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Entre o M-PESA e o Pix: o percurso angolano dos pagamentos digitais

Em África, existem dois modelos de referência para a digitalização dos pagamentos. O primeiro é o modelo queniano, assente numa carteira móvel criada por um operador de telecomunicações com forte presença no mercado, que conquista escala rapidamente e só mais tarde é enquadrada pela regulação. O segundo é o modelo brasileiro, onde o banco central assume a liderança, cria uma infra-estrutura pública de pagamentos instantâneos e obriga as instituições financeiras a ligarem-se a essa rede.

Angola não seguiu integralmente nenhum deles. Escolheu um caminho intermédio, menos evidente e mais difícil de avaliar.

Um ecossistema construído em várias camadas

Para compreender a realidade dos pagamentos digitais em Angola é necessário olhar para o ecossistema como um conjunto de camadas complementares.

A primeira é a camada bancária. Desde 2002, a EMIS opera a rede Multicaixa, a principal infra-estrutura interbancária do país para caixas automáticas, terminais de pagamento e cartões de débito. Trata-se da base sobre a qual assenta todo o sistema de pagamentos electrónico nacional. Em 2025, segundo dados da própria empresa, os sistemas por si operados processaram cerca de 3,4 mil milhões de transacções, num valor superior a 46 biliões de kwanzas.

A segunda camada corresponde aos canais digitais associados ao sistema bancário. O Multicaixa Express tornou-se o meio digital mais utilizado pelos clientes dos bancos angolanos. Em 2025 movimentou cerca de 19,7 biliões de kwanzas, registando um crescimento de 56% face ao ano anterior. No mesmo período, o número de utilizadores com cartões activos passou de 1,3 milhões para 2 milhões. Apesar deste crescimento expressivo, mantém uma limitação importante: exige uma conta bancária e um IBAN, servindo sobretudo quem já está integrado no sistema financeiro formal.

A terceira camada é representada pelo KWiK, o sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) em parceria com a EMIS, em 2023. Criado com apoio técnico do Banco Mundial, o KWiK procura funcionar como uma infra-estrutura aberta e interoperável para transferências imediatas. Desde o seu lançamento acumulou cerca de 58,5 milhões de operações, correspondentes a mais de 1,3 biliões de kwanzas. Apenas no primeiro semestre de 2026 processou 8,7 milhões de transacções, num total superior a 557 mil milhões de kwanzas, crescendo 62% em relação ao período homólogo.

A quarta camada é a das carteiras móveis. A Unitel Money iniciou operações em Agosto de 2021 e chegou a cerca de 1,5 milhões de clientes em Janeiro de 2023, apoiada por uma rede superior a 50 mil agentes distribuídos por todas as províncias. A Afrimoney, lançada pela Africell em 2023, anunciou mais de dois milhões de utilizadores registados. Contudo, os dados divulgados pela operadora relativos ao segundo trimestre de 2024 mostravam que apenas 630 mil clientes utilizaram efectivamente o serviço naquele período, dos quais cerca de 250 mil eram utilizadores frequentes.

A estas camadas juntam-se agora novos prestadores de serviços de pagamento não bancários, como o PayPay, já autorizado pelo BNA a aderir ao KWiK.

Comparar Angola com o Quénia é inevitável.

No exercício terminado em Março de 2026, o M-PESA gerou receitas de 182,7 mil milhões de xelins quenianos e representou quase metade das receitas de serviços da Safaricom. O sistema processou 46,4 mil milhões de transacções num valor superior a 41 biliões de xelins, apoiado por uma base de quase 41 milhões de utilizadores activos mensais e mais de três milhões de comerciantes.

Os números falam por si. Enquanto o Quénia conta dezenas de milhões de utilizadores activos, Angola soma aproximadamente 3,5 milhões de utilizadores registados nas suas duas principais carteiras móveis, com apenas uma parte a utilizar regularmente os serviços.

Este é o preço do modelo angolano. A inclusão financeira digital avançou de forma mais lenta do que provavelmente teria acontecido caso o país tivesse apostado cedo num sistema semelhante ao M-PESA.

Ao longo de quase duas décadas, o Quénia permitiu que uma parte significativa da sua infra-estrutura de pagamentos ficasse concentrada num único operador privado. O resultado foi a criação de uma dependência estrutural em relação ao M-PESA e à Safaricom.

Por essa razão, o Banco Central do Quénia encontra-se actualmente a desenvolver um sistema nacional de pagamentos instantâneos. A iniciativa procura criar uma alternativa pública e interoperável, reduzir a dependência de um único actor e aumentar a concorrência.

O exemplo brasileiro ajuda a compreender esta tendência. Com o Pix, o Brasil demonstrou que uma infra-estrutura pública, eficiente e de baixo custo pode desafiar os modelos tradicionais de pagamento. Quando as transferências se tornam instantâneas e praticamente gratuitas, a capacidade dos intermediários para capturar margens elevadas diminui substancialmente.

Angola parece ter aprendido essa lição antecipadamente. O KWiK foi concebido desde o início como uma plataforma interoperável e aberta a bancos e instituições não bancárias. Além disso, o BNA definiu critérios objectivos de adesão obrigatória para os principais participantes do sistema e procurou evitar a fragmentação do mercado.

Em termos estratégicos, a mensagem é clara: o país procura impedir a formação de um monopólio privado sobre os pagamentos digitais.

A lição da África do Sul

Existe, contudo, um terceiro caso frequentemente ignorado neste debate.

O M-PESA foi lançado na África do Sul em 2010 com grandes expectativas. O objectivo passava por alcançar dez milhões de utilizadores. Cinco anos depois, contava apenas com cerca de 76 mil clientes registados e acabou por ser encerrado em 2016.

O fracasso não resultou de limitações tecnológicas. O problema era outro: a maioria da população sul-africana já tinha acesso a serviços bancários convencionais e a mecanismos alternativos de transferência de dinheiro.

A principal lição é que o mobile money não é uma solução universal. O seu sucesso depende do contexto económico e financeiro de cada mercado.

Angola encontra-se numa posição intermédia. Por um lado, ainda possui uma elevada percentagem de população sem acesso a serviços bancários. Por outro, dispõe de uma rede interbancária relactivamente desenvolvida e de canais digitais em crescimento acelerado. Esta combinação explica porque nenhum dos modelos puros, nem o queniano nem o sul-africano, se ajusta totalmente à realidade nacional.

Existe, porém, uma questão que continua por resolver.

Nem o KWiK nem o Multicaixa Express transformam numerário em saldo electrónico. Ambos operam essencialmente entre contas já existentes. Numa economia onde grande parte do comércio informal continua a funcionar com dinheiro físico, a capacidade de realizar operações de depósito e levantamento continua a ser determinante.

É precisamente aqui que as redes de agentes das carteiras móveis fazem a diferença.

Os mais de 50 mil agentes da Unitel Money representam muito mais do que simples pontos de atendimento. Constituem uma rede física de confiança, proximidade e liquidez que nenhum sistema digital consegue substituir exclusivamente através de tecnologia.

O programa “KWiK nos Mercados” reflecte o reconhecimento desta realidade. O sucesso ou fracasso da iniciativa poderá determinar até que ponto o sistema de pagamentos instantâneos conseguirá penetrar no sector informal da economia.

O risco silencioso do modelo angolano

Há ainda uma dimensão menos discutida, mas extremamente relevante.

Grande parte dos pagamentos electrónicos em Angola depende da mesma infra-estrutura tecnológica. Multicaixa, Multicaixa Express e KWiK funcionam sobre plataformas operadas pela EMIS.

Esta concentração simplifica a interoperabilidade e reduz a fragmentação do mercado. Contudo, também aumenta a exposição a falhas operacionais. Sempre que ocorrem problemas técnicos numa plataforma central, o impacto pode propagar-se rapidamente por todo o sistema financeiro.

O trilho digital já existe. O desafio está agora na última milha.

A diversidade de participantes reduz o risco de captura económica. Não elimina, porém, o risco associado à dependência de um único operador de infra-estrutura.

É possível que Angola venha a tornar-se um dos primeiros países africanos a alcançar uma ampla inclusão financeira digital sem passar por uma fase dominada por carteiras móveis de operadores de telecomunicações. Se tal acontecer, o país terá antecipado uma tendência que hoje começa a emergir noutras geografias.

A evolução dependerá de quatro factores fundamentais: o custo de utilização do KWiK para comerciantes, o modelo de liquidação utilizado pelo sistema, o número real de utilizadores activos das carteiras móveis e, sobretudo, a capacidade do KWiK de chegar à economia informal.

No fim de contas, o futuro dos pagamentos digitais em Angola não será decidido nos centros de processamento de dados nem nas salas de regulação. Será decidido nos mercados, nas pequenas lojas, nos bairros e nas ruas, onde o numerário continua a dominar.

Hackers associados ao Irão forçaram paragem de instalação energética no Reino Unido

De acordo com a informação disponível, esta é a primeira vez que um ciberataque ligado a Teerão provoca a interrupção total de uma infraestrutura deste tipo em território britânico.

Importa, contudo, esclarecer algumas informações que circularam nas redes sociais. A instalação afectada não era uma grande central eléctrica. Fontes governamentais citadas pelo The Telegraph descrevem-na como um gerador de pequena escala, com uma capacidade tão reduzida que fica abaixo do limiar legal para a notificação obrigatória de incidentes de cibersegurança.

Um responsável britânico chegou mesmo a afirmar que a produção da unidade representava “menos do que um erro de arredondamento” quando comparada com a capacidade total da rede eléctrica nacional. O Governo confirmou a ocorrência do incidente, mas garantiu que nunca existiu qualquer risco para o abastecimento energético do país.

Cibercriminoso coloca à venda dados de funcionários de várias multinacionais

Até ao momento, não existe uma atribuição oficial do ataque. O National Cyber Security Centre (NCSC), organismo responsável pela cibersegurança no Reino Unido e integrado no GCHQ, mantém a política de não comentar incidentes individuais.

Para as autoridades britânicas, o objectivo dos atacantes dificilmente terá sido provocar perturbações à população. A interrupção passou despercebida para a maioria dos cidadãos e não produziu consequências relevantes para a rede eléctrica.

A principal hipótese considerada pelas autoridades é a de uma demonstração de capacidade operacional: mostrar que grupos ligados ao Irão conseguem aceder a sistemas industriais sensíveis e interromper o seu funcionamento quando assim o entendem.

O contexto geopolítico reforça esta interpretação. Desde a intensificação das tensões e dos confrontos no Médio Oriente, a actividade cibernética associada ao Irão tem aumentado, com alegações e suspeitas de ataques reportadas em países como Alemanha, Polónia, Finlândia, Bélgica e Albânia.

Em Junho, o director do NCSC revelou que a agência tinha respondido a mais de 200 incidentes que afectaram infra-estruturas críticas durante o ano anterior, o equivalente a cerca de quatro ocorrências de relevância nacional por semana.

O caso britânico volta a demonstrar uma realidade conhecida no sector: os ataques mais eficazes nem sempre recorrem a técnicas sofisticadas. Muitas vezes, exploram vulnerabilidades básicas que permanecem expostas durante demasiado tempo.

Google permite remover marca d’água visível de conteúdos gerados por IA

O Google vai permitir que os utilizadores removam a marca d’água visível de imagens, vídeos e outros conteúdos criados com recurso à inteligência artificial (IA). A alteração foi anunciada por Josh Woodward, vice-presidente do Google Labs.

A nova opção estará disponível no Gemini e no Flow, editor de vídeos da empresa, permitindo que o utilizador escolha se pretende manter ou retirar o selo visível antes de partilhar o conteúdo.

A funcionalidade aplica-se às imagens produzidas com o modelo Nano Banana, aos vídeos criados através do Omni e às músicas geradas com o modelo de IA Lyria. A remoção, contudo, não estará disponível em países onde a legislação obrigue à manutenção da identificação visual.

Apesar da possibilidade de remover o selo visível, o Google afirma que os conteúdos continuarão a contar com mecanismos de identificação.

A marca d’água invisível SynthID permanecerá incorporada nos ficheiros, permitindo identificar que o conteúdo foi criado ou manipulado através de ferramentas de IA. Os metadados C2PA, utilizados para fornecer informações sobre a origem e autenticidade dos conteúdos digitais, também continuarão a ser utilizados.

Nos serviços que já receberam a funcionalidade, o utilizador poderá aceder às definições de Marca d’água de mídia e escolher se pretende apresentar ou ocultar o identificador visível.

A decisão do Google já levanta preocupações relacionadas com a identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial.

Com imagens e vídeos gerados por IA cada vez mais realistas, a ausência de um marcador visível poderá tornar mais difícil para o público distinguir imediatamente entre conteúdos reais e artificiais.

Por outro lado, o Google defende que a manutenção dos identificadores invisíveis permite preservar mecanismos de transparência sem limitar a utilização criativa dos conteúdos.

A empresa considera que a medida procura encontrar um equilíbrio entre o controlo dado aos utilizadores e a necessidade de manter ferramentas que permitam verificar a origem dos conteúdos.

Outras empresas do sector também têm adoptado mecanismos semelhantes. A OpenAI e a Meta não utilizam marcas d’água visíveis em todos os conteúdos gerados pelos seus modelos, enquanto a Anthropic anunciou igualmente uma estratégia baseada em marcadores invisíveis.

A tendência mostra que a identificação de conteúdos gerados por IA está a passar de elementos visíveis para sistemas incorporados nos próprios ficheiros, numa altura em que a distinção entre conteúdos reais e artificiais se torna cada vez mais difícil.

A história do USB: do conector que só encaixava de um lado ao iPhone

Hoje, é difícil imaginar um computador, smartphone ou outro dispositivo electrónico sem algum tipo de ligação USB. O padrão está presente em carregadores, cabos de dados, computadores, consolas, televisores e diversos acessórios.

Mas a tecnologia nem sempre fez parte do dia a dia dos consumidores. Antes da sua criação, ligar diferentes equipamentos a um computador podia ser uma tarefa complicada, devido à existência de vários tipos de conectores e padrões.

Antes do USB, conectar dispositivos era mais complicado

Nas décadas de 1980 e 1990, computadores utilizavam diferentes portas para ligar periféricos como teclados, ratos, impressoras e outros equipamentos.

Entre os conectores mais comuns estavam as portas série e paralela, além das portas PS/2, utilizadas principalmente para ratos e teclados.

Cada tipo de dispositivo podia exigir uma ligação específica e, em alguns casos, adaptadores. Além das diferenças físicas entre os conectores, também existiam problemas de compatibilidade entre equipamentos e sistemas.

Foi neste cenário que surgiu a necessidade de criar um padrão mais simples e universal.

O nascimento do USB

O desenvolvimento do USB começou na década de 1990, com a participação de várias empresas da indústria tecnológica. A primeira especificação oficial do USB 1.0 foi publicada em 1996.

A proposta era relativamente simples: criar uma ligação que permitisse conectar diferentes tipos de periféricos ao computador através de um padrão comum.

Uma das principais vantagens estava no conceito Plug and Play, que permitia ao sistema reconhecer automaticamente determinados dispositivos depois de serem ligados, reduzindo a necessidade de configurações manuais.

A tecnologia também permitia transportar dados e, posteriormente, energia através do mesmo tipo de ligação.

A evolução dos conectores

Com o passar dos anos, o USB foi evoluindo e ganhou diferentes versões e formatos.

O tradicional USB Type-A, presente durante muitos anos em computadores e carregadores, ficou conhecido pelo formato rectangular e pela característica que se tornou motivo de brincadeiras entre utilizadores: era necessário tentar encaixá-lo várias vezes até encontrar o lado correcto.

Depois surgiram formatos mais pequenos, como o Micro-USB, muito utilizado em smartphones e outros dispositivos.

Mais recentemente, o USB Type-C tornou-se o principal sucessor dos formatos anteriores. O conector é reversível, permitindo ser ligado de qualquer lado, além de suportar velocidades de transferência de dados e capacidades de carregamento superiores, dependendo da especificação utilizada.

Do computador aos smartphones

A adopção do USB ultrapassou rapidamente o universo dos computadores. O padrão passou a estar presente em câmaras, consolas, impressoras, discos externos, smartphones e vários outros equipamentos.

A evolução também transformou o USB numa das principais tecnologias utilizadas para carregamento de dispositivos.

No mercado dos smartphones, o USB Type-C ganhou ainda mais importância com a sua adopção por diferentes fabricantes. A própria Apple passou a utilizar este conector nos iPhones, substituindo a porta Lightning a partir do iPhone 15.

Um padrão que continua a evoluir

O USB deixou de ser apenas uma forma de ligar um rato ou uma impressora ao computador. Actualmente, pode ser utilizado para transferência de dados, carregamento, ligação a monitores e outros equipamentos, dependendo da versão e das especificações do dispositivo e do cabo.

Outro factor que contribuiu para a sua popularização foi a adopção do padrão por diferentes fabricantes e a disponibilidade de especificações que permitem a utilização da tecnologia sem o mesmo tipo de barreiras que existiam entre conectores proprietários.

Quase três décadas depois da primeira especificação oficial, o USB continua a evoluir e permanece como uma das tecnologias fundamentais para a ligação entre dispositivos electrónicos.

Moçambique inicia testes com o ANGOSAT-2 para serviços de telecomunicações

A Moçambique Telecom (Tmcel), empresa pública de telecomunicações de Moçambique, iniciou testes de Prova de Conceito (PoC) com o ANGOSAT-2, com o objectivo de avaliar a utilização do satélite angolano para a prestação de serviços de telecomunicações em território moçambicano.

A iniciativa enquadra-se nos acordos de cooperação assinados entre Angola e Moçambique nos sectores espacial e das comunicações e representa mais um passo na expansão regional das soluções suportadas pelo satélite angolano.

Os testes acontecem na sequência dos memorandos assinados em Junho, à margem da 5.ª Conferência Nacional das Comunicações, realizada em Maputo.

A Tmcel junta-se à Televisão de Moçambique (TVM), que já realizou testes de Prova de Conceito para a transmissão do seu sinal através do ANGOSAT-2.

Os testes realizados pela TVM apresentaram resultados positivos e as duas partes preparam agora um acordo comercial que permitirá distribuir o sinal da televisão pública moçambicana para todo o território através do satélite angolano.

Com a entrada da Tmcel na fase de testes, o ANGOSAT-2 passa a ser avaliado também como uma solução para apoiar serviços de telecomunicações no país vizinho.

A utilização do ANGOSAT-2 por empresas e instituições moçambicanas reforça o potencial da infraestrutura espacial angolana para responder às necessidades de conectividade e comunicação de outros países africanos.

A cooperação entre Angola e Moçambique enquadra-se ainda na estratégia de expansão regional dos serviços associados ao ANGOSAT-2, particularmente no espaço da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

A realização dos testes com a Tmcel poderá abrir caminho para novos serviços comerciais e reforçar a utilização da capacidade do satélite angolano fora do território nacional.

O avanço representa, igualmente, um exemplo de como a infraestrutura espacial pode ser transformada em soluções concretas para telecomunicações, radiodifusão e conectividade na região.

ChatGPT ganha versão para adolescentes com limites de conteúdo e controlo parental

A OpenAI anunciou uma nova experiência do ChatGPT desenvolvida especificamente para adolescentes entre os 13 e os 17 anos. A versão inclui ferramentas de inteligência artificial direccionadas para os estudos, além de medidas adicionais de segurança, limites de utilização e funcionalidades de controlo parental.

Segundo a empresa, os utilizadores que indicarem ter entre 13 e 17 anos, ou que sejam identificados pelo sistema como menores de 18 anos, poderão ser encaminhados automaticamente para a experiência destinada ao público adolescente.

Entre as principais novidades está a forma como o ChatGPT deverá apoiar os estudantes nas tarefas escolares. Em vez de apresentar directamente uma resposta, a ferramenta poderá orientar o utilizador através de perguntas, explicações e diferentes etapas, permitindo que chegue à solução por conta própria.

A experiência inclui também o Modo Estudo, que utiliza perguntas orientadoras e explicações passo a passo para ajudar na compreensão dos conteúdos. A OpenAI anunciou ainda funcionalidades destinadas às tarefas de casa, que podem identificar situações em que o estudante procura apenas obter uma resposta pronta e incentivá-lo a trabalhar de forma mais colaborativa.

Para reforçar a aprendizagem, a plataforma contará igualmente com quizzes e ferramentas de visualização, permitindo aos estudantes praticar os conteúdos e avaliar os conhecimentos adquiridos.

Outra funcionalidade anunciada são as Horas de Estudo, que permitem definir determinados períodos do dia em que o Modo Estudo será activado por defeito.

A nova experiência faz parte dos esforços da OpenAI para adaptar o ChatGPT às necessidades dos utilizadores mais jovens, procurando equilibrar o acesso às ferramentas de inteligência artificial com medidas destinadas a promover uma utilização mais segura e responsável.

Chrome pode transformar páginas da internet em podcasts com Inteligência Artificial

O Google está a preparar uma nova funcionalidade para o Chrome que poderá transformar o conteúdo de páginas da internet numa espécie de podcast produzido por Inteligência Artificial (IA).

A ferramenta, chamada “AI Playback”, foi identificada em desenvolvimento nas versões recentes do Chrome Canary para computadores. A funcionalidade deverá permitir que os utilizadores ouçam o conteúdo de uma página através de uma conversa simulada entre dois apresentadores gerados por IA.

A novidade segue o conceito de “Resumo em áudio”, recurso já disponível no NotebookLM e que também chegou ao Chrome para Android no final de 2025.

Como vai funcionar?

Em vez de simplesmente converter o texto da página em voz, a ferramenta utiliza Inteligência Artificial para interpretar o conteúdo e transformá-lo numa conversa semelhante a um podcast.

Desta forma, dois apresentadores virtuais podem discutir os principais pontos do conteúdo, tornando o consumo de informação mais dinâmico para quem prefere ouvir em vez de ler.

A funcionalidade poderá ser encontrada no painel lateral do Modo de leitura do Chrome. O botão associado à ferramenta é identificado por ondas sonoras e por um símbolo de estrela, semelhante ao utilizado pelo Gemini.

Segundo informações divulgadas pelo Windows Report, o utilizador poderá activar ou desactivar a leitura com IA. Quando a funcionalidade estiver desactivada, o Chrome deverá utilizar a leitura tradicional da página.

Apesar da proposta, o recurso não substitui necessariamente as ferramentas tradicionais de leitura em voz alta.

A leitura convencional reproduz o conteúdo da página de forma mais fiel, enquanto o sistema baseado em IA poderá resumir, reorganizar e comentar determinadas informações para criar uma experiência semelhante a um podcast.

Isso significa que alguns detalhes presentes no texto original podem não aparecer no áudio gerado pela Inteligência Artificial.

A funcionalidade pode ser particularmente útil para quem pretende acompanhar artigos enquanto realiza outras actividades ou para utilizadores que preferem consumir informação através de áudio.

A ferramenta foi identificada nas versões de testes do Chrome Canary e, neste momento, ainda apresenta limitações. Segundo os relatos, o botão da funcionalidade já aparece no navegador, mas ainda não funciona de forma completa.

O Google ainda não confirmou oficialmente quando o recurso será disponibilizado para todos os utilizadores do Chrome.

Caso seja lançado, o “AI Playback” poderá representar mais um passo na integração da Inteligência Artificial no navegador, transformando conteúdos tradicionalmente consumidos através da leitura em experiências de áudio mais próximas dos podcasts.

Linux 7.2 é lançado com melhorias de desempenho e suporte para novo hardware

No comunicado que acompanha a nova versão, o responsável pelo kernel admitiu que os últimos dias de desenvolvimento trouxeram mais mudanças do que seria desejável. Ainda assim, considerou que a situação não justificava um adiamento. Segundo Torvalds, estas semanas mais agitadas antes de cada lançamento parecem estar a tornar-se uma tendência cada vez mais frequente.

De acordo com o The Register, esta nova realidade poderá estar relacionada com a crescente utilização de ferramentas de inteligência artificial no desenvolvimento de software. Torvalds já havia referido anteriormente que estas soluções permitem aos programadores produzir mais código e submeter um maior número de alterações para integração no kernel.

Alterações no subsistema gráfico revertidas

Entre as mudanças de última hora destacam-se várias reversões no Direct Rendering Manager (DRM), o subsistema responsável pela gestão do hardware gráfico no Linux.

As alterações relacionadas com o agendamento de tarefas da GPU foram removidas após se verificar que o código ainda apresentava problemas de estabilidade. Para Torvalds, a reversão continua a ser a melhor opção quando uma funcionalidade não está suficientemente madura para integrar uma versão estável. As modificações poderão regressar em futuras versões, depois de corrigidas as falhas identificadas.

Além destas alterações, a maioria dos patches incluídos na fase final do desenvolvimento corresponde a correcções de menor dimensão, sobretudo em controladores (drivers). O subsistema de rede recebeu igualmente um número significativo de actualizações, enquanto foram introduzidas várias correcções em componentes específicos de diferentes arquitecturas e no subsistema perf, utilizado para análise e monitorização de desempenho.

Melhor gestão de cache em processadores de servidor

Uma das novidades mais relevantes do Linux 7.2 é a introdução do Cache-Aware Scheduling (agendamento com consciência de cache).

Esta funcionalidade permite ao kernel optimizar a distribuição de tarefas em processadores multi-core, tendo em conta os dados já armazenados na memória cache. Sempre que possível, o sistema privilegia núcleos que já disponham dos dados necessários, reduzindo acessos à memória principal e melhorando a eficiência do processamento.

A tecnologia poderá beneficiar especialmente plataformas de elevado desempenho, incluindo os processadores AMD EPYC 5 e os Intel Xeon 6, frequentemente utilizados em centros de dados e ambientes empresariais.

Suporte alargado para novo hardware

O Linux 7.2 traz ainda melhorias que aproximam o kernel do suporte completo para sistemas equipados com processadores Apple M3. Foram igualmente introduzidos preparativos para futuras gerações de hardware da AMD, Intel e Nvidia, reforçando a compatibilidade da plataforma com equipamentos de próxima geração.

Desenvolvimento do Linux 7.3 já arrancou

Com a conclusão do ciclo do Linux 7.2, as atenções da comunidade voltam-se agora para a próxima versão do kernel. A janela de integração para o Linux 7.3 abriu a 17 de Agosto e Torvalds revelou que já tinha cerca de 40 pedidos de integração (pull requests) prontos para análise logo após o lançamento da nova versão.

O elevado volume de contribuições sugere que o ritmo acelerado de desenvolvimento deverá manter-se nos próximos meses, à medida que o kernel continua a expandir o suporte para novo hardware e a optimizar o desempenho em diferentes plataformas.

Microsoft alerta para o fim do suporte do Windows Server 2022

A actualização de segurança disponibilizada nesse mês será a última abrangida por esta fase do ciclo de vida do produto. Posteriormente, o sistema entrará em suporte alargado, período durante o qual continuará a receber actualizações de segurança mensais gratuitas até 14 de Outubro de 2031.

A empresa publicou um aviso com 60 dias de antecedência para assinalar a transição do Windows Server 2022 para a fase de suporte alargado. A partir de 13 de Outubro de 2026, deixarão de ser disponibilizadas novas funcionalidades, melhorias ou correcções que não estejam relacionadas com segurança. No entanto, as actualizações de segurança continuarão sem custos adicionais durante mais cinco anos.

A entrada nesta nova fase não significa o fim do suporte ao sistema operativo. As organizações que continuarem a utilizar o Windows Server 2022 manterão o acesso às actualizações de segurança. Ainda assim, a Microsoft recomenda a migração para o Windows Server 2025, sobretudo para quem necessita de suporte completo e das funcionalidades mais recentes.

O Windows Server 2025, a mais recente versão de canal de suporte de longo prazo (LTSC), beneficiará de suporte principal até 13 de Novembro de 2029 e de suporte alargado até 14 de Novembro de 2034.

Novidades do Windows Server 2025

Entre as principais melhorias introduzidas no Windows Server 2025 destacam-se o suporte para TLS 1.3, a activação da encriptação LDAP por predefinição, optimizações de desempenho para unidades SSD e NVMe, bem como um modelo de subscrição opcional.

A funcionalidade mais relevante é, contudo, o hotpatching, que permite instalar actualizações de segurança sem necessidade de reiniciar o servidor, reduzindo os períodos de indisponibilidade.

Hotpatching deixou de ser gratuito

Desde 1 de Julho de 2025, a Microsoft passou a cobrar pela utilização do hotpatching em ambientes locais (on-premises). O serviço custa 1,50 dólares por núcleo de CPU por mês e exige gestão através do Azure Arc.

Num servidor equipado com 16 núcleos, o custo anual ascende a cerca de 288 dólares. Já na edição Windows Server Datacenter: Azure Edition, esta funcionalidade continua disponível sem custos adicionais.

WINS será descontinuado

O Windows Server 2025 será também a última versão a incluir o protocolo Windows Internet Name Service (WINS). A Microsoft prevê remover a funcionalidade das futuras versões do sistema operativo, embora o suporte ao protocolo permaneça disponível até Novembro de 2034.

Microsoft recomenda planeamento antecipado

A tecnológica aconselha as organizações a avaliarem desde já as opções de migração e a iniciarem os testes de implementação o mais cedo possível, de forma a evitar constrangimentos quando o suporte principal do Windows Server 2022 chegar ao fim.

Para facilitar o processo de avaliação, a Microsoft disponibiliza uma versão experimental do Windows Server 2025 com validade de 180 dias através do seu Centro de Avaliação.

Cibercriminoso coloca à venda dados de funcionários de várias multinacionais

Alegadamente, os dados foram obtidos a partir de ambientes Microsoft Azure e através da utilização de credenciais de acesso comprometidas. Entre as empresas visadas encontram-se a McDonald’s, Vodafone, Kyndryl e a Tata Consultancy Services (TCS). Algumas organizações, contudo, rejeitam ter sido vítimas de qualquer intrusão.

Desde 31 de Julho, o atacante publica conjuntos de dados em fóruns dedicados ao cibercrime. A maior base de dados, alegadamente proveniente da McDonald’s, contém mais de 1,7 milhões de registos. Seguem-se mais de 800 mil registos da TCS, 425 mil da Vodafone e 250 mil da HCL Technologies.

A lista inclui ainda o InterContinental Hotels Group (185 mil registos), Kyndryl (170 mil), Gap (80 mil), Hexaware Technologies (20 mil) e Wyndham Hotels (9 mil). Segundo o BleepingComputer, o atacante disponibiliza amostras das bases de dados para permitir aos potenciais compradores avaliar o conteúdo.

Estrutura interna das organizações exposta

De acordo com o TheHatman, os conjuntos de dados incluem nomes, endereços de correio electrónico corporativo, números de identificação de funcionários, cargos, contactos telefónicos e moradas. Em alguns casos, terão sido também roubadas contas de serviço e outros dados associados aos inquilinos (tenants) do Azure.

A empresa de cibersegurança Hudson Rock analisou amostras dos dados disponibilizados e concluiu que a sua estrutura corresponde à informação habitualmente encontrada em directórios empresariais. Entre os elementos identificados estão domínios activos, endereços .onmicrosoft.com e referências a contas com privilégios de Administrador Global.

Este tipo de informação pode servir para futuras campanhas maliciosas. O conhecimento sobre cargos, departamentos e contas privilegiadas poderá facilitar ataques de phishing direccionado, usurpação da identidade de gestores ou equipas de TI e outras formas de engenharia social.

Apesar disso, a autenticidade de todos os conjuntos de dados continua por confirmar. A Hudson Rock considera os dados credíveis, mas o BleepingComputer não conseguiu validar as alegações do atacante de forma independente.

TCS e Gap rejeitam alegações

Duas das empresas referidas contestaram publicamente a alegada violação. A TCS afirmou ter investigado o caso sem identificar provas credíveis de comprometimento dos seus sistemas ou dos ambientes dos seus clientes. Segundo a empresa, os dados apresentados terão pelo menos quatro anos e incluem apenas informações básicas sobre colaboradores.

O TheHatman afirma ter recorrido a ataques de força bruta de palavras-passe e de fadiga de autenticação multifactor (MFA) para obter acesso à TCS. Nos ataques de força bruta, os criminosos testam um conjunto limitado de palavras-passe comuns em numerosas contas. Já os ataques de fadiga MFA consistem no envio repetido de pedidos de autenticação a um utilizador, na expectativa de que este aprove um deles por engano.

A TCS garante que adoptou medidas de protecção contra estas técnicas há mais de dois anos.

Também a Gap afirmou não ter encontrado quaisquer indícios de comprometimento dos seus sistemas. A empresa sustenta que os dados divulgados são limitados, não sensíveis e têm vários anos de antiguidade.

Origem dos dados continua por esclarecer

Até ao momento, não existe confirmação de que os dados tenham sido efectivamente extraídos de ambientes Azure durante ataques recentes. Embora o atacante afirme ter utilizado credenciais comprometidas, não foram apresentadas provas independentes que sustentem essa versão.

A Hudson Rock identificou credenciais de acesso ao Azure previamente roubadas por programas de roubo de informação (infostealers) em várias das organizações visadas. Os investigadores admitem, por isso, a possibilidade de essas credenciais terem desempenhado um papel no incidente. No entanto, não foi possível demonstrar que as contas em causa serviram para recolher os dados alegadamente colocados à venda.

Outros cenários possíveis incluem campanhas de phishing, roubo de tokens de sessão ou abuso de integrações com privilégios elevados. Para já, não existem indícios de que uma vulnerabilidade no Microsoft Azure ou no Microsoft Entra esteja na origem da alegada fuga de informação.