Tudo começou com a ARPANET, nos anos 60, um projecto militar norte-americano destinado a garantir a comunicação entre computadores de forma descentralizada.
Contudo, foi apenas nos anos 90, com a criação da World Wide Web por Tim Berners-Lee, que a Internet deu o salto para o grande público. A navegação simplificou-se, os websites multiplicaram-se e abriu-se caminho para uma revolução digital sem precedentes.
Angola conta com cerca de 17,6 milhões de utilizadores activos de internet, numa população onde a taxa de penetração já atingiu os 44,8%, segundo dados do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS).
Em paralelo, o país regista mais de 28 milhões de subscritores de serviços móveis, dos quais aproximadamente 16 milhões acedem à internet através de redes de banda larga móvel, um indicador que reflecte a centralidade do telemóvel como principal porta de entrada digital para a maioria dos angolanos.
Angola está ligada, mas ainda falha na adoção digital
Mas por detrás dos números de crescimento, o retrato é ainda de profunda assimetria. Cerca de 21,7 milhões de cidadãos permanecem sem acesso regular à internet, penalizados pela cobertura insuficiente, pelo custo elevado dos serviços e pela desigualdade persistente entre zonas urbanas e rurais. O MINTTICS reconhece este fosso e aponta a expansão das infra-estruturas e a massificação do acesso digital como prioridades estratégicas para os próximos anos.
No contexto lusófono africano, Angola posiciona-se entre os países com maior penetração digital, partilha esse patamar com Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, territórios onde a menor dimensão geográfica, a urbanização concentrada e os investimentos sectoriais criaram condições mais favoráveis à conectividade. Moçambique, apesar de registar avanços impulsionados pela popularização dos smartphones, continua a enfrentar desafios significativos ao nível das infra-estruturas e das assimetrias regionais.
À escala continental, África ultrapassou a barreira dos 40% de penetração média de internet, um salto notável face aos escassos 3,2% registados em 2005. Mais de 600 milhões de pessoas utilizam hoje internet móvel de banda larga, mas cerca de 900 milhões permanecem ainda offline com maior incidência nas zonas rurais, onde a cobertura desce para cerca de 28%. O crescimento é real, mas o fosso digital africano continua a ser um dos maiores desafios do século.






