[Resumo] TEDxLuanda 2014 e o poder das ideias

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Não teve muito tempo para acompanhar a transmissão ao vivo do evento TEDxLuanda 2014 ? Não se preocupe, nós separamos aqui os melhores momentos do evento.

Para os que estão atentos ao MenosFios.com , devem saber que no dia 14 de Junho foi realizado o evento que reuniu personalidades das mais diversas áreas do saber, para que pudessem partilhar ideias, experiências que possam motivar a mudança.

1º Painel: O Saber

Para abrir o evento tivemos o homem que dá a cara pelo TEDxLuanda, Januário Jano que em seguida introduziu o bem humorado mestre de cerimónia, Tiago Costa.

O 1º orador foi Vladimiro Russo, ambientalista e educador. Contou a sua experiência na Juventude Ecológica Angolana, mostrando como a educação é essencial para a mudança de hábitos e para o desenvolvimento da sociedade. Uma frase marcante partilhada pelo orador: “Educar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”.

Em seguida tivemos Carla Costa, advogada e atleta, que propôs o tópico “Relaxa, nada está sob controle“, um relato sobre os momentos mais marcantes da sua vida, tanto a nível profissional e afectivo, mostrando que nunca estamos prontos para o que está para vir, que o devemos fazer é nos adaptar o melhor que pudermos.

O 3º orador foi o advogado,  Benja Satula, que trouxe o tema “O crime… a acção social e a atitude“. Numa altura em que muito se fala da criminalidade em Luanda, o orador questionou os métodos para diminuir esse fenómeno. Reabilitação dos presidiários, educação. O orador focou na atitude das pessoas. Responsabilidade social, quem realmente tem tido?

Para fechar este painel, tivemos a arquitecta/pedagoga Ângela Mingas, que antes de introduzir o tema, interagiu com a plateia, cantando a música de André Mingas “Mufete”. O objectivo era introduzir o tema “Museke”. Sim, a oradora trouxe-nos a história dos musekes, mais especificamente dos Musekes (zonas periféricas) da cidade de Luanda. O grande objectivo foi mostrar que não podemos apagar a história e eliminar os Musekes de Luanda. Podemos sim melhorá-los e dar melhores condições de vida aos seus habitantes.

2º Painel: O Racional

Para começar este painel tivemos o 5º orador, mais um orador nacional, Binelde Hyrcan , artista plástico. O orador contou como tornou-se artista plástico e partilhou com a audiência alguns dos trabalhos que fez enquanto estudante da academia de belas artes de Mónaco. Algumas imagens e vídeos dos seus trabalhos, bastante criativos por sinal.

A 6ª oradora foi Alexandra Simeão, activista e educadora, quem acompanha a rádio LAC às quartas feiras de manhã, provavelmente á deve ter ouvido as suas sábias palavras. Na sua apresentação, Alexandra Simeão falou de “Educação”. Segundo a oradora, precisamos de grandes mudanças no nosso sistema de ensino, porque o actual não consegue cumprir com o esperado. Uma frase marcante: “Se não conseguirmos mudar a escola, não conseguiremos mudar a mentalidade” – Alexandra Simeão.

Directamente do Brasil, Luiz Roberto Lima, foi o 7º orador. Actualmente é foto-jornalista e ganhou grande reconhecimento quando fotografias suas foram parar às capas de revistas de renome no Brasil e no mundo. As fotos são relativas as manifestações no Brasil. O orador contou a sua experiência de vida, após ter vivido no orfanato, ser adoptado, ter conseguido finalizar a faculdade e agora ser um activista social.

Para fechar este painel, tivemos a 8ª oradora, Elizângela Rita, que segundo a descrição, é uma amante da palavra escrita. Para que ninguém tivesse dúvidas, a oradora decidiu partilhar as suas ideias em forma de “Spoken Word”, declamando o seu texto. A oradora falou sobre a busca da excelência: “…as pessoas que conseguiram fazer coisas fantásticas, marcantes… saíram da normalidade

3º Painel: O Momento

No período da tarde os convidados voltaram para a sala para continuar com as apresentações. Foi a chance para “Binelde Hyrcan” que já havia participado no painel anterior, voltasse ao palco para mostrar mais alguns vídeos que demonstram que a criatividade pode superar muitas barreiras.

Em seguida tivemos a 9ª oradora, Helga da Silveira, que veio falar sobre a sua trajectória na área de assistência social, uma vez que ela faz parte de uma das mais antigas organizações não governamentais a funcionar em Angola, a DW (Development Workshop). Com a experiência conseguida, a oradora acredita que a seu trabalho transformou-a, e acredita que todos nós possamos encontrar algo que nos transforme. Frase marcante: “Transforme-se e transforme a vida de alguém

O 10º orador veio de Moçambique, melhor dizendo, nasceu em Moçambique. Mário Forjaz Secca é um professor de física, cientista que a uma dada altura vendeu a sua casa, demitiu-se e durante 8 meses deu a volta ao mundo. O orador contou como foi essa experiência, o que aprendeu com isso, as amizades que encontrou e duram até hoje em vários países. Falou ainda de origens. De onde somos ou de onde viemos? Qual é a pergunta certa? E qual seria a resposta exacta?

Como 11º orador, tivemos, directo de Portugal, o designer Pedro Gomes. Com um currículo impressionante, o orador contou que trabalhou como designer de produtos na Siemens e na HTC, entre outras empresas, até que decidiu voltar para Portugal e abrir a sua própria empresa. É um dos responsáveis pelo projecto LX Reactor, que reúne desenvolvedores, designers e gestores para criar projectos inovadores. Deixou ainda muitas dicas para aumentar a produtividade e aprender com os erros.

O 12º Orador foi Josiah Kavuma, Desenvolvedor, que veio do Uganda. O orador falou principalmente do seu projecto que permite detectar se uma pessoa tem malária, sem necessitar de uma amostra de sangue. O orador explicou que no seu país (tal como em Angola), a taxa de mortalidade por causa do paludismo é enorme e ele sempre pensou em usar o seu conhecimento para reduzir essa taxa. Então, Josiah, que é engenheiro de software, decidiu pesquisar mais e criar este sistema de detecção de malária.

4º Painel: Reflexão

Para abrir o último painel do dia, tivemos o 13º orador, o cantor angolano Jack Nkanga, que brindou a platéia com algumas músicas do seu repertório.Só esperando mesmo o vídeo para poderem conferir.

Em seguida subiu ao palco o 14º orador, o escritor Ondjaki. Havia muita curiosidade em saber o que este renomado escritor partilharia neste evento e rapidamente tudo foi revelado: “Estiga: o lugar da criatividade“. O orador partilhou a sua pesquisa sobre o assunto, o que motiva a estiga, quais são os elementos para uma estiga funcionar do melhor modo? Depois desta análise, Ondjaki mostrou ainda que a estiga ajuda a desenvolver a criatividade das crianças. Uma apresentação bastante interactiva.

Sheila Antunes, Designer de interiores, foi a 15ª oradora e decidiu falar das escolhas profissionais. Segundo a oradora, enquanto crianças damos sempre sinais sobre a profissão que gostaríamos de seguir, mas nem sempre os país dão essa chance aos filhos. A oradora associou ainda estes sinais à sua profissão: designer.

O 16º orador, vindo de Portugal, foi Miguel Januário, que começou a sua apresentação com um vídeo incrível. Serviu como introdução da sua vida profissional e do seu actual projecto “Mais Menos”, uma antimarca, como o próprio orador referiu. Foi com esta marca que o autor fez uma campanha que sensibilizou Portugal: “O enterro de Portugal“.

Para finalizar o evento, tivemos o 17º orador, Paulo Pascoal, actor e modelo angolano que veio falar da sua história de vida, desde a sua infância, a relação difícil com o pai e problemas que teve de superar com o tempo. Assumiu em público a sua homossexualidade e falou da organização que criou para promover a tolerância no nosso país.