Início Site Página 3

Microsoft alerta para o fim do suporte do Windows Server 2022

A actualização de segurança disponibilizada nesse mês será a última abrangida por esta fase do ciclo de vida do produto. Posteriormente, o sistema entrará em suporte alargado, período durante o qual continuará a receber actualizações de segurança mensais gratuitas até 14 de Outubro de 2031.

A empresa publicou um aviso com 60 dias de antecedência para assinalar a transição do Windows Server 2022 para a fase de suporte alargado. A partir de 13 de Outubro de 2026, deixarão de ser disponibilizadas novas funcionalidades, melhorias ou correcções que não estejam relacionadas com segurança. No entanto, as actualizações de segurança continuarão sem custos adicionais durante mais cinco anos.

A entrada nesta nova fase não significa o fim do suporte ao sistema operativo. As organizações que continuarem a utilizar o Windows Server 2022 manterão o acesso às actualizações de segurança. Ainda assim, a Microsoft recomenda a migração para o Windows Server 2025, sobretudo para quem necessita de suporte completo e das funcionalidades mais recentes.

O Windows Server 2025, a mais recente versão de canal de suporte de longo prazo (LTSC), beneficiará de suporte principal até 13 de Novembro de 2029 e de suporte alargado até 14 de Novembro de 2034.

Novidades do Windows Server 2025

Entre as principais melhorias introduzidas no Windows Server 2025 destacam-se o suporte para TLS 1.3, a activação da encriptação LDAP por predefinição, optimizações de desempenho para unidades SSD e NVMe, bem como um modelo de subscrição opcional.

A funcionalidade mais relevante é, contudo, o hotpatching, que permite instalar actualizações de segurança sem necessidade de reiniciar o servidor, reduzindo os períodos de indisponibilidade.

Hotpatching deixou de ser gratuito

Desde 1 de Julho de 2025, a Microsoft passou a cobrar pela utilização do hotpatching em ambientes locais (on-premises). O serviço custa 1,50 dólares por núcleo de CPU por mês e exige gestão através do Azure Arc.

Num servidor equipado com 16 núcleos, o custo anual ascende a cerca de 288 dólares. Já na edição Windows Server Datacenter: Azure Edition, esta funcionalidade continua disponível sem custos adicionais.

WINS será descontinuado

O Windows Server 2025 será também a última versão a incluir o protocolo Windows Internet Name Service (WINS). A Microsoft prevê remover a funcionalidade das futuras versões do sistema operativo, embora o suporte ao protocolo permaneça disponível até Novembro de 2034.

Microsoft recomenda planeamento antecipado

A tecnológica aconselha as organizações a avaliarem desde já as opções de migração e a iniciarem os testes de implementação o mais cedo possível, de forma a evitar constrangimentos quando o suporte principal do Windows Server 2022 chegar ao fim.

Para facilitar o processo de avaliação, a Microsoft disponibiliza uma versão experimental do Windows Server 2025 com validade de 180 dias através do seu Centro de Avaliação.

Cibercriminoso coloca à venda dados de funcionários de várias multinacionais

Alegadamente, os dados foram obtidos a partir de ambientes Microsoft Azure e através da utilização de credenciais de acesso comprometidas. Entre as empresas visadas encontram-se a McDonald’s, Vodafone, Kyndryl e a Tata Consultancy Services (TCS). Algumas organizações, contudo, rejeitam ter sido vítimas de qualquer intrusão.

Desde 31 de Julho, o atacante publica conjuntos de dados em fóruns dedicados ao cibercrime. A maior base de dados, alegadamente proveniente da McDonald’s, contém mais de 1,7 milhões de registos. Seguem-se mais de 800 mil registos da TCS, 425 mil da Vodafone e 250 mil da HCL Technologies.

A lista inclui ainda o InterContinental Hotels Group (185 mil registos), Kyndryl (170 mil), Gap (80 mil), Hexaware Technologies (20 mil) e Wyndham Hotels (9 mil). Segundo o BleepingComputer, o atacante disponibiliza amostras das bases de dados para permitir aos potenciais compradores avaliar o conteúdo.

Estrutura interna das organizações exposta

De acordo com o TheHatman, os conjuntos de dados incluem nomes, endereços de correio electrónico corporativo, números de identificação de funcionários, cargos, contactos telefónicos e moradas. Em alguns casos, terão sido também roubadas contas de serviço e outros dados associados aos inquilinos (tenants) do Azure.

A empresa de cibersegurança Hudson Rock analisou amostras dos dados disponibilizados e concluiu que a sua estrutura corresponde à informação habitualmente encontrada em directórios empresariais. Entre os elementos identificados estão domínios activos, endereços .onmicrosoft.com e referências a contas com privilégios de Administrador Global.

Este tipo de informação pode servir para futuras campanhas maliciosas. O conhecimento sobre cargos, departamentos e contas privilegiadas poderá facilitar ataques de phishing direccionado, usurpação da identidade de gestores ou equipas de TI e outras formas de engenharia social.

Apesar disso, a autenticidade de todos os conjuntos de dados continua por confirmar. A Hudson Rock considera os dados credíveis, mas o BleepingComputer não conseguiu validar as alegações do atacante de forma independente.

TCS e Gap rejeitam alegações

Duas das empresas referidas contestaram publicamente a alegada violação. A TCS afirmou ter investigado o caso sem identificar provas credíveis de comprometimento dos seus sistemas ou dos ambientes dos seus clientes. Segundo a empresa, os dados apresentados terão pelo menos quatro anos e incluem apenas informações básicas sobre colaboradores.

O TheHatman afirma ter recorrido a ataques de força bruta de palavras-passe e de fadiga de autenticação multifactor (MFA) para obter acesso à TCS. Nos ataques de força bruta, os criminosos testam um conjunto limitado de palavras-passe comuns em numerosas contas. Já os ataques de fadiga MFA consistem no envio repetido de pedidos de autenticação a um utilizador, na expectativa de que este aprove um deles por engano.

A TCS garante que adoptou medidas de protecção contra estas técnicas há mais de dois anos.

Também a Gap afirmou não ter encontrado quaisquer indícios de comprometimento dos seus sistemas. A empresa sustenta que os dados divulgados são limitados, não sensíveis e têm vários anos de antiguidade.

Origem dos dados continua por esclarecer

Até ao momento, não existe confirmação de que os dados tenham sido efectivamente extraídos de ambientes Azure durante ataques recentes. Embora o atacante afirme ter utilizado credenciais comprometidas, não foram apresentadas provas independentes que sustentem essa versão.

A Hudson Rock identificou credenciais de acesso ao Azure previamente roubadas por programas de roubo de informação (infostealers) em várias das organizações visadas. Os investigadores admitem, por isso, a possibilidade de essas credenciais terem desempenhado um papel no incidente. No entanto, não foi possível demonstrar que as contas em causa serviram para recolher os dados alegadamente colocados à venda.

Outros cenários possíveis incluem campanhas de phishing, roubo de tokens de sessão ou abuso de integrações com privilégios elevados. Para já, não existem indícios de que uma vulnerabilidade no Microsoft Azure ou no Microsoft Entra esteja na origem da alegada fuga de informação.

Meta vai a julgamento nos EUA: dona do Facebook é acusada de viciar crianças

Mais da metade dos Estados dos Estados Unidos estão unidos num processo inédito contra a Meta, que foi instaurado em 2023 e vai a julgamento esta terça-feira. A dona do Instagram e do Facebook é acusada de criar, de forma intencional, produtos “perigosos” e “aditivos” para menores de idade.

O julgamento, que pode durar entre seis a oito semanas, vai acontecer no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e vai ouvir o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, bem como o CEO do Instagram, Adam Mosseri, e Arturo Béjar, antigo funcionário que se tornou delator do processo.

“A Meta criou um produto perigoso para jovens usuários, sabia que era perigoso e mentiu às crianças, famílias e à comunidade sobre o quão perigoso ele era”, afirma Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, citado pelo The Guardian.

Nigéria abre investigação a Meta, Google e X por exploração de conteúdos jornalísticos

A Meta tem sofrido derrotas nos tribunais devido à forma como as suas plataformas prejudicaram usuários jovens, mas este caso pode representar um dano consideravelmente maior à empresa. Segundo o The Guardian, se a Meta for considerada culpada, pode ter de pagar 172,7 mil milhões de euros.

Além disso, os procuradores-gerais do Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey pedem que a empresa seja obrigada a adotar mecanismos mais rigorosos de verificação de idade e elimine recursos como o ‘scroll’ infinito.

A gigante tecnológica nega todas as acusações e afirma que as alegações são “infundadas” e as compensações financeiras pedidas são “extremamente desproporcionais”.

Apple pode preparar iPhone Ultra 3 com telas maiores para 2028

A Apple poderá estar a planear uma terceira geração do seu possível iPhone dobrável para 2028, antes mesmo de apresentar oficialmente a primeira versão do equipamento.

Segundo informações divulgadas pelo jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a empresa estará a estudar o lançamento do chamado “iPhone Ultra 3” no início de 2028, com uma das principais novidades centrada no aumento do tamanho dos ecrãs.

Até ao momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre as dimensões que a Apple pretende adoptar no futuro dispositivo.

Os rumores sobre o iPhone dobrável apontam para que a Apple possa apresentar o primeiro modelo ainda este ano. O equipamento deverá adoptar um formato diferente de muitos dos smartphones dobráveis actualmente disponíveis no mercado.

As especulações indicam para um ecrã externo de 5,5 polegadas e um ecrã interno de 7,8 polegadas, quando o aparelho estiver totalmente aberto.

O dispositivo deverá ainda apostar num formato mais largo e baixo, com proporção próxima de 4:3 quando aberto.

A possibilidade de aumentar os ecrãs levanta também questões sobre o próprio formato do aparelho.

Uma das hipóteses especuladas seria aumentar cerca de 0,4 polegadas em cada painel, levando o ecrã externo para aproximadamente 5,9 polegadas e o interno para 8,2 polegadas.

No entanto, estes números não foram confirmados pela Apple e devem ser encarados apenas como uma possibilidade.

Um aumento significativo poderia aproximar o formato do dispositivo ao de um smartphone convencional quando fechado, algo que poderá não estar alinhado com a proposta de design esperada para o equipamento.

Apesar dos rumores sobre diferentes gerações do possível iPhone dobrável, a Apple ainda não confirmou oficialmente o equipamento, as suas características ou sequer a existência de um modelo chamado iPhone Ultra.

Por isso, as informações sobre o iPhone Ultra 3 continuam no campo dos rumores e poderão sofrer alterações até uma eventual apresentação oficial.

Se os planos avançarem, a terceira geração poderá representar uma evolução do conceito de smartphone dobrável da Apple, com maior área de visualização e novas possibilidades de utilização.

Angola junta-se às agências espaciais parceiras da NASA no Space Apps Challenge 2026

Angola vai participar na edição de 2026 do NASA International Space Apps Challenge como Agência Espacial Parceira, depois de o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) ter sido seleccionado pela agência espacial norte-americana NASA para integrar a iniciativa.

A participação coloca Angola numa rede internacional de instituições ligadas ao sector espacial e cria novas oportunidades para jovens, estudantes, investigadores, programadores, empreendedores e profissionais angolanos desenvolverem soluções baseadas em dados espaciais.

Actualmente, a rede de Agências Espaciais Parceiras do Space Apps Challenge conta com 17 instituições, incluindo três países africanos: Angola, Nigéria e Senegal.

Dados espaciais para desenvolver novas soluções

Durante o evento, a NASA disponibilizará dados de satélite e outras informações provenientes de sistemas espaciais para serem utilizados pelos participantes no desenvolvimento de soluções tecnológicas.

As Agências Espaciais Parceiras poderão igualmente disponibilizar dados adicionais, contribuindo para que as equipas desenvolvam projectos relacionados com diferentes desafios da Terra e do espaço.

A iniciativa pretende aproximar diferentes comunidades tecnológicas e científicas, permitindo que participantes de vários países trabalhem em conjunto na criação de soluções para problemas globais.

Oportunidade para jovens angolanos

Para Angola, a integração na iniciativa representa uma oportunidade para aumentar a participação de talentos nacionais em competições internacionais ligadas à ciência, tecnologia e exploração espacial.

Estudantes, programadores, investigadores, startups e profissionais de diferentes áreas poderão integrar equipas multidisciplinares e utilizar dados espaciais para criar soluções inovadoras.

A selecção do GGPEN ocorre num período de crescimento do Programa Espacial Nacional e reforça a presença de Angola em iniciativas internacionais relacionadas com ciência, inovação e tecnologia espacial.

Space Apps Challenge acontece em Novembro

A edição de 2026 do NASA International Space Apps Challenge está prevista para os dias 14 e 15 de Novembro, reunindo milhares de participantes em centenas de cidades de diferentes países.

Durante o hackathon, as equipas terão de transformar dados espaciais em soluções capazes de responder a desafios relacionados com o planeta e o espaço.

A participação de Angola como Agência Espacial Parceira poderá, assim, aproximar o ecossistema tecnológico nacional de uma das maiores comunidades internacionais dedicadas ao desenvolvimento de soluções com recurso a dados espaciais.

Telemóvel demasiado quente? Há uma opção que deve desactivar

O carregamento rápido é uma das funcionalidades mais úteis introduzidas nos últimos anos nos smartphones, permitindo recuperar várias horas de autonomia em poucos minutos. No entanto, apesar das vantagens, esta tecnologia também contribui para o aumento da temperatura do equipamento durante o carregamento.

O sobreaquecimento é um dos principais factores associados à degradação das baterias de iões de lítio utilizadas nos telemóveis actuais, reduzir gradualmente a sua capacidade máxima ao longo do tempo.

Para minimizar este efeito, alguns fabricantes permitem desactivar o carregamento rápido. É o caso da Samsung, cujos dispositivos incluem uma opção específica para gerir os diferentes modos de carregamento.

Segundo o portal especializado How-To Geek, os utilizadores que pretendam preservar a longevidade da bateria e reduzir o aquecimento do equipamento podem desactivar esta funcionalidade através das definições do telemóvel.

Nos smartphones Samsung, o processo passa por aceder a Definições, seleccionar Bateria e, em seguida, entrar nas Definições de carregamento. Nesta secção é possível activar ou desactivar os vários tipos de carregamento disponíveis, incluindo o carregamento rápido com fios e o carregamento rápido sem fios.

A desactivação não tem de ser permanente. Os utilizadores podem voltar a activar a funcionalidade sempre que necessitem de carregar o equipamento mais rapidamente.

Além disso, existem outras formas de reduzir o impacto do carregamento na saúde da bateria. Quem costuma carregar o telemóvel durante a noite pode activar as funcionalidades de carregamento inteligente ou carregamento optimizado, disponíveis em vários modelos, que ajustam a velocidade de carregamento e completam a carga de forma mais gradual. Esta abordagem ajuda a reduzir o desgaste da bateria e a limitar o aquecimento excessivo do dispositivo.

Airtel e Starlink lançam serviço de Internet via satélite para telemóveis na RDC

A solução utiliza a tecnologia Direct-to-Cell, que permite a ligação directa entre satélites e smartphones compactíveis, sem necessidade de equipamento adicional. Numa fase inicial, os utilizadores de dispositivos Android LTE compactíveis podem aceder a aplicações de baixo consumo de dados, como o WhatsApp e mensagens SMS.

Para utilizar o serviço, os clientes devem possuir um pacote de dados activo ou o serviço de roaming de dados activado. O suporte para dispositivos Apple deverá ser disponibilizado em futuras actualizações.

Segundo Sunil Taldar, CEO da Airtel Africa, a integração da rede móvel da operadora com a tecnologia satélite da Starlink permitirá expandir o acesso à conectividade para além das limitações da infraestrutura terrestre tradicional.

“Ao combinar a rede terrestre da Airtel com a tecnologia de satélite da Starlink, estamos a expandir a conectividade essencial para além dos limites da infraestrutura móvel convencional. A República Democrática do Congo lidera este importante desenvolvimento, cuja experiência apoiará a expansão gradual do serviço nos restantes mercados, sujeita às aprovações regulatórias de cada país”, afirmou.

O serviço foi concebido para responder às necessidades de utilizadores e organizações que operam em regiões remotas, incluindo operadores logísticos, agências humanitárias, profissionais de saúde, empresas mineiras e comunidades rurais sem cobertura móvel convencional.

Para Thierry Diasonama, director-geral da Airtel RDC, as características geográficas e a dimensão do país justificam a aposta numa solução complementar às redes terrestres.

“A dimensão e a geografia do nosso país fazem com que muitas pessoas vivam, trabalhem e se desloquem para áreas sem cobertura móvel convencional. Este serviço acrescenta uma camada adicional de conectividade, ajudando os clientes a manter-se acessíveis, informados e ligados mesmo onde a cobertura terrestre não existe”, destacou.

A pegada digital: o recurso invisível da economia digital africana

A Airtel Africa já tinha sido identificada como parceira de lançamento da tecnologia Starlink Direct-to-Cell nos seus 14 mercados africanos, que, em conjunto, representam mais de 170 milhões de assinantes.

Entretanto, outras operadoras africanas, como a MTN, também têm realizado testes de tecnologias de comunicação móvel via satélite em diversos mercados do continente, incluindo a Zâmbia.

Os clientes elegíveis na RDC podem aderir ao serviço através da aplicação MyAirtel, beneficiar de um período experimental de 30 dias, enquanto a operadora prossegue a expansão operacional da solução.

Tribunal moçambicano anula decreto que permitia bloquear a Internet por razões de segurança

O Conselho Constitucional de Moçambique anulou várias disposições do decreto que regulamenta o controlo do tráfego de telecomunicações, por considerar que violam a Constituição. Aprovado a 16 de Dezembro de 2025, o diploma reforçava significativamente os poderes do Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), atribuindo-lhe competência para suspender serviços de telecomunicações, incluindo o acesso à Internet, sempre que fosse identificado um «risco iminente para a segurança pública ou para a segurança do Estado».

Além da possibilidade de interromper os serviços, o decreto autorizava também a monitorização das comunicações, a recolha de dados dos utilizadores e a realização de intervenções técnicas directas nas redes das operadoras, com o objectivo de assegurar o cumprimento das decisões determinadas pelo Governo.

As principais críticas dos juízes incidiram sobre o artigo 5.º, que permitia ao Governo decidir a interrupção dos serviços com base na sua própria avaliação da ameaça. Segundo o Conselho Constitucional, o poder executivo excedeu as suas competências ao legislar, através de decreto, sobre restrições a direitos, liberdades e garantias fundamentais. Estas matérias são da competência exclusiva da Assembleia da República.

Em Janeiro, o Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), uma organização não-governamental moçambicana, submeteu uma petição ao mais alto órgão judicial do país em matéria constitucional e eleitoral. O processo teve origem numa exposição apresentada ao Provedor de Justiça.

Após a divulgação da decisão, o Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) saudou a sentença, considerando que esta «protege o direito dos moçambicanos ao acesso à Internet e à informação essencial que esta proporciona, bem como a defesa do espaço cívico».

Angola: multas por violação de dados ultrapassam 1,1milhão USD em 2026

Entre as empresas sancionadas figuram o Standard Bank Angola, a Fast Digital Center – Comércio e Serviços, a Crescer Tech – Comércio e Prestação de Serviços, a Empresa Pública de Águas (EPAL), a TAKE NOW – Comércio e Prestação de Serviços e o Hotel Diamante.

O montante aplicado até à primeira quinzena de Agosto é mais de quatro vezes superior ao valor das multas impostas pela APD durante todo o ano passado, fixado no equivalente a cerca de 250 mil dólares norte-americanos. Trata-se do maior volume de sanções aplicado pela entidade reguladora desde 2022.

No total, desde 2022, a instituição responsável por fiscalizar e garantir o cumprimento das normas relativas à privacidade e ao tratamento de dados pessoais em Angola aplicou multas equivalentes a mais de 2,38 milhões de dólares norte-americanos a 14 empresas. O sector bancário destaca-se entre os mais sancionados.

Angola aprova Lei da Cibersegurança

A banca acumula multas no valor equivalente a 825 mil dólares norte-americanos, aplicadas ao Banco de Poupança e Crédito (BPC), Standard Bank Angola, Banco Comercial do Huambo (BCH) e Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

A lista de entidades sancionadas inclui ainda a Unitel, multada em duas ocasiões, a Africell, a TAAG, a Fast Digital Center – Comércio e Serviços, a Crescer Tech – Comércio e Prestação de Serviços, a EPAL, a TAKE NOW – Comércio e Prestação de Serviços, o Hotel Diamante, a MAXAM – Companhia de Pólvoras e Explosivos de Angola e a COSAL – Comércio e Serviços de Angola.

Usar o ChatGPT prejudica o cérebro? O que se sabe sobre a chamada “dívida cognitiva”

O avanço da Inteligência Artificial generativa está a mudar a forma como as pessoas estudam, trabalham, pesquisam informações e produzem conteúdos. Ferramentas como o ChatGPT conseguem responder a perguntas, resumir textos, desenvolver ideias e realizar tarefas que anteriormente exigiam maior esforço mental.

Mas esta facilidade também levanta uma questão: quando entregamos parte dessas tarefas à Inteligência Artificial, estamos a aliviar o cérebro ou a deixar de exercitá-lo?

A preocupação está relacionada com um fenómeno conhecido na ciência cognitiva como delegação cognitiva, que acontece quando uma pessoa recorre a uma ferramenta externa para realizar uma tarefa que poderia executar com os próprios recursos mentais.

Isso não começou com a Inteligência Artificial. Calculadoras, motores de pesquisa, agendas digitais, GPS e até simples listas de tarefas são exemplos de ferramentas que permitem aos seres humanos transferir determinadas funções para sistemas externos.

A diferença é que a IA generativa consegue realizar tarefas muito mais complexas, incluindo escrever textos, analisar informações, resolver problemas e produzir ideias.

O que diz o estudo do MIT?

Um dos trabalhos que chamou atenção para esta discussão foi realizado por investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

No estudo, jovens foram divididos em grupos e receberam a tarefa de produzir textos utilizando diferentes níveis de apoio tecnológico. Um grupo utilizou o ChatGPT, outro recorreu ao Google e um terceiro realizou as tarefas sem essas ferramentas.

Os investigadores analisaram a actividade cerebral dos participantes e também avaliaram os textos produzidos.

Os resultados indicaram diferenças entre os grupos. Os participantes que utilizaram o ChatGPT apresentaram menor envolvimento em determinados processos associados à actividade cerebral durante a realização da tarefa e demonstraram menor capacidade de recordar alguns elementos dos próprios textos.

Também foram observadas diferenças na forma como os participantes se relacionavam com as ideias que tinham produzido.

A partir destes resultados, os investigadores levantaram a hipótese de que o uso repetido da IA para substituir o esforço necessário à realização de determinadas tarefas pode reduzir o envolvimento cognitivo.

É neste contexto que ganhou força a expressão “dívida cognitiva”.

O que significa “dívida cognitiva”?

A ideia é relativamente simples: quando uma pessoa recorre constantemente a uma ferramenta para realizar uma tarefa que poderia exigir esforço mental, pode deixar de praticar determinadas capacidades.

É semelhante ao que acontece quando usamos sempre uma calculadora para operações simples e, com o tempo, deixamos de exercitar algumas capacidades de cálculo mental.

No caso da IA, a preocupação é mais ampla. Se uma pessoa pedir sempre ao ChatGPT para escrever, resumir, pesquisar, argumentar ou resolver problemas sem participar activamente no processo, poderá estar a reduzir o esforço necessário para desenvolver determinadas competências.

Mas isso não significa que o ChatGPT esteja comprovadamente a tornar as pessoas menos inteligentes.

Ainda existem muitas perguntas sem resposta

Apesar da atenção gerada pelo estudo do MIT, é importante evitar conclusões definitivas.

A investigação sobre os efeitos da Inteligência Artificial no funcionamento cognitivo ainda está numa fase inicial. Muitos trabalhos existentes são teóricos, enquanto os estudos experimentais ainda são relativamente poucos e apresentam limitações.

Uma das principais questões é saber se os efeitos observados em determinadas tarefas se mantêm durante períodos prolongados e se podem realmente provocar alterações permanentes nas capacidades cognitivas.

Também é necessário estudar diferentes grupos de pessoas, diferentes formas de utilização da IA e diferentes tipos de tarefas.

Ou seja, ainda não há evidências suficientes para afirmar que utilizar o ChatGPT provoca, por si só, uma “dívida cognitiva” permanente.

O problema pode estar na forma como usamos a IA

Outro ponto importante é perceber por que razão uma pessoa utiliza a Inteligência Artificial.

Imagine dois estudantes.

O primeiro pede ao ChatGPT para fazer todo o trabalho, copia a resposta e entrega o conteúdo sem analisar as informações.

O segundo utiliza a ferramenta para encontrar diferentes perspectivas, esclarecer conceitos, identificar erros e melhorar um texto que ele próprio desenvolveu.

Nos dois casos houve utilização de IA, mas o envolvimento cognitivo foi completamente diferente.

A investigação sobre delegação cognitiva sugere precisamente que os efeitos dependem dos objectivos que levam uma pessoa a recorrer a ferramentas externas.

A tecnologia pode ser utilizada para evitar pensar ou para pensar melhor.

IA pode substituir esforço ou ampliar capacidades

A Inteligência Artificial também pode funcionar como uma ferramenta de aprendizagem quando utilizada de forma activa.

Em vez de pedir simplesmente a resposta, o utilizador pode solicitar uma explicação, questionar os argumentos apresentados, comparar diferentes perspectivas ou utilizar a IA para identificar pontos fracos no próprio raciocínio.

Neste cenário, a tecnologia deixa de ser apenas um substituto do esforço mental e passa a funcionar como uma ferramenta de apoio.

O desafio está, portanto, em encontrar um equilíbrio.

O que devemos retirar desta discussão?

A principal conclusão, neste momento, é que não existe motivo científico suficiente para afirmar que o ChatGPT “estraga” o cérebro.

Por outro lado, também seria precipitado ignorar os possíveis efeitos de uma utilização excessivamente passiva da Inteligência Artificial.

Tal como acontece com outras tecnologias, a questão não está apenas na ferramenta, mas na forma como ela é utilizada.

Usar o ChatGPT para substituir constantemente a leitura, a escrita, a memória e o raciocínio pode reduzir o exercício dessas capacidades. Utilizá-lo para questionar ideias, aprender, pesquisar e melhorar o próprio trabalho pode produzir uma experiência completamente diferente.

Enquanto a ciência continua a investigar os efeitos de longo prazo da IA, uma regra simples pode ajudar: não entregue à Inteligência Artificial todo o trabalho que o seu cérebro ainda precisa de aprender a fazer.

Fonte: G1