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Domingo, Abril 5, 2026
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Conselho Consultivo do MINTTICS debate conectividade e transformação digital em Malanje

Na abertura do encontro, o governador provincial de Malanje, Marcos Nhunga, foi peremptória: os sinais de rádio, televisão e internet ainda não chegam a todas as localidades do território.

Marcos Nhunga, sublinhou que a conectividade digital deixou de ser um luxo para se tornar um direito fundamental. Sem acesso à internet e à telefonia, argumentou a autoridade provincial, ficam comprometidas iniciativas estruturantes como o Governo Electrónico, o ensino à distância, a telemedicina e a modernização da agricultura familiar.

“A conectividade digital é, hoje, um direito fundamental. Sem sinal de internet e telefonia, fica inviável a implementação plena do Governo electrónico, o acesso ao ensino à distância, a telemedicina e a modernização da agricultura familiar.”

Entre os pedidos formais dirigidos ao Executivo, destacou-se a necessidade de requalificação das infra-estruturas da Angola Telecom e dos Correios de Angola, com apelo explícito à renovação de equipamentos e instalações. A modernização em curso da Rádio Nacional de Angola (RNA) e da Televisão Pública de Angola (TPA) foi recebida com satisfação, com o Governo Provincial a exigir o cumprimento rigoroso dos prazos de execução para eliminar as chamadas “áreas cinzentas”.

Malanje apresentou-se como candidata a polo de inovação tecnológica para a região norte, condicionando essa ambição ao apoio do Executivo na eliminação dos vazios de cobertura e na digitalização completa do território provincial.

Angola conta com mais de 28 milhões de subscritores móveis

Já o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, abriu o Conselho Consultivo que decorre em Malanje com um diagnóstico sobre a transformação digital em curso à escala global. Segundo o governante, o país vive os efeitos de uma mudança de paradigma impulsionada pela inteligência artificial, pela internet das coisas, pelo big data e pela automação, e estão a ser criadas condições para que Angola participe activamente na nova economia digital com responsabilidade, inclusão e visão de futuro.

Ainda assim, o ministro reconheceu que persistem desafios estruturais a superar, com destaque para o acesso à internet, uma limitação que continua a afectar milhões de cidadãos em solo nacional e no resto do mundo.

Mário Oliveira considerou os resultados alcançados encorajadores e afirmou que Angola segue no caminho certo. O país ultrapassou as metas de cobertura das tecnologias 3G e 4G previstas no Plano de Desenvolvimento Nacional e avança de forma consistente na implementação do 5G.

O titular da pasta admitiu, porém, que a satisfação não é total. “Temos consciência de que é necessário fazer mais para melhorar a qualidade dos serviços, reforçar os indicadores do sector e aumentar o seu contributo para o Produto Interno Bruto”, sublinhou.

O encontro serviu igualmente de palco para abordar os riscos associados ao uso irresponsável das tecnologias de informação. A autoridade provincial alertou para a disseminação de desinformação e para a utilização das ferramentas digitais com o propósito de denegrir instituições e indivíduos, apelando aos especialistas presentes ao desenvolvimento de estratégias capazes de identificar e responsabilizar os autores de conteúdos falsos. O baixo índice de literacia mediática da população foi citado como factor agravante da vulnerabilidade ao fenómeno das fake news.

Angola conta com mais de 28 milhões de subscritores móveis

Segundo Mário Oliveira, apesar dos resultados alcançados, há metas de cobertura a serem alcançadas. O país conta com tecnologias 3G e 4G no Plano de Desenvolvimento Nacional e avança para a implementação do 5G.

“Ainda não estamos satisfeitos, temos consciência que é necessário fazer mais, melhorara a qualidade dos serviços e reforçar os indicadores do sector e aumentar o contributo para o produto interno do país e estamos a fazer”, acrescentou, avançou ainda que, o sector está a implementar projectos estruturantes que vão reduzir a base tecnológica do país.

Além disso, acrescentou que a expansão da rede nacional de Banda larga e fibra óptica da RESTL será objecto de uma apresentação do Parque “Angola Telecom”, bem como do trabalho em curso para a implementação do cálculo de fibra óptica submarino doméstico, que interligará as principais cidades da costa nacional, com particular destaque para a ligação ao corredor do Lobito e com a ligação a cabos submarinos internacionais, nomeadamente ao “Ikea”.

Pesquisadora Valdirene Simão apresenta estudo sobre Governança da Inteligência Artificial

Sublinhou, também, que o projeto Conect Angola, com recursos do Ango-Sat2, tem proporcionado conectividade a populações remotas e que a implementação do Data Center Nacional vai proporcionar uma maior segurança dos dados e consequentemente uma maior soberania digital.

Já sobre o desenvolvimento do satélite de observação da Terra, Angel-1, assinalou que a acção centrar-se-á no estudo dos solos, apoio à agricultura, mapeamento urbanístico, ambiente, indústria mineira, indústria aquilífera, controlo fronteiriço e outros.

O titular da pasta do MINTTICS fez saber, igualmente, que o projecto “Iluminar” vai promover uma maior integração entre os operadores que permite o roaming entre operadores nacionais e cujos sites piloto estão instalados na localidade Maria Teresa do Cuanza-Norte, enquanto isso está em preparação a instalação de mais de 50 sites na primeira fase.

“Tais investimentos têm um objectivo claro de garantir soberania digital, aumentar a conectividade e criar condições para o crescimento económico sustentável”, referiu.

No domínio da Comunicação Social, o ministro revelou que o MINTTICS vai manter o foco na modernização, familiarização dos profissionais e no combate firme da desinformação.

“Porque entendemos que uma sociedade bem formada é um pilar essencial da democracia e do desenvolvimento”, vincou.

Por fim, declarou que para responder às necessidades da área está a ser implementada a fase 2 da modernização da Televisão Pública de Angola, o programa de expansão e modernização da Rádio Nacional de Angola, a fusão da gráfica DAMER com as Edições Novembro, que vai proporcionar melhores condições técnicas de edição dos títulos e o projecto de utilização digital de rede que proporcionará melhor qualidade de serviço, bem como sistemas de alertas em casos de catástrofes naturais.

Meta e YouTube culpados em processo sobre danos a menores

Após 40 horas de deliberação, ao longo de nove dias, os jurados concluíram que a Meta e o YouTube foram negligentes na operação da sua plataforma, o que defenderam ser um fator substancial para causar danos à autora do processo.

A jovem de 20 anos, à qual o júri concedeu uma indemnização de três milhões de dólares, afirmou que o uso das redes sociais tornou-a viciada em tecnologia e piorou a sua saúde mental.

O júri sublinhou ainda que as empresas agiram com malícia e vão analisar novas provas e regressar à sala de deliberação para decidir sobre outras punições a aplicar.

Além da Meta e do YouTube, o TikTok e a Snap também foram visados no caso, mas fizeram acordos antes do início do julgamento. A autora, identificada como Kaley, disse ter começado a usar o YouTube aos seis anos e o Instagram aos nove.

A equipa de advogados de Kaley apontou que as empresas têm características de ‘design’ criadas especificamente para viciar os utilizadores mais jovens, como a natureza dos ‘feeds’, com conteúdos infinitos.

A Meta argumentou que Kaley tinha problemas ao nível da sua saúde mental, independentes do uso das redes sociais, destacando a sua vida familiar turbulenta.

Segundo a empresa, nenhum dos terapeutas da autora identificou as redes sociais como a causa dos seus problemas mentais.

Por sua vez, o YouTube argumentou não ser uma rede social, mas uma plataforma de vídeo semelhante à televisão e precisou que houve um declínio no uso da plataforma por parte de Kaley, à medida que esta envelhecia.

Namíbia nega licença à Starlink por incumprimento de requisitos legais

Emma Theofelus, Ministra da Tecnologia da Informação e Comunicação, e Tulimevava Mufeti, Presidente da Autoridade Reguladora das Comunicações da Namíbia, apresentaram a decisão durante uma conferência de imprensa na terça-feira, 24 de março.

A Starlink apresentou o seu pedido em junho de 2024, no âmbito da sua expansão mais ampla em África, onde já opera em cerca de 30 países.

As autoridades avaliaram o pedido com base em seis critérios: concorrência, capacidade técnica e financeira, disponibilidade de espectro, propriedade e controlo, defesa nacional e segurança pública, e histórico de conformidade. Os responsáveis afirmaram que a Starlink cumpriu apenas metade destes requisitos.

Os reguladores afirmaram que o projecto poderia reforçar a concorrência e melhorar a conectividade em áreas mal servidas. Confirmaram também que a Starlink demonstrou capacidade técnica e financeira suficiente e que as bandas de frequência necessárias estavam disponíveis.

Zimbábue aposta na Starlink para expandir o ensino digital nas escola

No entanto, as autoridades manifestaram preocupações relactivamente à defesa nacional e à segurança pública. Destacaram os riscos relacionados com a soberania dos dados, a jurisdição e a capacidade dos reguladores para exercerem supervisão sobre as operações da empresa.

As entidades reguladoras também assinalaram problemas de conformidade. As autoridades afirmaram que a Starlink operava sem licença e não respondeu aos pedidos das entidades reguladoras, o que comprometeu a sua credibilidade regulatória.

As autoridades afirmaram que a Starlink não cumpriu os requisitos legais relativos à propriedade e ao controlo. A regulamentação namibiana exige que pelo menos 51% da propriedade das empresas de telecomunicações seja detida por investidores locais.

Os responsáveis afirmaram que a entidade requerente é detida na totalidade por acionistas estrangeiros, o que viola a legislação nacional. Este factor contribuiu significativamente para a rejeição do pedido.

A Starlink estima que, uma vez autorizada, poderá fornecer acesso à Internet a 65 % das escolas sem conectividade fiável, a 80 % das unidades de saúde limitadas a redes 3G ou inferiores e a mais de um milhão de namibianos que continuam sem acesso à Internet, especialmente nas zonas rurais.

Conheça o Salt Typhoon, o grupo hacker chinês responsável por invadir o FBI

O grupo em causa é o Salt Typhoon, que funciona como uma elite cibernética financiada pelo Estado chinês e não tem qualquer interesse em roubar dados de cartões de crédito. O que realmente procura é atacar infra-estruturas críticas de outros países e recolher informações confidenciais de governos e instituições.

No caso do FBI, os cibercriminosos obtiveram acesso ao Sistema de Recolha Digital (DCSNet), responsável pelo processamento de pedidos de escutas telefónicas, registos de chamadas e outras informações sobre os alvos das investigações do governo norte-americano.

Mas quem está por detrás do Salt Typhoon e como conquistou tamanha relevância no cibercrime? O que precisa de saber sobre este grupo de espionagem cibernética.

Origem e batismo: por que o nome “Typhoon”?

A escolha do nome não foi arbitrária. O termo “Typhoon” tem por base uma nomenclatura utilizada pela Microsoft para designar ameaças globais. Enquanto os grupos de hackers russos recebem nomes associados a climas frios, como “Blizzard”, e as equipas iranianas são identificadas com tempestades de areia (Sandstorm), os hackers ligados ao governo chinês são classificados como tufões — daí “Typhoon”.

Quanto à origem do próprio grupo, acredita-se que o Salt Typhoon tenha surgido em meados de 2020, embora as suas ações só tenham ganho expressão por volta de 2024, altura em que se tornaram conhecidos no universo do cibercrime.

Ao contrário de outros grupos criminosos, o Salt Typhoon distinguiu-se dos restantes colectivos chineses pelo foco exclusivo em empresas de telecomunicações, com consequências devastadoras para infra-estruturas críticas através da recolha de dados confidenciais.

Modus operandi: o crime sem rastos

Para o Salt Typhoon, menos é mais: em vez de apostarem em ataques de ransomware com propagação de malware para sequestrar dados e exigir um resgate, os criminosos são discretos e altamente técnicos.

Como método de atuação, preferem ataques indiretos através de routers de fornecedores de internet, recorrem às próprias ferramentas do sistema visado para dissimular a operação criminosa no meio do tráfego legítimo. Foi precisamente isso que aconteceu no caso do FBI, o que impediu o acionamento dos sistemas de segurança.

Ao entrar pela porta dos fundos, o Salt Typhoon consegue apanhar muitas instituições desprevenidas, contornam os mecanismos de segurança sem ser detectado. Em alguns casos, é possível permanecer em sigilo a extrair dados durante meses ou até anos.

Hall da infâmia: das telecomunicações ao FBI

Antes de comprometer a rede do FBI, o Salt Typhoon obteve êxito num ataque de grande escala contra a AT&T e a Verizon, duas gigantes das telecomunicações nos Estados Unidos.

Datado de 2024, o caso transformou o grupo chinês em referência no mundo do crime digital, depois de os hackers terem conseguido aceder ao sistema utilizado pelas autoridades americanas para solicitar a quebra de sigilo telefónico.

Por lei, as operadoras norte-americanas são obrigadas a manter uma infraestrutura que permite às autoridades do país, como o FBI, a realização de escutas autorizadas judicialmente no âmbito de investigações. Ao invadir os sistemas das empresas, os hackers chineses passaram a saber exactamente quem o governo americano estava a monitorizar, assim como, interceptar essas comunicações em tempo real.

Com esse poder, o Salt Typhoon começou a mapear as redes de contacto de líderes americanos, obtendo acesso a comunicações estratégicas que expôs pessoas envolvidas em diversas operações governamentais.

O incidente com o FBI permitiu ao grupo aceder a dados confidenciais da agência, incluindo mandados da FISA, a Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira dos EUA, responsável pela supervisão de pedidos de vigilância contra espiões estrangeiros em solo americano e peça fundamental na manutenção da segurança nacional.

Com esses dados, o Salt Typhoon ficou a saber quem os Estados Unidos estavam a vigiar, com capacidade para alterar informações de investigações e proteger eventuais espiões infiltrados que podem inclusive utilizar a própria estrutura de escutas legais contra os americanos.

Este caso demonstra como a guerra moderna vai muito além do confronto físico: trava-se também no espaço digital, onde cibercriminosos actuam para manchar reputações, comprometer infra-estruturas críticas e distorcer a verdade.

AGT reforça a modernização com implementação do ASY5 em Cabinda

A Administração Geral Tributária (AGT) continua a reforçar o seu compromisso com a modernização dos serviços aduaneiros, através da implementação do sistema ASYCUDA World versão 5 (ASY5) na província de Cabinda. Esta iniciativa visa aumentar a eficiência dos processos, melhorar a transparência e facilitar o comércio internacional, alinhando-se com as melhores práticas internacionais no domínio aduaneiro.

O encontro teve como principal objectivo oficializar a implementação do ASY5 no Primeiro Serviço Regional Tributário, após as delegações aduaneiras dos Portos do Lobito e do Namibe terem sido as primeiras estâncias implementarem o ASY5, não só em Angola, mas também a nível mundial.

AGT alerta para ameaça cibernética ao seu sistema fiscal

A iniciativa marca avanços significativos na digitalização dos processos e procedimentos aduaneiros e reafirmam a postura activa da Administração Geral Tributária (AGT) no esforço contínuo de modernização dos seus serviços.

A apresentação esteve a cargo de Cynthia Ratle, coordenadora do Comité de Gestão do Projecto ASY5 da AGT.

O evento contou ainda com a presença do vice-governador para o sector económico, Francisco Tchimbawo, do director do Primeiro Serviço Regional Tributário, Ivo Nhany, do presidente da Câmara dos Despachantes Oficiais em Cabinda, David Valentim, bem como de despachantes oficiais, contabilistas, importadores e outros intervenientes da cadeia logística e comercial da província.

Pesquisadora Valdirene Simão apresenta estudo sobre Governança da Inteligência Artificial

O estudo foi apresentado, na Conferência Africana de Direito Cibernético de 2026, com o tema: “Soberania Algorítmica em África: Responsabilidade Constitucional e a Governança da IA em Economias Digitais Emergentes”, no Chalsty Centre, na Faculdade de Direito da Universidade de Witwatersrand.

Na ocasião, Valdirene Simão abordou um conceito cada vez mais discutido em fóruns jurídicos e políticos internacionais à medida que os países buscam manter o controlo sobre as infra-estruturas digitais e os sistemas automatizados de tomada de decisão.

A pesquisa argumenta que a falta de controlo constitucional sobre os sistemas automatizados pode enfraquecer a autonomia regulatória, particularmente em economias digitais emergentes que dependem fortemente de fornecedores de tecnologia estrangeiros.

Por outro lado, sugere que a governança da Inteligência Artificial em economias emergentes deve equilibrar a inovação com a segurança jurídica, impedindo que a tecnologia opere fora do controlo democrático.

Além disso propõe a criação de mecanismos constitucionais de responsabilização para a tomada de decisões automatizada, garantindo que as decisões produzidas por sistemas de Inteligência Artificial possam ser revistas, explicadas e contestadas dentro dos sistemas jurídicos nacionais.

“A Soberania algorítmica é a capacidade de um Estado regular as tecnologias de inteligência artificial que operam dentro de sua jurisdição, garantindo que os processos automatizados permaneçam sujeitos à legislação nacional, aos princípios constitucionais e à supervisão democrática” , acrescenta o documento.

Este evento, que junta juristas, formuladores de políticas, especialistas em tecnologia e pesquisadores de todo o continente, pretende discutir uma das questões mais prementes que as economias emergentes enfrentam como regulamentar a inteligência artificial sem comprometer a responsabilidade constitucional, a soberania nacional e os direitos fundamentais.

O primeiro dia dos trabalhos académicos foi dedicado a marcos legais, políticas públicas e modelos de governança para inteligência artificial,.

A referida iniciativa tem como tema: “Design Resiliente e Responsável: Governança da IA, Expressão e Mídia Digital” e incide-se nos desafios jurídicos, políticos e institucionais criados pela rápida expansão da inteligência artificial e das plataformas digitais no continente africano.

A participação de Valdirene Simão destaca o crescente envolvimento de instituições académicas africanas em discussões internacionais sobre direito digital, governança cibernética e regulamentação da inteligência artificial.

África pronta para dizer adeus ao 2G e ao 3G?

No entanto, África encontra-se numa fase diferente do seu percurso em matéria de conectividade. Embora as tecnologias de última geração estejam a expandir-se, o continente continua a depender fortemente das gerações anteriores. No final de 2024, pouco mais de metade das ligações móveis em África ainda funcionavam em 3G, cerca de um terço em 4G e aproximadamente 10 % em 2G, com apenas cerca de 1 % a utilizar 5G.

África deve começar a retirar gradualmente as redes antigas. Não de forma abrupta, nem de maneira uniforme em todos os mercados, mas de forma deliberada e estratégica. A razão é simples. A viabilidade económica, a eficiência e a preparação para o futuro das infra-estruturas móveis modernas dependem cada vez mais disso.

A nível mundial, as operadoras já avançaram nessa direção. A motivação não é uma modernização meramente cosmética. Trata-se da optimização do espectro. As tecnologias mais antigas ocupam o espectro de banda baixa, que pode proporcionar velocidades, capacidade e fiabilidade muito superiores quando reatribuído às redes 4G e 5G. Manter as camadas antigas activas a par das mais recentes aumenta os custos operacionais, o consumo de energia e a complexidade da manutenção.

África aproxima-se de um ponto de inflexão nas redes móveis

O continente ainda depende muito do 3G, mas os padrões de utilização estão a mudar: a adoção do 4G cresce rapidamente, a penetração de smartphones sobe a cada ano e o tráfego de dados móveis expande-se a taxas de dois dígitos em vários mercados. Os deployments de 5G, ainda limitados, aumentam progressivamente à medida que os operadores se preparam para a procura futura.

Manter simultaneamente três ou quatro gerações de tecnologia de rede torna-se técnica e financeiramente ineficiente — cada camada legada exige espectro, energia, peças sobresselentes e competências especializadas, o que é insustentável para operadores com margens apertadas.

Por isso, a questão já não é se as redes legadas devem ser desativadas, mas como África pode fazê-lo de forma a proteger a inclusão digital sem ficar para trás no progresso tecnológico global.

Por que África não pode desligar as redes antigas de um dia para o outro ?

Embora os dados indiquem que as redes legadas devem ser eventualmente desactivadas, a transição não pode acontecer de forma repentina, as barreiras são reais, estruturais e amplamente reconhecidas em todo o ecossistema. Esta conclusão emerge tanto de estatísticas de mercado como de discussões setoriais, incluindo perspectivas partilhadas na Digital Africa Summit, na Cidade do Cabo, onde líderes da GSMA, MTN, TESPOK e Orange MEA analisaram a questão ao lado de especialistas em política e regulação.

Os condicionalismos técnicos continuam a ser significativos. Milhões de dispositivos em todo o continente ainda dependem de conectividade 2G ou 3G, muitos deles incompactíveis com redes VoLTE ou totalmente IP, o que impede uma migração simples para sistemas mais modernos. O reaproveitamento do espectro (refarming) exige também um planeamento cuidadoso e actualizações de infra-estrutura, sobretudo nos mercados onde persistem lacunas de cobertura.

Com o futuro em perspectiva, a adoção do 4G e do 5G vai aumentar rapidamente, o que obrigará os operadores a agir como inovadores tecnológicos, a tirar partido da IA, dos eSIMs e de novas soluções de conectividade. Os decisores políticos podem estimular a inovação através de ambientes de teste regulatório (sandbox), sem comprometer a estabilidade.

Em todos os mercados, uma acção faseada e coordenada permitirá a África modernizar as suas redes sem deixar os utilizadores para trás, ao posicionar o continente para um futuro digital inclusivo e sustentável.

Falha em versões antigas do iPhone pode permitir espionagem e roubo de dados


Pesquisadores de segurança digital identificaram um programa de espionagem (spyware) capaz de invadir iPhones e recolher informações dos utilizadores. A ferramenta foi recentemente detectada em dezenas de sites na Ucrânia e consegue explorar falhas presentes em versões antigas do sistema operativo dos dispositivos.

O software malicioso foi apelidado de “Darksword” por especialistas das empresas de segurança digital Lookout e iVerify, em parceria com investigadores da Google.

De acordo com os estudos divulgados na última semana, o programa pode ser utilizado para aceder a dados armazenados nos telemóveis, incluindo informações sensíveis guardadas em carteiras digitais de criptomoedas.

Os especialistas descobriram ainda que o programa era distribuído principalmente para utilizadores que usavam versões do sistema do iPhone entre iOS 18.4 e iOS 18.6.2, lançadas entre março e agosto do ano passado.

Ainda não se sabe ao certo quantos aparelhos podem estar vulneráveis. No entanto, estimativas baseadas em dados públicos indicam que entre 220 milhões e 270 milhões de iPhones ainda utilizam versões do sistema que podem ser exploradas, segundo as empresas iVerify e Lookout.

A Apple afirma que as falhas utilizadas nesses ataques já foram corrigidas em actualizações mais recentes do sistema. Segundo a empresa, os utilizadores que mantêm os seus dispositivos actualizados já estão protegidos contra este tipo de exploração.

Especialistas em segurança digital recomendam que os utilizadores verifiquem regularmente se existem novas actualizações do sistema operativo e mantenham sempre o software do iPhone na versão mais recente, como forma de reduzir riscos de ataques e proteger os seus dados pessoais.

 

FONTE: G1- TECNOLOGIA

Plataforma digital facilita construção da casa própria em Angola

A construtora civil Cliu lançou uma plataforma digital denominada Casa para Todos, criada para facilitar o processo de construção de habitações próprias em Angola.

Desenvolvido por cinco jovens angolanos, o sistema permite que cidadãos interessados em construir a sua residência possam iniciar o processo de forma mais simples, mesmo que ainda não possuam todos os recursos ou experiência para avançar com o projecto.

Além de apoiar pessoas que já possuem terrenos, a plataforma também oferece soluções para quem pretende adquirir ou legalizar um espaço antes de iniciar a construção. Na prática, funciona como um gabinete digital onde o utilizador pode solicitar apoio técnico e orientação para dar início ao projecto da casa própria.

Após a submissão do pedido, uma equipa técnica desloca-se ao local indicado para avaliar as condições do terreno e verificar a legalidade do espaço antes do arranque das obras.

De acordo com um dos mentores da iniciativa, Sérgio Soares, o sistema disponibiliza várias opções de investimento, permitindo ao cliente escolher entre diferentes níveis de valores para iniciar a obra.

Segundo explicou, independentemente do montante escolhido, o utilizador já recebe a garantia de que parte da construção será iniciada, começando normalmente pela fundação ou pelos alicerces da residência.

A plataforma também foi concebida para apoiar os cidadãos no processo de legalização de terrenos, assegurando acompanhamento jurídico nas negociações e na formalização dos documentos necessários.

Actualmente, a “Casa para Todos” consegue atender, em média, cerca de 500 pedidos de acesso, com respostas que podem ser dadas num período de 72 horas ou mais, dependendo da localização do terreno apresentado pelo cliente.