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[Angola] Barómetro nPerf revela mudança na liderança da internet móvel

A liderança do desempenho de internet móvel em Angola mudou de mãos nos últimos 12 meses. Os testes de performance realizados pela plataforma francesa independente de speedtest, nPerf, entre Abril de 2025 e fim de Março de 2026, deram o prémio à operadora de origem americana Africell. Na internet fixa, a Zap continua a liderar com larga vantagem, a TV Cabo é a segunda classificada e a Paratus Angola ocupa o terceiro lugar.

A plataforma testa a velocidade média de download e upload, a latência média, bem como a performance ou fluidez nos navegadores e também na leitura dos streamings, tendo como base os resultados do teste de velocidade dos utilizadores da nPerf no País durante o período definido. Entretanto, a classificação é estabelecida com base no número de pontos nPerf.

A Africell, que entrou em Angola em 2022, conseguiu 36.409 pontos, mais 4.320 do que a principal operadora de telefonia móvel, a Unitel, na pontuação de desempenho. A plataforma apenas analisa operadoras com mais de 5% de quota de mercado, por isso a Movicel não conta.

O prémio de desempenho à Africell coincide com as reclamações sobre a degradação dos serviços de internet da operadora que detém mais de 60% do mercado de banda larga móvel, segundo dados do Instituto Nacional das Comunicações (INACOM) de 2024.

Para os especialistas, o ritmo de entrada de novos clientes na rede não tem sido acompanhado adequadamente de investimento em infraestruturas, o que acaba por congestionar a rede da Unitel, que é estatal desde 2022 através de um processo de nacionalização. Por outro lado, a Africell opera apenas nas províncias de Luanda, Icolo e Bengo, Benguela, Huíla, Huambo e Cuanza-Sul, optando por uma estratégia de expansão em centros urbanos e corredores económicos.

É a segunda vez que a plataforma de medição de desempenho testa os provedores de internet em Angola e que apresenta os resultados em relatório. Em 2024, a Unitel levou o prémio. Neste ano, a Africell teve a melhor latência média geral, com 53,3 milissegundos, melhor fluidez nos navegadores e streaming, sendo que a Unitel continua a ter maior velocidade para baixar e carregar ficheiros na rede geral. Mesmo assim, o desempenho da Africell em velocidade de download cresceu 63%, para 15,82 Mb/s, em comparação com o ano anterior.

O speedtest com sede em Lyon também põe à prova os provedores de internet por tipos de tecnologia de rede (3G, 4G e 5G). Especificamente em 4G, a Africell lidera em velocidade de download, latência e navegação na web pelo quarto ano consecutivo. Já na rede 4G, a Unitel também mantém a liderança em streaming no YouTube pelo quinto ano consecutivo. A velocidade de download cresceu 34% em relação ao ano anterior (de 12,54 para 16,81 Mb/s). A tecnologia 5G tem pouca capilaridade, com menos de 20% de cobertura, segundo dados do INACOM.

Os analistas da nPerf referem que o mercado é altamente competitivo entre as duas principais operadoras, com a Africell a conquistar a primeira posição, enquanto a Unitel mantém fortes vantagens técnicas em métricas de velocidade importantes. Ambas as operadoras registaram progressos significativos em comparação com o ano anterior, o que sinaliza uma clara melhoria na qualidade da rede móvel em Angola.

“A diferença entre a Africell e a Unitel no ranking geral diminuiu visivelmente, tornando Angola um dos mercados de telefonia móvel mais competitivos da região. Para a Africell, a prioridade será consolidar a sua liderança em latência e na navegação web, enquanto continua a reduzir a diferença para a Unitel na velocidade de upload (onde permanece em segundo lugar no geral). Para a Unitel, o desafio é claro: melhorar o seu desempenho em latência e fortalecer a sua pontuação em navegação na web será essencial para recuperar o primeiro lugar no próximo barómetro nPerf”, escrevem os analistas.

A Unitel tem mais velocidade para download e upload, perdem em latência, fluidez na web e no streaming.

LAPSUS$, o grupo hacker que redefiniu ataques sem malware

Um caso recente que preocupou os especialistas da área envolveu um suposto vazamento de dados da AstraZeneca, farmacêutica responsável por uma das vacinas contra a covid-19. O grupo alegou ter invadido os sistemas da empresa e roubado aproximadamente 3 GB de dados internos, que passaram a ser comercializados em fóruns clandestinos. O Brasil também não escapou às acções do LAPSUS$: em 2022, os hackers atacaram os sistemas do Ministério da Saúde do país, com ligação directa a membros activos em território brasileiro.

Quem é o LAPSUS$ e como surgiu

Em actividade desde 2020, o LAPSUS$ é um grupo de hackers que começou a atrair atenção internacional através de invasões de elevado impacto. O que mais projetou o nome do grupo no meio criminoso foi a abordagem expansiva e agressiva aplicada nos seus ataques contra grandes empresas, sobretudo as do sector tecnológico.

Ao contrário dos grupos de ransomware, o foco do LAPSUS$ residia no roubo de códigos-fonte e de dados sensíveis, de forma deliberadamente ruidosa e sem qualquer preocupação com o sigilo. O período mais intenso das operações decorreu entre 2021 e 2022, com uma vaga de ataques que causou prejuízos significativos às vítimas.

Face à dimensão da ameaça, o LAPSUS$ acabou por ser investigado pela polícia internacional e pelo FBI, que fizeram uma descoberta surpreendente: a maioria dos seus membros era adolescente. As investigações identificaram ainda jovens residentes no Reino Unido e no Brasil, com uma capacidade impressionante para executar esquemas altamente complexos.

Os ataques que colocaram o LAPSUS$ no mapa

O LAPSUS$ ganhou notoriedade no mundo do cibercrime através de ataques digitais contra grandes empresas tecnológicas. Em 2022, o grupo invadiu a Microsoft e conseguiu aceder ao código-fonte do Bing, do Cortana e do Bing Maps, com o roubo de cerca de 37 GB de dados.

Outro ataque emblemático visou a Nvidia, com a extracção de 1 TB de dados, incluindo informações sobre placas gráficas, controladores e tecnologias futuras, o que desencadeou uma investigação por parte do FBI.

No caso brasileiro, em 2021, o Ministério da Saúde foi atacado pelo LAPSUS$, que colocou o ConecteSUS (actualmente designado Meu SUS Digital) fora de serviço, comprometendo dados sobre a vacinação contra a Covid-19.

O que torna o LAPSUS$ um caso único e como actua

Para conquistar fama tão rapidamente, o LAPSUS$ assentou a sua acção numa combinação letal de engenharia social e táticas de extorsão.

Em traços gerais, o grupo invade sistemas de dentro para fora, mediante o pagamento a funcionários das empresas visadas para que cedam as suas credenciais. Desta forma, os criminosos dispensam a disseminação de malware, bastando recorrer à persuasão ou à coerção para obter dados sigilosos das organizações. Outras práticas recorrentes incluem o roubo de código-fonte, a exposição pública de informação confidencial em fóruns clandestinos e a exploração de falhas humanas e de vulnerabilidades nos sistemas de autenticação multifactor.

Por que razão o LAPSUS$ ainda tem peso

Embora a realidade actual seja distinta da de anos passados, o nome do grupo continua a causar preocupação entre os especialistas, em grande medida devido à reputação que os hackers construíram ao longo do tempo.

As investigações policiais conduziram à detenção de vários membros e ao enfraquecimento da operação original, mas esses desenvolvimentos não foram suficientes para encerrar o grupo de vez. Renovado, o LAPSUS$ mantém-se activo, como demonstra o recente caso da AstraZeneca.

O que as empresas podem aprender com o caso LAPSUS$

Ainda que o LAPSUS$ não seja o mesmo de outrora, continua a causar danos consideráveis. As empresas devem, por isso, encarar o assunto com atenção redobrada, de modo a preservar a integridade das suas operações face a possíveis ameaças.

Entre as medidas recomendadas contam-se a protecção das credenciais dos colaboradores, a revisão frequente de acessos, a adopção de sistemas de autenticação multifactor mais robustos e a redução da exposição dos colaboradores a táticas de engenharia social.

Em última análise, mais do que uma organização criminosa comum, o LAPSUS$ conquistou o mundo do crime ao demonstrar que os ataques digitais não exigem necessariamente a utilização de malware para serem bem-sucedidos. O acesso legítimo combinado com a exposição pública pode ser tão destrutivo quanto qualquer outro método.

X lança aplicação independente XChat no iOS

O XChat, uma aplicação de mensagens independente do X, foi lançado ao público na sexta-feira. Por enquanto, a nova plataforma que permite que os utilizadores se liguem aos seus contactos da rede social para mensagens, partilha de ficheiros, chamadas de áudio e vídeo e conversas de grupo, está apenas disponível para dispositivos iOS.

Segundo explica o site Tech Crunch, a nova aplicação tinha começado a ser testada no início deste ano por um grupo de utilizadores.

Entre as principais funcionalidades da aplicação, está a possibilidade de bloquear capturas de ecrãs e a de enviar mensagens que desaparecem depois de um tempo.

O XChat conta ainda com criptografia de ponta a ponta e deixa os utilizadores gerir as permissões concedidas para maior privacidade.

No entanto, o XChat deverá ter mais atualizações em breve, de acordo com Benji Taylor, designer-chefe do X, que afirmou que a aplicação é “apenas o início do que estamos a construir para as mensagens”.

O lançamento surge dias após o X ter anunciado que vai desativar a funcionalidade “Comunidades” dentro de duas semanas devido à baixa utilização e ao acumular de spam.

As “Comunidades” foram lançadas em 2021, quando o X ainda era conhecido como Twitter, e tinham como objetivo proporcionar aos utilizadores da rede social um espaço para se conectarem entre si em torno de interesses em comum.

“As ‘Comunidades’ tinham uma ótima visão, mas eram utilizadas por menos de 0,4% dos utilizadores — e, no entanto, contribuíam para 80% das denúncias de spam, burlas financeiras e malware no X. Em poucas semanas, ocupavam metade do tempo da equipa, enquanto o resto da aplicação sofria”, explicou Nikita Bier, chefe de produto do X, acrescentando que haveria um “forte investimento no XChat”.

A mudança na governança da IA redefine o sector financeiro africano

Segundo um relatório divulgado este mês, o continente atravessa uma viragem decisiva rumo a uma governação de IA activa e aplicável, que vai redefinir fundamentalmente as operações de bancos, operadoras de telecomunicações e prestadores de serviços de pagamento.

As grandes economias como a Nigéria, a África do Sul e Marrocos lideram esta evolução regulatória. Estes países vão além das políticas gerais de privacidade e avançam para a implementação de leis que visam os algoritmos utilizados na identificação de clientes, na monitorização de transacções e na elaboração de perfis de risco.

As instituições financeiras têm agora a obrigação de realizar avaliações rigorosas de impacto algorítmico, a par das auditorias de dados tradicionais, para cumprir as normas éticas nacionais, segundo a empresa.

Fraude com IA ameaça o boom africano do dinheiro móvel

O momento é crítico, uma vez que as empresas africanas adoptam cada vez mais stablecoins para contornar a liquidez bloqueada e os longos prazos de liquidação. Embora estas ferramentas proporcionem transacções mais rápidas, criam trilhos de dados complexos que 39 autoridades reguladoras plenamente operacionais estão agora preparadas para auditar.

A modernização das infra-estruturas de pagamento está hoje indissociavelmente ligada à navegação neste panorama fragmentado, afirma Thelma Okorie, Directora de protecção de dados e privacidade do grupo Yellow Card.

O sector de orquestração de pagamentos e governação de IA deverá crescer 25,8% em 2026, de acordo com dados de mercado da Research Nester. Além disso, o Relatório Global de Tecnologia da KPMG para 2026 revela que 68% dos líderes financeiros colocam agora a responsabilização algorítmica acima da inovação pura.

Esta transição desencadeou uma corrida à confiança institucional. A mudança é particularmente relevante à medida que os criptoactivos entram no quadro nacional de controlo cambial. Em última análise, a vantagem competitiva em 2026 pertence a quem movimentar dinheiro de forma transparente, tratando a conformidade de classe mundial como uma base obrigatória para a inovação.

Angola e Namíbia consolidam parceria para impulsionar conectividade regional

O documento inclui o desenvolvimento de infra-estruturas de suporte como salas técnicas e sistemas de capacidade para reforçar significativamente a conectividade digital, informa um comunicado de imprensa.

A cerimónia foi testemunhada pelo ministro das Telecomunicoes, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola, Mário Oliveira, e pela ministra da Comunicação e Tecnologias de Informação da Namíbia, Emma Theofelus, evidenciando o compromisso político de ambos os países no fortalecimento da cooperação no sector.

Segundo Mário Oliveira, trata-se de um projecto estratégico apoiado pelos governos dos dois países, que permitirá à Angola Telecom, conclui a mesma fonte.

Angola entre os cinco maiores programas espaciais de África

Angola está entre os cinco maiores programas espaciais do continente africano, de acordo com o relatório “Indústria Espacial Africana – Análise de Mercado 2026”, elaborado pela Space in Africa.

A revelação foi feita esta segunda-feira (20) pelo CEO da organização, Temidayo Oniosun, durante a sessão de abertura do NewSpace Africa 2026, que decorre em Libreville.

Na sua intervenção, Oniosun sublinhou o avanço significativo de Angola no sector, posicionando o país entre as cinco maiores economias espaciais de África, ao lado de nações como África do Sul, Marrocos, Argélia e Nigéria.

O reconhecimento internacional reflecte os resultados do Programa Espacial Nacional, impulsionado pelo Executivo angolano e coordenado pelo Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS).

Os progressos alcançados foram igualmente destacados por Tidiane Ouattara, presidente do Conselho da Agência Espacial Africana (AfSA), durante um encontro com representantes de várias agências espaciais africanas.

FONTE: MINTTICS

UE torna obrigatórias as baterias amovíveis nos telemóveis e África pode ser beneficiada?

A partir de 18 de fevereiro de 2027, todos os telemóveis vendidos na União Europeia deverão ter baterias removíveis que os utilizadores possam substituir por conta própria. Este requisito marca o regresso a um design que a maioria dos principais fabricantes de telemóveis abandonou nos últimos anos.

A medida está prevista no artigo 11.º do regulamento da UE relativo às baterias e aos resíduos de baterias, adotado em 12 de julho de 2023. Este regulamento atualiza as regras existentes e substitui a legislação anterior.

Em África, o impacto vai além da tecnologia, já que os smartphones são essenciais para comunicação, trabalho, pagamentos e educação, além de representarem um custo elevado para muitas famílias.

Nigéria e União Europeia assinam acordo de cooperação em Ciência e Tecnologia

Segundo a GSMA, a acessibilidade financeira continua a ser o principal factor para a baixa adoção de smartphones no continente, com o custo de um aparelho a representar cerca de 26% do rendimento mensal médio na África Subsariana.

Nesse contexto, a bateria torna-se crítica. Muitas vezes, é o primeiro componente a degradar-se, torna-se inutilizável um dispositivo que ainda funciona bem no resto. Isso reforça a importância de equipamentos mais duráveis, reparáveis e com maior tempo de vida, sobretudo num mercado onde substituir um smartphone não é financeiramente fácil.

Sem uma substituição acessível da bateria, todo o dispositivo é descartado. A questão não é apenas o direito à reparação. É a capacidade de prolongar a vida útil de um bem de valor elevado.

O impacto ambiental é elevado. Em 2022, foram geradas 62 milhões de toneladas de resíduos electrónicos no mundo, mas apenas 22,3% foram reciclados. Até 2030, esse valor poderá chegar a 82 milhões, com o lixo electrónico a crescer muito mais rápido do que a reciclagem.

África é especialmente afectada, com menos de 1% de reciclagem formal. Muitos telemóveis acabam descartados, sobretudo por falhas na bateria, mesmo quando ainda poderiam ser utilizados.

A decisão europeia levanta uma questão direta para os mercados africanos. Se os fabricantes conseguem produzir smartphones mais duradouros e reparáveis para a Europa, com baterias removíveis, peças de substituição acessíveis e um suporte de software mais prolongado, há poucas razões para oferecer dispositivos menos reparáveis noutros mercados.

Aplica-se a todos os grandes fabricantes e reforça que África não deve receber dispositivos inferiores, com pouca reparabilidade e suporte limitado.

Como os consumidores mantêm os telemóveis por mais tempo, tornam-se mais importantes a durabilidade, a facilidade de reparação e a manutenção local do que a substituição rápida dos aparelhos.

Os consumidores mantêm os dispositivos por mais tempo, o que torna mais importantes a durabilidade, a reparação e a manutenção local do que a substituição rápida.

A regulamentação pode influenciar esse cenário, como mostra o exemplo europeu, e os países africanos podem adotar medidas semelhantes, com foco na reparabilidade e na responsabilidade dos fabricantes.

Neste contexto, baterias removíveis não são um retrocesso, mas sim um passo para dispositivos mais duradouros e acessíveis, algo especialmente relevante para África.

John Ternus é o novo CEO da Apple e sucede a Tim Cook na liderança da tecnológica

A Apple anunciou, nesta segunda-feira (20), uma mudança significativa na sua liderança. O actual CEO, Tim Cook, deixará o cargo e passará a exercer funções como presidente executivo do conselho de administração.

Para o seu lugar foi escolhido John Ternus, actual vice-presidente sénior de Engenharia de Hardware, que assumirá oficialmente como director-executivo (CEO) a partir de 1 de setembro de 2026. A nomeação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da empresa.

Com 50 anos, Ternus é um nome consolidado dentro da Apple. Ingressou na empresa em 2001, integrando a equipa de design de produtos. Ao longo dos anos, foi ascendendo na estrutura da companhia, tendo sido nomeado vice-presidente de Engenharia de Hardware em 2013 e, mais tarde, em 2021, promovido ao cargo de vice-presidente sénior.

Durante a sua trajectória, liderou o desenvolvimento de várias linhas de hardware e desempenhou um papel central na evolução de produtos emblemáticos como o iPhone, iPad, Mac e o Apple Watch, além de contribuir para o lançamento dos AirPods.

A transição marca o início de uma nova fase para a gigante tecnológica, que aposta numa liderança com forte experiência em engenharia e desenvolvimento de produto, numa altura em que o sector enfrenta rápidos avanços e crescente competitividade global.

FONTE: G1

Vulnerabilidades do Windows divulgadas por investigador estão a ser exploradas

No início de abril, o investigador conhecido como ‘Chaotic Eclipse’ publicou um ‘exploit’ de prova de conceito no GitHub para uma vulnerabilidade de escalonamento de privilégios chamada BlueHammer no Windows.

A razão para esta decisão foi a forma como o Centro de Resposta de Segurança da Microsoft lidou com o problema de segurança, que o investigador considerou inaceitável.

Embora a vulnerabilidade BlueHammer tenha sido posteriormente identificada como CVE-2026-33825 e corrigida com uma atualização do Windows em abril, o ‘Chaotic Eclipse’ divulgou outras duas vulnerabilidades, conhecidas como RedSun e UnDefend, que permanecem por corrigir.

Os três estão a ser explorados, como confirmou a empresa de cibersegurança Huntress Labs, que partilhou a informação na rede social X.

O RedSun, publicado no GitHub por Nightmare-Eclipse — outro pseudónimo do investigador insatisfeito com a Microsoft — permite aos atacantes sobrescrever ficheiros do sistema e obter privilégios de administrador.

Isto é feito pelo próprio antivírus, que sobrescreve o ficheiro malicioso encontrado na sua localização original.

Enquanto isso, o UnDefend permite que os atacantes desativem completamente o Windows Defender sem necessitar de privilégios de administrador para executar qualquer programa malicioso sem desencadear a sua proteção.

Fraude com IA ameaça o boom africano do dinheiro móvel

De acordo com a GSMA, a África Subsariana representa actualmente quase dois terços do valor global das transacções de dinheiro móvel, com 1,2 mil milhões de contas registadas e 341 milhões de utilizadores activos.

Em entrevista exclusiva ao IT Web Africa, Thalia Pillay, CEO e co-fundadora da Orca Fraud, alertou que o aumento da adopção acelera igualmente a fraude.

O dinheiro móvel é a grande história de infra-estrutura da nossa geração, mas está também, silenciosamente, a tornar-se a sua grande história de fraude“, afirmou.

Pillay citou dados do sector que indicam que 90% dos fornecedores de dinheiro móvel foram alvo de fraude de identidade no último ano, enquanto 88% sofreram ataques de engenharia social. Em toda a África, estima-se que o cibercrime retira anualmente mais de quatro mil milhões de dólares à economia formal.

O ministro das TIC do Zimbabué, Tatenda Mavetera, colocou o impacto local em perspectiva, revelando que o país perde mais de 30 milhões de dólares por ano em fraude de dinheiro móvel, com os ataques de phishing a aumentarem mais de 40%.

“Temos assistido a um aumento das burlas de dinheiro móvel e de ataques de phishing dirigidos à nossa economia em crescimento”, declarou Mavetera. “Cada nova porta digital torna-se um potencial ponto de entrada para a fraude impulsionada por IA”.

Pillay alertou que o panorama de ameaças está a evoluir rapidamente. As tipologias de fraude incluem agora ataques de troca de SIM, identidades sintéticas geradas por IA e burlas com deepfake, em que os criminosos clonam vozes para induzir empresários a autorizar pagamentos.

Os burlões utilizam hoje IA para gerar identidades, documentos e até artefactos de verificação biométrica capazes de passar nos controlos KYC em larga escala. Isto muda fundamentalmente as regras do jogo para as instituições financeiras“, sublinhou.

Um dos principais desafios reside na incompatibilidade entre as ferramentas globais de combate à fraude e as realidades dos mercados africanos. Muitos sistemas foram concebidos para ambientes com conectividade estável, sistemas de identificação formais e comportamentos de utilizador previsíveis — condições que nem sempre se verificam em África.

“As ferramentas globais tendem a bloquear o crescimento em excesso ou a proteger o sistema de forma insuficiente”, disse Pillay. “Os mercados africanos exigem modelos treinados localmente, que compreendam as redes de agentes, os dispositivos partilhados e o uso de múltiplos SIM”.

O crescimento acelerado dos pagamentos interoperáveis agrava o problema. As transferências transfronteiriças entre bancos e carteiras móveis estão a aumentar vertiginosamente, criando novas vias de branqueamento de capitais que os burlões exploram mais rapidamente do que os reguladores conseguem acompanhar.

“A fraude não respeita fronteiras. Os fundos podem atravessar três países em poucos dias, mas a maioria dos sistemas anti-fraude ainda opera em silos”, concluiu Pillay.