Moçambique: INCM diz não ser possível garantir 100% de segurança das telecomunicações

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Nos últimos 4 meses foram detectados 44 ataques cibernéticos nas telecomunicações em Moçambique, sem um grande impacto, mas com um perigo permanente, e onde o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) não garante a segurança a 100%.

Segundo Adilson Gomes, Chefe da Unidade de Controlo de Tráfego e Telecomunicações do INCM, diz que “se acharmos que estamos seguros facríamos relaxados, mas sempre temos que achar que ainda temos situações de indivíduos que queiram nos atacr e, por via disso, estamos sempre em alerta. O que procuramos fazer é assegurar, que, de forma rápida e tempestiva, consigamos repor os serviços. Assegurar que, de forma alguma, os dados dos cidadãos fiquem expostos. Há mecanismos que são implementados a nível das operadoras que permitem segregar a informação dos utentes e colocar em lugares seguros. São mecanismos de difícil acesso e mesmo em caso de ataques, são de difícil localização”, disse.

Foi ainda revelado que o INCM tem 30 milhões de cartões SIM registados, dos quais 14 milhões encontram-se activos.

Por outro lado, os crimes cibernéticos não são única preocupação no sector das telecomunicações em Moçambique, explica o gestor público.

Nos últimos quatro meses, estamos a falar de mais de 50 mil situações denunciadas ou dtectadas de burlas e fraudes na área das telecomunicações. Deste número 20 mil foram de burlas. Crimes cibernéticos foram 613 casos de ameaças a pessoas, entre outros tipos de crimes”, disse o Chefe Chefe da Unidade de Controlo de Tráfego e Telecomunicações do INCM.

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Ainda na senda dos ataques informáticos sofridos em Moçambique, o INCM reconhece que nem sempre os mesmos vêm de fora, onde funcionários expulsos e mal-intencionados podem desencadear esses mesmos ataques.

Temos consciência disso. Qualquer instituição pública ou privada em funcionamento pleno tem noção que quando há um funcionário que se desvincula da empresa tem que retirar ou substituir os acessos para que não haja espaço para ataques cibernéticos”, disse Renis Machavana, Administrador de Sistemas no INCM.

Sobre às burlas financeiras ocorridas em território moçambicano, através de telemóveis, o INCM diz que já está em parceira com a PGR e as operadoras de telefonia móvel, bem como bancos, onde vão lançar uma plataforma onde os lesados poderão fazer denúncias e todos os intervenientes podem ter acesso a mesma, para de modo investigar, localizar e responsabilizar os envolvidos.

Quanto ao ataque que vários sites institucionais do país sofreram, para Severino Ngoenha, Reitor da Universidade Técnica de Moçambique (UDM), exclarece que isso é muito sério e que merece toda a atenção das autoridades no país, para não ocorrer situações mais graves.

“O pior cenário é que os piratas entrem no Ministério da Defesa, estamos em guerra. O sector da Defesa demonstra várias fragilidades, por isso, tivemos que recorrer a ajuda de outros países. O país se debate com a questão dos sequestros e se os raptores começam a ter acesso às contas bancárias das pessoas através desses ataques estamos a dizer que teremos mais pessoas raptadas. Se o nosso sistema bancário financeiro for atacado o nosso Metical, que já é periclitante, pode se encontrar em situação mais difícil. A situação é seria e deve ser encarada com toda a seriedade e gravidade que merece”, disse o académico.

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