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Angola prepara produção local de drones para Agricultura, Mineração e Petróleo e Gás

Angola prepara-se para avançar com a produção local de drones destinados a apoiar diferentes sectores da economia nacional, com aplicações previstas para áreas como Agricultura, Mineração, Petróleo e Gás e investigação.

A informação foi avançada esta segunda-feira, em Luanda, pelo presidente da Câmara de Comércio Americana em Angola (AMCHAM), Pedro Godinho, que destacou o potencial da iniciativa para aumentar a capacidade tecnológica do país e criar novas soluções para actividades económicas.

Segundo o responsável, a produção nacional de drones poderá contribuir para diversificar a economia e ampliar a utilização de tecnologias no acompanhamento de operações, monitorização de áreas, levantamento de dados e realização de actividades de investigação.

No sector agrícola, os equipamentos poderão apoiar operações de monitorização e acompanhamento das áreas de cultivo, enquanto na mineração e no sector petrolífero poderão ser utilizados na recolha de dados, levantamento de terrenos e acompanhamento de operações em zonas de difícil acesso.

A aposta na produção local poderá ainda contribuir para o desenvolvimento de competências nacionais ligadas à robótica, electrónica, software e sistemas autónomos, criando novas oportunidades para empresas e profissionais angolanos ligados à tecnologia.

Fonte: J’A

MINFIN vai investir 19 milhões de dólares em licenças e serviços da Microsoft

O Ministério das Finanças (MINFIN) vai investir 19 milhões de dólares na aquisição de licenças, subscrições e serviços especializados da Microsoft, num processo destinado a garantir a continuidade dos sistemas tecnológicos da instituição.

A despesa foi autorizada pelo Presidente da República, João Lourenço, através do Despacho Presidencial n.º 268/26, de 5 de Agosto, que prevê a renovação das licenças e subscrições da Microsoft actualmente utilizadas pelo MINFIN.

Segundo o despacho, a contratação tem como objectivo assegurar o funcionamento contínuo dos sistemas de informação, reforçar a segurança dos dados institucionais e manter os mecanismos de colaboração e comunicação electrónica do Ministério das Finanças e dos seus órgãos.

Os serviços deverão também contribuir para garantir a integridade, confidencialidade e disponibilidade dos dados, assegurando que a informação financeira seja mantida de forma fiável, rastreável, auditável e protegida.

A contratação será realizada através de um procedimento de Contratação Simplificada, cuja condução e aprovação das respectivas peças foram delegadas à titular do Ministério das Finanças.

O investimento surge no âmbito da necessidade de manter e reforçar a infraestrutura tecnológica utilizada pelo MINFIN, sobretudo num contexto em que os serviços públicos dependem cada vez mais de plataformas digitais para a gestão, processamento e segurança da informação financeira do Estado.

Fonte: E&M

Angola avança na Inteligência Artificial, da experiência à infraestrutura

Assim como aconteceu em anteriores ciclos de transformação tecnológica m Angola, é o sector financeiro que assume a liderança. O Banco Angolano de Investimentos deu um passo significativo com o lançamento da Luena, um assistente virtual que representa mais do que um simples chatbot. Trata-se do primeiro sinal de uma nova geração de agentes digitais que, à semelhança do que já acontece em mercados mais avançados, poderá evoluir para desempenhar funções de gestão de atendimento digital e aconselhamento financeiro personalizado.

O Millennium Atlântico e o Standard Bank Angola seguem uma trajectória semelhante, com este último a explorar soluções assentes em agentes digitais autónomos. Do lado da supervisão, o Banco Nacional de Angola (BNA) já utiliza sistemas automatizados de deteção de fraude. Este caso de uso é particularmente relevante porque exige a recolha, o transporte e a análise de grandes volumes de dados transaccionais em tempo quase real. Sem uma infraestrutura de rede robusta e resiliente, nenhuma destas soluções consegue operar com eficácia.

Petróleo, Estado e saúde

No sector petrolífero, a inteligência artificial já desempenha um papel activo na optimização das operações. A SLB (antiga Schlumberger), presente em Angola há mais de cinco décadas, inaugurou em Luanda o seu Africa Performance Center, onde utiliza IA para monitorizar e gerir remotamente actividades de exploração. No Bloco 15, a ExxonMobil reduziu em cerca de 60% o tempo necessário para realizar inspecções através da utilização de drones autónomos e sistemas de visão computacional. Por sua vez, a TotalEnergies recorre ao processamento inteligente de dados sísmicos 3D, alcançando ganhos de eficiência na ordem dos 30%.

Estes exemplos demonstram como a inteligência artificial pode gerar benefícios concretos através da manutenção preditiva, da optimização operacional e da maximização do desempenho de activos produtivos, sobretudo em campos petrolíferos maduros.

No sector público, um dos marcos mais relevantes foi a inauguração do novo data center e plataforma cloud do Estado, resultado de um investimento de 89 milhões de dólares, concebido para integrar informação e serviços de diferentes organismos governamentais. Na Assembleia Nacional, sistemas de reconhecimento de voz permitem transcrever automaticamente as sessões parlamentares, acelerando a produção de actas e reforçando a eficiência administrativa.

Na área da saúde, a TIS Tech tem vindo a desenvolver um ecossistema digital assente na integração entre software e inteligência artificial, criando soluções de apoio ao diagnóstico e à gestão clínica. Embora ainda numa fase de consolidação, estas iniciativas evidenciam o potencial da IA para melhorar a qualidade e a acessibilidade dos serviços de saúde.

A barreira que ninguém pode ignorar

É precisamente neste ponto que reside o maior desafio. Toda esta camada de inovação assenta sobre uma base estrutural que continua a revelar fragilidades significativas.

Segundo dados do INACOM, apenas cerca de 48% da população dispõe de acesso regular à Internet, com uma forte concentração da conectividade nos principais centros urbanos. A cobertura 5G abrange apenas cerca de 34% dos habitantes e a disponibilidade de energia eléctrica continua desigual em várias regiões do território.

Num contexto marcado pela Indústria 4.0, onde convergem tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), o Big Data e a Inteligência Artificial, a conectividade deixou de ser um factor secundário. A qualidade, a cobertura e a estabilidade das redes são hoje elementos essenciais para a competitividade económica e para o desenvolvimento tecnológico.

Nenhum modelo de inteligência artificial, por mais avançado que seja, consegue compensar a ausência de conectividade na última milha ou a instabilidade dos serviços de telecomunicações. Por essa razão, a exclusão digital permanece como um dos principais obstáculos à transformação tecnológica do País.

Soberania de dados e o próximo passo

A expansão da capacidade de processamento e armazenamento em Angola constitui um avanço estratégico de grande relevância. O crescimento da infraestrutura nacional de data centers cria condições para alojar e processar localmente aplicações críticas, reforçar a protecção dos dados e reduzir a dependência de plataformas externas.

Do ponto de vista da infraestrutura tecnológica, este poderá ser o desenvolvimento mais importante da próxima década. A soberania digital não resulta de decisões políticas isoladas; constrói-se através da existência de capacidade computacional, armazenamento seguro e redes de comunicações fiáveis instaladas em território nacional.

Angola dispõe de um potencial significativo e já apresenta casos concretos em que a inteligência artificial gera valor económico e operacional. Contudo, o sucesso desta transformação dependerá muito menos dos algoritmos e muito mais dos seus alicerces: conectividade, energia, governação de dados, cibersegurança e qualificação de recursos humanos.

Sem o reforço destes pilares fundamentais, o País corre o risco de limitar-se ao consumo de tecnologias desenvolvidas no exterior, em vez de criar as condições necessárias para desenvolver soluções próprias, adaptadas aos seus desafios e prioridades.

Lei contra informações falsas na internet entra em vigor em Angola e prevê penas até 10 anos de prisão

A Lei Contra Informações Falsas na Internet já está oficialmente em vigor em Angola, após a sua publicação no Diário da República, passando a estabelecer um novo quadro legal para a responsabilização criminal da divulgação de conteúdos falsos no ambiente digital.

O diploma, identificado como Lei n.º 6/26, foi publicado na I Série, n.º 146, de 4 de Agosto de 2026, e define penas que variam entre um e dez anos de prisão, consoante a gravidade da infração.

De acordo com a nova legislação, a divulgação de informações falsas na internet pode ser punida com penas de um a três anos de prisão. Quando os conteúdos incitarem ao ódio ou atentarem contra o bom nome e a reputação de pessoas ou instituições, as penas podem variar entre três e oito anos. Já nos casos em que a divulgação comprometa processos eleitorais ou coloque em causa a segurança do Estado, a pena pode atingir até 10 anos de prisão.

Além da responsabilização dos autores das publicações, a lei estabelece obrigações para as plataformas digitais, que passam a ter de implementar mecanismos de transparência e adotar medidas para a remoção de conteúdos ilícitos, sob pena de responsabilização nos termos da legislação.

A proposta foi apresentada pelo Executivo e aprovada pela Assembleia Nacional em maio deste ano, com 105 votos favoráveis do MPLA, FNLA, PRS e PHA. A UNITA votou contra, com 72 votos, alegando que o diploma contém normas contraditórias e poderá abrir espaço para a criminalização de utilizadores das redes sociais, além de levantar preocupações quanto à transparência da sua aplicação.

Com a entrada em vigor da nova lei, Angola passa a dispor de um regime jurídico específico para o combate à disseminação de informações falsas na internet, num contexto de crescente debate sobre a regulação das plataformas digitais, a segurança no ciberespaço e a liberdade de expressão.

Angola precisa de transformar infra-estruturas em utilização efectiva, competências e resultados económicos, defende Director da New Cognito

Angola dispõe de infra-estruturas tecnológicas modernas, mas precisa de acelerar a sua utilização efectiva para gerar impacto económico e social. A posição foi defendida por Hélio Santana, Director de Serviços ao Cliente da New Cognito, durante a primeira edição do Rota 404 Experience, realizada no dia 1 de Agosto, em Luanda.

Na sua intervenção, subordinada ao tema “Da Incerteza à Oportunidade”, o responsável afirmou que o principal desafio já não passa apenas pela construção de infra-estruturas, mas pela capacidade de transformá-las em serviços digitais, maior conectividade e oportunidades para empresas e cidadãos.

“Angola tem infra-estruturas modernas e de elevado nível, superiores às de muitas realidades africanas, mas continuamos a não tirar pleno partido delas. Precisamos de transformar essa capacidade instalada em utilização efectiva, competências e resultados económicos”, afirmou.

Ao abordar o futuro do trabalho, Hélio Santana destacou que, até 2030, poderão ser criados cerca de 170 milhões de novos postos de trabalho a nível global, enquanto 92 milhões de funções poderão ser substituídas ou profundamente transformadas pela evolução tecnológica.

Segundo o especialista, Angola reúne condições favoráveis para beneficiar desta transformação graças à sua população jovem, ao crescimento da utilização das tecnologias móveis e ao potencial ainda existente para acelerar a maturidade digital.

Apesar das oportunidades, o Director da New Cognito identificou vários obstáculos ao crescimento do ecossistema digital angolano, entre os quais a limitada conectividade de banda larga, os elevados custos de acesso à internet, a escassez de profissionais especializados, a reduzida maturidade digital das organizações e os desafios relacionados com a cibersegurança.

Ainda assim, considera que sectores como FinTech, GovTech, EdTech, HealthTech, AgriTech e logística representam oportunidades para o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras, defendendo igualmente um maior investimento em Centros de Operações de Segurança (SOC), monitorização contínua e protecção de dados.

Durante a sessão, Hélio Santana incentivou estudantes e profissionais do sector tecnológico a apostarem na especialização, sobretudo nas áreas de programação e integração de sistemas.

O responsável defendeu ainda uma arquitectura tecnológica baseada em sistemas especializados e integrados, em vez de plataformas únicas que concentram todas as funcionalidades, reduzindo assim riscos operacionais e aumentando a resiliência das organizações.

Projecto de satélite partilhado da SADC pretende reforçar conectividade e desenvolvimento tecnológico na região

O Projecto de Satélite Partilhado da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) deverá reforçar a conectividade regional e acelerar o desenvolvimento tecnológico dos Estados-membros, através da criação de uma infraestrutura espacial comum para serviços de comunicação, observação da Terra e gestão de emergências.

A visão foi apresentada pelo secretário de Estado para as Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Ângelo Miguel Buta João, durante a abertura da 3.ª Reunião Preparatória da SADC para a Conferência Mundial de Radiocomunicações (WRC-27), que decorre em Luanda.

Segundo o governante, o projecto representa uma estratégia de integração regional baseada na partilha de infra-estruturas espaciais, optimização dos recursos disponíveis e desenvolvimento de competências técnico-científicas, permitindo que a região desenvolva soluções próprias para responder aos desafios tecnológicos do continente africano.

“Este projecto representa uma visão estratégica de integração regional, assente na partilha de infra-estruturas, na optimização dos recursos espaciais e no desenvolvimento de competências técnico-científicas”, afirmou.

Além de expandir o acesso às comunicações por satélite, a iniciativa deverá apoiar áreas estratégicas como a monitorização do território, gestão de desastres naturais e prestação de serviços essenciais aos países da SADC.

Durante a intervenção, Ângelo Miguel Buta João destacou que a transformação digital passou a ser um dos principais motores do desenvolvimento económico e social, defendendo uma cooperação regional mais forte para enfrentar os desafios tecnológicos, regulamentares e operacionais do sector.

O governante recordou ainda que Angola desempenha um papel estratégico nas telecomunicações da região, nomeadamente através da transmissão do sinal regional pelo ANGOSAT-2, além da participação activa na harmonização das posições da SADC para a Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2027.

Segundo explicou, as decisões que vierem a ser adoptadas na WRC-27 terão impacto directo na evolução das redes móveis, dos sistemas de satélites geoestacionários e não geoestacionários, das comunicações aeronáuticas e marítimas, bem como em serviços científicos, de observação da Terra e outras tecnologias emergentes.

Proposta de Lei da Cibersegurança regressa às comissões da Assembleia Nacional para discussão na especialidade

A Proposta de Lei da Cibersegurança regressa esta segunda-feira (03), às comissões especializadas da Assembleia Nacional, onde os deputados retomam a discussão na especialidade do diploma apresentado pelo Executivo.

A iniciativa legislativa tem como principal objectivo estabelecer um quadro jurídico para reforçar a segurança cibernética em Angola, criando mecanismos de prevenção, protecção e resposta a incidentes que possam afectar redes informáticas, sistemas digitais e infra-estruturas críticas do Estado.

Durante a análise, os parlamentares deverão debruçar-se sobre as medidas propostas para aumentar a resiliência cibernética das instituições públicas e privadas, bem como sobre os instrumentos destinados a proteger os cidadãos e os serviços essenciais face às crescentes ameaças no espaço digital.

A proposta surge num contexto em que a transformação digital tem acelerado em diversos sectores da economia angolana, tornando a cibersegurança um elemento estratégico para garantir a continuidade dos serviços, a protecção dos dados e a confiança nas plataformas digitais.

Depois de concluída a discussão na especialidade, o diploma seguirá para votação final global na Assembleia Nacional, constituindo um passo importante para o fortalecimento do quadro legal da segurança digital em Angola.

Fonte: J’A

Angola aprova diploma para impulsionar os negócios electrónicos

O Projecto de Lei de Autorização Legislativa, discutido e votado na III Reunião Plenária Extraordinária, visa conferir ao Presidente da República, enquanto Titular do Poder Executivo, competência para aprovar o regime jurídico que vai regular a utilização da assinatura electrónica e da certificação digital, instrumentos considerados fundamentais para reforçar a segurança, autenticidade e validade jurídica das transacções e documentos electrónicos.

De acordo com o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas Albino, em representação do Executivo, a medida insere-se no processo de modernização da Administração Pública e de promoção da transformação digital no país.

O governante acrescentou que o projecto de lei está alinhado com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n.º 9 e 11 da Agenda 2030 das Nações Unidas, relativos à inovação industrial, infraestruturas robustas e cidades sustentáveis. A medida visa consolidar a soberania digital de Angola por meio de ecossistemas de confiança que garantam a segurança, a integridade e a resiliência dos serviços públicos do Estado.

“Esta iniciativa resulta da crescente desmaterialização da Administração Pública, da expansão do comércio electrónico e dos serviços digitais, bem como da necessidade urgente de garantir segurança jurídica às transacções desmaterializadas e alinhar o país com as melhores práticas internacionais”, sublinhou.

Com esta iniciativa, explicou Nuno Caldas Albino, o Governo pretende modernizar a Administração Pública, reduzir tempo e custos, e tornar os processos mais céleres e eficientes para o cidadão, garantindo sempre a protecção de dados e a salvaguarda dos direitos dos utilizadores.

Para as empresas, a medida assegurará a facilitação do comércio electrónico, a redução de custos operacionais e a optimização do tempo, além de elevar a confiança nas transacções desmaterializadas, reforçou o secretário de Estado.

O governante acrescentou que este conjunto de instrumentos normativos concorre para a edificação de uma infraestrutura jurídica e institucional robusta, alinhada com as exigências de desenvolvimento da sociedade digital.

O secretário de Estado concluiu que a entrada em vigor do diploma será um passo irreversível para garantir a validade jurídica de actos digitais, permitindo que cidadãos, empresas e instituições realizem transacções seguras, eficientes e em total conformidade com a lei.

IA da Anthropic invadiu sistemas reais de três empresas

A investigação surgiu depois de a OpenAI ter divulgado um incidente semelhante, no qual dois agentes de IA ultrapassaram as restrições de um ambiente de testes e alcançaram serviços externos na internet. Em resposta, a Anthropic analisou mais de 141 mil execuções de avaliação e identificou três casos em que o Claude conseguiu alcançar redes externas e aceder a sistemas reais.

Os incidentes ocorreram durante exercícios do tipo capture-the-flag (CTF), nos quais o modelo recebe a missão de encontrar uma informação secreta numa rede simulada. No entanto, devido a falhas no ambiente de testes, o modelo acabou por interagir com sistemas reais.

A origem do incidente foi um erro de configuração. Um mal-entendido entre a Anthropic e o parceiro externo Irregular fez com que ambientes que deveriam estar isolados permanecessem ligados à internet pública, apesar de o modelo ter sido informado de que não possuía acesso à rede.

Num dos exercícios, a empresa fictícia utilizada no cenário tinha o mesmo nome de uma organização real. Após obter acesso à internet, o Claude encontrou o domínio verdadeiro e tratou-o como parte do desafio. A partir daí, explorou vulnerabilidades básicas, como palavras-passe fracas, serviços sem autenticação, páginas de depuração expostas e falhas de injeção SQL, conseguindo aceder a uma base de dados de produção.

O modelo não utilizou vulnerabilidades desconhecidas nem tentou fugir deliberadamente do ambiente de testes. O sucesso resultou da exploração de falhas de segurança elementares que deveriam ter sido corrigidas através de boas práticas de administração e proteção de redes.

Agente da OpenAI escapou de testes e invadiu servidores da Hugging Face

Os incidentes envolveram o Claude Opus 4.7, o Claude Mythos 5 e um modelo interno de investigação. O caso mais grave ocorreu com o Opus 4.7, que identificou que estava perante um sistema real e, ainda assim, prosseguiu com as ações previstas no exercício. A Anthropic suspendeu imediatamente as avaliações, investigou os incidentes e notificou as organizações afetadas.

O episódio demonstra a importância do isolamento efetivo dos ambientes de teste e da segmentação adequada das redes. Mostra também que vulnerabilidades simples, como credenciais fracas e serviços desprotegidos, continuam a representar riscos significativos quando enfrentam agentes de IA capazes de executar múltiplas etapas de ataque em poucos segundos.

À medida que a IA evolui de simples assistentes para agentes autónomos com capacidade de ação, a segurança perimetral, a segmentação de rede e a contenção dos ambientes de teste tornam-se ainda mais críticas. O incidente demonstra que erros básicos de configuração podem transformar rapidamente um exercício controlado num acesso indevido a sistemas reais.

UNITEL actualiza informação sobre o ciberataque

A operadora divulgou o comunicado às 08h45, ao abrigo do artigo 146.º do Código dos Valores Mobiliários, complementando as informações anteriormente prestadas. A comunicação enquadra-se nos deveres de informação a que a empresa passou a estar sujeita enquanto sociedade cotada.

Segundo a Unitel, o incidente foi detectado às 02h20 de 28 de Julho e afectou os serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet em todo o território nacional, com impacto tanto nos clientes particulares como nos empresariais. A operadora refere, contudo, que os serviços fixos de telecomunicações suportados pela rede de fibra óptica e pelos feixes hertzianos, responsáveis pelas comunicações de várias instituições públicas e empresas, permaneceram operacionais e não sofreram qualquer interrupção.

A empresa informa que as equipas técnicas e de cibersegurança activaram de imediato os protocolos internos de resposta e contenção, acrescentando que o incidente se encontra sob controlo. Segundo o comunicado, foram mobilizados todos os recursos humanos e técnicos disponíveis para assegurar a recuperação integral dos serviços no menor prazo possível.

Quando o failover não salva

Reposição progressiva dos serviços

A Unitel informa que a recuperação dos serviços móveis de voz, dados e acesso à Internet começou às 11h45 de 29 de Julho, de forma faseada e por regiões.

À data da emissão do comunicado, encontravam-se parcialmente restabelecidos os serviços móveis de voz, dados, com excepção do SMS, e acesso à Internet nas províncias de Luanda, Bengo, Benguela, Bié, Cuando Cubango, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Cunene, Huambo, Huíla, Icolo e Bengo, Malanje, Lunda-Norte e Namibe.

A operadora indicou ainda que a reposição parcial dos serviços nas restantes províncias estava prevista para o decorrer do mesmo dia.

No comunicado, a Unitel salienta que nunca tinha enfrentado um incidente com esta dimensão. A empresa afirma dispor de infra-estruturas e mecanismos de cibersegurança robustos, alinhados com as melhores práticas internacionais do sector, incluindo um Centro de Operações de Segurança (SOC), planos de continuidade de negócio, planos de recuperação de desastre e capacidades permanentes de monitorização de ameaças.

A operadora comprometeu-se a manter o mercado, os investidores e os seus clientes informados sobre qualquer desenvolvimento relevante, em cumprimento das obrigações legais aplicáveis às sociedades abertas. O comunicado foi emitido em Luanda.