Candidatar-se a empregos em Angola ainda é tradicional?

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Candidatar-se a empregos em Angola ainda é tradicional.

Eu tenho boas notas, tenho boas recomendações, conheço pessoas com algumas influências, tenho visão, eu sou licenciado por uma boa universidade. Então tenho mais chances de arranjar um emprego. Resulta? Pode não resultar mas desta forma a pessoa tem mais oportunidades de arranjar um emprego, exactamente porque em Angola candidatar-se a empregos ainda é tradicional. Currículos ricos em experiência contam. Ou ainda, currículos ainda contam bastante.

Iniciou-se uma discussão cheia de comentários quando um colega meu postou no seu mural do facebook:

“Seja um ótimo engenheiro e o sucesso vai correr atrás de você!”

Depois ele perguntou: — Será mesmo verdade esta afirmação?

Então lembrei da conversa que tive com um amigo alguns dias atrás, ele está no Brasil e perguntou-me se eu conheço mais pessoas que usem rails aqui em Angola, porque ele acha que pelo menos só conhece duas pessoas que usem rails aqui. Bom pode ser que haja alguns escondidos por aí. Ele frisou: — Talvez seja porque as empresas padronizam as próprias linguagens a serem usadas e as pessoas também só usam aquilo que possa lhes fazer crescer ou favorecer neste meio. Foi o que ele disse.

Toda esta ladainha me fez pensar e analisar em como futuramente, se não agora, esta ideia tradicional vai se desvanecer aos poucos. Eu acredito realmente que as pessoas não querem saber onde você se formou, qual sua média final, quão rico é o seu currículo.

As pessoas querem ver o que você já desenvolveu…

Projectos paralelos são o foco da “coisa” agora. Seus projectos pessoais contam, o que você está trabalhando agora conta, e os projectos para o qual você contribuiu e contribui contam.

Comece sua carreira muito antes de terminar a faculdade.

Se você é engenheiro de software por exemplo, você devia estar a contribuir para projectos opensources, ou repositórios no github, criando aplicativos, websites, pensa nas coisas que gosta e coloca a mão na massa.

Se você é designer inicie criando o design do seu producto de sonho, suas ideias, ou recrie productos que já existam contribuindo em algo significante em que estes productos pecam. Ou encontre um desenvolvedor que dê vida a ele.

E assim em diante por outras áreas como gestores de produtos deveriam estar opinando sobre produtos que existam e criando outros a partir de suas ideias, criando estratégias e validando hipóteses, e/ou desenvolvendo MVPs. Tal como os Marketers.

O ponto é que suas qualificações no currículo já não contam como antes. Não espere se candidatar para um emprego e seu chefe ligar a bater palmas, aliás muitos deles ignoram ou pulam certas partes dum currículo. Nos dias de hoje prefere-se investigar sobre ti no google ou em uma rede profissional, prefere-se ver portfolios e seus contributos num site como github por exemplo. As pessoas querem saber seus interesses e personalidade, no que você está a trabalhar e provavelmente pouco de seus objectivos e texto em seu currículo.

Então faça um favor a ti próprio, inicie sua carreira agora, coloque seus projectos online e indique para os quais você contribui. O impacto será muito maior do que o seu currículo.

Eu não gosto desta frase, é como se tivesse um sentido “sei lá”. — Mas isto é Angola!

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Este texto foi publicado pelo por Amarildo Lucas no Medium e republicado aqui no MenosFios com a autorização do autor.

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