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Multicaixas em Angola: 90% das operações já ocorrem por canais digitais

A EMIS considera digitais as compras, transferências e pagamentos de serviços realizados através da sua infra-estrutura, seja por TPA, QR Code ou Caixas Automáticos, com ou sem cartão físico. Os levantamentos ficam de fora da contagem, mesmo quando iniciados por meios digitais, porque terminam sempre em notas.

E os levantamentos continuam a crescer em valor absoluto: 2,8 biliões Kz no primeiro semestre, mais 11% (320 mil milhões Kz) do que no período homólogo. O que muda é o peso relativo. Como o volume total da rede cresce mais depressa, a fatia do dinheiro físico encolhe ano após ano.

A pandemia como ponto de viragem

A trajectória é clara. Em 2019, antes da Covid-19, o dinheiro físico representava mais de 26% do volume transaccionado na rede, com mais de 2,3 biliões Kz movimentados em notas. Em 2020, o peso caiu para 17%. Em 2021, com o regresso à normalidade, desceu para 14%. Hoje está nos 10%.

O confinamento acelerou a digitalização dos pagamentos em todo o mundo e Angola não foi excepção. Muitos serviços passaram a ser vendidos em canais digitais e os consumidores adoptaram novos hábitos que se mantiveram depois da pandemia.

O desafio da informalidade

Há, porém, uma limitação importante nestes números: a rede Multicaixa reflecte apenas a actividade dos clientes bancarizados. Numa economia com elevada informalidade como a angolana, a verdadeira expansão dos pagamentos digitais depende de um instrumento capaz de chegar a quem está fora do sistema bancário: as carteiras digitais.

Ainda assim, o progresso agregado é visível. As transacções digitais valiam 19% do PIB angolano em 2019. Em 2025, já representavam 32%.

O caminho para uma economia menos dependente do papel-moeda está traçado. Falta agora que a infra-estrutura digital, da conectividade às carteiras móveis, acompanhe o ritmo e traga para dentro do sistema os milhões de angolanos que continuam a viver na economia informal.

Streaming em África: a nova aposta das operadoras de telecomunicações

Em África, as operadoras de telecomunicações estão a redefinir o mercado do streaming no continente, e a MTN é o exemplo mais claro desta viragem. Ralph Mupita, presidente e CEO do grupo, reconheceu que, apesar dos mais de 300 milhões de subscritores, cerca de 45% dos clientes da MTN nunca acederam à internet e permanecem na era da voz.

Na sua perspetiva, a cobertura de rede é um problema praticamente resolvido após duas décadas de investimento. O verdadeiro desafio agora é a utilização: o consumo médio de dados, atualmente de 14 gigabytes mensais por cliente, deverá mais do que duplicar nos próximos anos, num percurso semelhante ao da Índia. O problema é que o valor gerado por esse tráfego é capturado pelos fornecedores OTT, e a MTN recusa-se a ser apenas um “dumb pipe”.

A resposta mais recente é a MTN One TV, que combina televisão em direto, produções locais e programação internacional, sob um modelo flexível que inclui conteúdos gratuitos, publicidade, pay-per-view e subscrições. A verdadeira inovação, porém, está no pagamento: a plataforma aceita deduções de saldo, carteiras de Mobile Money e outros métodos locais, o que contorna barreiras como o acesso limitado a cartões bancários.

É uma mudança de abordagem face a tentativas anteriores, como o MusicTime em 2021 ou as parcerias com a Disney+ e a Viu. A One TV representa integração vertical: a MTN passa a deter a plataforma, os canais de pagamento e a relação com o cliente.

Onde estão realmente armazenados os dados de África?

Nos mercados africanos, a distribuição parece ser um ativo mais defensável do que a propriedade de conteúdos. Um inquérito da Broadcast Media Africa revelou que 35% dos operadores não conseguem garantir uma transmissão fiável devido a problemas de conectividade, uma fragilidade que penaliza qualquer serviço de streaming, mas que as operadoras, donas das próprias redes, conseguem mitigar.

O conteúdo continua a pesar na diferenciação, e as plataformas globais sabem-no: a Netflix lançou o programa ScreenCraft Pathways na África do Sul e a Amazon expandiu o Prime Video no país. Ainda assim, o conteúdo diferencia, mas a distribuição gera escala e receitas sustentáveis.

A MTN não está sozinha neste movimento. A Airtel Africa oferece o Airtel TV desde 2020, a Vodacom lançou a Value News Network em dezembro de 2025 e a Canal+ tornou-se o primeiro operador a distribuir a Netflix em 24 países africanos francófonos. O padrão é consistente: as operadoras transformam-se de fornecedoras de infraestrutura em guardiãs do acesso ao conteúdo.

Esta viragem já atraiu a atenção dos reguladores, com novas regras da COMESA (Mercado Comum da África Oriental e Austral), a visar grandes plataformas digitais que funcionam como portas de entrada críticas. Há também uma tensão estrutural de fundo: as operadoras deverão investir mais de 76 mil milhões de dólares em redes até 2030, enquanto os fornecedores OTT capturam a maior parte do valor sem pagar pelas infraestruturas de que dependem.

Em África, onde o dinheiro móvel e o saldo de chamadas dominam os pagamentos, quem detém a relação de faturação tem uma vantagem estrutural. A verdadeira batalha das plataformas não se trava em torno de quem produz os melhores conteúdos, mas de quem é dono da infraestrutura de distribuição e pagamento.

OpenAI lança GPT-5.6, nova geração da inteligência artificial que dá vida ao ChatGPT


A OpenAI lançou oficialmente o GPT-5.6, o seu modelo de inteligência artificial mais avançado até ao momento. A nova geração da tecnologia chega ao mercado após um adiamento motivado por preocupações relacionadas com a segurança nacional dos Estados Unidos e com o potencial uso da IA por actores estrangeiros.

Até agora, o GPT-5.6 estava disponível apenas para um grupo restrito de parceiros seleccionados pela OpenAI, no âmbito de um programa de acesso antecipado.

Além do GPT-5.6 Sol, considerado o modelo principal da nova família, a empresa anunciou também os modelos Terra e Luna, versões desenvolvidas para oferecer custos mais reduzidos e maior flexibilidade na implementação de soluções de inteligência artificial.

Segundo a OpenAI, os novos modelos apresentam avanços significativos na execução autónoma de tarefas complexas, incluindo programação, automação de processos e cibersegurança, permitindo aos sistemas realizar actividades com menor intervenção humana.

Durante a apresentação da nova geração de modelos, realizada no final de Junho, a empresa destacou melhorias no desempenho, na capacidade de raciocínio e na execução de tarefas especializadas.

A OpenAI revelou ainda que o GPT-5.6 Sol alcançou resultados comparáveis aos do Mythos Preview, da Anthropic, num teste utilizado para avaliar a capacidade dos modelos de inteligência artificial em cenários relacionados com a segurança cibernética.

O lançamento reforça a estratégia da OpenAI de acelerar o desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais potentes e eficientes, numa altura em que a concorrência entre as principais empresas do sector continua a intensificar-se.

Com a chegada do GPT-5.6, a empresa pretende ampliar as capacidades do ChatGPT e de outras soluções baseadas em inteligência artificial, oferecendo ferramentas mais avançadas para utilizadores, empresas e programadores em todo o mundo.

Fonte: G1

Inteligência Artificial ajuda AGT a identificar 15 mil empresas com indícios de fraude fiscal

A Administração Geral Tributária (AGT) revelou que identificou cerca de 15 mil empresas com indícios de fraude fiscal, graças à utilização de um sistema de inteligência artificial capaz de cruzar dados fiscais e comerciais em tempo real.

A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração da AGT, José Leiria, durante o fórum “Conversas sem Makas”, realizado em Luanda e promovido pelo jornalista e economista Carlos Rosado de Carvalho.

Segundo José Leiria, entre os meses de Abril e Maio deste ano, a AGT recebeu aproximadamente 40 mil declarações fiscais de empresas que reportaram facturação nula. No entanto, a análise realizada pelo novo sistema de inteligência tributária revelou que cerca de 15 mil dessas empresas efectuaram transações comerciais durante o mesmo período.

O responsável explicou que a plataforma recorre ao cruzamento automático de informações provenientes de facturas electrónicas, documentos de importação e outras bases de dados fiscais, permitindo identificar inconsistências e potenciais situações de evasão fiscal com maior rapidez e precisão.

De acordo com o PCA da AGT, a adopção de ferramentas baseadas em inteligência artificial representa um avanço significativo no combate à fraude e à evasão fiscal, tornando cada vez mais difícil ocultar operações económicas às autoridades tributárias.

José Leiria abordou ainda a recente suspensão de milhares de Números de Identificação Fiscal (NIF), esclarecendo que apenas 28% dos contribuintes registados apresentavam uma situação fiscal regularizada.

Perante este cenário, a AGT decidiu suspender, em Janeiro, os NIF das empresas que permaneceram mais de 12 meses sem apresentar qualquer declaração fiscal, apesar dos sucessivos apelos à regularização.

Segundo o responsável, a medida teve impacto positivo na arrecadação de receitas, permitindo elevar a receita fiscal de cerca de 300 mil milhões de kwanzas para 430 mil milhões de kwanzas no actual exercício económico.

Com a implementação de soluções baseadas em inteligência artificial, a AGT reforça a aposta na transformação digital da administração tributária, recorrendo à tecnologia para aumentar a eficiência da fiscalização, melhorar o controlo das obrigações fiscais e reduzir a fraude no sistema tributário angolano.

Fonte: Correio da Kianda

MINTTICS inaugura primeiras salas de informática com aplicações espaciais em Angola

O Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS) inaugura, na próxima segunda-feira, 13, em Luanda, as primeiras salas de informática do país equipadas com aplicações espaciais, numa iniciativa que visa reforçar a transformação digital no sector da educação.

A cerimónia ficará igualmente marcada pelo lançamento oficial do Conecta Angola TV White Space (TVWS), uma solução tecnológica concebida para levar acesso à Internet a escolas e comunidades localizadas em zonas com cobertura limitada das redes convencionais de telecomunicações.

O acto terá lugar no Complexo Escolar 1024 Lda – Ex. Pensador 2031 e na Escola do Ensino Secundário do II Ciclo n.º 1025, nos Ramiros, onde a tecnologia foi instalada para demonstrar o potencial da inovação na melhoria do ensino e na promoção da inclusão digital.

As salas de informática foram equipadas pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento das Comunicações (FADCOM), responsável pelo fornecimento dos computadores e restantes equipamentos tecnológicos. As aplicações utilizadas foram desenvolvidas no âmbito do Programa Espacial Nacional.

Com estes recursos, os estudantes terão acesso a imagens de satélite, aplicações geoespaciais e outras ferramentas ligadas às tecnologias espaciais, permitindo o desenvolvimento de competências nas áreas da ciência, inovação, geotecnologias e observação da Terra.

A iniciativa pretende aproximar os alunos do universo das tecnologias espaciais e incentivar o interesse pelas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), contribuindo para a formação de futuros profissionais altamente qualificados.

A cerimónia contará com a presença de membros do Executivo, representantes de instituições públicas, parceiros tecnológicos, autoridades locais, comunidade escolar e órgãos de comunicação social.

Com este projecto, o MINTTICS reforça a aposta na transformação digital da educação, promovendo maior inclusão tecnológica e preparando os estudantes para os desafios da economia digital e da indústria espacial.

Fonte: JA

MININT reforça combate ao cibercrime com novos investimentos em tecnologia


O Ministério do Interior (MININT) está a reforçar os investimentos em tecnologia para modernizar os seus órgãos de segurança e aumentar a capacidade de resposta aos desafios da criminalidade, com especial enfoque no combate aos crimes informáticos.

A garantia foi dada pelo ministro do Interior, Manuel Homem, durante as celebrações do 47.º aniversário da instituição, assinalado esta segunda-feira.

Segundo o governante, a Polícia Nacional (PN) e o Serviço de Investigação Criminal (SIC) estão a ser equipados com novos meios tecnológicos destinados a reforçar a segurança pública, melhorar a vigilância das fronteiras e aumentar a eficácia das operações de prevenção e investigação criminal.

No domínio da investigação digital, Manuel Homem anunciou que o SIC está igualmente a ser modernizado com a instalação de novos laboratórios especializados, que permitirão reforçar a capacidade de análise forense digital e a resposta a crimes informáticos e outras ocorrências registadas no ambiente digital.

O ministro referiu ainda que o Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) também integra o processo de modernização tecnológica em curso, no âmbito da estratégia do Executivo para tornar os serviços de segurança mais eficientes e preparados para responder às novas ameaças.

De acordo com Manuel Homem, o investimento em soluções tecnológicas é fundamental para garantir um sistema nacional de segurança mais robusto, moderno e capaz de enfrentar os desafios associados à transformação digital.

O titular da pasta anunciou igualmente que decorre o processo de identificação de terrenos para a construção de novos Centros Integrados de Segurança Pública (CISP) em três províncias, com o objectivo de reforçar a capacidade operacional dos serviços de segurança.

Angola prepara emissão online do Certificado do Registo Criminal

O Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos vai disponibilizar, em breve, o serviço de consulta e emissão online do Certificado do Registo Criminal, permitindo aos cidadãos solicitar e obter o documento por via electrónica, de forma mais rápida, segura e conveniente.

O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Marcy Lopes, durante a 22.ª edição do Café CIPRA, realizada em Luanda.

Segundo o governante, a iniciativa representa mais um passo no processo de modernização da Administração Pública e na transformação digital dos serviços públicos, aproximando o Estado dos cidadãos através de soluções tecnológicas mais acessíveis e eficientes.

Com a entrada em funcionamento da plataforma, os utentes poderão consultar, solicitar e emitir o Certificado do Registo Criminal sem necessidade de deslocação aos serviços presenciais, reduzindo o tempo de espera e simplificando o acesso a um dos documentos mais requisitados no país.

A medida integra o programa de digitalização dos serviços do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, que visa aumentar a eficiência administrativa, reforçar a transparência e melhorar a qualidade do atendimento prestado aos cidadãos.

A disponibilização do novo serviço representa mais um avanço na estratégia de transformação digital do Estado angolano, promovendo maior comodidade no acesso aos serviços públicos e incentivando a utilização de plataformas electrónicas na relação entre os cidadãos e a Administração Pública.

Sony vai abandonar discos físicos para novos jogos da PlayStation a partir de 2028

A Sony anunciou que deixará de fabricar discos físicos para todos os novos jogos lançados para as consolas PlayStation a partir de Janeiro de 2028. Com a mudança, os futuros títulos passarão a ser distribuídos exclusivamente em formato digital.

A decisão foi comunicada através do blogue oficial da empresa, que justificou a medida com a crescente preferência dos consumidores pelos jogos digitais.

Segundo a Sony, a alteração não afectará os títulos que já tenham sido lançados ou que cheguem ao mercado antes de Janeiro de 2028 em formato físico. Esses jogos continuarão disponíveis em disco normalmente.

A empresa considera que a mudança acompanha a evolução do mercado dos videojogos, onde as compras digitais têm registado um crescimento contínuo nos últimos anos, impulsionadas pela expansão das lojas online e pelos serviços de subscrição.

O anúncio surge poucos meses antes do lançamento de “Grand Theft Auto VI” (GTA 6), um dos jogos mais aguardados da década. A decisão da Sony reacendeu o debate entre os jogadores, sobretudo entre os utilizadores que preferem adquirir jogos em formato físico ou revendê-los no mercado de segunda mão.

Nas redes sociais, vários fãs manifestaram preocupação com o impacto da medida, argumentando que o fim dos discos físicos poderá limitar a revenda de jogos, a preservação de títulos e a liberdade de escolha dos consumidores.

Apesar das críticas, a Sony defende que a transição representa uma evolução natural da indústria, acompanhando as novas tendências de consumo e consolidando a distribuição digital como o principal modelo de comercialização para a próxima geração de jogos PlayStation.

 

Carteira digital é-Kwanza recebe selo Superbrands Angola

A carteira digital é-Kwanza, desenvolvida pela Pay4all, foi distinguida com o selo Superbrands Angola 2026, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos às marcas que se destacam pela excelência, notoriedade e qualidade no mercado angolano.

A distinção, válida até 2027, foi anunciada durante a Gala Superbrands Angola 2026, realizada no dia 30 de Junho, e resulta de um processo de avaliação independente que identifica as marcas de referência em Angola com base em critérios como reputação, credibilidade, diferenciação e relação com os consumidores.

O reconhecimento reforça o posicionamento do é-Kwanza como uma das principais soluções de pagamentos digitais do país, evidenciando o compromisso da marca com a inovação, a segurança e a disponibilização de serviços financeiros digitais cada vez mais acessíveis e adaptados às necessidades dos utilizadores.

Para a Pay4all, empresa responsável pela carteira digital, a distinção representa o reconhecimento da confiança depositada por clientes, parceiros e utilizadores, além de incentivar a continuidade do investimento em soluções que promovam a inclusão financeira e acelerem a transformação digital do ecossistema nacional de pagamentos.

“Receber o selo Superbrands é motivo de enorme orgulho para toda a equipa e representa o reconhecimento da confiança que os angolanos depositam no é-Kwanza. Esta distinção reforça a nossa responsabilidade de continuar a inovar e a desenvolver soluções de pagamento cada vez mais simples, seguras e acessíveis, contribuindo activamente para a inclusão financeira e para a modernização do ecossistema de pagamentos em Angola”, afirmou a empresa.

Com esta distinção, o é-Kwanza junta-se ao grupo de marcas reconhecidas pela Superbrands Angola, consolidando a sua presença no mercado e reforçando a aposta na inovação como motor para o desenvolvimento dos serviços financeiros digitais no país.

Tecnologia espacial acelera exploração petrolífera nas bacias interiores de Angola


A tecnologia espacial está a transformar a forma como Angola conduz os estudos para a exploração de hidrocarbonetos. A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), em parceria com o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN), está a utilizar imagens de satélite e ferramentas de sensoriamento remoto para reforçar a investigação das bacias interiores do país, consideradas uma das principais fronteiras para a expansão da indústria petrolífera.

O projecto incide sobre as bacias de Kassanje e Etosha-Okavango, que ocupam uma área superior a 540 mil quilómetros quadrados. Devido às dificuldades de acesso, marcadas por relevo acidentado, vegetação densa e presença de fauna selvagem, a utilização de tecnologias geoespaciais tornou-se essencial para aumentar a eficiência das operações.

Com recurso à observação da Terra por satélite, as equipas conseguem identificar previamente as zonas de maior interesse geológico, planear as campanhas de campo com maior precisão, optimizar a logística e reduzir significativamente o tempo necessário para a recolha de dados.

Segundo a ANPG, durante uma apresentação técnica realizada no ANGOTIC 2026, a cobertura integral destas bacias através de métodos convencionais poderia exigir várias décadas de trabalho contínuo. O sensoriamento remoto permite concentrar os esforços nas áreas mais promissoras, reduzindo riscos operacionais e melhorando a eficiência das actividades de prospecção.

Além da identificação de áreas prioritárias, a iniciativa contempla a recolha orientada de amostras geológicas e geoquímicas, fundamentais para caracterizar as bacias e avaliar o potencial de ocorrência de petróleo e gás.

O projecto pretende ampliar o conhecimento geológico do território nacional, aumentar as reservas de hidrocarbonetos e promover o desenvolvimento económico de regiões ainda pouco exploradas.

Durante a apresentação, o presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, destacou que a observação da Terra a partir do espaço representa uma nova abordagem para o sector petrolífero angolano.

“O futuro da pesquisa onshore e offshore passa por observar a Terra a partir do espaço. As ferramentas geoespaciais permitem detectar anomalias e derrames com maior rapidez e rigor, e desafiam-nos a olhar para as bacias interiores de Angola com uma nova ambição: transformar áreas remotas e pouco conhecidas em oportunidades reais de conhecimento, segurança operacional e potencial exploratório.”

A iniciativa reforça o papel da tecnologia espacial como ferramenta estratégica para a modernização da indústria petrolífera nacional, demonstrando como a utilização de dados de satélite pode acelerar a descoberta de recursos naturais e apoiar uma exploração mais eficiente, sustentável e segura.