O novo relatório “Cyber Security Report 2026”, da Check Point Research, coloca África no topo do ranking mundial de ciberataques: em 2025, as organizações africanas sofreram, em média, mais de 3.000 ataques por semana, o valor mais alto de todas as regiões do planeta, acima da Ásia-Pacífico, da América Latina, da Europa e da América do Norte.
Os números?
Globalmente, cada organização enfrentou, em média, 1.968 ciberataques por semana em 2025, um aumento de 18% face a 2024 e de quase 70% desde 2023, segundo a telemetria da Check Point. Mas essa média esconde disparidades regionais acentuadas.

Com 3.092 ataques semanais por organização (+5% face a 2024), África lidera destacada, à frente da Ásia-Pacífico (2.909, +10%), da América Latina (2.795, +13%), da Europa (1.642, +20%) e da América do Norte (1.422, +23%). É um dado que pode parecer contraditório à primeira vista: África tem o volume mais alto, mas o crescimento anual mais baixo. A explicação mais plausível, segundo o padrão que a própria Check Point descreve noutras partes do relatório, é que o continente já operava, há vários anos, num patamar de exposição extremamente elevado, pelo que o crescimento marginal em 2025 reflecte um nível que já estava historicamente perto do máximo, e não uma redução do risco.
Um continente visível, mas pouco detalhado…
Vale notar uma mudança na própria metodologia do relatório: em edições anteriores, África surgia diluída dentro da categoria alargada “EMEA” (Europa, Médio Oriente e África). Este ano, a Check Point separou África como região autónoma na análise global, um sinal de que o continente ganhou peso suficiente nos dados de ameaças para justificar visibilidade própria.
Ainda assim, ao contrário da América do Norte, da Europa, da América Latina e da Ásia-Pacífico que receberam, cada uma, um gráfico detalhado de ataques por sector de actividade, África não tem, nesta edição, uma repartição sectorial própria. Ou seja: sabe-se que o continente é o mais atacado do mundo em volume, mas ainda não há dados públicos que digam, por exemplo, se é a banca, a energia ou a administração pública que mais sofre em Angola ou nos países vizinhos. Isso resume bem o desafio: a região mais visada continua a ser uma das menos estudadas em detalhe granular.
O que o Índice Global de Ameaças mostra sobre o continente?

O “Global Threat Index Map” do relatório, que classifica países por nível de risco, mostra várias nações da África Central, Ocidental e Austral em tonalidades de risco elevado a muito elevado, nalguns casos, entre as mais escuras do mapa mundial, ao lado de países como o Brasil, o México e a Indonésia. O relatório não isola dados por país dentro de África nesta edição, mas o padrão visual reforça a mensagem central: o continente enfrenta uma pressão de ameaças desproporcional ao investimento em defesa que, em média, consegue mobilizar.
O que isso significa para as organizações angolanas?
Para as empresas e instituições em Angola, este dado deve funcionar como um alerta directo: pertencer à região mais atacada do mundo não é uma estatística abstracta, é um contexto operacional. A Check Point recomenda, para 2026, que as organizações africanas, como as de qualquer outra região sob pressão semelhante, adoptem programas de segurança em camadas, priorizem a protecção de dados (e não apenas a disponibilidade dos sistemas) como objectivo central, tratem o risco de terceiros e fornecedores como exposição estrutural, e passem a medir a resiliência de forma contínua, em vez de a validar apenas em auditorias anuais.
Com África a liderar o ranking mundial de ataques por organização, a ausência de dados específicos sobre Angola deixa de ser um pormenor estatístico: é, em si, um risco. Sem visibilidade sobre onde e como o país está a ser atacado, é mais difícil priorizar a defesa.






