Empresa israelita de cibervigilância detalha produto para espiar iPhones em tempo real

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Há novas suspeitas a recair sobre uma empresa israelita de soluções de cibervigilância, que alegadamente desenvolveu um spyware ao género do Pegasus, da compatriota NSO, que está a ser usado para entrar silenciosamente em iPhones e espionar as atividades de quem os utiliza, um pouco por todo o mundo.

A informação é avançada pela Reuters e a empresa em questão chama-se QuaDream. Tal como com a NSO, não se sabe a que clientes vende o spyware que comercializa. Fontes da agência dizem que, entre os clientes, estarão os governos da Árábia Saudita, México, Singapura e provavelmente Indonésia. As mesmas fontes dizem que a empresa foi fundada por dois antigos empregados da NSO.

Os dados apurados indicam que a QuaDream vende uma ferramenta, Reign, idêntica a um exploit para vulnerabilidades no software da Apple criado pela NSO (Forcedentry) e considerado por um investigador da Google que o analisou, como um dos exploit tecnicamente mais sofisticados alguma vez produzido.

Em brochuras do produto a que a Reuters teve acesso (de 2019 e 2020), explica-se que o Reign permite entrar silenciosamente no telefone e ter acesso a emails, SMS, mensagens trocadas em redes sociais como o WhatsApp, Telegram ou Signal, ou fotos. Há também uma versão Premium, que consegue gravar chamadas, ou ativar a câmara e o microfone do dispositivo remotamente.

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Israel é conhecido pela quantidade de empresas ligadas à área da cibersegurança que ali se desenvolvem. Neste universo, haverá várias dedicadas à cibervigilência, oficialmente para ajudar a prevenir situações de terrorismo ou outras socialmente aceitáveis, mas à medida que os vestigios do software que criam vai sendo detetado, acumulam-se as evidências de que está longe de ser usado apenas para “fazer o bem”.

No entanto, há quem continue a assegurar que só usa estas ferramentas para fins nobres. É o caso do FBI, que esta semana acabou por assumir que comprou licenças do Pegasus, mas garantindo que nunca o usou em qualquer investigação, só para fazer testes e avaliar.

Note-se que há spyware deste tipo para diferentes plataformas e que observam os movimentos dos alvos, em diferentes contextos. Em dezembro a Meta, dona do Facebook e Instagram, afastou sete empresas das suas redes sociais e avisou 50 mil utilizadores em mais de 100 países, que tinham sido espiados nas duas plataformas por empresas de vigilância por encomenda.

A QuaDream foi fundada em 2016 por Ilan Dabelstein, um ex-oficial militar israelense, e por dois ex-funcionários da NSO, Guy Geva e Nimrod Reznik, de acordo com registros corporativos israelenses e duas pessoas familiarizadas com o negócio.

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