Qual é o estado do FTTH em Angola?

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Artigo enviado por Henrikaly Anibal. Quer partilhar conhecimento com os demais seguidores do MenosFios? Siga os passos.

 

Dando-se ao factor de crescimento populacional que se registra a nível do continente
Africano, é de se salientar o esforço dos governos e reguladores que têm feito para o
devido enquadramento das TICs nas nossas sociedades. Em Angola há projectos de destaque, como:

  • Projecto Nacional de Fibra Óptica
  • Segundo Ponto de Ligação Internacional (WACS)
  • Terceiro Ponto de Ligação Angola-Brasil (SACS)
  • Normalização e Migração para TDT
  • Lançamento do 1º Satélite (AngoSat)

No entanto, tem se notado um aumento significativo dos Angolanos/Africanos na utilização das redes sociais, partilha de vídeos ou multimédia. Neste contexto, o tráfego de informações vem aumentado o que vai requerer das operadoras aumentarem a sua cobertura e investimento em infraestruturas. Em África em particular, o tipo de banda larga mais predominante é a móvel, como 3G, 4G, estas não só são as mais rápidas de se implementar(comparando com redes fixas) mas com também têm um retorno no investimento (ROI) [do inglês, Return on Investment] mais rápido.

Em um webinar organizado pela Africacom com parceria com a Xalam Analytics, foi abordado uma tecnologia particular para redes fixas de acesso à internet, assim como voz e TV – até certo ponto semelhantes as redes metropolitanas implementadas pela ZAP e TVCABO – FTTH, FTTB. Para o aumento da utilização da internet no país, bem como aumento os indicadores internacionais das TICs definidos pelo ITU-T, politicas para incentivar o aumento deste tipo de redes deveriam ser mais enfatizadas.

FTTH (acrônimo de Fiber-to-the-Home – Fibra para o lar) é uma tecnologia de interligação de residências através de fibra ópticas para o fornecimento de serviços de TV digital, Rádio digital, acesso à Internet e Telefonia. – in Wikipédia

Visto que é um tipo de tecnologia que requer um grande capital de investimento para a implementação da rede óptica, resultando em um prazo de implementação mais longo e um ROI a longo prazo, reguladores devem então criar estratégias como: Implementar um rede pública e operadoras apenas se responsabilizam com equipamentos para redução do CAPEX(Capital Expenditure), provavelmente assim atrairia mais operadoras.

Durante a sessão de perguntas e respostas do webinar questionei ao Director gerente da Xalam Analytics, Sr. Guy Zibia sobre qual seria então a dificuldade de reguladores africanos em criarem políticas para atrair investimento em FTTH?, ele respondeu que na verdade é uma questão directa mas difícil de responder, acredito que deve ser pelo motivo dos nossos líderes não estarem a projectar para o futuro ou com uma visão no futuro.

Uma outra questão abordada foi se FTTH/P é um luxo no mercado Africano?

Pelas pesquisas feitas pela Xalam, não é, mas, devido o custo na implementação, barreiras regulatórias, pelo facto de África ser predominantemente wireless, a demanda neste mercado não ser alta o suficiente têm sido as barreiras principais para o crescimento deste mercado.

Outros factores no meu ponto de vista são: a urbanização das cidades africanas e o custo elevado cobrado por operadoras como TVCabo ou ZAP. Normalmente apenas famílias de renda média estariam disponíveis a obter serviços destas operadoras. E operadoras são mais proeminentes a oferecerem seus serviços em zonas com maior densidade populacional, ou zonas empresariais, industriais para obter um ROI mais rápido.

Como resumo, políticas devem ser criadas para aumentar o investimento e enquanto países Africanos não aumentarem significativamente o nível de vida ou renda e os locais onde os mesmos vivem, África continuará atrás quando se refere nos níveis de penetração ao acesso à internet.