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EL-QD da Samsung pode superar OLED

A Samsung poderá estar a preparar uma das maiores mudanças no mercado de smartphones dos últimos anos. A gigante sul-coreana está a investir numa nova tecnologia de ecrãs chamada EL-QD (Electroluminescent Quantum Dot), que pode vir a substituir os actuais painéis OLED usados na maioria dos telemóveis topo de gama.

A principal diferença está na forma como a imagem é produzida. Enquanto os ecrãs OLED utilizam materiais orgânicos emissores de luz, a tecnologia EL-QD aposta em pontos quânticos capazes de emitir luz própria com maior eficiência. Na prática, isso pode traduzir-se em ecrãs mais brilhantes, cores mais precisas e menor consumo de energia.

Outro ponto importante é a durabilidade. Os painéis OLED podem sofrer desgaste ao longo do tempo, especialmente com imagens estáticas. A Samsung acredita que os novos EL-QD poderão reduzir esse problema e aumentar a vida útil dos dispositivos.

Para os utilizadores, isto pode significar smartphones com baterias que duram mais tempo e melhor desempenho em ambientes com muita luz solar, algo relevante para quem usa o telemóvel intensivamente durante o dia.

Embora ainda não exista previsão oficial para chegada ao mercado, a tecnologia mostra que a corrida pela próxima geração de ecrãs mobile já começou.

PayPay lança QR Code KWiK após atingir 4,8 milhões de operações

A PayPay anunciou recentemente o lançamento do QR Code KWiK, uma solução de pagamento digital que permite efectuar compras através da leitura de códigos QR, sem recurso a dinheiro físico ou cartão bancário.

Segundo uma nota da empresa, a plataforma processou cerca de 4,8 milhões de transacções em Abril de 2026, incluindo mais de 1,81 milhões de transferências instantâneas KWiK.

O documento refere ainda que o número de contas activas ultrapassou 713 mil utilizadores, enquanto a base total de clientes supera um milhão em Angola.

De acordo com a empresa, o QR Code KWiK foi desenvolvido para facilitar pagamentos no comércio formal e informal, funcionando através da leitura de códigos QR com confirmação imediata na aplicação.

O lançamento surge numa altura em que a empresa consolida a sua presença no mercado nacional de pagamentos móveis, após ter sido distinguida como Melhor Mobile Money 2025 no prémio Top Mais Kwanza.

A instituição revelou ainda que prepara o lançamento do serviço Levantamento Sem Cartão, que permitirá levantar dinheiro em caixas automáticas com recurso a um código gerado na aplicação.

Poupa até metade dos teus dados móveis

Em Angola, onde muitos utilizadores dependem de pacotes móveis para estudar, trabalhar, usar redes sociais, fazer pagamentos ou comunicar no WhatsApp, poupar dados móveis não é apenas uma dica técnica, é uma forma de fazer o saldo durar mais.

A boa notícia é que não é preciso “hackear” nada, instalar apps duvidosas ou mexer em configurações perigosas. Android, iPhone, Windows e vários navegadores já têm ferramentas oficiais para reduzir o consumo de internet. O segredo está em saber onde activar essas opções e que hábitos mudar.

No telemóvel: onde gastas mais internet

No smartphone, os maiores consumidores costumam ser vídeos automáticos, redes sociais, actualizações em segundo plano, backups na nuvem e apps que continuam ligadas mesmo quando não estão abertas.

No Android, a opção Poupança de Dados limita o uso de dados em segundo plano na maioria das apps, permitindo que elas consumam menos internet quando não estão activas. É uma funcionalidade oficial do sistema.

No iPhone, existe o Modo de Dados Reduzidos, que pode ser activado para dados móveis ou Wi-Fi. Segundo a Apple, este modo ajuda a reduzir actividades automáticas, como actualizações e tarefas em segundo plano.

Também vale a pena rever apps como Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e WhatsApp. Desactivar reprodução automática de vídeos, impedir downloads automáticos de mídia e reduzir a qualidade dos vídeos pode poupar muitos megabytes por dia.

Apps úteis para poupar dados no Android e iOS

Uma das soluções mais conhecidas é o Opera Mini, navegador que comprime páginas antes de carregarem no telemóvel. A Opera afirma que o modo extremo pode poupar até 90% dos dados durante a navegação.

Outra opção é usar versões mais leves de apps populares, como Facebook Lite, quando disponíveis. Elas foram pensadas para consumir menos dados, ocupar menos espaço e funcionar melhor em ligações lentas.

Apps de controlo de consumo, como My Data Manager ou DataEye, também ajudam a perceber quais aplicações estão a gastar mais internet. O DataEye, por exemplo, permite visualizar e controlar o uso de dados por app.

Além disso, apps como Google Maps, Spotify, YouTube e serviços de streaming permitem descarregar conteúdos em Wi-Fi para usar depois offline. Para quem estuda, trabalha ou viaja muito, isto pode fazer grande diferença.

No computador: atenção ao hotspot

Muita gente liga o computador à internet usando hotspot do telemóvel. O problema é que o computador consome dados de forma mais agressiva do que o smartphone.

No Windows, o primeiro passo é marcar a rede como ligação com tráfego limitado. Isso ajuda a reduzir actualizações automáticas, sincronizações e downloads em segundo plano.

Também é importante pausar actualizações grandes, impedir sincronização automática do OneDrive, fechar separadores desnecessários no navegador e evitar vídeos em alta resolução quando estiver a usar dados móveis.

No computador, navegadores como Opera, Microsoft Edge, Chrome e Firefox podem ajudar se forem bem configurados. Bloqueio de reprodução automática, extensões de bloqueio de elementos pesados e uso de sites em versão mobile quando possível.

Hábitos simples que fazem diferença

Poupar dados não depende só das apps. Alguns hábitos ajudam bastante:

– Desactivar downloads automáticos no WhatsApp.

– ⁠Actualizar apps apenas por Wi-Fi.

– ⁠Reduzir qualidade de vídeo no YouTube e streaming.

– ⁠Usar mapas, músicas e documentos offline.

– ⁠Fechar apps e abas que não estão a ser usadas.

– ⁠Verificar o consumo de dados pelo menos uma vez por semana.

Isto é ilegal? Estou a hackear o meu operador?

Não. Poupar dados móveis não é ilegal e não é hackear internet.

O que estas apps e definições fazem é simples. Elas reduzem consumo, comprimem páginas, bloqueiam actividade em segundo plano ou impedem downloads automáticos. Ou seja, ajudam-te a usar melhor o pacote de dados que já compraste.

Num país onde cada mega/giga conta, saber poupar dados é uma competência digital importante. Não é internet grátis, mas pode fazer o teu pacote durar mais, e isso, no dia a dia, já é uma grande vantagem.

Conecta Angola Comercial leva internet via ANGOSAT-2 a zonas fronteiriças

O projecto Conecta Angola Comercial está a reforçar a conectividade em zonas fronteiriças do país através do satélite ANGOSAT-2, numa iniciativa que alia inovação, inclusão digital e modernização dos serviços públicos.

Integrado no processo de modernização dos postos fronteiriços, conduzido pelo Comité de Gestão Coordenada de Fronteiras (CGCF), o Conecta Angola Comercial surge como uma solução estratégica para garantir acesso à internet em regiões onde as infra-estruturas tradicionais não chegam.

A iniciativa é coordenada pelo Ministério das Finanças, co-coordenada pelo Ministério do Interior, e conta com a participação do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), reforçando o alinhamento institucional em torno da transformação digital.

Num dos mais recentes avanços, foi instalada uma antena VSAT no novo Posto Fronteiriço do Luvo, sob coordenação da Unidade Técnica Central, liderada pela Administração Geral Tributária (AGT). A infra-estrutura assegura ligação directa ao satélite ANGOSAT-2, permitindo melhorar significativamente o acesso à internet naquela região.

Com esta implementação, passa a ser possível garantir comunicação local eficiente, bem como a interligação com outros postos fronteiriços a nível nacional, contribuindo para maior fluidez nas operações, controlo mais eficaz e dinamização das trocas comerciais formais.

A aposta em conectividade via satélite revela-se essencial sobretudo em zonas remotas e de difícil acesso, onde soluções baseadas em fibra óptica ou redes móveis apresentam limitações técnicas e operacionais.

Para além do impacto na modernização dos serviços públicos, o projecto destaca-se também pelo envolvimento de startups nacionais no âmbito do Programa Espacial Nacional, promovendo a inovação tecnológica, o empreendedorismo jovem e a criação de emprego qualificado.

A iniciativa enquadra-se na estratégia do Executivo angolano de expandir a inclusão digital e acelerar a transformação tecnológica do país, utilizando infra-estruturas espaciais como alavanca para o desenvolvimento económico e social.

FONTE: GGPEN

Vídeos íntimos com óculos Ray-Ban da Meta geram polémica

A Meta encerrou o contrato com a Sama, empresa sediada no Quénia, depois de funcionários relatarem que tinham de analisar conteúdos sensíveis gravados com os óculos inteligentes Ray-Ban Meta. Segundo a BBC, estes trabalhadores afirmaram a jornais suecos que recebiam vídeos privados de utilizadores para revisão, incluindo gravações feitas em ambientes íntimos.

A decisão aconteceu menos de dois meses após as denúncias. A Meta justificou o fim da parceria afirmando que a Sama não cumpria os padrões exigidos pela empresa. Já a Sama rejeitou a acusação e afirmou que sempre seguiu os critérios operacionais, de segurança e qualidade definidos nos projectos ligados à Meta. 

O caso reacende o debate sobre privacidade em dispositivos inteligentes. Os óculos Ray-Ban Meta têm câmaras integradas e uma luz indicadora quando a gravação começa, mas ainda assim levantam preocupações sobre filmagens sem consentimento.

Para Angola, o alerta é claro, à medida que gadgets com câmaras, IA e gravação automática chegam ao mercado, cresce também a necessidade de literacia digital e regras mais claras sobre privacidade. A tecnologia pode facilitar o dia a dia, mas também exige responsabilidade de quem usa e de quem desenvolve.

No fim, a polémica mostra que inovação sem controlo pode transformar conveniência em risco para os utilizadores.

Projecto NC+ aposta na expansão do acesso aos cuidados de saúde em Angola com soluções digitais integradas

O projecto esteve em destaque na segunda edição do evento “Road to NCXP – Ecossistema Digital da Saúde”, realizada em Luanda, na quinta-feira, 30 de Abril. O encontro reuniu decisores institucionais, gestores hospitalares, reguladores e especialistas do sector, num debate centrado no papel da tecnologia na transformação sustentável da saúde em Angola.

Num contexto marcado por desafios estruturais, como o crescimento do volume de dados clínicos, a fragmentação dos sistemas de informação e a necessidade de maior interoperabilidade, segurança e privacidade, o NC+ posiciona-se como uma solução integrada, escalável e alinhada à realidade nacional.

A iniciativa assenta numa infra-estrutura tecnológica híbrida que combina fibra óptica, conectividade por satélite e redes móveis de nova geração, garantindo cobertura e fiabilidade em várias regiões do país, incluindo zonas remotas.

Essa base suporta os chamados Smart Hubs digitais comunitários, que funcionam como pontos de acesso a serviços de saúde digital. Entre as funcionalidades disponíveis destacam-se o registo clínico electrónico, a medição de sinais vitais com equipamentos modernos, serviços de telemedicina em tempo real e o acompanhamento remoto de pacientes.

Na prática, o modelo permite que um cidadão seja registado digitalmente, realize exames básicos no local e tenha acesso imediato a uma teleconsulta, com diagnóstico e prescrição médica, sem necessidade de deslocação para grandes centros urbanos.

Ao integrar sistemas clínicos, dispositivos médicos e plataformas digitais, o NC+ contribui para uma gestão mais eficiente da informação em saúde, facilitando o acesso a dados em tempo real, reduzindo erros operacionais e assegurando maior continuidade nos cuidados prestados.

Segundo Jorge Amaral, director do Gabinete de Gestão de Projectos (PMO) da New Cognito, “o acesso, a eficiência e a segurança da informação são factores críticos no sector da saúde. O NC+ foi concebido para responder a estes desafios com soluções integradas e sustentáveis”.

O evento contou ainda com a participação de parceiros internacionais, como a Huawei e a Dimensions Information Technologies, que contribuíram para o debate e partilha de experiências no domínio da transformação digital da saúde.

Desde a sua concepção, o NC+ foi estruturado como um ecossistema colaborativo, envolvendo parceiros estratégicos que garantem a viabilidade técnica, operacional e social do projecto, incluindo a realização de uma Prova de Conceito (PoC).

Ataque informático usa a Google para roubar 30 mil contas do Facebook

A campanha tem como alvo principal perfis comerciais, páginas de empresas e contas associadas a anúncios. De acordo com os detalhes avançados pelo Gizchina, os investigadores da Malwarebytes confirmam que a ameaça continua activa.

Os criminosos encontraram uma forma de usar o Google AppSheet, uma ferramenta oficial destinada à criação de aplicações sem recurso a código. Ao explorarem as funções de automação da plataforma, os piratas informáticos conseguem enviar mensagens de correio electrónico a partir do remetente legítimo do serviço. Como a origem é um servidor reconhecido, as comunicações passam facilmente por protocolos de segurança cruciais e chegar directamente à caixa de entrada das vítimas.

O conteúdo das mensagens procura sempre gerar pânico e urgência. Os visados recebem alertas falsos sobre infrações de direitos de autor, violações dos termos de serviço ou pedidos para validarem de imediato os seus perfis. O objectivo final é forçar o utilizador a clicar numa hiperligação que o redireciona para páginas fraudulentas, desenhadas para recolher palavras-passe, códigos de autenticação de dois factores, números de telemóvel e até fotografias de documentos de identificação.

Cibersegurança ganha peso geopolítico global

A investigação aponta que toda a componente técnica do ataque é operada a partir do Vietname. Após a captura da informação, os dados sensíveis são enviados para canais no Telegram. O grupo malicioso rentabiliza o esquema através da venda de acessos na dark web ou, em casos mais gravosos, recorre aos orçamentos publicitários das contas roubadas para financiar a disseminação de fraudes financeiras. Em situações insólitas, os autores do ataque chegam a contactar as vítimas para vender serviços de recuperação das próprias contas que acabaram de roubar.

A melhor forma de protecção perante esta ameaça passa por adoptar uma postura de desconfiança por defeito. A dona da rede social nunca utiliza servidores externos para enviar notificações oficiais ou alertas de segurança. Caso receba um aviso suspeito, não clique em qualquer ligação. O procedimento correcto passa por aceder directamente à plataforma através da aplicação móvel ou do navegador para verificar se existe algum alerta real, e garantir sempre que a autenticação de dois factores se encontra activa.

Apple em Maio: actualizações e possíveis lançamentos

Maio pode trazer mais novidades da Apple do que o habitual, e não apenas em desempenho ou novos dispositivos. Há também um reforço importante na acessibilidade.

Entre os lançamentos esperados estão novos modelos do iPad Pro e do iPad Air, além da possível chegada do iOS 17.5, com melhorias de segurança e estabilidade. No segmento de entretenimento, também há sinais de actualizações para a Apple TV, o que pode proporcionar uma experiência mais fluida no consumo de conteúdos.

Mas um dos destaques mais relevantes é o investimento contínuo em funcionalidades de acessibilidade. A Apple tem vindo a introduzir ferramentas que ajudam pessoas com limitações visuais, auditivas ou motoras a utilizarem os seus dispositivos de forma mais simples e eficiente.

Para Angola, isso é especialmente importante. Num contexto em que a inclusão digital ainda enfrenta desafios, tecnologias mais acessíveis podem abrir portas para a educação, o trabalho e a comunicação para mais pessoas.

Mesmo sem um grande evento, a Apple mostra que inovar não é apenas lançar novos produtos, mas também tornar a tecnologia mais útil e acessível para todos.

Cibersegurança ganha peso geopolítico global

A cibersegurança está a assumir um papel central na geopolítica global, com os governos a reforçarem capacidades ofensivas e a integrarem o ciberespaço nas estratégias de segurança nacional, segundo o mais recente relatório da NCC Group.

O “Radar Global de Políticas Cibernéticas” indica que o aumento das tensões internacionais e a adoção acelerada de inteligência artificial estão a redefinir o enquadramento regulatório e operacional das organizações.

De acordo com a consultora, a política de cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica, passando a funcionar como instrumento estratégico para influência geopolítica, controlo económico e gestão de risco. Este movimento reflete-se em áreas como soberania digital, controlo da supply chain tecnológica e operações cibernéticas conduzidas por Estados.

O estudo identifica uma mudança relevante na postura governamental. Face ao aumento das ciberameaças, a defesa isolada é considerada insuficiente, levando vários países a desenvolver e integrar capacidades ofensivas nas suas estratégias.

Exemplos recentes incluem ciberoperações dos Estados Unidos relacionadas com o Irão, bem como iniciativas semelhantes em países europeus. Esta evolução levanta questões sobre escalada de conflitos, cooperação internacional e o papel das empresas no apoio a iniciativas governamentais.

A ausência de normas globais consolidadas pode, segundo a NCC Group, contribuir para a fragmentação do ciberespaço, aumentando a complexidade de compliance para organizações multinacionais.

O relatório destaca três tendências principais. A primeira é o reforço da soberania digital, com maior controlo sobre dados, infraestruturas e serviços críticos. A segunda é a aplicação de regras de cibersegurança existentes à utilização de IA, aumentando o escrutínio sobre a sua implementação. A terceira é o reforço da responsabilização ao nível da gestão, com maior pressão sobre os conselhos de administração.

Este contexto é acompanhado pela entrada em vigor de novas regulamentações, incluindo a diretiva NIS2, o Digital Operational Resilience Act (DORA), o Cyber Resilience Act e o AI Act na Europa, bem como legislação nos Estados Unidos.

Katharina Sommer, diretora de Assuntos Governamentais e Relações com Analistas da NCC Group, afirma em comunicado que a cibersegurança se tornou uma extensão da geopolítica, com a regulação a refletir preocupações de segurança nacional e risco na cadeia de fornecimento.

Para as organizações, este cenário implica uma abordagem mais estratégica à cibersegurança, incluindo reforço da governação, definição de políticas claras de cooperação público-privada e maior envolvimento dos conselhos de administração.

O relatório conclui que a capacidade de adaptação a este ambiente, onde cibersegurança, regulação e geopolítica convergem, será determinante para a resiliência e competitividade das organizações.

Angola está ligada, mas ainda falha na adoção digital

Em Angola, o telemóvel não é um acessório, é a principal janela para o mundo digital. Com 30,6 milhões de ligações móveis activas para uma população de 36,6 milhões, o país regista uma taxa de penetração de 77,8%. E o crescimento não abranda: foram adicionadas 2,4 milhões de novas ligações apenas no último ano, um aumento de 8,5%.

O dado mais revelador é qualitativo: 94,9% das ligações móveis em Angola são já “broadband”, isto é, conectam-se via redes 3G, 4G ou 5G. Isto significa que a infra-estrutura técnica para aceder à internet existe, de forma maioritária, no bolso dos angolanos. O problema não é o sinal. É a conversão desse potencial em utilização efectiva.

A velocidade média de download em ligação fixa situa-se nos 20,39 Mbps um crescimento de 9,7% face ao ano anterior, mas o acesso fixo continua a ser um privilégio urbano e empresarial, longe da realidade da maioria dos utilizadores.

14% de penetração: muito espaço para crescer

Os dados de redes sociais são onde o retrato digital de Angola se torna mais complexo e mais interessante. Com 5,50 milhões de utilizadores activos em redes sociais, Angola regista uma penetração de apenas 14% da população total. Para um país com quase 18 milhões de internautas, este número levanta uma questão directa: porque é que apenas um em cada três utilizadores de internet está nas redes sociais?

A resposta está, em parte, na demografia. A média de idades em Angola é de 16,6 anos metade da população tem menos de 17 anos. Trata-se de uma população extraordinariamente jovem, em que uma fracção significativa ainda não atingiu a idade mínima para registo nas principais plataformas. Mas é também esta mesma juventude que constitui o principal motor de crescimento futuro.

O LinkedIn merece atenção especial: com 1,40 milhão de membros, a plataforma profissional alcança 7,2% da população adulta angolana, uma proporção considerável para uma rede com perfil corporativo. Reflecte a crescente classe profissional urbana, muito concentrada em Luanda, com apetência por conectividade e visibilidade no mercado de trabalho global.

FUNIL DIGITAL DE ANGOLA — OUTUBRO 2025

  • Ligações móveis broadband  94,9%
  • Ligações móveis (% população)  77,8%
  • Penetração de internet  44,8%
  • Penetração de redes sociais  14,0%

O que explicam estes números

A leitura conjunta dos dados revela uma Angola digital assimétrica. O mobile cresceu a um ritmo robusto oito vezes mais rápido do que o crescimento de utilizadores de internet em termos absolutos. Mas essa expansão não se traduz de forma linear em adopção de serviços digitais como redes sociais.

Há três factores estruturais a considerar. Primeiro, o custo dos dados móveis: em Angola, o acesso à internet via dados continua a representar uma fatia significativa do rendimento disponível para as famílias de menor poder de compra. Ter um telemóvel com capacidade 4G não implica ter um plano de dados activo.

Segundo, a literacia digital: com 50,8% da população abaixo dos 17 anos e parte considerável em zonas rurais a capacidade de navegação autónoma em plataformas digitais é ainda limitada. Terceiro, a relevância do conteúdo local: as redes sociais dominantes são plataformas globais com interfaces predominantemente em inglês ou português do Brasil, o que pode criar barreiras de adopção.

O potencial é real. A população urbana já representa 70% do total, e Luanda concentra a maior densidade de utilizadores digitais do país. À medida que os custos de dados baixam tendência já visível na região com a expansão dos cabos submarinos e da concorrência entre operadores a curva de adopção de redes sociais deverá acelerar de forma significativa nos próximos dois a três anos.

Os números de 2026 mostram um país que já atravessou a fase de infra-estrutura e que entra agora na fase de utilização. Os 5,5 milhões de utilizadores de redes sociais de hoje são o ponto de partida, não o destino.