
A transformação digital do sector da saúde em Angola continua a enfrentar desafios estruturais, sobretudo ao nível da integração entre sistemas e da governação tecnológica. A posição foi defendida por João Almeida, durante a Conferência Nacional de Gestão em Saúde e Liderança 2026, realizada esta sexta-feira (22), em Luanda.
Durante a sua intervenção, subordinada ao tema “Ecossistema digital do sector da saúde”, o responsável destacou que muitos dos constrangimentos enfrentados pelas instituições não resultam da falta de tecnologia, mas sim da fragmentação dos sistemas existentes e da ausência de interoperabilidade entre plataformas clínicas e operacionais.
Segundo o CTO da New Cognito, a digitalização da saúde deve ser encarada de forma estratégica e integrada, assente numa visão unificada que inclua operações, segurança, dados e continuidade dos serviços. Neste sentido, defendeu a criação de ecossistemas digitais capazes de combinar diferentes componentes tecnológicas, como plataformas clínicas, conectividade, cibersegurança, automação e inteligência artificial.
“Digitalizar a saúde não é apenas implementar software ou adquirir equipamentos. É criar um ecossistema integrado, governado e operacional, capaz de garantir continuidade, segurança e eficiência, além de melhorar a experiência do paciente”, afirmou.
Por sua vez, Jorge Amaral apresentou o projecto NC+, uma iniciativa estruturante que visa expandir o acesso aos cuidados de saúde em Angola através de soluções digitais integradas, especialmente em zonas remotas.
O projecto assenta numa infra-estrutura tecnológica híbrida, combinando fibra óptica, conectividade via satélite e redes móveis de nova geração. Esta base suporta os chamados NC+ Smart Hub, centros digitais comunitários que funcionam como pontos de acesso a serviços de saúde, incluindo telemedicina, registo clínico electrónico e monitorização remota de pacientes.
Na prática, o modelo permite que os cidadãos realizem medições básicas de saúde localmente e tenham acesso imediato a teleconsultas, recebendo diagnóstico e prescrição médica sem necessidade de deslocação aos grandes centros urbanos.
“O NC+ foi desenvolvido para reduzir barreiras geográficas e aproximar os serviços essenciais das populações, promovendo um modelo mais inclusivo, eficiente e sustentável”, explicou.
Além do impacto directo na saúde, o projecto integra também serviços de inclusão financeira, educação digital e conectividade, contribuindo para o desenvolvimento sustentável das comunidades e reforçando o papel da tecnologia como motor de transformação social em Angola.






