
A EMIS considera digitais as compras, transferências e pagamentos de serviços realizados através da sua infra-estrutura, seja por TPA, QR Code ou Caixas Automáticos, com ou sem cartão físico. Os levantamentos ficam de fora da contagem, mesmo quando iniciados por meios digitais, porque terminam sempre em notas.
E os levantamentos continuam a crescer em valor absoluto: 2,8 biliões Kz no primeiro semestre, mais 11% (320 mil milhões Kz) do que no período homólogo. O que muda é o peso relativo. Como o volume total da rede cresce mais depressa, a fatia do dinheiro físico encolhe ano após ano.
A pandemia como ponto de viragem
A trajectória é clara. Em 2019, antes da Covid-19, o dinheiro físico representava mais de 26% do volume transaccionado na rede, com mais de 2,3 biliões Kz movimentados em notas. Em 2020, o peso caiu para 17%. Em 2021, com o regresso à normalidade, desceu para 14%. Hoje está nos 10%.
O confinamento acelerou a digitalização dos pagamentos em todo o mundo e Angola não foi excepção. Muitos serviços passaram a ser vendidos em canais digitais e os consumidores adoptaram novos hábitos que se mantiveram depois da pandemia.
O desafio da informalidade
Há, porém, uma limitação importante nestes números: a rede Multicaixa reflecte apenas a actividade dos clientes bancarizados. Numa economia com elevada informalidade como a angolana, a verdadeira expansão dos pagamentos digitais depende de um instrumento capaz de chegar a quem está fora do sistema bancário: as carteiras digitais.
Ainda assim, o progresso agregado é visível. As transacções digitais valiam 19% do PIB angolano em 2019. Em 2025, já representavam 32%.
O caminho para uma economia menos dependente do papel-moeda está traçado. Falta agora que a infra-estrutura digital, da conectividade às carteiras móveis, acompanhe o ritmo e traga para dentro do sistema os milhões de angolanos que continuam a viver na economia informal.

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