[Opinião] A lei da oferta e da demanda na contratação de profissionais em Angola

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recrutamento

Caros amigos,

Permitam-me falar com alguma brevidade sobre um tema que tenho debatido com algumas pessoas ao longo dos últimos tempos, este assunto foi suscitado pela ocorrência do fórum de recrutamento que aconteceu no último final de semana em Luanda, promovido pela #EliteCareers.

Um dado importante que não me parece ser segredo para ninguém, é o facto de estarmos neste momento já a produzir em Angola um número substancial de quadros com diploma superior, o que despoleta com alguma visibilidade a análise da lei da oferta x demanda. Apesar de ser uma nomenclatura utilizada no contexto das economias, atrevo-me a fazer aqui uma analogia com o processo de contratação profissional que tende a obeder ao mesmo princípio.

Nesta minha análise a demanda representa a disponibilidade de vagas/emprego no mercado angolano e a oferta representa a disponibilidade de profissionais. A lei em epígrafe estabelece que, quando a oferta (profissionais) excede a demanda (vagas) o valor do produto tende a cair, ou seja, se tivermos mais profissionais do que oportunidades de emprego para um determinado sector, a remuneração deste profissional é pouco competitiva, pois os empregadores podem a qualquer momento substituí-lo com alguma facilidade, dada a oferta que existe do lado de fora da porta.

É necessário observar que no caso de Angola, existe um fenómeno que irei aqui chamá-lo de déficit de bom preparo que é sustentado por algumas instituições de ensino superior que têm como principal objectivo a produção massiva de profissionais agourando a satisfação financeira da instituição. Os relatórios nos mostram que são crescentes os números de profissionais que entram para a fila do mercado de trabalho provenientes destas instituições, o que elas, instituições, não percebem é que o nosso mercado está cada vez mais exigente, pois o crescimento industrial e económico do nosso país traz consigo para um degrau mais acima estas exigências, as empresas não dão prioridade à contratação de pessoas que tenham concluído o ensino superior, os tempos são outros, hoje o que mais se encontra em Angola são pessoas com formação superior, porém, o que o mercado procura são candidatos que possuam um diferencial no seu perfil profissional, que se destaquem entre as centenas de candidaturas entre nacionais residentes e não residentes.

Por outro lado, a mesma lei estabelece que, quando a demanda (vagas) supera a oferta (profissionais), existe uma valorização do produto. Trazendo para o contexto da empregabilidade, no meu entender, este é hoje para Angola um dos principais motivos para a importação de know-how, as oportunidades estão aqui, porém existe uma lista de requisitos a ser cumprida, e aparentemente os quadros nacionais têm tido dificuldade em atender à estas exigências, não me refiro aqui como exigência, os X anos de experiência profissional, como temos visto, mas sim de conhecimento e algum domínio prático da matéria. No meu entender este é também um dos motivos da inflação salarial do expatriado, entendo que nalguns casos esta inflação é injusta, mas não é o tema deste foro, o que se pretende desenvolver aqui é a necessidade de conseguirmos produzir conhecimento teórico e prático, passível de ser colocado no contrapeso da balança de quadros internacionais, mas para o nosso próprio benefício. O sector de TI serve de exemplo, a procura por profissionais com certificações técnicas (Microsoft, Orable, VmWare, etc.), abre novas portas além da geografia do nosso país e estes tornam-se logo concorrentes no mercado internacional.

Para concluir, é notório que ainda temos um caminho longo a percorrer, as melhorias são significativas nos diversos sectores da conjuntura nacional, porém, continúo a defender que a qualidade dos nossos profissionais irá determinar a velocidade e a estratégia para nos erguermos como uma nação competitiva e estratégica. A iniciativa da EliteCarrers é sem dúvida promissora, estabelece o elo de relação da procura e da oferta, através da aplicação de um filtro qualitativo na oferta (profissionais) no sentido de promover o equilibrio da disciplina e minimizar os impactos negativos que no final do dia acabam por afectar o empregador e o candidato. Pense nisso…

Wanderley Ribeiro