuados em plataformas de e-commerce. Para isso, é necessário possuir uma conta activa no MCX Express.

Em 2023, as compras online ganharam uma nova modalidade, que se traduziu num crescimento cada vez mais consolidado: o TPA Multicaixa Code. Este mecanismo permitiu que as lojas físicas sem aplicações ou páginas webs de vendas online, mas que desejassem oferecer uma forma de pagamento sem necessidade de um TPA físico, passassem também a aderir aos pagamentos por QR code (um código que funciona como um TPA virtual, através do qual os clientes pagam lendo um adesivo fixado no estabelecimento comercial).

Assim, os pagamentos online ganharam mais um instrumento para quebrar as barreiras estruturais do sistema financeiro e dos serviços de pagamento do país.

Nos três primeiros meses deste ano, as compras online com QR Code cresceram, 217%, para 3,60 mil milhões Kz, face ao mesmo período de 2024.

Ainda assim, no conjunto dos pagamentos virtuais, o QR Code representa apenas 7%, sendo que a maioria das compras online continua a ser efectuada através do número de telemóvel associado ao MCX Express.

Apesar do crescimento relevante registado nos últimos anos, as compras online representam apenas 2% do total das transacções realizadas na rede Multicaixa entre Janeiro e Março (cerca de 2,78 biliões Kz). Isto mostra que o mercado do e-commerce ainda tem muito caminho a percorrer, e que os hábitos de consumo e pagamento estão longe de atingir o nível de países como o Brasil e Portugal, onde as lojas virtuais ganham terreno à medida que os consumidores adoptam um perfil cada vez mais digital.

Na realidade angolana, tal como acontece no resto do mundo, as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) e as startups são os grandes protagonistas da evolução das compras online, por estarem mais propensas à digitalização e vitarem os custos e a gestão de infraestruturas físicas complexas.

O caminho está traçado. A combinação entre a expansão das MPMEs, a crescente adesão ao QR Code e a consolidação do MCX Express como meio de pagamento do quotidiano sugere que as compras online em Angola deixaram de ser uma tendência e começam a tornar-se numa realidade. O grande desafio passa por acelerar a literacia digital e financeira, ampliar e melhorar a cobertura da rede móvel e fixa e outras infraestruturas tecnológicas de apoio ao ecossistema digital.

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Internet

Tudo começou com a ARPANET, nos anos 60, um projecto militar norte-americano destinado a garantir a comunicação entre computadores de forma descentralizada.

Contudo, foi apenas nos anos 90, com a criação da World Wide Web por Tim Berners-Lee, que a Internet deu o salto para o grande público. A navegação simplificou-se, os websites multiplicaram-se e abriu-se caminho para uma revolução digital sem precedentes.

Angola conta com cerca de 17,6 milhões de utilizadores activos de internet, numa população onde a taxa de penetração já atingiu os 44,8%, segundo dados do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS).

Em paralelo, o país regista mais de 28 milhões de subscritores de serviços móveis, dos quais aproximadamente 16 milhões acedem à internet através de redes de banda larga móvel, um indicador que reflecte a centralidade do telemóvel como principal porta de entrada digital para a maioria dos angolanos.

Angola está ligada, mas ainda falha na adoção digital

Mas por detrás dos números de crescimento, o retrato é ainda de profunda assimetria. Cerca de 21,7 milhões de cidadãos permanecem sem acesso regular à internet, penalizados pela cobertura insuficiente, pelo custo elevado dos serviços e pela desigualdade persistente entre zonas urbanas e rurais. O MINTTICS reconhece este fosso e aponta a expansão das infra-estruturas e a massificação do acesso digital como prioridades estratégicas para os próximos anos.

No contexto lusófono africano, Angola posiciona-se entre os países com maior penetração digital, partilha esse patamar com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, territórios onde a menor dimensão geográfica, a urbanização concentrada e os investimentos sectoriais criaram condições mais favoráveis à conectividade. Moçambique, apesar de registar avanços impulsionados pela popularização dos smartphones, continua a enfrentar desafios significativos ao nível das infra-estruturas e das assimetrias regionais.

À escala continental, África ultrapassou a barreira dos 40% de penetração média de internet, um salto notável face aos escassos 3,2% registados em 2005. Mais de 600 milhões de pessoas utilizam hoje internet móvel de banda larga, mas cerca de 900 milhões permanecem ainda offline com maior incidência nas zonas rurais, onde a cobertura desce para cerca de 28%. O crescimento é real, mas o fosso digital africano continua a ser um dos maiores desafios do século.

Falha crítica no Outlook permite ataques sem interação do utilizador

Microsoft corrigiu uma vulnerabilidade crítica no Outlook que pode ser explorada sem qualquer interação do utilizador, representando uma ameaça significativa para ambientes empresariais.

De acordo com a SecurityWeek, a falha, identificada como CVE-2026-40361, foi corrigida no âmbito do Patch Tuesday e afeta um componente DLL utilizado pelo Microsoft Word e Outlook.

Segundo a Microsoft, trata-se de uma vulnerabilidade de execução remota de código, mas investigadores alertam que o impacto poderá ser particularmente elevado devido à possibilidade de exploração “zero-click”.

O problema foi descoberto por Haifei Li, criador do sistema de deteção de zero-days Expmon, que comparou a falha à vulnerabilidade BadWinmail, descoberta há mais de uma década e considerada, na altura, um verdadeiro “enterprise killer”.

Basta o utilizador ler ou pré-visualizar o email para o ataque ser desencadeado”, alertou Haifei Li.

De acordo com o investigador, a vulnerabilidade resulta de um problema “use-after-free” no motor de renderização de emails do Outlook, tornando difícil bloquear ou mitigar ataques.

Na prática, um atacante pode enviar um email especialmente criado e executar código remotamente no sistema da vítima sem necessidade de clicar em links ou anexos.

Qualquer pessoa poderia comprometer um CEO ou CFO apenas enviando um email”, acrescentou o investigador.

A Microsoft classificou a probabilidade de exploração como “mais provável”, aumentando a urgência para aplicação das atualizações de segurança.

Apesar de Haifei Li indicar que apenas desenvolveu uma prova de conceito, e não um exploit totalmente funcional, o investigador alerta para a criatividade crescente dos grupos de ameaça.

Uma das poucas medidas de mitigação apontadas passa por configurar o Outlook para renderizar mensagens exclusivamente em texto simples.

O Instagram quer substituir o Snapchat e o BeReal?

A Meta voltou a expandir o universo do Instagram com o lançamento do “Instants”, uma nova aplicação focada em fotos temporárias e partilhas rápidas entre amigos. A novidade mistura elementos populares do Snapchat e do BeReal, duas plataformas que ganharam espaço nos últimos anos graças ao foco em conteúdos mais espontâneos e menos editados.

Com o Instants, os utilizadores podem publicar fotografias que desaparecem após algum tempo, incentivando interacções mais casuais e naturais. A proposta é simples: reduzir a pressão das publicações “perfeitas” e aproximar a experiência digital de momentos mais reais do dia a dia.

A aplicação aposta numa interface minimalista e em funcionalidades rápidas, permitindo capturar e enviar imagens quase instantaneamente. Em vez de feeds cheios de vídeos altamente produzidos e conteúdos comerciais, o Instants tenta recuperar a sensação de comunicação mais íntima entre amigos próximos.

O movimento também mostra como a Meta continua determinada em competir directamente com plataformas rivais. Depois de copiar formatos como Stories, Reels e Notas, a empresa agora entra com mais força no segmento dominado pelo Snapchat e pelo BeReal.

Para o público mais adolescente, estudantes universitários e jovens criadores de conteúdo, o Instants pode tornar-se atractivo pela simplicidade e pelo menor consumo de tempo na criação de publicações. Além disso, formatos mais leves e rápidos tendem a funcionar melhor em mercados onde muitos utilizadores dependem de internet móvel limitada.

Ainda não existe confirmação oficial sobre disponibilidade total em Angola, mas como faz parte do ecossistema Instagram, a expectativa é que a expansão aconteça gradualmente em vários mercados nas próximas semanas.

O lançamento reforça uma tendência clara nas redes sociais actuais: menos perfeição, mais espontaneidade. E a Meta não quer ficar fora dessa corrida

Angola lança projecto AngoREN para acelerar transformação digital no ensino superior

Num contexto em que o conhecimento, a inovação e a transformação digital determinam o progresso das nações, Angola não pode continuar dependente de estruturas frágeis de conectividade e de sistemas administrativos burocráticos que atrasam o funcionamento das instituições de ensino superior. A AngoREN surge precisamente como uma resposta a essa necessidade.

A primeira fase prevê um investimento de 25 milhões de dólares, dos quais 15 milhões serão aplicados na implementação da rede e 10 milhões na digitalização das instituições. O projecto integra o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027 e conta com apoio do Banco Mundial.

Segundo a secretária de Estado para o Ensino Superior, Alice de Fátima Almeida, a AngoREN pretende melhorar a qualidade do ensino, facilitar o acesso ao conhecimento e fortalecer a investigação científica.

A rede vai ligar inicialmente 11 instituições públicas de ensino superior em seis províncias do país, beneficiar mais de 69 mil estudantes e cerca de 5 mil professores.

O sistema permitirá ainda digitalizar processos académicos, como matrículas e emissão de documentos, reduzir burocracias e custos de conectividade.

Ruanda cria quadro regulatório para criptomoedas e activos virtuais

A legislação estabelece o primeiro quadro jurídico do Ruanda para a emissão, negociação, licenciamento e supervisão de criptomoedas. A tutela do sector caberá à Autoridade do Mercado de Capitais do Ruanda, em coordenação com o Banco Nacional do Ruanda, à medida que as autoridades avançam para formalizar um mercado que durante anos operou sem uma estrutura regulatória dedicada.

Antes da aprovação da lei, a posição do Ruanda em relação às criptomoedas assentava essencialmente em restrições e advertências cautelares repetidas emitidas pelo banco central. Desde 2018, o Banco Nacional do Ruanda mantinha que as criptomoedas não eram reconhecidas como moeda com curso legal, estando as instituições financeiras licenciadas proibidas de facilitar conversões entre o franco ruandês e os criptoactivos.

Em Abril de 2026, poucas semanas antes de o Parlamento aprovar a legislação, o Banco Nacional do Ruanda voltou a alertar o público contra transacções com criptomoedas envolvendo o franco ruandês, após algumas plataformas de câmbio introduzirem suporte de negociação ponto a ponto para a moeda local. O banco central declarou na ocasião que os criptoactivos não podiam ser utilizados para pagamentos, transferências ou negociação ponto a ponto envolvendo o franco ao abrigo do quadro então em vigor.

Ruanda acelera regulamentação das criptomoedas após 35 casos de fraude

A lei recém-aprovada introduz requisitos de licenciamento para Prestadores de Serviços de Activos Virtuais (PSAV), obrigações de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo, requisitos de reporte operacional e padrões de capital mínimo para as empresas que operam no sector. A legislação reconhece igualmente os activos reais tokenizados no quadro jurídico do Ruanda, estabelecendo simultaneamente sanções para a actividade não licenciada e o incumprimento das normas.

As empresas que operem sem autorização poderão enfrentar coimas entre 70 milhões de francos ruandeses (cerca de 47.800 dólares) e 100 milhões de francos ruandeses, enquanto a emissão não autorizada de activos digitais poderá acarretar penalizações de até 150 milhões de francos ruandeses. A legislação criminaliza ainda a mineração não autorizada de criptomoedas, os pagamentos digitais ilegais e o recurso a tecnologias de anonimização, como os “mixers” de criptomoedas.

A transição do Ruanda para mercados de criptomoedas regulados posiciona o país num grupo crescente de economias africanas que procuram formalizar a actividade com activos digitais, em vez de manterem restrições absolutas ou uma prolongada incerteza regulatória.

O quadro cria uma estrutura formal de supervisão que abrange o licenciamento, o reporte, a conformidade e a fiscalização operacional dos operadores de criptomoedas e das plataformas de activos digitais. A inclusão de activos reais tokenizados alarga igualmente o quadro de finanças digitais do Ruanda para além da negociação de criptomoedas, integrando estruturas de investimento baseadas em blockchain vinculadas a activos físicos ou financeiros.

Nigéria e África do Sul: as duas forças que estão a moldar o cripto em África

As declarações governamentais que acompanham a legislação indicam que os activos virtuais não serão reconhecidos como moeda com curso legal e não poderão ser utilizados como instrumentos de pagamento oficiais, salvo autorização específica do Banco Nacional do Ruanda.

As autoridades afirmaram que a legislação foi introduzida em parte em resposta aos riscos associados à fraude, ao branqueamento de capitais, ao financiamento do terrorismo e à actividade especulativa nos mercados de criptomoedas. A implementação da lei exigirá ainda a aprovação de regulamentação subsidiária que regule os procedimentos de licenciamento, os requisitos de divulgação, os limites de capital e a supervisão do cumprimento por parte dos operadores.

Os debates parlamentares fizeram ainda referência à rápida expansão dos mercados globais de criptomoedas. Os deputados citaram estimativas que indicam que o mercado global de activos digitais ultrapassa os 2,35 biliões de dólares, tendo mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo participado em transacções com activos digitais.

O Ruanda conta actualmente com mais de 350.000 utilizadores de criptomoedas, apesar de anos de cautela regulatória em relação ao sector. O país ocupava o 69.º lugar no índice de adopção de criptomoedas da Chainalysis em 2021, tendo caído para o 142.º lugar em 2023, na sequência de orientações cautelares mais rigorosas por parte do Banco Nacional do Ruanda.

MINTTICS promove campanha promocional de registo de domínios “AO”

O Ministério das Telecomunicações, Tecnologia de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) vai promover, de 1 a 30 de Junho deste ano, uma campanha promocional de registo de domínios “.AO”.

“Para o efeito, deve o interessado, acessar ao site ww.dns.ao e escolher -“registar ou um agente autorizado e seguir os passos subsequentes”, explica o documento.

A campanha, que decorrerá em todo o território nacional, é parte do programa de actividades do ANGOTIC, agendada para os dias 11, 12 e 13 de Junho, em Luanda, sob o lema “Na rota da transformação digital”.

Durante este período, o registo passa a custar 9.900 kwanzas, invés dos 25 mil kwanzas cobrados actualmente pelo Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação (INFOSI).