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UNITEL actualiza informação sobre o ciberataque

A operadora divulgou o comunicado às 08h45, ao abrigo do artigo 146.º do Código dos Valores Mobiliários, complementando as informações anteriormente prestadas. A comunicação enquadra-se nos deveres de informação a que a empresa passou a estar sujeita enquanto sociedade cotada.

Segundo a Unitel, o incidente foi detectado às 02h20 de 28 de Julho e afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, com impacto tanto nos clientes particulares como nos empresariais. A operadora refere, contudo, que os serviços fixos de telecomunicações suportados pela rede de fibra óptica e pelos feixes hertzianos, responsáveis pelas comunicações de várias instituições públicas e empresas, permaneceram operacionais e não sofreram qualquer interrupção.

A empresa informa que as equipas técnicas e de cibersegurança activaram de imediato os protocolos internos de resposta e contenção, acrescentando que o incidente se encontra sob controlo. Segundo o comunicado, foram mobilizados todos os recursos humanos e técnicos disponíveis para assegurar a recuperação integral dos serviços no menor prazo possível.

Quando o failover não salva

Reposição progressiva dos serviços

A Unitel informa que a recuperação dos serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet começou às 11h45 de 29 de Julho, de forma faseada e por regiões.

À data da emissão do comunicado, encontravam-se parcialmente restabelecidos os serviços móveis de voz, dados, com excepção do SMS, e acesso à Internet nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Cuando Cubango, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Icolo e Bengo, Malanje, Lunda-Norte e Namibe.

A operadora indicou ainda que a reposição parcial dos serviços nas restantes províncias estava prevista para o decorrer do mesmo dia.

No comunicado, a Unitel salienta que nunca tinha enfrentado um incidente com esta dimensão. A empresa afirma dispor de infra-estruturas e mecanismos de cibersegurança robustos, alinhados com as melhores práticas internacionais do sector, incluindo um Centro de Operações de Segurança (SOC), planos de continuidade de negócio, planos de recuperação de desastre e capacidades permanentes de monitorização de ameaças.

A operadora comprometeu-se a manter o mercado, os investidores e os seus clientes informados sobre qualquer desenvolvimento relevante, em cumprimento das obrigações legais aplicáveis às sociedades abertas. O comunicado foi emitido em Luanda.

Quando o failover não salva

A infraestrutura de um operador móvel está entre os sistemas mais redundantes alguma vez concebidos. Núcleos duplicados em localizações geográficas distintas, arquiteturas N+1, cópias de segurança regulares, circuitos com comutação automática e múltiplos níveis de alimentação de emergência fazem parte da concepção normal destas redes. Durante décadas, toda esta engenharia procurou responder à mesma questão: o que acontece se um centro de dados ou um elemento crítico deixar de funcionar?

O incidente que afectou a Unitel, em 28 de Julho, e que privou mais de 20 milhões de clientes de serviços de voz, dados e Internet durante mais de um dia, expôs uma limitação fundamental desse modelo. Toda esta redundância foi concebida para enfrentar falhas acidentais. Não foi concebida para travar um adversário que já se encontra dentro da rede. É precisamente esta diferença entre desastre acidental e ataque intencional que separa o disaster recovery tradicional do cyber recovery de que os operadores modernos necessitam.

O caso da Unitel constitui um exemplo particularmente útil porque a informação tornada pública, embora limitada, ilustra este problema com rara clareza. Os aspectos técnicos descritos baseiam-se em informações divulgadas por órgãos de comunicação social angolanos, citando fontes internas, bem como em inferências efectuadas a partir do comportamento visível da rede. A operadora não confirmou oficialmente a natureza do incidente. Ainda assim, o padrão observado corresponde a cenários amplamente conhecidos na indústria e permite retirar conclusões relevantes independentemente dos detalhes específicos.

Ciberataque à operadora japonesa KDDI expõe 12,2 milhões de e-mails

Anatomia de um comprometimento

De acordo com fontes citadas pela revista Economia & Mercado, o ataque terá consistido num ransomware que entrou através de uma aplicação de acesso remoto, encriptou dados e obrigou a uma recuperação profunda do centro de dados. Entre os sistemas afectados encontrava-se a plataforma de billing.

O cenário descrito segue um percurso de ataque relactivamente típico, sendo útil analisar cada fase porque cada uma exige mecanismos de defesa distintos.

Entrada através do acesso remoto

Raramente um ataque desta dimensão começa por atingir directamente o núcleo da rede. Normalmente explora o caminho de menor resistência: uma credencial comprometida, uma VPN vulnerável ou um portal de administração exposto.

O acesso remoto continua a representar uma das superfícies de ataque mais críticas nas organizações modernas. A resposta passa pela implementação sistemática de autenticação multifactor resistente a ataques de phishing, pela aplicação rigorosa do princípio do menor privilégio e pela eliminação de acessos administrativos directos a sistemas críticos sem passagem por bastion hosts devidamente monitorizados.

Movimento lateral

Entre a intrusão inicial e o momento do impacto decorre frequentemente um período de vários dias ou semanas. Durante esse tempo, o atacante explora a rede, obtém privilégios adicionais, identifica sistemas críticos e localiza cópias de segurança.

É nesta fase que os mecanismos de detecção devem actuar. Quando não existe capacidade para identificar comportamentos anómalos, uma intrusão localizada pode transformar-se num incidente de dimensão nacional.

Soluções EDR, monitorização da rede de gestão e mecanismos de alerta para movimentos laterais suspeitos são fundamentais para interromper a progressão do ataque antes da fase de destruição.

Encriptação e activação do ataque

O momento da execução não surge por acaso. É normalmente escolhido pelo atacante em função do impacto pretendido.

No caso da Unitel, o incidente ocorreu na véspera da entrada da empresa em bolsa, um detalhe que sugere que o atacante já se encontrava posicionado e aguardava pela altura considerada mais vantajosa.

Quando a encriptação é activada, a fase preventiva termina. A partir desse momento, a prioridade passa a ser a recuperação.

Por que o MPLS continuou operacional ?

O incidente revelou um comportamento interessante: enquanto os serviços de retalho ficaram indisponíveis, os circuitos MPLS empresariais continuaram a funcionar. Isto sugere que o ataque atingiu principalmente os sistemas de suporte, autenticação e facturação, sem comprometer a infraestrutura de transporte MPLS.

Esta situação demonstra que existia algum nível de segmentação eficaz na rede, capaz de impedir que o ataque se propagasse para todos os domínios da infraestrutura. No entanto, também evidencia que a segmentação interna dos serviços de retalho não foi suficiente para limitar a propagação dentro desse ambiente.

A principal lição é que a segmentação continua a ser um dos mecanismos mais importantes de resiliência. Conceitos como microssegmentação e Zero Trust não impedem necessariamente um comprometimento inicial, mas reduzem significativamente o seu impacto, limitando a capacidade de um atacante se mover lateralmente e transformar um incidente localizado numa falha generalizada.

A pergunta fundamental para qualquer arquitecto de rede é simples: se um sistema for comprometido, quantos outros sistemas ficarão afectados?

O erro de categoria: disaster recovery não é cyber recovery

A razão pela qual um operador de telecomunicações, mesmo com elevada redundância, pode permanecer indisponível durante mais de 24 horas após um ataque reside no facto de o Disaster Recovery (DR) ter sido concebido para responder a falhas acidentais, e não a ataques maliciosos.

O DR tradicional protege contra incidentes como incêndios, inundações, falhas eléctricas ou avarias de infraestruturas, através da replicação de sistemas para um local alternativo. No entanto, este modelo parte do princípio de que a cópia de segurança ou o sistema secundário permanecem íntegros.

O problema é que o ransomware compromete precisamente esse pressuposto. Se os dados ou sistemas afectados forem replicados para o ambiente de contingência, a corrupção propaga-se também para a infraestrutura redundante. Nestas circunstâncias, o failover deixa de ser uma solução, porque o sistema alternativo pode estar tão comprometido quanto o principal.

Quando a corrupção dos dados ou a encriptação são replicadas para os sistemas secundários, a redundância transforma-se num mecanismo de propagação. Ao activar o failover, a organização limita-se a mudar para uma cópia igualmente comprometida.

É por esta razão que organizações com infra-estruturas de recuperação geograficamente distribuídas continuam a enfrentar longos períodos de indisponibilidade após um ataque de ransomware.

A recuperação após um ataque de ransomware é muito mais complexa do que um simples failover. Exige identificar quando ocorreu o comprometimento, restaurar uma cópia de segurança anterior à corrupção, validar a sua integridade, eliminar completamente o atacante da infraestrutura e repor os serviços de forma controlada e faseada.

É neste contexto que surge o cyber recovery, como complemento ao disaster recovery tradicional. Este modelo assenta em backups imutáveis e isolados, validação regular das cópias de segurança, ambientes de recuperação limpos e procedimentos específicos para incidentes cibernéticos, especialmente ataques de ransomware.

Contudo, existe um risco que a recuperação técnica não resolve: a exfiltração de dados. Muitos ataques modernos copiam informação antes da encriptar, permitindo aos atacantes ameaçar a sua divulgação pública. Nestes casos, restaurar os sistemas devolve a disponibilidade dos serviços, mas não recupera a confidencialidade dos dados já comprometidos.

O caso da Unitel demonstra que a redundância tradicional não é suficiente para enfrentar ameaças cibernéticas. A segmentação da rede, a deteção precoce de movimentos laterais, a proteção dos acessos remotos e a existência de backups imutáveis e testados são factores determinantes para reduzir o impacto e o tempo de recuperação. Para operadores de telecomunicações, a resiliência cibernética deixou de ser apenas uma preocupação técnica, passando a constituir uma questão estratégica de continuidade de negócio e até de segurança nacional.

Hackers terão exigido 300 mil milhões de kwanzas à UNITEL após ataque cibernético

Os hackers responsáveis pelo ataque cibernético que afectou a infraestrutura tecnológica da UNITEL terão exigido um resgate de 300 mil milhões de kwanzas para desbloquear os sistemas da operadora. A informação foi avançada pela revista Economia & Mercado (E&M), que cita uma fonte ligada à empresa.

De acordo com a publicação, o valor exigido corresponde ao montante arrecadado recentemente com a venda de 15% das acções da UNITEL na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). Os atacantes terão solicitado que o pagamento fosse efectuado em criptomoedas, exigência que, segundo a mesma fonte, foi recusada pela operadora.

Ainda segundo a E&M, os atacantes conseguiram aceder à aplicação utilizada para acesso remoto e encriptaram parte dos dados da empresa, obrigando a uma intervenção técnica para recuperar os sistemas afectados.

“Invadiram a nossa aplicação para acesso remoto e conseguiram encriptar os nossos dados. Isso está a levar a uma grande intervenção técnica para recuperar o nosso Data Center”, afirmou uma fonte da UNITEL citada pela revista.

A recuperação dos serviços continua a decorrer de forma gradual. A publicação refere que as equipas técnicas permanecem a trabalhar para estabilizar a rede, incluindo os sistemas de billing, responsáveis pela facturação dos serviços.

A mesma fonte garantiu ainda que, apesar do incidente, os atacantes não conseguiram desviar quaisquer valores financeiros da empresa.

Até ao momento, a UNITEL não confirmou oficialmente os detalhes divulgados pela Economia & Mercado, nomeadamente o valor do alegado resgate nem a relação do ataque com o processo de venda das acções da operadora. A empresa limitou-se a informar que foi alvo de um ataque cibernético que afectou os serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet, assegurando que as equipas técnicas e de cibersegurança continuam a trabalhar na reposição integral da rede.

Ciberataque à operadora japonesa KDDI expõe 12,2 milhões de e-mails

KDDI, uma das maiores operadoras de telecomunicações do Japão, revelou que um ciberataque a uma plataforma de email utilizada por vários fornecedores de serviços de Internet (ISP) expôs mais de 12,2 milhões de endereços de correio electrónico e 7,6 milhões de palavras-passe de clientes.

A empresa tinha divulgado o acesso não autorizado em junho, mas só confirmou agora a dimensão do incidente, após concluir a investigação forense e apresentar um relatório ao Ministério das Comunicações do Japão.

Segundo a KDDI, os atacantes exploraram uma vulnerabilidade existente em software de terceiros utilizado pela plataforma de e-mail. A empresa afirma ter corrigido imediatamente a falha e alterado a configuração do sistema, acrescentando que a investigação não encontrou indícios de comprometimento para além da vulnerabilidade explorada.

O incidente afetou um sistema responsável pela gestão de contas de e-mail, serviços de webmail e armazenamento de mensagens para cinco operadores japoneses de Internet. A KDDI esclareceu que os seus próprios serviços de e-mail para clientes móveis e de acesso fixo à Internet funcionam em infraestruturas separadas e não foram afectados.

Cibersegurança: quando o excesso de ferramentas se torna um risco

A operadora indicou que muitos utilizadores já alteraram as respetivas palavras-passe e que os ISP afetados estão a concluir um processo obrigatório de reposição de credenciais nos próximos dias. “Estamos a analisar o impacto e a causa do incidente, a responder aos clientes em coordenação com os operadores de Internet e a implementar medidas para evitar situações semelhantes no futuro”, refere a empresa.

A KDDI é uma das três maiores operadoras de telecomunicações japonesas, operando a segunda maior rede móvel do país, além de fornecer serviços de banda larga, cloud, cibersegurança e centros de dados.

O incidente surge numa altura em que várias empresas japonesas têm divulgado problemas relacionados com cibersegurança. Nas últimas semanas, a seguradora Aflac Japan, a fabricante de componentes electrónicos Nidec e a cervejeira Sapporo Holdings anunciaram incidentes de segurança ou interrupções provocadas por ciberataques, sem que existam indicações de que os casos estejam relacionados.

Angola destaca modernização das Tecnologias de Informação em fórum regional

A posição foi apresentada pela delegação angolana no primeiro Fórum Anual de Digitalização Inclusiva da África Oriental e Austral (IDEA 2026), promovido pelo Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA), em parceria com o Banco Mundial.

Na ocasião, o consultor de Aquisições do Instituto de Modernização Administrativa (IMA), David Nhunga, apresentou o tema “Programa, Progressos, Lições Aprendidas e Prioridades Estratégicas”, no qual destacou os avanços alcançados com a implementação do Projecto de Aceleração Digital (PADA).

Durante a intervenção, reafirmou o empenho do Executivo na promoção da inclusão digital, na transformação digital da Administração Pública e na criação de um ecossistema digital seguro, resiliente e orientado para o crescimento económico sustentável.

O especialista apresentou, igualmente, os progressos registados na execução do PADA, as lições resultantes da implementação das políticas públicas e as prioridades nacionais que poderão contribuir para o reforço da agenda regional de transformação digital.

A delegação integra representantes do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), responsáveis pelas políticas públicas, entidades reguladoras e o ponto focal nacional do Projecto IDEA, assegurado pelo Instituto de Modernização Administrativa.

O fórum, iniciado na segunda-feira, constitui um espaço de avaliação dos resultados alcançados pelos países participantes, de partilha de experiências e de identificação das principais necessidades de apoio para a implementação do programa.

Na quarta-feira, terceiro dia do encontro, a delegação angolana participará no Diálogo de Alto Nível entre os Sectores Público e Privado sobre Investimento em Infra-estruturas Digitais, uma das sessões centrais do evento, dedicada à mobilização de parcerias, ao reforço dos mecanismos de financiamento e à identificação de soluções para acelerar os investimentos na economia digital da região.

O primeiro Fórum Anual de Digitalização Inclusiva para a África Oriental e Austral tem como objectivo acelerar a implementação do Projecto IDEA, destinado a expandir a conectividade, reforçar as infra-estruturas públicas digitais, harmonizar os quadros regulatórios e promover a utilização produtiva das tecnologias digitais em mais de 15 países da região.

O evento representa, igualmente, uma oportunidade para reforçar o posicionamento de Angola nos processos de integração digital regional e impulsionar a execução de políticas públicas alinhadas com os objectivos de desenvolvimento económico e social do país.

UNITEL confirma ataque cibernético com impacto nos serviços em todo o país

A UNITEL confirmou que foi alvo de um ataque cibernético na madrugada desta terça-feira, 28 de Julho, incidente que provocou constrangimentos nos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional.

Em comunicado, a operadora informa que o ataque foi registado por volta das 02h20, afectando parte da sua infra-estrutura tecnológica. Após a detecção do incidente, foram activados os mecanismos de resposta e contenção, com a mobilização imediata das equipas técnicas e de cibersegurança.

Segundo a empresa, os trabalhos de mitigação continuam em curso com o objectivo de estabilizar a rede e restabelecer integralmente os serviços afectados.

“Os mecanismos de resposta e contenção foram imediatamente activados, tendo sido mobilizadas as equipas técnicas e de cibersegurança, que continuam a trabalhar para mitigar os efeitos do incidente e assegurar a reposição integral dos serviços”, refere a UNITEL.

A operadora adianta que, até ao momento, os serviços permanecem condicionados, enquanto decorrem as intervenções necessárias para a normalização da rede.

A UNITEL garante que continuará a acompanhar a situação com prioridade máxima e promete manter os clientes informados sobre a evolução do incidente através dos seus canais oficiais.

UNITEL sem rede desde as primeiras horas do dia

Às quatro horas da manhã (horário de Luanda), a rede já se encontrava indisponível em várias regiões do país, o que começou a gerar preocupação entre utilizadores particulares e empresas que dependem diariamente das telecomunicações para as suas actividades.

Até ao momento, a operadora ainda não emitiu qualquer comunicado oficial a esclarecer as causas da falha nem apresentou uma previsão para a reposição integral dos serviços. A ausência de informação oficial tem levado muitos clientes a recorrer às redes sociais para reportar dificuldades de comunicação e procurar esclarecimentos sobre a ocorrência.

Os relatos apontam para falhas generalizadas, com muitos utilizadores a indicarem a impossibilidade de efectuar chamadas, enviar mensagens ou aceder à Internet móvel. Em algumas localidades do país, os telemóveis apresentam ausência total de sinal, enquanto outros serviços funcionam de forma intermitente.

Falhas em VPN expõem empresas a ransomware

Uma nova vaga de ataques está a explorar vulnerabilidades em equipamentos de acesso remoto e firewalls da Palo Alto NetworksFortinetCheck Point e Citrix, o que transforma estes sistemas na principal porta de entrada para ataques de ransomware contra redes empresariais.

Segundo a análise, grupos de cibercrime, incluindo afiliados da operação de Ransomware-as-a-Service Qilin, estão a combinar vulnerabilidades que permitem contornar mecanismos de autenticação, campanhas de roubo de credenciais e fraquezas em protocolos antigos para obter acesso às redes sem necessidade de credenciais válidas.

Uma vez comprometidos os sistemas, os atacantes avançam rapidamente para movimentos laterais, exfiltração de dados e implementação de ransomware, muitas vezes poucos dias após a divulgação pública das vulnerabilidades.

Cibersegurança: quando o excesso de ferramentas se torna um risco

O relatório identifica quatro campanhas distintas. A primeira, designada Fortibleed, permitiu comprometer credenciais de dezenas de milhares de firewalls FortiGate expostos à Internet, explorando fragilidades conhecidas no armazenamento de palavras-passe e sistemas sem atualizações de segurança. Investigadores estimam que entre 30 mil e 75 mil dispositivos tenham sido afetados em 194 países.

Outra campanha explora a vulnerabilidade CVE-2026-0257 no GlobalProtect, da Palo Alto Networks. A falha permite forjar cookies de autenticação e estabelecer sessões VPN sem necessidade de palavra-passe ou autenticação multifactor, desde que determinadas configurações estejam ativadas. A vulnerabilidade já está a ser explorada por afiliados do grupo Qilin.

No caso da Check Point, os atacantes recorrem à vulnerabilidade CVE-2026-50751, que afeta implementações de VPN configuradas com o protocolo legado IKEv1. A falha permite contornar a autenticação e criar sessões VPN não autorizadas, tendo sido igualmente associada a operações do grupo Qilin.

A quarta campanha incide sobre o NetScaler ADC e NetScaler Gateway, da Citrix. A vulnerabilidade CVE-2026-8451 permite a divulgação de fragmentos de memória dos equipamentos através de pedidos SAML especialmente manipulados, podendo facilitar ataques subsequentes. Segundo o relatório, as primeiras tentativas de exploração surgiram menos de 24 horas após a divulgação da falha.

Os investigadores alertam para o facto de equipamentos VPN e firewalls expostos à Internet se terem tornado num dos principais vetores de acesso inicial utilizados por operadores de ransomware, por estarem permanentemente acessíveis e, em muitos casos, utilizarem firmware desatualizado ou protocolos antigos por razões de compatibilidade.

Entre os setores mais visados encontram-se saúde, educação, indústria, administração pública, comunicação social e infraestruturas críticas, sobretudo nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Europa Ocidental.

Como medidas de mitigação, os investigadores recomendam a atualização imediata dos equipamentos afetados, a rotação das credenciais administrativas e de acesso VPN, a desativação de funcionalidades e protocolos antigos sempre que possível, a adoção de autenticação multifactor resistente a phishing e o reforço da monitorização dos registos de autenticação e atividade nas redes.

Cibersegurança: quando o excesso de ferramentas se torna um risco

Cada investimento pode responder a uma necessidade real. No entanto, o resultado é frequentemente um ambiente com mais consolas, mais licenças, mais alertas e menos clareza sobre quem assume a responsabilidade quando ocorre um incidente.

Para os revendedores e fornecedores de serviços geridos (MSP), a resposta não passa por adicionar mais um produto a uma infraestrutura já saturada. O verdadeiro valor do canal está na redução da complexidade operacional, ajudando os clientes a identificar áreas onde a protecção se encontra fragmentada, onde existem sobreposições entre controlos e onde persistem lacunas entre a detecção e a resposta.

A complexidade tornou-se um risco de segurança

Uma grande diversidade de ferramentas pode transmitir uma falsa sensação de segurança, ao mesmo tempo que dificulta a gestão do ambiente tecnológico. Cada produto gera os seus próprios alertas, políticas, relatórios e ciclos de renovação. As equipas de segurança precisam de correlacionar eventos entre diferentes plataformas, manter integrações e determinar quais os incidentes que exigem atenção prioritária.

Este desafio torna-se ainda mais significativo em organizações com equipas reduzidas. Uma empresa pode dispor de tecnologias avançadas e, ainda assim, não ter recursos suficientes para assegurar uma monitorização contínua, investigar actividades suspeitas ou responder rapidamente antes que um atacante se mova entre identidades, endpoints, redes e serviços cloud.

É possível que um cliente esteja bem protegido em áreas específicas e continue vulnerável nas zonas de interligação entre sistemas. Mais cobertura não significa necessariamente mais fornecedores. Em muitos casos, a prioridade deve ser a definição de um modelo operacional mais claro antes da implementação de novos controlos.

Começar pelo modelo operacional do cliente

A estratégia de segurança adequada depende do perfil de risco da organização, da sua capacidade interna, dos investimentos já realizados e do nível de responsabilidade operacional que pretende assumir.

Algumas organizações preferem gerir a segurança internamente e necessitam apenas de maior visibilidade e controlo. Outras valorizam a colaboração de um parceiro que partilhe as responsabilidades de monitorização e resposta. Já as empresas sem um Centro de Operações de Segurança (SOC) dedicado podem necessitar de competências especializadas disponíveis 24 horas por dia através de um serviço gerido.

A tecnologia deve adaptar-se a estas realidades operacionais. Impor o mesmo modelo a todos os clientes gera ineficiência e pode comprometer a confiança tanto na solução como no parceiro.

Uma avaliação eficaz começa com questões fundamentais: quem monitoriza as ameaças fora do horário de expediente? Quem valida os alertas? Quem possui autoridade para isolar um endpoint ou bloquear actividade maliciosa? Quem coordena a resposta quando vários sistemas são afectados?

As respostas permitem determinar se o cliente necessita de melhores ferramentas, de maior integração entre soluções, de suporte especializado externo ou de uma combinação destes factores.

A consolidação deve facilitar a resposta

A consolidação de plataformas faz sentido quando reduz o esforço necessário para compreender e mitigar riscos. A integração da segurança de rede, da protecção de endpoints, da gestão de identidades, do acesso seguro e da detecção multiplataforma num único ambiente de gestão pode proporcionar uma visão mais consistente da postura de segurança do cliente.

A flexibilidade fortalece o modelo de serviço

Os revendedores devem estar preparados para apoiar diferentes modelos operacionais: gestão integral pelo cliente, responsabilidade partilhada através de serviços co-geridos ou uma abordagem totalmente gerida quando se exige monitorização permanente e resposta especializada.

A credibilidade da recomendação aumenta quando a conversa parte das limitações e necessidades reais do cliente, em vez de privilegiar a arquitectura preferida do fornecedor.

Esta flexibilidade cria igualmente oportunidades de negócio recorrentes. Um cliente pode iniciar o seu percurso com a renovação de uma firewall ou a implementação de MFA e, posteriormente, expandir para protecção de endpoints, SASE, XDR ou MDR à medida que as suas necessidades evoluem.

Uma plataforma integrada proporciona ao parceiro um caminho estruturado para esse crescimento. Em simultâneo, a facturação recorrente e um modelo orientado para o canal contribuem para uma prestação de serviços previsível e para a geração de receitas sustentáveis.

O suporte local continua a ser essencial

A tecnologia não substitui as pessoas. Os revendedores continuam a necessitar de apoio no desenho de soluções, posicionamento comercial, integração de clientes, formação e escalamento de situações críticas.

O suporte técnico e comercial local pode determinar se uma plataforma simplifica efectivamente a prestação de serviços ou se representa apenas mais uma relação com fornecedor que o parceiro precisa de gerir.

Em última análise, uma estratégia de cibersegurança eficaz assenta na redução da complexidade desnecessária, na consolidação inteligente de soluções e no alinhamento do modelo operacional com a capacidade real do cliente. É desta forma que o canal transforma a complexidade da cibersegurança num serviço mais claro, numa relação mais sólida com o cliente e num negócio mais sustentável.

Programa de digitalização do MININT garante Leão de Ouro na FILDA 2026

O Ministério do Interior (MININT) foi distinguido com o Leão de Ouro na categoria de Melhor Serviço Público e Utilidade Pública, durante a Gala Leões de Ouro 2026, que premiou as melhores participações da 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA 2026).

A distinção reconhece o trabalho desenvolvido pelo Ministério na modernização dos serviços públicos, com destaque para a implementação de soluções digitais que tornam o atendimento aos cidadãos mais rápido, eficiente e acessível.

Durante a FILDA 2026, o MININT apresentou o Programa de Apoio ao Utente, uma iniciativa que permitiu reduzir significativamente o tempo de espera para a emissão e entrega do Passaporte Electrónico e da Carta de Condução, através da optimização dos processos e da utilização de novas ferramentas tecnológicas.

O prémio reforça o reconhecimento do esforço da instituição na transformação digital dos serviços públicos, privilegiando a inovação, a eficiência e a melhoria da experiência dos cidadãos no acesso aos serviços do Estado.

A Gala Leões de Ouro distingue, anualmente, empresas e instituições que mais se destacam na FILDA pela inovação, qualidade dos serviços apresentados e impacto económico e social, sendo considerada um dos principais momentos de reconhecimento do maior certame empresarial de Angola.