[Entrevista] Chrisguy Oliveira, um dos mais influentes PC Gamers Angolanos…

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Apesar de não ser de conhecimento geral em Angola existe uma comunidade bastante activa de PC Gamers, ou seja dos jogadores de jogos computador. Esta é uma comunidade de jogadores apaixonados e competitivos mas marcada acima de tudo pela amizade formada entre os seus jogadores, quer sejam aliados ou adversários.

Recentemente tive o prazer de entrevistar o Chrisguy Oliveira, ou “Dramatrix” como também é chamado na comunidade, que é o capitão do clan We Need Haters e um dos lideres da comunidade da dos PC gamers. Durante 30 minutos pudemos conversar de forma relaxada um pouco sobre o passado, o presente e o futuro desta comunidade sem que com isso deixamos de lado a seriedade destes assuntos. Mas o melhor é lerem o que o “Dramatrix” tem para nos dizer sobre o PC Gaming em Angola…

Chrisguy Oliveira (2)

 

 

 MF : Boa tarde Chriguy, muitos dos nossos leitores não te conhecem, podes me dizer um pouco mais sobre ti para que os leitores fiquem a te conhecer um pouco melhor ?

Chrisguy Oliveira: Chrisguy Oliveira, angolano de 30 anos de idade, sou Jornalista e tenho trabalhado na área de Comunicação e Marketing há 12 anos. Paralelamente a Comunicação, nos últimos 10 anos, também tenho explorado a área de Web e Graphic Design e participado em vários projectos ligados a minha área de formação que envolve Recursos Humanos e Comunicação integrada.

Para além de aspectos relativos a minha vida pessoal e profissional existem outras inclinações mais para o lado do entertainment, tal como o Gaming. A minha primeira experiência com o Gaming foi com o Atari e o Sega Master System em finais dos anos 80 e princípios dos 90’s.

Logo após essa fase, fui experimentando outras plataformas, mas nos anos 90 o que mais me emocionava eram as Arcades na Maianga, tal como a da Ex: BCR. Os putos na altura ficavam emocionados com os jogos de luta tal como o MK, Street Fighter, etc. E eu em especial estava mais virado para as Missões, jogos como o Cadillac Dinossauro, Punisher, Street of Rage, etc.

Mais para o Sec. XXI, apesar da guerra Titanica entre a SONY PS3 e a Microsoft XBOX 360 e estas duas serem a preferência da maioria dos gamers em Angola quiçá a Nível Mundial, os meus gostos estão mais virados ao jogo no PC. Com os membros da comunidade e não só, mais especificamente com os membros do Clã WNH, na qual sou Capitão e Fundador vamos variando entre jogos da gama RTS (Real Time Strategy) e os FPS (First Person Shooter) mais especificamente, Company of Heroes, Command e Conquer, Swat4, Half Life 2, a Serie Call of Duty, Battefield 3, etc.

 MF : Tu és actualmente um dos membros da comunidade mais antigos e estiveste desde sempre por dentro do que acontecia nela, como é que na tua opinião foram os primeiros anos da comunidade?

Não querendo especular, posso estabelecer um período equivalente de 13 a 15 anos de existência de um grupo de pessoas que jogam em PC em conjunto.

Mas como Comunidade de PC Gaming, talvez desde 2003. Com o surgimento das “Lan Parties” em várias partes da cidade de Luanda, em particular as que aconteciam na Sagrada Família em uma gráfica de nome “Power Design” do gamer Miguel Ângelo.

Nesta mesma gráfica, reunia-se um grupo reduzido de pessoas interessadas em Gaming, na altura já haviam vários jogos, mas tinha-se como preferência o Counter Strike 1.6 e mais tarde o Soldier of Fortune ou vulgarmente chamado SOF. Mais lá para 2004/05, tivemos aquilo que se chama uma revolução Gamer naquele circulo com o jogo SWAT 4 que perdurou como preferência da comunidade até 2007/08.

Na verdade, a Comunidade PC Gaming em Angola, é vista como algo credível ou possivelmente solida desde 2008, que passou a ser algo mais Organizado. Pois, com a criação dos 4 primeiros Clãs de Angola deu-se os primeiros passos para lançamento do 1º Torneio de PC Gaming em Angola de Call Of Duty 4 na qual o vencedor foi o Clã EGA.

Os 4 Clãs que surgiram em finais de 2007 e princípio de 2008 foram :
– ITA = Guerra;
– WNH = We Need Haters;
– EGA = Elite Ghost Assassins e os
– TAG = Tactical Assault Group (os actuais Campeões).

Os primeiros anos foram pacíficos de certa forma, pois não existia aquilo que chamamos um espirito de competitividade grupal ou de equipas contra equipas. Eramos apenas um grupo de amigos que se reuniam em um Local e jogávamos sem olharmos para o relógio… De preferência estas “Lan Parties” aconteciam aos Sábados no período que ia das 12.00h até as 0.00h.

A comunidade enfrentou e enfrenta quase as mesmas dificuldades de outrora. A luta pela organização de eventos, organização dos clãs, um espaço físico que permita uma reunião de todos os clãs e gamers para os torneios, patrocínios e acima de tudo a força de vontade dos mais novos a que possam pegar o bastão e seguirem em frente com o que já foi feito até agora e desenvolverem ainda mais este que já classificado com um desporto a nível mundial.

MF : Para muitos jogadores a comunidade já teve melhores anos, mas e para ti? Qual foi para ti a “época dourada” da comunidade?

A época dourada da comunidade, é sem sombra de duvidas o período que vai de 2005 à 2009. Pois nesta altura presenciamos o princípio de uma certa coordenação em todos os aspectos na Comunidade e nos primeiros eventos da mesma.

MF : Ao longo dos anos teve-se decerto vários torneios, para ti qual foi o melhor torneio que a comunidade já teve?

Último Torneio de Call Of Duty 4 Modern Warfare em 2009 no espaço da TOTAL na Samba, ganho pelo Clã ITA. Escolho este, pois foi de todos o Torneio mais bem organizado, mais emotivo, mais competitivo com o maior nº de clãs e visitas ao recinto, etc.

MF: Apesar de, segundo o que me dizes, a comunidade já ter tido uma melhor fase a uns anos atrás, como é que consideras que está a comunidade actualmente?

Actualmente, posso dizer que temos vários projectos agendados, como a organização do 1º torneio de 2013 de COD MW2 ou COD MW3 (ainda por definir). As “Lan Parties” continuam a ser organizadas. Mas falta realmente um maior apoio para que possamos dar passos mais concretos no que diz respeito a solidificação de todos os projectos traçados com o objectivo de catapultar o nome da AGA e a Comunidade de PC Gaming de Angola.

Problemas existem como em qualquer outro lugar, mas sempre positivo e focado nas soluções, primo por dizer que, estamos no bom caminho e a AGA e os seus membros acreditam que será possível ultrapassar quaisquer que sejam as mágoas actuais e as futuras.

Em uníssono e com o desejo de continuarmos a fazer o que nós gostamos, estaremos sempre disponíveis para poder levar avante e pular as barreiras sempre que possível.

MF : Tu falas-me da AGA, que segundo as minhas informações é o actual núcleo da comunidade, mas o que é exatamente a AGA ?

AGA, é o nome dado a Associação de Gamers em Angola, ela neste momento ainda não é legal juridicamente falando, mas já temos algumas assinaturas e estatutos preparados para avançarmos com a possível legalização. Os objectivos da AGA são claros crescer juntamente com a Comunidade.

As nossas portas estão abertas, e a maneira mais fácil de entrar em contacto com a AGA é através do Facebook, conectando-se automaticamente ao grupo: https://www.facebook.com/groups/agangola/

MF: Existem neste momento um bom numero de clans prontos a competir, uns com mais história do que outros é claro, poderias me fazer um resumo de que clans existem actualmente ?

Posso dizer que os Clãs que existem até ao momento são os seguintes:

– FMS = Fuimutsu
– LSB = Los Bandidos
– TEK = Tactical Elite Killers
– TIW = This Is War
– OSAG = One Shot At Glory
– WNH = We Need Haters
– EGA = Elite Ghost Assassins
– ITA = ITA (Guerra)
– TAG = Tactical Assault Group
– ANG = Angolan Gamers
– KOV = Kalashinikov (Bros)
– FAA = Forças Armadas Angolanas

MF: Falas-te me de vários projectos agendados, o que é que na tua opinião o futuro reserva para a comunidade PC Gamer em Angola?

Tudo passa pela força de vontade e empenho de todos envolvidos neste processo de valorização e desenvolvimento do PC Gaming.

Assim sendo, ela tem e terá sempre futuro enquanto existirem o que é mais importante para ela, os gamers. Cabe aos mesmos, serem mais objectivos e lutarem por este sonho que é partilhado por todos, de termos quiçá um dia um torneio a nível nacional, e participarmos em outros a nível internacional, termos uma ou várias “Lan Houses”, etc. Mas isso tudo só será possível se houver uma maior organização da nossa parte e o apoio necessário de terceiros que se solidarizem com a nossa causa.

 MF: Obrigado por esta conversa agradável Chrisguy, tenho a certeza que os leitores tiveram tanto prazer a ler esta entrevista quanto eu tive de estar aqui sentado contigo a conversar. 

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