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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2026
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Governo está a finalizar projeto de lei para regularizar táxis personalizados

O Governo Angolano (através da Agência Nacional dos Transportes Terrestres -ANTT) está a concluir um Projeto de Lei de Regulamentação do Exercício da Atividade de Táxi em Plataformas Digitais, com o objetivo de oferecer mais qualidade dos serviços, aumento da receita tributária e reconversão da economia informal.

A informação foi avançada pela diretora de Circulação da ANTT, Rosete Celestino, à margem do Fórum Internacional de Economia Compartilhada (FIEC) 2023, que serviu para discutir matérias ligadas à utilização das novas tecnologias na prestação de serviços com ampla abrangência nos diversos domínios da economia.

Rosete Celestino referiu que a regulamentação do exercício da atividade de táxi por via das plataformas digitais está plasmada no Decreto Presidencial nº 128/10, de 6 de julho, e que decorrem procedimentos que vão culminar com a promulgação e a entrada em vigor da Lei que definirá os moldes em que a atividade deverá ser exercida.

A futura regulamentação, enfatizou a responsável, vai ter como escopo a definição dos operadores das plataformas vocacionadas para a prestação deste importante serviço e os motoristas nelas inseridos, de forma a aferir o vínculo existente entre o operador da plataforma digital e o condutor do veículo.

MAIS: Comparação entre os aplicativos de mobilidade existentes em Angola

Na qualidade de órgão regulador, frisou, a ANTT deu passos seguros para que, em breve trecho, seja exarada e divulgada a proposta de Lei desta matéria, acrescentando que “é prematuro avançar um horizonte temporal”.

“O órgão regulador convocou, recentemente, os principais operadores deste sistema, como são os casos da Kubinga, a Heetch, Yango, Uber, T’leva e outras, que, em conjunto, trabalharam em prol da elaboração deste projeto de lei, porque a aprovação do quadro normativo não depende exclusivamente da ANTT”, informou.

De acordo com Rosete Celestino, o surgimento de plataformas digitais é bem acolhido pelo Executivo, por contribuir de forma expressiva para a melhoria da mobilidade, o que confere aos seus operadores a qualidade de agentes económicos que devem ser abraçados pelo Estado angolano, sem descurar os benefícios económicos e melhoria da qualidade da vida dos cidadãos.

As receitas provenientes são da responsabilidade do Ministério das Finanças, enquanto o órgão regulador limita-se a tratar de aspetos relacionados com a mobilidade urbana.

Estão a surgir aplicativos que ajudam a melhorar a circulação pelo fornecimento de serviço à população“.

Apple supera Samsung em vendas de smartphones

O mais recente relatório da Canalys sobre as vendas de telemóveis do quarto trimestre de 2023 indica que a Apple superou a Samsung no que diz respeito a quota de mercado.

O relatório em questão indica que, no quarto trimestre, a Apple conseguiu uma quota de mercado de 24% (25% no final de 2022), mais do que os 17% da Samsung (20% no final de 2022). Em terceiro lugar encontramos a Xiaomi com 13% do mercado (11% no final de 2022).

MAIS: Apple já não é a empresa mais valiosa do mundo

A IDC também nota que a Apple superou a Samsung no número de telemóveis enviados para as lojas. O relatório desta empresa de análise de mercado sugere que a Apple enviou um total de 234,6 milhões de iPhones para as lojas, contra os 226,6 milhões de dispositivos enviados pela Samsung.

Será a mineração de Bitcoin o Jackpot de 15 mil milhões de dólares para Angola?

Este artigo foi enviado por Paulo Araújo. Quer partilhar conhecimento com os demais seguidores do MenosFios? Siga os passos.


O sector energético e economia. A nação enfrenta um desafio significativo: estima-se que 40% da sua energia hidroelétrica, ou 1400 MW, se percam devido a ineficiências na transmissão. No entanto, a introdução proposta da mineração de Bitcoin poderia converter este desafio numa oportunidade de 15 mil milhões de dólares ao longo de cinco anos.

Os gigantes hidroelétricos do país, Capanda, Cambambe e Laúca, têm o potencial de alimentar coletivamente uma robusta indústria de mineração de Bitcoin, transformando o excedente energético numa produção impressionante de moeda digital. Esta ação poderia injetar cerca de 3 mil milhões de dólares anualmente na economia de Angola, tendo em conta o valor atual do Bitcoin.

Ao implementar uma operação estratégica de mineração de Bitcoin, começando com projetos-piloto e escalando para empreendimentos plenamente integrados na rede, Angola poderia não só recuperar a energia de outra forma desperdiçada mas também revitalizar a sua estrutura económica. Esta iniciativa está preparada para atrair um investimento privado significativo num sector que tem sido tradicionalmente gerido pelo estado, oferecendo tanto a pequenos como a grandes investidores um sector lucrativo. O exemplo estabelecido pela Gridless, com operações no Quénia, Zâmbia e Malawi, sublinha o potencial para as entidades privadas prosperarem neste novo mercado enquanto resolvem um problema crucial para as economias rurais.

Esta jogada estratégica não é apenas sobre ganho financeiro, mas também trata-se de reforçar a resiliência económica de Angola e responder à procura global por fontes de energia sustentáveis. Ao aproveitar os seus recursos hidroelétricos para a mineração de Bitcoin, Angola poderia alinhar-se com práticas ecológicas, uma vez que tem sido provado que este tipo de empreendimentos ajudam a combater as alterações climáticas e são um benefício líquido para o ambiente.

A incursão de Angola na mineração de Bitcoin apresenta uma oportunidade dourada para gerar receitas governamentais substanciais, previstas numa taxa de imposto de 30% sobre os lucros da mineração. Este novo recurso fiscal poderia alimentar iniciativas de desenvolvimento social, contribuir para equilibrar o orçamento do governo e, criticamente, servir como uma fonte de moeda estrangeira. A transformação económica proporcionada por tais receitas poderia fortalecer a posição de Angola na economia global, alavancando a mudança para ativos digitais descentralizados enquanto adere a práticas sustentáveis e ecológicas.

Para apoiar esta ambição, Angola deve desenvolver políticas que promovam parcerias público-privadas, simplifiquem os processos de licenciamento e assegurem o cumprimento regulamentar, atraindo assim investidores globais. Esta clareza regulatória é crucial para reenergizar projetos energéticos adormecidos e transformar áreas rurais em novos centros tecnológicos, beneficiando de custos energéticos mais baixos e amplo espaço.

A estratégia abrangente de Angola estaria definida num contexto global onde nações como os Estados Unidos da América, especificamente o estado do Texas, tornaram-se refúgios para a mineração de Bitcoin, graças ao seu ambiente legislativo proativo. Angola trabalharia igualmente para reforçar as economias rurais e empreender a gestão ambiental. Descentralizando as operações de mineração, seguiria as pegadas da Rússia, que surgiu como um jogador significativo na indústria de mineração de Bitcoin, aproveitando os seus vastos recursos energéticos para reduzir as emissões de metano em linha com os objetivos da COP26 e diminuir notavelmente a sua pegada de carbono.

Concluindo, a incursão de Angola na mineração de Bitcoin espelharia o ethos de desenvolvimento sustentável visto nos Emirados Árabes Unidos, que se posicionaram como um destino favorável à mineração de Bitcoin no Médio Oriente. A iniciativa de Angola é mais que uma jogada económica; incorpora uma visão abrangente para um crescimento sustentável. Ao capitalizar o potencial hidroelétrico inexplorado, Angola não está apenas a forjar um caminho para a prosperidade, mas também a estabelecer um modelo para a integração de energia renovável e moeda digital. Esta iniciativa coloca Angola ao lado de países como os Estados Unidos e a Rússia, criando um efeito dominó que poderá inspirar outras nações ricas em energia a aproveitar a tecnologia blockchain em conjunto com os sectores energéticos tradicionais, estabelecendo um novo padrão para o futuro no continente africano e além.

[Moçambique] Aluna cria despertador automático na cidade de Beira

Com o objetivo de diminuir o número de roubos na cidade de Beira, uma jovem adolescente de 16 anos criou um despertador eletrónico que pode ser utilizado pela comunidade para controlar os casos de roubos.

Gisele Chimoio, estudante de uma escola secundária e entrevista a revista digital KABUM, diz que a motivação por detrás da criação inovadora é devido aos “constantes assaltos”, onde os meliantes assaltam as casas, entram à força e fogem com os pertences, isto num clima de “não levantar suspeitas”;

Segundo o que é revelado, a solução tecnológica funciona como um sensor de movimento capaz de detetar movimentos no seu bairro da Manga, em Beira.

“Qualquer movimento na área coberta aciona o alarme, permitindo aos residentes reagir prontamente. Isto pode envolver alertar a polícia, intervir pessoalmente e impedir o roubo”, explicou Gisela Chimoio ao Club of Mozambique, destacando que a sua ideia tem como objectivo minimizar o problema dos assaltos.

Ao detetar a presença humana, o alarme tecnológico dispara um alerta sonoro, sendo que a inovação é posicionada estrategicamente para cobrir a área que requerer proteção.

De modo a tornar a solução mais abrangente e realista, a Administração da escola da estudante está a apoiar a produção de sensores adicionais e também a explorar formas de registar formalmente a criação de Gisela Chimoio, para preservar os direitos de propriedade intelectual.

Quanto a produção, a “founder” explica que precisa apenas de dois dias, onde o feito da adolescente valeu elogios na Feira Distrital de Ciência e Tecnologia, um evento que reuniu projetos de estudantes representando várias escolas da província de Sofala, solidificando a sua posição como uma inovadora em destaque.

Sobre a sua primeira transição do conceito para a realidade, Gisela Chimoio frisa que o próximo passo é alinhar-se às suas aspirações e conceber soluções semelhantes num futuro próximo, tendo em conta a procura crescente do seu sensor de alarme.

“A feira distrital suscitou um interesse considerável, tendo muitos, manifestado vontade de montar ou comprar o dispositivo”, afirmou Gisela Chimoio.

Para  João Ernesto, Vice-diretor da Escola Secundária Mateus Sansão Mutemba, a Gisela conquista simboliza o auge de uma aprendizagem eficaz, afirmando que este momento significa a “concretização dos nossos objetivos de ensino e aprendizagem, bem como a materialização da ênfase do currículo nos clubes de ciências”.

Banco Nacional de Angola confirma que sofreu ataque cibernético

Durante a semana começou a circular em alguns portais a informação de que o Banco Nacional de Angola (BNA) sofreu um ataque cibernético desde o dia 8 de janeiro, e até então não havia nenhuma informação por parte do banco central, e a nossa equipa chegou ainda a entrar em contacto para se ter certeza da informação.

O Banco Nacional de Angola veio confirmar a informação no dia 16 de Janeiro de 2023, através do seu site, garantindo que sofreu um ataque cibernético no dia 6 de janeiro de 2024, mas garante que mitigado pelo sistema de cibersegurança da Instituição, o referido ataque não teve impactos significativos na sua infraestrutura e dados. Avançou ainda que, na sequência da ocorrência, assegurou-se, de forma controlada, o acesso às infraestruturas tecnológicas e, consequentemente, a disponibilização segura e eficiente dos serviços institucionais.

A informação avançada por alguns portais sobre o incidente, garante que o ataque paralisou, por mais de 24 horas, o Sistema de Pagamentos em Tempo Real (SPTR), que trata das operações interbancárias em todo o país, incluindo operações financeiras do Estado em kwanzas, que também está interligado com o Sistema Integrado de Mercados e Gestão de Ativos (SIGMA) do BNA, onde são feitas todas as transações do mercado de ativos, nomeadamente a compra e venda de títulos de tesouro e do banco central.

[Rumor] iPhone 16 e 16 Plus devem contar com 8 GB de memória

O analista Jeff Pu da Haitong Securities, um dos mais respeitados no que diz respeito a temas relacionados com a Apple, acredita que todos os modelos da próxima geração do iPhone terão a mesma quantidade de memória RAM.

Ao contrário da série iPhone 15 onde encontramos os modelos ‘standard’ com 6GB de RAM e os Pro com 8GB de RAM, na (eventual) série iPhone 16 todos os modelos contarão com 8GB de memória RAM.

MAIS: Próxima geração dos iPhone terá maior capacidade de bateria

Ao que parece, esta ‘unificação’ deve-se ao facto de o iOS 18 contar com funcionalidades de Inteligência Artificial – com o aumento a servir para fazer face a estas novidades.

Naturalmente, não se sabe a 100% se a Apple vai de facto aumentar a memória RAM dos modelos ‘standard’ dos seus iPhones, pelo que teremos de aguardar por mais rumores.

Angola ainda regista baixa na penetração de internet

Angola conta com 25,9 milhões de subscritores de telefonia móvel, e entre esses números, apenas 34%, ou seja, 8,8 milhões dos cartões SIM ativos têm o serviço de internet, de acordo com os cálculos do Expansão na sua última edição, aos dados do Instituto Angolano das Comunicações (INACOM) até ao segundo trimestre de 2023.

Na prática, em cada 100 cartões SIM ativos, apenas 34 têm o serviço de internet, ou seja, os serviços de voz continuam a ter uma grande predominância nas comunicações móveis, o que significa que existe ainda muito mercado a ser explorado no segmento dos dados móveis.

No geral, há mais de 9,4 milhões de subscritores de rede móvel de internet, 8,8 milhões nos telemóveis e 602.114 em outros dispositivos. Além da rede fixa com 136.281 subscritores, que está distribuída pela operadora Zap (44,4%), Tv Cabo (36,8%) e Angola Telecom com 10,8%, sendo que 8% pertence aos outros operadores.

A taxa de penetração de internet ainda continua desafiante, não tendo ultrapassado ainda a barreira dos 30% da população, longe da taxa da região da África Subsariana, que terminou 2023 com uma média de 70%, de acordo com a Statista, plataforma alemã de recolha de dados.

De acordo com os dados do relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), o sector das telecomunicações e correios teve em 2022 um contributo no PIB de 0,6%.

Sonangol defende implementação de inovação e tecnologia no sector

A woman walks past the head office of Angola’s state oil company Sonangol in the capital Luanda, Angola August 26, 2012. REUTERS/Siphiwe Sibeko/File Photo

A Sonangol defende a implementação da inovação e das tecnologias verdes nas operações de todas as empresas do sector petrolífero no país, onde neste momento está a estudar as melhores práticas que podem ser renovadas, a fim de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em toda a cadeia de valor das operadoras petrolíferas.

Essa declaração foi prestada pelo seu presidente do Conselho de Administração, Gaspar Martins, reforçando que deve haver um equilíbrio para não afetar o desenvolvimento económico do país, porque Angola depende, em grande medida, da exploração do petróleo.

E este grande recurso deve ser considerado, por nós, como uma vitória e temos de olhar para isso de modo equilibrado, de maneira que as emissões não coloquem em risco a nossa sociedade”, realçou o gestor da principal empresa pública do país.

MAIS: Sonangol vai produzir hidrogénio verde a partir de 2024

Quanto aos resultados obtidos, até aqui, pela Sonangol, no que toca à luta contra as alterações climáticas, Sebastião Martins não avançou dados da rentabilidade financeira, mas preferiu focar-se no compromisso social da organização com a descarbonização.

O presidente da Sonangol valorizou o facto de o Governo angolano pretender transformar a petrolífera nacional numa empresa resiliente, para continuar a contribuir para o crescimento económico do país.

Para o gestor da Sonangol, a tendência de todas as empresas petrolíferas tornam-se em operadoras de energia e, neste caso, a companhia nacional “está no bom caminho”.

Angola: TV por assinatura cresce 11% em 2023

A TV por assinatura é um serviço de transmissão televisiva que oferece aos assinantes uma variedade de canais, geralmente em formatos mais especializados e diversificados do que os canais de televisão aberta. Diferentemente da TV convencional, a TV por assinatura exige uma subscrição mensal, e proporciona uma experiência televisiva mais personalizada e diversificada.

De acordo com o jornal Expansão na sua última edição, em Angola o segmento da TV por assinatura, que tem sido vítima da pirataria, também cresceu nos últimos nove meses de 2023. O número de assinantes chegou a 1,92 milhões, um crescimento de 11% em relação ao mesmo período de 2022.

A assinatura de TV por satélite subiu 13,2% para 18,0 milhões, mas a televisão por cabo cresceu apenas 7,5% para 125.691 em relação ao período em analise. A Zap mantém a quota de mercado com 70,8%, a Dstv com 26,2% e a Tv Cabo com 2,9%. O sector, além da pirataria, tem um novo inimigo, as plataformas streaming.

O crescimento da TV por assinatura em determinadas regiões, como Angola, pode refletir uma crescente demanda por opções de entretenimento mais diversificadas e de alta qualidade, impulsionando a indústria a oferecer uma ampla gama de conteúdos para atender às necessidades e interesses variados dos consumidores.

Os principais erros cometidos pelas empresas em cibersegurança

O ano de 2023 apresentou um aumento de sequestro de dados (ransomware) e extorsões nas empresas, segundo dados do novo relatório da Allianz Commercial, Tendências de Segurança Cibernética 2023: As últimas ameaças e as melhores práticas de mitigação de riscos – antes, durante e após um hack.

Apesar de a frequência de incidentes cibernéticos ter se estabilizado em 2022, o levantamento apontou um aumento de 50% nos casos de ransomware já no primeiro semestre de 2023, com a potencialização de modelos como o Ransomware as a Service (RaaS). Para a NovaRed, uma das maiores empresas de cibersegurança da América Latina, os executivos ainda cometem erros básicos em segurança que levam ao agravamento das vulnerabilidades cibernéticas e a dificuldade em prevenir e responder às ameaças.

“Quem não cuida da cibersegurança do negócio acaba pagando caro mais cedo ou mais tarde. Para se ter uma ideia, o levantamento da Allianz aponta que violações cibernéticas não detetadas e contidas precocemente podem levar a repercussões até mil vezes mais caras do que se o ambiente estivesse devidamente preparado para prevenir e responder rapidamente aos incidentes cibernéticos. No entanto, alguns erros básicos ainda são cometidos no dia a dia corporativo e desencadeiam em vulnerabilidades ainda maiores”, afirma Adriano Galbiati, diretor de Operações da NovaRed.

O executivo listou cinco dos principais erros cometidos pelas empresas em cibersegurança neste ano:

  1. Falta de visibilidade dos dados

Diante de ambientes digitais cada vez mais complexos, principalmente com a recorrente partilha de dados com terceiros, o monitoramento dos riscos se torna ainda mais desafiador. Adriano Galbiati destaca que não há como defender sem conhecer os dados disponíveis e suscetíveis a ataques. “O Shadow IT, por exemplo, é um fenômeno comentado há mais de 10 anos sobre grandes organizações em que setores fora do TI, implementam novas ferramentas sem notificar os demais colegas. Ou seja, tanto os profissionais de segurança quanto de TI, ficam alheios a novos riscos envolvendo o uso de tecnologias com informações sensíveis da companhia. Isso ainda é algo que acontece frequentemente nos negócios e demonstra uma falta de cultura preventiva entre todos os profissionais”.

  1. A cibersegurança ainda não está no alto escalão

Para Adriano, a raiz dos principais déficits em segurança da informação se deve pela falta de alinhamento com o board executivo. Além disso, é preciso que a cibersegurança seja estruturada a partir da liderança para ser priorizada em todos os processos. “A falta de conhecimento dos executivos sobre os riscos cibernéticos faz com que os investimentos na área sejam mais escassos. Ter profissionais especializados em cibersegurança participando na tomada de decisões faz toda a diferença para existir um direcionamento mais assertivo dos recursos de monitoramento e segurança, bem como priorização da cibersegurança por todos os departamentos da empresa”, explica.

  1. Negligência nas estratégias preventivas

Com o aumento de ciberataques, a prevenção deve ser trabalhada para minimizar as vulnerabilidades, mas também considerar um Plano de Resposta a Incidentes de Segurança Cibernética (IRP) em caso de concretização de um ataque. Essa estratégia faz parte da mitigação dos riscos e torna o processo de recuperação menos danoso em termos financeiros, legais e de reputação. “Se a organização não possui um plano e qualquer estruturação para a resposta ao incidente, o processo de recuperação será mais demorado por demandar uma análise do ambiente que provavelmente levará a poucas conclusões. Até isso tudo for feito, parte das evidências já será apagada pelo cibercriminoso.”, afirma Adriano.

O executivo também destaca como a falta de preparo para casos de incidente pode ocasionar em medidas precipitadas que prejudicam no processo de avaliação das proporções do ataque: “Quando um ataque de ransomware está acontecendo, um grande erro é achar que pode interromper ao desligar o servidor. Na realidade, os dados podem ser perdidos definitivamente e a equipa de segurança não conseguirá averiguar as evidências do que causou a vulnerabilidade. O certo é isolar os equipamentos da rede e deixar para avaliar depois do ataque”, diz.

  1. Falta de parceiros estratégicos

Devido à complexidade da área de cibersegurança, Adriano conta que as empresas precisam contar com profissionais qualificados e atualizados para se proteger das novas ameaças cibernéticas do mercado e evitar novos pontos de vulnerabilidade. No entanto, a escassez de mão de obra qualificada e o alto turnover entre os profissionais se tornam grandes entraves para a obtenção de parceiros estratégicos em segurança. “Ter bons parceiros é imprescindível para conseguir implementar novas tecnologias de forma segura e traçar planos de cibersegurança eficazes. Em empresas de menor maturidade digital, com recursos ainda mais limitados para infraestrutura de defesa, essa dificuldade é ainda mais presente”, relata Galbiati.

Estima-se no mundo que 3.5 milhões de posições em Segurança da Informação não serão preenchidas em 2025, segundo a Cybercrime Magazine. “Essa lacuna pode representar, numericamente, aproximadamente a população do Uruguai. É por isso que as empresas precisam fazer uma integração prévia com equipes terceirizadas que contenham profissionais capacitados para atender a essas demandas, como no caso de um Centro de Operações de Segurança (SOC), por exemplo”.

  1. Pagamento do resgate de dados

Adriano alerta sobre o impacto prejudicial de pagar pelo resgate no sequestro de dados. Ainda assim, a prática vem crescendo recentemente, entre profissionais despreparados para a resposta de um incidente cibernético.

O relatório da Allianz também comprova esse hábito, indicando que o número de empresas que pagam um resgate passou de apenas 10% em 2019 para 54% em 2022. “No momento de pressão, o resgate pode parecer a solução mais rápida, porém você recebe os seus dados de volta num ambiente infetado e propenso a novos ataques, além de comprovar que o cibercrime é um modelo lucrativo”, afirma o executivo. Estudo da Cybersecurity Ventures constatou que o Cibercrime irá faturar USD 10,5 trilhões por ano até 2025, num crescimento anual de 15% no mundo todo.

“Para 2024, é preciso avaliar todas as falhas cometidas, pontuar o que deu certo, rever estratégias e, acima de tudo, desenvolver uma cultura organizacional capaz de orientar todos os níveis sobre as responsabilidades na segurança do ambiente digital corporativo”, finaliza Adriano Galbiati.