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Elon Musk perde processo contra OpenAI

De acordo com os detalhes avançados pelo The Verge, o grupo concluiu que as principais acusações de Elon Musk prescreveram devido ao prazo de prescrição e que resultou na queda da acusação principal.

O julgamento, que decorreu num tribunal federal em Oakland ao longo de três semanas, marcou o culminar de uma intensa batalha legal que opôs figuras centrais do desenvolvimento da inteligência artificial.

Decisão do júri e posição da juíza

Neste caso específico, o júri actuava num papel puramente consultivo, tendo sido constituído para fornecer uma opinião adicional à juíza, sem que o seu veredicto tivesse carácter legalmente vinculativo imediato. Porém, a juíza distrital dos Estados Unidos, Yvonne Gonzalez Rogers, que detém a autoridade legal final sobre o processo, aceitou integralmente a decisão do grupo.

O júri determinou que a queixa apresentada por quebra de fidúcia numa instituição de caridade se encontrava prescrita pelo prazo de prescrição. Com a queda desta acusação, a alegação de que a Microsoft teria auxiliado e sido cúmplice nessa mesma infracção também caiu. Adicionalmente, o pedido de restituição financeira foi igualmente bloqueado pelo mesmo limite temporal.

O centro da disputa nos tribunais

O núcleo desta disputa legal centrava-se na acusação de que a OpenAI se havia desviado da sua missão fundacional, com a indicação de que o capital inicialmente investido estava especificamente reservado a uma entidade sem fins lucrativos. As alegações apontavam directamente que Sam Altman, CEO da empresa, e Greg Brockman, presidente, quebraram essa fidúcia e participaram num esquema de enriquecimento sem causa justificada.

Durante as sessões no tribunal, ambas as partes aproveitaram todas as oportunidades para denegrir a imagem do adversário. A apresentação de provas sensacionalistas e os testemunhos surpreendentes partilhados ao longo do processo acabaram por criar um cenário em que ambas as facções terminaram com uma imagem pública ainda menos credível do que aquela que detinham antes do início do julgamento.

Luanda acolhe o Programa de Certificação de Gestores de Tecnologias Espaciais

O projecto, enquadrado nas actividades do ANGOTIC 2026, está a ser promovido pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), através do Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN).

O programa de certificação vai decorrer até 13 de Junho deste ano e acontece no âmbito da implementação das Comunidades de Prática em Tecnologias Espaciais.

A iniciativa também serve para capacitar gestores, técnicos, empreendedores, startups, estudantes, professores, cooperativas agrícolas, provedores locais de serviços de acesso à internet e instituições públicas para a utilização prática das tecnologias espaciais.

O acto promove, igualmente, soluções ligadas à expansão do sinal de internet nas comunidades por via do ANGOSAT-2, através do projecto Conecta Angola Comercial, bem como aplicações de observação da Terra por intermédio do projecto ANGEO-1, incluindo agricultura de precisão, monitorização ambiental, planeamento territorial e gestão de riscos e desastres no desenvolvimento das comunidades, refere o documento.

[Angola] governo lança portal de gestão de investimento público

Os participantes certificados passarão, ainda, a integrar uma rede nacional de utilizadores e gestores locais de tecnologias espaciais, bem como a missão de apoiar a operacionalização das infra-estruturas espaciais nas suas comunidades, contribuir para a expansão dos serviços de internet via satélite, promover o surgimento de startups tecnológicas locais, incentivar a criação de empregos qualificados e estimular o desenvolvimento de aplicações práticas do sector espacial orientadas às necessidades locais e ao desenvolvimento sustentável do país.

Por fim, o programa pretende criar uma rede nacional descentralizada de especialistas e utilizadores capazes de operacionalizar soluções espaciais em todas as províncias do país, promovendo maior inclusão digital, conectividade e utilização de dados espaciais para apoio ao desenvolvimento sustentável e será implementado em formato híbrido (online e presencial) e estruturado em quatro fases principais, nomeadamente, formação teórica, formação técnica prática regional, formação comercial em telecomunicações e observação da Terra, e certificação final durante o ANGOTIC 2026.

Samsung vai acabar com os Galaxy Flip?

A Samsung poderá estar a preparar uma mudança importante na sua estratégia de smartphones dobráveis. De acordo com rumores divulgados pela imprensa internacional, a gigante sul-coreana está a avaliar o possível fim da linha Galaxy Z Flip, conhecida pelo design compacto que dobra ao meio.

O motivo principal parece estar ligado ao desempenho comercial e ao foco crescente em dispositivos premium mais avançados. Enquanto os modelos Fold oferecem uma experiência mais próxima de um tablet, os Flip apostam sobretudo no estilo e portabilidade, algo que pode já não ser suficiente num mercado cada vez mais competitivo.

A informação ainda não foi confirmada oficialmente pela Samsung, mas já está a gerar debate entre fãs da marca e utilizadores de dobráveis.

Por cá, a mudança pode parecer distante, mas influencia diretamente o futuro dos smartphones que chegam às lojas locais. Muitas tecnologias premium acabam por ser adaptadas posteriormente para modelos mais acessíveis, incluindo melhorias em ecrãs, baterias e funcionalidades inteligentes.

Caso a Samsung realmente abandone o formato Flip, isso poderá abrir espaço para novas experiências móveis e também para outras marcas ganharem destaque no segmento dos dobráveis.

[Angola] governo lança portal de gestão de investimento público

O SIGPIP constitui uma ferramenta estratégica de gestão, concebida para assegurar a centralização, sistematização e monitorização dos projectos do PIP, desde a fase de concepção e execução física e financeira até ao registo definitivo do projecto no património do Estado.

A gestão do investimento público em Angola tem enfrentado desafios como informação dispersa, processos morosos, fragilidades no acompanhamento da execução física e financeira dos projectos e constrangimentos na produção de informação fiável e tempestiva para apoio à decisão.

A preocupação foi manifestada pela ministra das Finanças, Vera Daves, no lançamento do Sistema Integrado de Gestão do Programa de Investimento Público (SIGPIP).

“Tudo isto tem consequências práticas. Torna mais difícil monitorizar prazos, controlar custos, identificar constrangimentos atempadamente e assegurar maior previsibilidade na execução dos projectos públicos”, disse.

Numa fase piloto, a plataforma vai abranger os Ministérios das Finanças, das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação, Energia e Águas, Transportes, e Saúde, bem como o Governo Provincial de Luanda e o Gabinete de Obras Especiais.

[Angola] Compras online crescem 98% no primeiro trimestre deste ano

A segunda fase do processo de implementação, a estender-se aos demais órgãos do Sistema Orçamental, decorrerá até ao final do presente exercício económico, mediante a capacitação dos gestores orçamentais, com vista a assegurar o acesso funcional ao sistema a partir de Janeiro de 2027.

“O sistema permitirá melhorar o registo e cadastro dos projectos, fortalecer o planeamento físico e financeiro, acompanhar de forma mais contínua a execução e reforçar os mecanismos de monitorização e controlo. Permitirá igualmente acompanhar alterações contratuais, reprogramações e ajustamentos orçamentais com maior rastreabilidade e melhor preservação do histórico das decisões tomadas”, avançou Vera Daves.

Um dos aspectos relevantes deste processo é precisamente a criação de uma base de informação mais estruturada e mais consistente, capaz de apoiar melhor a tomada de decisão pelas instituições públicas. Porque, no fim do dia, melhores sistemas não substituem boas decisões, e boas práticas de execução, mas ajudam a criá-las em condições mais sólidas”, referiu.

“Este é um aspecto importante, porque a transformação digital na Administração Pública não depende apenas da aquisição de ferramentas tecnológicas. Depende também da capacidade das instituições e das pessoas para as utilizarem de forma consistente, coordenada, útil e sustentável. O SIGPIP assenta, por isso, em princípios que nos parecem essenciais: maior transparência, melhor articulação institucional, simplificação de processos e maior capacidade de acompanhamento da execução dos projectos públicos”, frisou.

Vera Daves acrescentou que isto é particularmente importante num contexto em que a qualidade do investimento público continua a ser determinante para a prestação de serviços públicos, para o funcionamento das infraestruturas e para a melhoria das condições de vida das populações.

“Naturalmente, nenhum sistema resolve, por si só, todos os desafios da gestão pública. Mas sistemas melhores ajudam-nos a reduzir opacidade, a melhorar coordenação e a tomar decisões mais informadas”, concluiu.

Para o Executivo, com a realização deste evento, pretende-se promover um melhor alinhamento estratégico entre os órgãos intervenientes, reforçar a percepção de valor e a compreensão dos benefícios do sistema, particularmente no que respeita à organização da informação, monitorização dos projectos e suporte à tomada de decisão, bem como contribuir para a mitigação de riscos operacionais.

Portugal sofre mais ciberataques do que média europeia

As ciberameaças voltaram a acelerar em abril de 2026, com Portugal a registar níveis de ataques superiores à média europeia e global, segundo os mais recentes dados divulgados pela Check Point Research.

De acordo com o relatório, as organizações portuguesas sofreram, em média, 2.437 ciberataques semanais, um aumento homólogo de 11%.

O valor coloca Portugal acima da média europeia, fixada em 1.848 ataques semanais por organização, e também acima da média global de 2.201 ataques.

A Check Point destaca que as organizações nacionais enfrentaram cerca de 32% mais ataques do que a média europeia.

Os dados de abril mostram que Portugal continua a ser um mercado altamente exposto”, afirma Rui Duro, Country Manager da Check Point Software Technologies em Portugal.

O relatório mostra que a desaceleração observada em março foi temporária, com os atacantes a adaptarem rapidamente campanhas e métodos de ataque.

Segundo a empresa, a combinação entre cloud, inteligência artificial generativa e automação está a aumentar a superfície de exposição das organizações.

Os setores mais atacados em Portugal foram Educação, Administração Pública e Serviços Financeiros.

A nível global, a Educação voltou a liderar o ranking dos setores mais visados, com quase cinco mil ataques semanais por organização. A Administração Pública e as Telecomunicações continuam igualmente entre os principais alvos dos cibercriminosos.

Outro dos pontos destacados no relatório é o crescimento contínuo do ransomware. Durante abril foram divulgados publicamente 707 ataques de ransomware, um aumento de 12% face ao mesmo período do ano anterior. Os grupos Qilin, The Gentlemen e DragonForce concentraram uma parte significativa da atividade registada.

A Check Point alerta também para os riscos associados à utilização empresarial de ferramentas de inteligência artificial generativa. Segundo a investigação, um em cada 28 prompts enviados para plataformas de IA representava risco elevado de fuga de informação sensível.

Os atacantes continuam altamente operacionais e adaptáveis”, afirma Omer Dembinsky, Data Research Manager da Check Point Research.

A empresa defende que as organizações devem reforçar estratégias de prevenção, governação de dados e segurança baseada em IA, sobretudo em setores críticos e ambientes altamente digitalizados.

Bee a Tour by Papaya reúne profissionais e reforça debate sobre o digital em Angola


A segunda edição de 2026 do Bee a Tour by Papaya, integrada na terceira temporada da Let’s Talk Digital, reuniu em Luanda diversos profissionais ligados ao ecossistema digital angolano, num encontro centrado na partilha de experiências e no debate sobre o sector.

O evento decorreu num ambiente informal, juntando especialistas de marketing, criadores de conteúdos, representantes de marcas, empreendedores e outros intervenientes da área digital. A iniciativa teve como foco a promoção do networking e a troca de conhecimentos entre os participantes.

Durante a sessão, foram apresentadas diferentes perspectivas sobre os desafios e oportunidades do digital em Angola. Entre os oradores estiveram Jaime Beirão, Erixson Fonseca e Marco Victor, que abordaram temas como marketing digital, inovação, construção de comunidades e liderança.

As intervenções procuraram enquadrar a evolução do sector, destacando tendências actuais e possíveis caminhos para o desenvolvimento do mercado digital no país.

A edição contou com o apoio da Agência Criativa Papaya, que participou na organização e dinamização do encontro. A colaboração entre os diferentes parceiros contribuiu para a realização da iniciativa.

Segundo Cláudio Missula Júnior, cofundador do projecto, o Let’s Talk Digital tem procurado, ao longo dos últimos anos, criar um espaço de partilha de conhecimento e ligação entre profissionais do sector.

A realização de mais uma edição do Bee a Tour reflecte a continuidade de iniciativas voltadas para o desenvolvimento do ecossistema digital em Angola, num contexto marcado pelo crescimento do uso de tecnologias e pela crescente presença de criadores e marcas no ambiente digital.

EUA testam drones capazes de neutralizar atiradores em menos de um minuto

Um novo sistema de segurança está a ser testado nos Estados Unidos com o objectivo de reduzir drasticamente o tempo de resposta a ataques armados em escolas. A proposta envolve o uso de drones que podem intervir em menos de um minuto após a activação de um alerta.

A tecnologia está a ser desenvolvida pela Campus Guardian Angel, que aposta numa abordagem baseada em drones de resposta rápida, inspirados no uso militar observado em conflitos recentes, como a Guerra na Ucrânia.

Segundo Khristof Oborski, director de operações tácticas da empresa, a ideia surgiu da eficácia dos drones FPV (pilotados em primeira pessoa) em cenários de combate. “Observámos como estes sistemas são difíceis de evitar e pensámos em como poderiam ser adaptados para responder a um problema crescente: os tiroteios em escolas”, afirmou à AFP.

Como funciona o sistema

Antes da implementação, as escolas são mapeadas em 3D para definir rotas estratégicas. Os drones ficam posicionados em mini-hangares distribuídos em pontos-chave, formando esquadrões prontos para intervir.

Quando um alerta é activado, por exemplo, através de um telemóvel os drones descolam de imediato. São controlados remotamente por operadores a partir de uma central em Austin, com o objectivo de alcançar o suspeito em cerca de 15 segundos.

A resposta varia conforme o cenário. Em situações menos críticas, os drones utilizam sistemas de áudio bidireccional para emitir ordens. Já em casos de ataque activo, podem recorrer a medidas como impactos cinéticos ou spray de pimenta não letal para neutralizar o agressor.

Contexto e necessidade

O desenvolvimento desta tecnologia surge num contexto de crescente preocupação com a segurança nas escolas norte-americanas. De acordo com dados do portal IntelliSee, só em 2025 foram registados 233 incidentes com armas de fogo em instituições de ensino.

Um dos casos mais marcantes ocorreu em 2022, na cidade de Uvalde, onde um atirador matou 19 alunos e duas professoras. O agressor foi neutralizado apenas 77 minutos após o início do ataque um intervalo que tecnologias como esta pretendem reduzir drasticamente.

Um futuro em debate

Apesar do potencial para salvar vidas, o uso de drones em contextos escolares levanta questões éticas e operacionais, sobretudo no que diz respeito ao uso da força e à segurança dos próprios alunos.

Ainda em fase de testes, a solução da Campus Guardian Angel representa mais um exemplo de como tecnologias originalmente desenvolvidas para a guerra estão a ser adaptadas para aplicações civis, neste caso, com o objectivo de proteger vidas em ambientes escolares.

[Angola] Compras online crescem 98% no primeiro trimestre deste ano

 

O instrumento de compras online, denominado Gateway de Pagamentos Online (GPO), começou a ser implementado em 2020, mas os seus resultados começaram a aparecer em 2021, coincidentemente a altura em que as restrições impostas pela covid-19 fizeram acelerar o e-commerce no mundo, provocando um momento de viragem na digitalização e nos hábitos de consumo.

O que na altura parecia apenas ser uma febre imposta pelas circunstâncias da pandemia tornou-se numa rotina cada vez mais comum. Hoje no mundo, o e-commerce já vale mais de 20% no comércio global, obrigando ao reposicionamento das grandes cadeias comerciais e a uma presença mais activa nas plataformas web e em aplicações móveis.

Em Angola, apesar da fraca literacia digital e financeira, as compras online estão a ser capazes de quebrar essa barreira, ao consolidarem-se como forma de adquirir serviços e produtos mais segura, cómoda e ágil. No País, o grosso das compras online é feito em restaurantes e cadeias de fast food, lojas de equipamentos tecnológicos, vestuário e produtos de beleza ou de bem-estar.

Em termos práticos, com a implementação da GPO, os comerciantes com lojas virtuais passaram a dispor nas suas plataformas de um terminal de pagamentos virtual, equivalente a um Terminal de Pagamento Automático (TPA) físico, que funciona de forma segura e escalável, permitindo acompanhar os pagamentos em tempo real e efectuar a gestão de receitas e recursos associados à sua conta.

Por outro lado, os clientes realizam as compras por meio da aplicação Multicaixa Express (MCX Express) e recebem confirmação imediata dos pagamentos efectuados em plataformas de e-commerce. Para isso, é necessário possuir uma conta activa no MCX Express.

Em 2023, as compras online ganharam uma nova modalidade, que se traduziu num crescimento cada vez mais consolidado: o TPA Multicaixa Code. Este mecanismo permitiu que as lojas físicas sem aplicações ou páginas webs de vendas online, mas que desejassem oferecer uma forma de pagamento sem necessidade de um TPA físico, passassem também a aderir aos pagamentos por QR code (um código que funciona como um TPA virtual, através do qual os clientes pagam lendo um adesivo fixado no estabelecimento comercial).

Assim, os pagamentos online ganharam mais um instrumento para quebrar as barreiras estruturais do sistema financeiro e dos serviços de pagamento do país.

Nos três primeiros meses deste ano, as compras online com QR Code cresceram, 217%, para 3,60 mil milhões Kz, face ao mesmo período de 2024.

Ainda assim, no conjunto dos pagamentos virtuais, o QR Code representa apenas 7%, sendo que a maioria das compras online continua a ser efectuada através do número de telemóvel associado ao MCX Express.

Apesar do crescimento relevante registado nos últimos anos, as compras online representam apenas 2% do total das transacções realizadas na rede Multicaixa entre Janeiro e Março (cerca de 2,78 biliões Kz). Isto mostra que o mercado do e-commerce ainda tem muito caminho a percorrer, e que os hábitos de consumo e pagamento estão longe de atingir o nível de países como o Brasil e Portugal, onde as lojas virtuais ganham terreno à medida que os consumidores adoptam um perfil cada vez mais digital.

Na realidade angolana, tal como acontece no resto do mundo, as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) e as startups são os grandes protagonistas da evolução das compras online, por estarem mais propensas à digitalização e vitarem os custos e a gestão de infraestruturas físicas complexas.

O caminho está traçado. A combinação entre a expansão das MPMEs, a crescente adesão ao QR Code e a consolidação do MCX Express como meio de pagamento do quotidiano sugere que as compras online em Angola deixaram de ser uma tendência e começam a tornar-se numa realidade. O grande desafio passa por acelerar a literacia digital e financeira, ampliar e melhorar a cobertura da rede móvel e fixa e outras infraestruturas tecnológicas de apoio ao ecossistema digital.

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Internet

Tudo começou com a ARPANET, nos anos 60, um projecto militar norte-americano destinado a garantir a comunicação entre computadores de forma descentralizada.

Contudo, foi apenas nos anos 90, com a criação da World Wide Web por Tim Berners-Lee, que a Internet deu o salto para o grande público. A navegação simplificou-se, os websites multiplicaram-se e abriu-se caminho para uma revolução digital sem precedentes.

Angola conta com cerca de 17,6 milhões de utilizadores activos de internet, numa população onde a taxa de penetração já atingiu os 44,8%, segundo dados do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS).

Em paralelo, o país regista mais de 28 milhões de subscritores de serviços móveis, dos quais aproximadamente 16 milhões acedem à internet através de redes de banda larga móvel, um indicador que reflecte a centralidade do telemóvel como principal porta de entrada digital para a maioria dos angolanos.

Angola está ligada, mas ainda falha na adoção digital

Mas por detrás dos números de crescimento, o retrato é ainda de profunda assimetria. Cerca de 21,7 milhões de cidadãos permanecem sem acesso regular à internet, penalizados pela cobertura insuficiente, pelo custo elevado dos serviços e pela desigualdade persistente entre zonas urbanas e rurais. O MINTTICS reconhece este fosso e aponta a expansão das infra-estruturas e a massificação do acesso digital como prioridades estratégicas para os próximos anos.

No contexto lusófono africano, Angola posiciona-se entre os países com maior penetração digital, partilha esse patamar com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, territórios onde a menor dimensão geográfica, a urbanização concentrada e os investimentos sectoriais criaram condições mais favoráveis à conectividade. Moçambique, apesar de registar avanços impulsionados pela popularização dos smartphones, continua a enfrentar desafios significativos ao nível das infra-estruturas e das assimetrias regionais.

À escala continental, África ultrapassou a barreira dos 40% de penetração média de internet, um salto notável face aos escassos 3,2% registados em 2005. Mais de 600 milhões de pessoas utilizam hoje internet móvel de banda larga, mas cerca de 900 milhões permanecem ainda offline com maior incidência nas zonas rurais, onde a cobertura desce para cerca de 28%. O crescimento é real, mas o fosso digital africano continua a ser um dos maiores desafios do século.

Falha crítica no Outlook permite ataques sem interação do utilizador

Microsoft corrigiu uma vulnerabilidade crítica no Outlook que pode ser explorada sem qualquer interação do utilizador, representando uma ameaça significativa para ambientes empresariais.

De acordo com a SecurityWeek, a falha, identificada como CVE-2026-40361, foi corrigida no âmbito do Patch Tuesday e afeta um componente DLL utilizado pelo Microsoft Word e Outlook.

Segundo a Microsoft, trata-se de uma vulnerabilidade de execução remota de código, mas investigadores alertam que o impacto poderá ser particularmente elevado devido à possibilidade de exploração “zero-click”.

O problema foi descoberto por Haifei Li, criador do sistema de deteção de zero-days Expmon, que comparou a falha à vulnerabilidade BadWinmail, descoberta há mais de uma década e considerada, na altura, um verdadeiro “enterprise killer”.

Basta o utilizador ler ou pré-visualizar o email para o ataque ser desencadeado”, alertou Haifei Li.

De acordo com o investigador, a vulnerabilidade resulta de um problema “use-after-free” no motor de renderização de emails do Outlook, tornando difícil bloquear ou mitigar ataques.

Na prática, um atacante pode enviar um email especialmente criado e executar código remotamente no sistema da vítima sem necessidade de clicar em links ou anexos.

Qualquer pessoa poderia comprometer um CEO ou CFO apenas enviando um email”, acrescentou o investigador.

A Microsoft classificou a probabilidade de exploração como “mais provável”, aumentando a urgência para aplicação das atualizações de segurança.

Apesar de Haifei Li indicar que apenas desenvolveu uma prova de conceito, e não um exploit totalmente funcional, o investigador alerta para a criatividade crescente dos grupos de ameaça.

Uma das poucas medidas de mitigação apontadas passa por configurar o Outlook para renderizar mensagens exclusivamente em texto simples.