
Angola está representada na edição de 2026 da Tallinn Cyber Diplomacy Summer School, um dos mais prestigiados fóruns internacionais dedicados à cibersegurança, diplomacia digital e inovação nos sistemas de justiça.
O evento decorre desde segunda-feira (15), na cidade de Tallinn, capital da Estónia, reunindo especialistas, académicos e profissionais de diversos países para debater os desafios e oportunidades do ambiente digital global.
A representação angolana é assegurada por Anatoli Rebelo, procurador do Gabinete de Cibercriminalidade e Prova Electrónica do Ministério Público, cuja participação reforça o compromisso do país com o fortalecimento das capacidades institucionais de prevenção e combate ao cibercrime.
Durante os trabalhos, os participantes analisam temas relacionados com governação digital, segurança da informação, inteligência artificial, diplomacia cibernética e utilização da prova digital nos sistemas judiciais. O fórum constitui uma importante plataforma de intercâmbio de conhecimentos e de promoção da cooperação internacional em matéria de segurança digital.
No encontro, Angola apresentou alguns dos principais desafios que enfrenta actualmente no espaço cibernético. Entre as preocupações destacadas figuram os ataques informáticos dirigidos a sectores estratégicos, com destaque para o sector farmacêutico, bem como os acessos ilegítimos a bases de dados estatais.
O país alertou igualmente para o crescimento de práticas ilícitas associadas à mineração ilegal de criptomoedas e para a proliferação de conteúdos manipulados através de inteligência artificial, conhecidos como deepfakes, considerados uma ameaça crescente à segurança digital, à confiança pública e à integridade da informação.
A participação angolana na Tallinn Cyber Diplomacy Summer School permite o acesso a ferramentas práticas e conhecimentos especializados nas áreas da diplomacia digital, cooperação transnacional e partilha de inteligência, considerados essenciais para reforçar a capacidade de resposta das autoridades perante ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas.
Para Anatoli Rebelo, a crescente complexidade do cibercrime exige uma abordagem coordenada entre os Estados e as instituições internacionais, baseada na cooperação e na partilha contínua de experiências e boas práticas.
“Num momento em que Angola enfrenta ameaças cibernéticas reais, esta formação oferece exactamente o que precisamos: ferramentas práticas de diplomacia digital, partilha de inteligência e cooperação internacional. Nenhum país combate o cibercrime sozinho. Esta é a diplomacia do século XXI”, afirmou o magistrado.
A presença de Angola no fórum internacional reforça os esforços nacionais para acompanhar a evolução das ameaças digitais e fortalecer a cooperação global no combate ao cibercrime, num contexto em que a segurança cibernética se torna cada vez mais estratégica para o desenvolvimento e a estabilidade dos Estados.
Fonte: JA






