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Terça-feira, Outubro 27, 2026
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Empresas de tecnologia recorrem à religião para orientar a ética da inteligência artificial

Gigantes tecnológicas consultam líderes religiosos e filósofos para definir princípios morais para os seus modelos de IA, mas especialistas alertam que as diferentes tradições de fé nem sempre partilham a mesma visão sobre o que é certo ou errado.

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À medida que as empresas de tecnologia avançam no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), cresce também a preocupação sobre como garantir que os sistemas tomem decisões alinhadas com princípios éticos. Para enfrentar esse desafio, algumas gigantes tecnológicas estão a recorrer à religião, consultando líderes religiosos e filósofos na procura de orientações morais para os seus modelos.

A questão ganhou destaque no início deste ano, quando Chris Olah, cofundador da Anthropic, participou, no Vaticano, na apresentação de uma encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial. Na ocasião, Olah defendeu que questões relacionadas com a moralidade ultrapassam o âmbito dos laboratórios tecnológicos e exigem o contributo de tradições que reflectem sobre esses temas há milhares de anos.

A aproximação entre o sector tecnológico e as instituições religiosas surge num contexto de crescente debate sobre os riscos da IA e a necessidade de desenvolver sistemas capazes de agir de acordo com determinados valores. Para além dos avanços técnicos, as empresas procuram compreender de que forma princípios filosóficos e religiosos podem contribuir para orientar o comportamento dos chatbots e de outros sistemas inteligentes.

No entanto, a iniciativa levanta questões entre especialistas e representantes de diferentes religiões. Uma das principais preocupações está relacionada com a diversidade de crenças e interpretações morais, que podem apresentar posições contraditórias sobre os mesmos assuntos.

Os críticos alertam, por isso, que a religião não funciona como um conjunto universal de regras que possa ser simplesmente integrado nos sistemas de inteligência artificial. As diferenças entre tradições religiosas e visões do mundo tornam mais complexa a definição de princípios éticos que sejam aceites por diferentes comunidades.

O desafio das empresas tecnológicas passa, assim, por encontrar formas de orientar o desenvolvimento da inteligência artificial sem ignorar a diversidade de valores e perspectivas existentes na sociedade.

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