O estado actual da Movicel

Segundo o jornal Expansão na sua edição de sexta-feira, 17 de maio, foi apurado que o INSS tem negociações avançadas para entrada de um investidor sul africano na empresa, mas têm de esperar que o Ministério se retire da solução.

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A Movicel está a definhar e não aparece uma solução sólida para o seu futuro. De acordo com o que o jornal Expansão já tinha noticiado em julho do ano passado, o Ministério das telecomunicações estava a negociar a entrada de um grupo africano no capital da empresa, que de acordo com as informações da altura, deveria estar formalizado até ao mês de outubro.

Foi possível apurar já este ano que, o entanto, se pedia que o sócio maioritário entregasse parte do seu capital a custo zero, o que foi negado pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), que sempre defendeu  ter de recuperar o valor do investimento, uma vez que se tratava de dinheiro que vinha das contribuições dos cidadãos. Passaram seis meses sobre aquele prazo e a solução continua adiada.

Aliás, parece lógico que deveria ser o próprio INSS a tratar da entrada de um novo sócio e não o Ministério das Telecomunicações, cujas empresas sob a sua tutela têm uma participação minoritária na Movicel.

Segundo o jornal Expansão na sua edição de sexta-feira, 17 de maio, foi apurado que o INSS tem negociações avançadas para entrada de um investidor sul-africano na empresa, mas têm de esperar que o Ministério se retire da solução, uma vez que, recorde-se, a liderança da administração é garantida pelo PCA da Angola Telecom e que apenas durante três meses em 2021, o INSS teve como PCA um quadro indicado por si, numa altura em que o sócio maior era o GAFP.

Em termos práticos, quem decide hoje e faz a gestão corrente na empresa é o Ministério das Telecomunicações, via Angola Telecom, e não o Ministério do Trabalho, que por via do INSS detém posição maioritária.

Enquanto se mantém este braço-de-ferro para perceber qual a solução, de quem deve administrar a Movicel e em que condições, a empresa está a desaparecer. Hoje já são necessários mais do que 150 milhões USD avançados no ano passado para que a empresa pudesse voltar a funcionar com normalidade.

Na sequência desta morte lenta, consubstanciada pela degradação dos seus serviços e pela perda de clientes, sabe-se agora que está há quase cinco meses sem pagar os ordenandos cerca de 400 colaboradores, que não recebem desde janeiro.

Actualmente, a Movicel tem apenas cinco lojas a funcionar e todas em Luanda, que garantem de forma tímida, alguns serviços da operadora, como venda de chips, recargas e telemóveis. Desde agosto de 2023 a Movicel passou a contar com os seguintes acionistas: INSS (51%), Angola Telecom (18%), GAFP (10%), Ifrasat (6%), Lello, SA(3%), Lisa Pulsaris (3%), Chitronics (2,5%), Novatel (2%), ENCTA (2%), Movicel,SA(2%) e Ominidata (0,5%).

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