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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2026
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Segurança de dados é vital para África, diz Nigéria

O Vice-Presidente da Nigéria, Kashim Shettima, fez esta declaração durante a cerimónia de abertura da 8.ª edição da Conferência e da Assembleia Geral Anual da Rede de Autoridades Africanas para a Proteção de Dados (NADPA, sigla em inglês). O evento, subordinado ao tema “Equilibrar a Inovação em África: Proteção de dados e privacidade em tecnologias emergentes”, foi organizado pela Comissão de Proteção de Dados da Nigéria (NDPC, sigla em inglês) com o apoio dos seus parceiros em Abuja.

“Reconhecemos que os dados não são apenas um recurso digital. São uma história humana contada em números – o tecido da confiança nas nossas economias e a moeda da fiabilidade nas nossas instituições”, afirmou Shettima.

“A nossa capacidade de partilhar dados de forma segura e legal definirá a nossa capacidade de prosperar à medida que a Zona de Comércio Livre Continental Africana se expande”, acrescentou.

“O percurso da Nigéria em matéria de proteção de dados tem sido uma narrativa evolutiva de progresso, prova de que, quando uma nação se compromete com a privacidade e a dignidade, a transformação vem a seguir.

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“O Regulamento de Proteção de Dados da Nigéria entrou em vigor em 2019 e, num dos passos mais ousados desta administração, apenas 14 dias depois de assumir o cargo, o Presidente Bola Tinubu promulgou a Lei de Proteção de Dados da Nigéria e criou a Comissão de Proteção de Dados da Nigéria, que acolhe hoje este evento”, afirmou.

No seu discurso de abertura, o presidente da NADPA, Iro Adamou, afirmou que o principal objectivo do organismo é fomentar a colaboração entre os membros e amplificar as vozes africanas nos compromissos com as partes interessadas na proteção de dados a nível mundial.

A Rede de Autoridades Africanas de Proteção de Dados (NADPA) foi criada em setembro de 2016 em Ouagadougou, Burkina Faso, como um organismo que une as autoridades nacionais de Proteção de Dados e as Agências Reguladoras em toda a África. A sua missão é promover a colaboração, o desenvolvimento de capacidades e a harmonização dos quadros de proteção de dados para reforçar os direitos de privacidade e a governação responsável dos dados em todo o continente.

A NADPA 2025 reuniu participantes de mais de 30 países africanos, juntamente com delegados da Europa, Ásia, Médio Oriente e Estados Unidos.

Ransomware atinge novo patamar de sofisticação e 2025 pode ser o pior ano

Em 2017, o WannaCry abalava o mundo. Em apenas alguns dias, o ransomware lançou o caos nos sistemas informáticos, afectou centenas de empresas e entidades, levou os hospitais no Reino Unido ao colapso e paralisou as fábricas e serviços críticos em vários continentes. Estima-se que mais de 200.000 computadores Windows tenham sido afectados, com prejuízos na ordem dos milhares de milhões de dólares.

Como realçam os especialistas da Check Point Software, o WannaCry foi um ponto de viragem, mas à luz do que se vive em 2025, parece apenas o prólogo de uma ameaça que se tornou mais estratégica, mais agressiva e tecnologicamente mais sofisticada.

O ano ainda nem chegou a meio, mas os investigadores da empresa de cibersegurança já o consideram o mais perigoso de sempre no que diz respeito a ataques de ransomware. Só nos três primeiros meses de 2025 foram identificadas mais 2.289 vítimas de ransomware, um aumento de 126% face ao ano anterior.

De acordo com a mais recente edição do relatório anual de ransomware da Check Point, os Estados Unidos mantêm-se como o país mais afectado por esta ameaça, com 50,2% dos casos. A Índia registou um aumento de 38%, impulsionado pela digitalização acelerada e lacunas na infraestrutura de cibersegurança. Nos sectores mais impactados incluem-se serviços empresariais, manufactura e retalho, descritas como áreas operacionalmente críticas e muitas vezes mal preparadas.

A evolução desta ameaça é marcada por uma reinvenção constante. Hoje, o ransomware é mais do que um simples malware de bloqueio e resgate, transformou-se numa operação de extorsão com múltiplas etapas. Por exemplo, o grupo Cl0p, considerado como um dos mais activos, abandonou quase por completo a encriptação de ficheiros, concentrou-se na extorsão pura com base em dados roubados.

Pegasus enfrenta multa de €147 milhões por espionagem

Com o surgimento dos modelos de tripla extorsão, que combinam ataques DDoS, exposição pública de dados e contacto direto com clientes ou parceiros das vítimas, os cibercriminosos têm agora como objectivo aumentar a pressão psicológica e financeira. Além disso, com a popularização dos modelos de Ransomware-as-a-Service (RaaS), o cibercrime tornou-se acessível, automatizado e lucrativo.

No ano passado, surgiram 46 novos grupos de ransomware, num crescimento de 48% impulsionado por kits pré-configurados, programas de afiliados e até serviços de apoio ao “cliente”. Entre os grupos mais ativos destaca-se o RansomHub, responsável por 531 ataques conhecidos.

Em 2025, a IA também passou a fazer parte do arsenal dos cibercriminosos permite avançar com campanhas de phishing altamente personalizadas, malware desenvolvido através de ferramentas de geração automática de código, ou com deepfakes em casos de fraudes por email corporativo (BEC, na sigla em inglês).

“Estamos a assistir à revolução industrial do ransomware”, afirma Sergey Shykevich, responsável do grupo de inteligência de ameaças da Check Point, citado em comunicado. “A IA permite personalizar, lançar e escalar ataques com uma facilidade nunca vista e o impacto não é apenas técnico, mas também operacional, financeiro e reputacional”, realça.

E se os bilionários do mundo doassem tudo?

Bill Gates vai doar 99% da sua fortuna pessoal até 2045

Bill Gates, cofundador da Microsoft e um dos homens mais ricos do mundo, anunciou que irá doar praticamente toda a sua fortuna pessoal — mais de 100 mil milhões de dólares — à Fundação Bill & Melinda Gates. Esta mega doação será feita ao longo dos próximos 20 anos, com a fundação a encerrar as suas atividades em 2045.

O objetivo é canalizar cerca de 200 mil milhões de dólares para causas como saúde pública, educação e combate à pobreza em países em desenvolvimento. Gates criticou os cortes na ajuda internacional por parte de países ricos e quer acelerar o impacto da filantropia, incentivando outros milionários a fazer o mesmo.

A Fundação Gates já teve ações em África, incluindo Angola, com destaque para campanhas de vacinação e combate à malária. Com esta decisão, os projetos podem ganhar ainda mais força, especialmente em zonas com maior carência de serviços essenciais.

Para os angolanos, este movimento representa esperança de mais apoio internacional para áreas prioritárias e uma janela para colaborações locais em projetos de impacto real?

Angola duplicou utilizadores de internet em 4 anos

O número de utilizadores de Internet em Angola cresceu de 6,6 milhões em 2020 para 12 milhões em 2024, ultrapassou a média de crescimento de outras regiões do mundo, segundo dados do ministério das Telecomunicações, Tecnologias de informação e Comunicação Social.

A informação foi avançada, esta sexta-feira, em Luanda, pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, na abertura do III Conselho Consultivo do pelouro que dirige.

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O ministro também destacou os investimentos em projectos estruturantes, como o Programa Espacial Nacional, a expansão da fibra ótica com países vizinhos e a adesão a cabos submarinos internacionais, que fortalecem a infra-estrutura de telecomunicações no país.

O encontro contou, também, com a presença do secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas Albino, do vice-governador de Luanda para o Sector Político e Social, Manuel Gonçalves, entre outros convidados.

Sob o lema “A comunicar, a modernizar e a desenvolver Angola”, o evento termina este sábado, após dois dias de debates e apresentações.

Será este o maior salto da Apple desde o primeiro iPhone?

iPhone Fold MenosFios

A Apple está a planear uma transformação significativa na sua linha de iPhones, com fugas de informação recentes a revelarem uma estratégia ambiciosa até 2027. Entre as novidades, destacam-se o lançamento do iPhone 17 Air, um modelo ultrafino, e o aguardado iPhone Fold, o primeiro dobrável da marca.

O rumor é que a partir de 2026, a Apple comece a lançar modelos em duas fases anuais: na primavera e no outono. Esta abordagem permitirá introduzir até seis novos iPhones por ano, incluindo versões como o iPhone 18 Air, iPhone 18 Pro, iPhone 18 Pro Max e o iPhone 18 Fold. Em 2027, a tendência continuará com os modelos iPhone 19 Air,

Estas mudanças visam oferecer uma gama mais diversificada de dispositivos, atendendo a diferentes preferências e necessidades dos utilizadores. Isso poderá significar uma maior variedade de opções no mercado, desde modelos de ponta até versões mais acessíveis, além de possíveis reduções de preços em modelos anteriores.

Empreendedores e profissionais devem estar atentos às novas funcionalidades que estes dispositivos trarão, como melhorias em câmaras, desempenho e integração com inteligência artificial, que podem impulsionar a produtividade e inovação no mercado local.

Com esta estratégia, a Apple demonstra o seu compromisso em manter-se na vanguarda da inovação tecnológica, oferecendo produtos que se adaptam às exigências de um mercado global em constante evolução.

Fonte: 9to5mac

Nigéria lança academia virtual focada em privacidade e proteção de dados

O Ministro das Comunicações, Inovação e Economia Digital, Bosun Tijani, revelou a iniciativa durante a 8.ª conferência anual da Rede de Autoridades Africanas de Proteção de Dados, que teve início ontem em Abuja.

A conferência de três dias, intitulada “Equilibrar a inovação em África: Proteção de Dados e Privacidade em Tecnologias Emergentes”, atraiu participantes de mais de 30 países africanos, bem como da Europa, Ásia, Médio Oriente e Estados Unidos.

O Dr. Tijani sublinhou que a academia faz parte da estratégia da Nigéria para capitalizar os benefícios da economia digital, fornecer aos actores as ferramentas de que necessitam para navegar no perigoso panorama da governação de dados.

De acordo com Tijani, este projecto dará aos nigerianos a oportunidade de adquirir competências práticas em matéria de proteção de dados.

“Ao reconhecer a oportunidade em todo o nosso continente, criámos também um balcão de comércio digital, uma plataforma de balcão único para promover a necessidade de exportação da Nigéria e, ao mesmo tempo, desbloquear oportunidades de mercado global para as empresas tecnológicas.

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Enquanto que, Vincent Olatunji, Comissário Nacional da Comissão de Proteção de Dados da Nigéria, destacou os recentes marcos da governação de dados da Nigéria durante o seu discurso.

Olatunji observou que, poucos anos após a criação da comissão, o ecossistema de proteção de dados gerou uma receita acumulada de mais de US$ 10 milhões e criou cerca de 23.000 empregos.

Olatunji exortou os países africanos que ainda não aprovaram leis de proteção de dados a fazê-lo, sublinhou que “quadros sólidos de proteção de dados não são barreiras à inovação, mas sim facilitadores de uma economia digital resiliente e inclusiva”.

Pegasus enfrenta multa de €147 milhões por espionagem

A empresa por associada ao spyware Pegasus foi finalmente foi condenada. O castigo decidido é o pagamento ao WhatsApp 147 milhões de euros por ter pirateado 1.400 pessoas em 2019. O Pegasus é um software malicioso que pode ser instalado remotamente nos telemóveis para aceder, entre outras coisas, aos microfones e câmaras.

O NSO Group, que vende este software, foi acusado de permitir que regimes autoritários monitorizassem jornalistas, activistas e até figuras políticas. A Meta, proprietária do WhatsApp, disse que esta decisão histórica marcou a “primeira vitória contra o desenvolvimento e uso de spyware ilegal”.

A NSO disse que “examinaria cuidadosamente os detalhes do veredicto e procuraria as soluções legais apropriadas, incluindo novos procedimentos e um recurso”. É a primeira vez que um programador de spyware é responsabilizado por explorar as fraquezas das plataformas de smartphones.

Leia também: Software israelita acusado de espiar jornalistas, políticos e activistas de todo o mundo

O NSO Group diz que a tecnologia só deve ser utilizada contra criminosos graves e terroristas. Mas há acusações de que a tecnologia tem sido utilizada por alguns países para atingir qualquer pessoa que considerem uma ameaça à segurança nacional. O Pegasus esteve em foco em 2021 quando uma lista de 50 mil números de telefone de alegadas vítimas foi divulgada a meios de comunicação.

A partir desta lista, os meios de comunicação social globais identificaram os números de telefone de políticos e chefes de Estado, executivos empresariais, activistas e vários membros da família real árabe, bem como de mais de 180 jornalistas. Suspeita-se que o spyware Pegasus tenha infetado dispositivos pertencentes a funcionários governamentais, segundo o grupo de investigação canadiano The Citizen Lab.

Outras figuras importantes que se acredita terem sido pirateadas incluem o presidente francês Emmanuel Macron e familiares de Jamal Khashoggi, um crítico do governo da Arábia Saudita assassinado no consulado saudita em Istambul, em outubro de 2018.

O Grupo NSO foi também condenado a pagar à Meta 319 mil euros em indemnizações. Os prémios surgem após uma batalha de seis anos entre a gigante das redes sociais dos EUA e a empresa de vigilância israelita.

Huawei actualiza plano estratégico para Angola

Imagem de capa da notíciaHuawei apresenta avanços no plano de investimento em AngolaO representante da Huawei dos Países Lusófonos da África Austral, António Hou, apresentou, terça-feira, em Luanda, os avanços do plano de investimento da empresa no domínio da pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Os resultados foram apresentados ao ministro das relações Exteriores, Téte António, durante um encontro realizado no quadro do fortalecimento da cooperação tecnológica entre Angola e a empresa multinacional chinesa de telecomunicações.

O investimento da Huawei tem como foco a criação de um ecossistema tecnológico de referência que posicionará Angola como centro regional de inovação digital.

Leia também: Ministro Mário Oliveira destaca papel estratégico do Angotic 2025

A Huawei Angola estabeleceu projectos estruturantes de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas províncias do Cuanza-Norte, Icolo e Bengo, Moxico Leste e Bié.

Estes polos estratégicos servem para consolidar uma rede de inovação assente na capacitação técnica de jovens quadros angolanos, no desenvolvimento de infra-estruturas digitais e na expansão da cobertura tecnológica em zonas remotas, com impacto directo na inclusão digital e no reforço da economia digital nacional.

António Hou manifestou a intenção da empresa chinesa tornar Angola no principal HUB tecnológico da região da África Austral, a fim de atrair investimentos e transferências de conhecimento, bem como criar parcerias com instituições de ensino superior e centros de investigação angolanos.

A empresa opera no país desde 2004, com o objectivo de promover a inovação tecnológica, a conectividade digital e o desenvolvimento das infra-estruturas de telecomunicações, contribuindo de forma significativa para a transformação digital de Angola.

Através do programa “Seeds for the Future” e outras iniciativas de formação, a empresa tem investido no desenvolvimento de competências digitais dos jovens angolanos, incentivando o talento local e fomentando a transferência de conhecimento.

Angola Cables torna-se revendedor premium da DE-CIX

A empresa anunciou que, como parceiro de revenda grossista premium, vai utilizar o extenso ecossistema de interconexão da DE-CIX para melhorar as suas ofertas de serviços, dando às empresas e aos negócios acesso a uma das maiores e mais avançadas plataformas IX do mundo.

A Angola Cables referiu que o acordo reflecte o seu compromisso em promover a transformação digital e melhorar a sua posição no mercado global de conetividade.

De acordo com o membro do conselho executivo Rui Faria, a Angola Cables tem uma parceria estratégica com a DE-CIX desde 2014.

Angola Cables domina 70% do tráfego em África e alcança 1% mundial

“Ao longo da última década, esta parceria tem sido reforçada por uma intenção mútua de melhorar a interconectividade global e fornecer o acesso de conetividade premium mais eficiente e uma experiência de peering perfeita para os clientes que servimos em África e no Brasil”, disse Faria.

“A integração com a DE-CIX fortalece a proposta de valor da Angola Cables e das nossas subsidiárias TelCables, permite a interconexão com operadoras de nível 1, provedores de nuvem e plataformas OTT, garante a menor latência e a alta resiliência da nossa rede IP”.

“Juntamente com o DE-CIX, continuamos a reduzir as barreiras digitais e a promover uma Internet mais eficiente e acessível, ligar as empresas e os utilizadores às principais fontes de conteúdo do mundo.”

Mareike Jacobshagen, responsável pelo programa global de parceiros comerciais da DE-CIX, salientou que as duas empresas trabalharam em conjunto com sucesso durante muitos anos, o que se reflecte agora no seu estatuto de parceiro premium.

“Juntos, estamos a impulsionar o negócio e, por conseguinte, as soluções de que as empresas necessitam para trabalhar em rede, entre pares e interligadas”, disse Jacobshagen.

A Angola Cables está entre as cerca de 1.100 redes directamente ligadas ao DE-CIX Frankfurt, uma importante Internet Exchange que processa mais de 45 exabytes de dados anualmente a partir de 2024. A empresa opera uma rede IP com mais de 6.000 acordos de peering, o que a coloca entre os 23 principais fornecedores de serviços Internet a nível mundial e o principal operador interligado em África.

Ciberataque russo é hipótese para apagão que afectou Europa

A hipótese é levantada por um grupo de investigadores do Medialab do ISCTE, num relatório divulgado hoje, em parceria com a Comissão Nacional de Eleições de Portugal (CNE), para monitorizar a desinformação durante a campanha para as eleições legislativas de 18 de maio.

No relatório dedicado ao corte generalizado no abastecimento eléctrico que, na semana passada, afectou Portugal e Espanha, os investigadores sublinham que “a ausência de comunicação institucional eficaz nas primeiras horas contribuiu para um vácuo informativo” a analisam uma das principais teorias veiculadas, que atribuíam o apagão a um ciberataque russo.

Esta narrativa começou a circular nas redes sociais portuguesas por volta das 11:50, cerca de 20 minutos após o início do apagão, em publicações que reproduziam uma alegada notícia da CNN Internacional com declarações atribuídas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Leia também: Comissão Europeia sem provas de ciberataque no apagão

A origem da publicação é incerta, mas a análise feita pelos investigadores do Medialab indica que a difusão inicial poderá ter ocorrido em Portugal, com uma versão em português que depois serviu de base para outras traduções, incluindo em russo.

Pelas 13:55, começam também a surgir as primeiras reações ambíguas de ‘media’ russos, como o BFM, que misturavam elementos noticiados e rumores não verificados, com sugestões de ataque coordenado e sabotagem transnacional.

De acordo com o relatório, a informação era replicada no WhatsApp e em canais do Telegram associados a ambientes pró-russos, alcançando logo nas primeiras horas dezenas de milhares de visualizações.

Nos dias seguintes, grupos de ciberativistas pro-russos reivindicaram responsabilidade pelo suposto ataque, associando alegadas provas de ataques de negação de serviço distribuído.

“No entanto, especialistas em cibersegurança consultados descartaram qualquer relação com o apagão, sublinhando que estes grupos não possuem a capacidade operacional para causar falhas na infraestrutura elétrica”, refere o relatório, que acrescenta que estes grupos aproveitaram o apagão para tentar capitalizar-se mediaticamente.

Além desta, circularam outras teorias para tentar explicar o corte energético, cuja origem ainda não é conhecida, e os investigadores referem até mensagens disseminadas que, por outro lado, apresentavam um ‘spin’ ideológico que favorecia a Rússia.

No Telegram, circularam publicações que insinuavam que o apagão seria um “teste de resiliência” promovido pela NATO, ou uma operação de engenharia social para justificar uma escalada militar futura.

Outra teoria associava a falha energética às políticas ambientais de transição energética, ou às sanções contra a Rússia e à degradação da infraestrutura europeia, e o relatório cita algumas das mensagens partilhadas neste sentido, com indícios de tradução automática ou de terem sido criadas com recurso à inteligência artificial.

Ao longo daquela semana, a maioria das publicações relacionados com o apagão foram partilhadas no X (58,21%) e no Facebook (33,68%), seguindo-se o Instagram (6,03%), TikTok e Reddit (ambos 1,04%).

Além do motor de inteligência do X, com respostas a perguntas dos utilizadores a perguntas sobre as várias narrativas, as contas dos meios de comunicação foram aquelas que mais publicaram sobre os conteúdos desinformativos relacionados com o apagão, sobretudo para os desconstruir.

A esmagadora maioria das publicações (81%) feitas naquele período são consideradas neutras, mas aquelas que aparentam acreditar ou propagar essas narrativas são mais do dobro daquelas que as desmentem (12% contra 6%) e chegaram a muitas mais pessoas em comparação com a verificação dos factos.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o MediaLab, do ISCTE, em parceria com a agência Lusa, estão a monitorizar as redes sociais para identificar e medir o impacto da desinformação na campanha das legislativas de maio, prolongando-se até 24 de maio.